Notas iniciais
Ok, algumas pessoas querem me jogar pedradas e colar chiclete no cabelo pelo atraso. Mas não façam isso, por favor! ): Estou aqui na maior cara de pau para dizer que vou recompensá-los com dois capítulos seguidos! mimimimimmi Boa leitura, prometo não atrasar mais~

Aquela noite foi um tanto que estranha para ele. Esperar que ela viesse deitar, sentir o movimento que o colchão fez quando ela deitou na cama, por mais que tivesse memórias de um momento assim, aquilo era totalmente novo. Era como Sasuke dissera, mesmo que já se lembrasse de algumas coisas, veria tudo de uma forma diferente agora.

— Você deve estar adorando isso, não é? – disse ela sarcástica enquanto o abraçava na cama.

— E como não estaria?

— Eu sei que não estaria se soubesse de tudo.

— Não vamos falar disso, ok? Você sempre usa essa desculpa para se afastar e se isolar de mim e eu não quero que você faça isso agora. Eu quero apenas que você aja normalmente... Não tente ser uma pessoa que você não é. Quero que você seja como foi lá na sala.

— Quer que eu fique sempre chorando?

— Não. Quero que você pare de guardar essas coisas que não te fazem bem. Quero que você seja uma garota simples. Você é forte do seu jeito Hinata, você passou por tudo isso, perdeu sua mãe e sua irmã desse jeito. Quando você me contou... Eu fiquei imaginando o que se passava pela sua cabeça à medida que o tempo passava e tudo ia se repetindo. No final eu apenas pensei o quão forte você conseguiu ser por não ter quebrado... Eu não estou tentando curar suas feridas com palavras simples, eu só quero que você veja o quão forte você é Hinata.

Ela não disse nada, apenas levantou o rosto, deixou os cabelos azulados se espalharem pelo peito dele enquanto ela o encarava. Aqueles olhos azuis carregavam um brilho estranho e quente que ela não conhecia. Ele era aquele Naruto que ela conheceu na infância e na adolescência, ele era aquele Naruto que ela tanto amou e ainda amava. E embora ele fosse também aquele Naruto que ela insistia em odiar, ele era, também, alguém totalmente diferente, uma pessoa nova que ela ainda não conhecia totalmente e que aos poucos ia conseguindo ultrapassar cada barreira que ela havia construído para mantê-lo longe.

Naquele momento sem que ela percebesse já estava encantada por ele e sem conseguir resistir aproximou seu rosto do dele e levou a mão até o mesmo. Ele continuava preguiçoso. A barba estava por fazer, o que apenas o deixava com uma aparência mais adulta, os cabelos dourados estavam mais compridos que o normal e começavam a cair na testa dele. Os olhos azuis se mantinham fixos nos seus, pareciam explorar cada canto do seu ser.

— Você é linda sabia?

Ela sorriu com o elogio e para a surpresa dele, o beijou. Ela fez o que desejava fazer a tempos. Queria beijá-lo, queria se permitir isso. Hinata o beijou da forma mais lenta e terna e ao mesmo tempo apaixonada e totalmente desesperada que pôde. O fez por longos minutos, repetidamente, até que seu corpo estivesse ciente do que ela queria. Até que seu coração estivesse ciente de que ela o permitiria tentar outra vez. De que ela daria a eles dois mais uma chance.

— Nossa... Isso foi... Como posso dizer? Incrível. – Falou ele sem ar.

Aquela noite logo correu. Ela estava cansada e por mais que demonstrasse felicidade, ele sabia o quão frágil ela estava naquele momento. Logo que Hinata pegou no sono ele pôde sentir isso, ela tremia demais e o abraçava com força. Naruto não conseguiu dormir de imediato, estava transbordando preocupação e optou por apenas acariciar os cabelos azuis. Não tinha ideia ainda do quão machucada aquela mulher estava, não tinha ideia do quão quebrada ela realmente estava.

Na manhã seguinte Hinata acordou primeiro. E para sua própria surpresa, aquela noite anterior realmente fora real. Aquela noite onde falara sobre Hanabi, onde dera a Naruto mais uma chance, onde se permitiu tentar, quem sabe, ser feliz novamente. Ela olhou para ele por alguns segundos, estavam na mesma posição de quando foram dormir e ela acabou o acordando quando se mexeu para sair da cama.

— Desculpe, não queria te acordar.

— Tudo bem... – Disse ele em meio a um bocejo. – Você vai a que horas para a faculdade?

— Eu não vou hoje, não tenho condição alguma de prestar atenção na aula.

— Está tudo bem? – Ele falou sério usando um tom preocupado.

— Não posso dizer que está, mas vai ficar. Não se preocupe. – Respondeu ela indo para o banheiro.

— Vou descer e fazer o café. Eu tenho que sair e comprar algumas coisas e... Ah! Acabou que não te falei sobre o assunto que Shikamaru discutiu conosco. Lá embaixo eu te conto...

— Certo. – concluiu ela fechando a porta do banheiro.

Durante o café, Naruto contou tudo para Hinata, explicou cada coisa que Shikamaru disse, e como esperado, a ouviu reclamar bastante da sugestão do Nara de que eles andassem armados.

— O que você vai comprar?

— Vou encomendar portões novos, trocar as fechaduras, comprar câmeras novas para substituir as que já temos, cercas elétricas para colocar no muro e vou encomendar um alarme melhor. Vou comprar um carro novo também.

— Não precisa comprar um carro, pode usar o meu.

— Não, vou seguir a recomendação de Shikamaru. Vou procurar algum carro blindado e serviço de blindagem para o seu também. De qualquer forma, irei te acompanhar algumas vezes até a faculdade.

Aquela tarde foi corrida, ele fez tudo o que planejou, encomendou os portões, a cerca elétrica, comprou as câmeras, as fechaduras novas, efetuou a compra de seu carro na concessionária e deixou a blindagem do carro de Hinata encomendada; tendo em vista os últimos fatos, segurança nunca seria demais. Porém por incrível que pareça, o dia corria devagar. Mesmo fazendo tudo que fizeram, nas várias lojas e locais que foram, ainda eram três da tarde quando voltaram para casa. Assim que chegaram, Naruto foi direto para a cozinha preparar algo para comerem enquanto Hinata tomou um banho para depois descer com vários livros e cadernos para estudar, coisa que sinceramente estava difícil, porque por mais que tivesse tido uma boa noite de sono, o dia todo se viu atormentada por aquelas lembranças de Hanabi. Sempre pensou que quando finalmente pudesse parar e falar sobre ela, poderia ter um pouco de paz em relação as coisas que ainda sentia pela irmã. Parecia que estava enganada. No fim apenas ligou a televisão, zapeou os canais e pegou no sono.

Flash Back

— Você realmente deveria parar com essa palhaçada toda de se fazer de difícil e tentar de novo, você é nova demais para ficar remoendo as coisas.

— Você fala como se fosse a adulta da história Hanabi. – Respondeu ela séria.

Estava frio onde estavam, afinal o sol ainda estava nascendo e naquele mirante ventava bastante. Mesmo que Hanabi conseguisse irritá-la com facilidade tocando naquele assunto, ela não conseguia parar de se preocupar com a irmã e foi até a mesma outra vez ajeitar o cachecol dela

— Hana... Tem certeza que quer ficar aqui? Está muito frio, estou preocupada.

— Hina, de novo não, tá? Você me prometeu que me levaria aonde eu quisesse sem reclamar, mas você sempre reclama. – Respondeu ela bufando e agarrando o braço da irmã. – Sabe, eu sei que esse assunto irrita você, mas é que... Bem, eu sei que não tenho muito tempo restando, e por mais que Sakura e Ino saibam lidar com você, elas não sabem te decifrar como eu. E eu sei que se você não fizer algo quanto a esse assunto, logo isso vai te consumir.

— Hanabi, eu

— Deixe-me terminar. – Cortou Hanabi. — E daí que deu errado? Se lamentar e remoer isso não vai mudar o passado. Não dá para mudá-lo, você vai ter que aprender a conviver com isso. Tanto você quanto ele fizeram todo o possível.

— Não tente defendê-lo! — Hinata disse irritada. Hanabi parou por um tempo enquanto tirava algumas fotos do nascer do sol, mas logo recomeçou.

— Eu defendo, você sabe que não é assim, você o culpa para justificar a atitude que você tomou graças à pressão do papai. É verdade que ele errou por fazer as coisas daquele jeito, mas você também errou por ouvir o papai, porém p-a-s-s-o-u Hinata. Vocês se amam, dêem-se outra chance, agora que você está livre e o papai não pode mais interferir, deixe que ele tente outra vez... Permita-se ser feliz. Pare de ser idiota.

— Sabe, eu queria ter essa sua cabeça aberta, essa sua visão mais simples das coisas, mas eu não tenho. Não é tão simples assim, eu não consigo me perdoar pelo que eu fiz. Eu e ele já brigamos demais. Já discutimos de tudo quanto é forma, já estragamos o que restou da gente, já destruímos nossa amizade e qualquer outra coisa que existisse entre nós...

— Você só diz essas coisas porque não está com seus dias contados. – Disse ela fria.

— Hana!

— Hina, você sabe que eu te amo. Você é mais que uma irmã para mim, sempre foi. Mas essa sua teimosia... Você é muito apegada a essa sua visão de vida. Não me leve a mal, mas se você estivesse na minha situação, você veria que estar perto de quem você ama, sem se importar com qualquer outra coisa, é o que você iria querer. É o que eu estou fazendo, não é? Não pense que não levei em conta seus sentimentos, eu sei que você vai remoer tudo isso, sei que vai se culpar ou se martirizar. Mas eu não quero que seja assim, são os últimos dias da minha vida e quero que você os guarde como os melhores dias das nossas vidas. Você deveria pensar da mesma forma que eu; fazer dos últimos dias da sua vida, mesmo que ainda restem anos e anos, os melhores da sua vida... E da dele.

Durante toda aquela manhã Hanabi não parou de tocar nesse assunto nem por um minuto, os poucos segundos de silêncio que ela fazia era quando tirava algumas fotos, isso quando não falava enquanto fotografava. Hinata, porém já não se irritava mais, ela sabia que por mais irritante que aquele assunto fosse, Hanabi estava certa.

Logo depois do almoço, Hanabi parecia ter esquecido um pouco sobre isso, passou a tirar várias fotos dela com Hinata e das paisagens que via enquanto andavam de carro pela cidade.

Não demorou muito para que Hinata voltasse em direção ao hospital, estava chegando a hora do exame que Hanabi fazia todos os dias nos olhos, e naquele dia por melhor que a irmã estivesse, ela estava preocupada já que sua caçula estava nitidamente com o senso de equilíbrio afetado, por várias vezes ela perdia o equilíbrio e ficava um tempo andando agarrada à Hinata e em outros momentos permanecia daquela forma mesmo parada. Ela também estava pálida e por mais que estivesse tentando esconder, as suas idas ao banheiro durante ao almoço provavelmente foram sinais de uma de suas crises.

— Já estamos indo para o hospital? Você é chata...

— Você está com um pouco de febre e está tonta. Além disso, acha que eu não sei que suas idas ao banheiro foram um disfarce? Olhe para o lenço na sua mão, Hana! Está cheio de sangue! Hoje suas crises estão menores, mais ainda não pararam.

— Você sabe que elas não vão parar. Posso te fazer uma pergunta?

— Claro.

— Como... Nada, esquece.

“Como seria se eu não fosse morrer?” Essa seria a pergunta que ela faria à irmã. Mas não poderia fazer uma pergunta como essa, não depois de tudo que Hinata já estava sofrendo juntando seus problemas e os problemas dela. Fazer uma pergunta como aquela a fazendo imaginar tal coisa seria cruel demais... Afinal, o veredicto já estava dado. Já quase não enxergava... A cada hora que passava sentia seu corpo perder cada vez mais as forças, a visão já estava embaçada a ponto de mal conseguir andar. Falar estava ficando difícil assim como se manter de pé. Segurar as lágrimas também já estava difícil, embora jurasse que uma delas havia escapado. Estava chegando ao fim do caminho, provavelmente não passaria daquele dia.

Quando chegaram ao hospital, Hinata ajudou Hanabi a sair do carro e seguir pelos corredores. Logo chegaram à sala do médico que atenderia Hanabi, e Hinata, como sempre, ficou do lado de fora.

— Bem... Você já sabe o que fazer.

— Não precisa. Não mais doutor. – Disse ela desanimada.

— O que houve? – Perguntou o mesmo preocupado.

— Eu já quase não vejo o senhor, a cada hora que passa eu estou ficando pior, está difícil de andar e falar.

— Bem... – o médico apenas olhou para ela, ele sabia que não tinha nada a fazer. – Está com dor? Quer que eu te dê algo?

— Não precisa, já estou acostumada com as dores que sinto.

— Quer que eu fale com a sua irmã?

— Não vai adiantar esconder. Pode contar tudo a ela.

— Certo, vou enviar uma mensagem à recepção pedindo que a levem para um quarto enquanto eu converso com sua irmã, tudo bem?

— Obrigada.

Sem muitos rodeios o médico contatou a recepção e logo seguiu para o corredor onde Hinata estava sentada.

— Hyuuga-san. – Disse ele chamando a atenção de Hinata.

— Ah, olá... Está tudo certo?

— Bem, não consigo imaginar uma forma de dizer isso de uma maneira que não seja dolorosa... A senhorita notou algo de errado com sua irmã?

— Ela me pareceu muito tonta hoje... Além de estar tropeçando muito nas coisas... – O médico suspirou.

— Hyuuga-san, serei direto. Sua irmã não me deixou fazer o exame de rotina. Ela me disse que já perdeu grande parte da visão e que já está difícil andar e falar.

Aquelas palavras simplesmente a derrubaram, ela se sentou novamente enquanto tentava assimilar aquilo tudo.

— Eu cuidei da sua mãe... Acho que a senhorita sabe o que vou dizer... Já são 16:00... Eu lamento Hyuuga-san, mas sua irmã não terá muito mais tempo. Eu pedi que a levassem para um quarto, peço que me siga até a recepção e depois vá até ela.

Hinata seguiu as palavras do médico e o seguiu até a recepção, verificou o quarto em que Hanabi estava e seguiu até o mesmo com passos apressados. Abriu a porta do quarto sem cerimônia e lá estava ela, sentada na cama olhando para a janela.

— Não fique aí me olhando com essa cara de “por que não me contou nada?”. Apenas sente. – Ela o fez. – Você lembra o que eu te disse quando isso começou? Que enquanto eu pudesse te ver e andar, eu teria um motivo para ficar viva? Eu não menti. Enquanto eu pude te ver e andar com você, isso me manteve viva Hina. Eu... quero te agradecer. Eu te amo, sabia? – Ela disse isso com a voz mais amável que encontrou enquanto não conseguia mais segurar as lágrimas.

— Não chora. Eu não quero chorar ainda.

— Você já deve ter se desmanchado, Hina! – Disse ela tentando rir.

— Hana... Você não consegue realmente ver mais?

— Praticamente não, só alguns borrões. Eu vim percebendo isso desde a madrugada. A cada hora minha visão piorava um pouco, até que começou a ficar insustentável há algumas horas... Eu já não consigo levantar também...

À medida que o tempo passava e Hanabi ficava mais quieta só deixava Hinata mais nervosa. Aquilo era desesperador, repetir tudo aquilo outra vez. Isso estava a enlouquecendo. Até que depois de um tempo, o céu já tomava aquele tom alaranjado de fim de tarde enquanto o sol começava a se esconder, e então a voz fraca de Hanabi apareceu de novo.

— Estou vendo um borrão laranja... – disse ela apontando. – Ei, Hina... – Ela segurou a mão da irmã. – Você é ótima sabia? Eu estou feliz que pude passar esse tempo com você... Ah, antes que eu me esqueça... Quando você estiver pronta, me prometa que vai revelar as fotos? Embora seja um pouco difícil encontrar um lugar para revelar filme hoje em dia. É isso mana... Foi divertido!

Ela fechou os olhos, sua mão aos poucos foi perdendo a força enquanto sua respiração cessava. Era o fim, era outra vez o fim...

Fim Flash Back

— EI! Hinata!!

Ela acordou assustada, Naruto estava a sua frente exaltado e segurava seus ombros com certa força. Só então ela percebeu, era apenas um sonho, estava apenas revivendo aquele dia. Só então ela viu que a almofada estava molhada de lágrimas assim como o seu rosto.

— Você começou a chorar do nada, estava dizendo coisas confusas e eu não conseguia te acordar! – Ele estava claramente preocupado. – Está tudo bem?

— Desculpe... Foi apenas um sonho. Apenas uma lembrança.

— Tinha a ver com sua irmã? Eu ouvi o nome dela.

— Sim. Sonhei com o dia em que ela morreu. Desculpe se te deixei preocupado.

Ele apenas a abraçou. Ela retribuiu o gesto enquanto tentava cessar as lágrimas.

— Vamos comer algo. Você deve estar com fome.

— Sim.

Várias vezes enquanto comiam ele tentou puxar um assunto, mas ela parecia estar muito tranquila... Até demais.

— Naruto, você pode me levar em dois lugares?

— Sim, aonde?

— Aqui primeiro. – Ela mostrou o endereço no celular.

— Tudo bem, assim que estiver pronta.

— Certo.

Rapidamente ela colocou uma roupa. Os dois estavam de calça jeans, blusas comuns e casacos moletom grandes o suficiente para esconder o rosto caso necessário. Logo os dois deixaram a casa e seguiram caminho. Durante todo o percurso ela esteve quieta enquanto Naruto tentava adivinhar o que tinha no endereço que ela passou para ele. Mas a surpresa foi maior do que ele esperava quando chegaram e aquilo apenas o deixou mais curioso. Estavam frente a uma lojinha de revelar fotos e por vários minutos ela ficou lá dentro, já estava quase indo lá ver o porque da demora, quando ela saiu com dois grossos envelopes na mão e entrou no carro novamente.

— Isso é...

— As fotos que a Hanabi tirou e que até agora eu não tive coragem de revelar... Posso te pedir para me levar em mais um lugar?

— Claro.

Ela passou o endereço para ele e ele seguiu viagem. Não demorou para chegarem. E para a surpresa dele, era o cemitério da cidade. Não era muito grande nem muito chamativo, mas era belo. Mesmo que de uma forma triste. Ele apenas a seguiu entre os túmulos e permaneceu um pouco afastado quando ela parou frente ao túmulo da irmã.

— Hey... Eu finalmente vim, não é? Eu revelei as suas fotos... Ainda não olhei, mas te prometo que quando chegar em casa eu vou olhar todas, vou separar as mais belas e fazer um álbum. Ah... E acho que finalmente segui seu conselho e consegui mudar um pouco. Mas acho que isso você já percebeu...

Por mais um tempo ela ficou ali. Falando sozinha sentada no gramado frio enquanto volta e meia alguma lágrima corria em meio aos sorrisos que ela dava. Naruto não sabia que grande parte das mudanças que ela enumerava para o túmulo da irmã se tratavam dele. Afinal essa foi uma das coisas que Hanabi mais tentou fazer Hinata enxergar... Ela não poderia seguir em frente sem ele. Parecia que ela começava a entendê-lo por mais que seus sentimentos ainda estivessem confusos. Aceitar dar uma chance a ela e Naruto era um modo de tentar seguir em frente. De tentar, quem sabe, fazer daquele passado tão doloroso, algo como uma mera lembrança ruim.

Quase uma hora depois eles voltaram para casa e a primeira coisa que ela fez foi ir para a sala, sentar no chão e abrir os dois pacotes. Naruto seguiu para a cozinha, fez duas canecas de chá e quando voltou para a sala, o sofá, o chão e a mesinha já estavam recheadas de fotos. Eram belas fotos na maioria, grande parte de paisagens, várias outras com Hinata e Hanabi, ela era uma garota bonita, parecia com Hinata embora tivesse uma aparência mais jovem e livre. Os olhos eram os mesmos embora o cabelo fosse castanho. Pelo sorriso que ela tinha nas imagens, ninguém jamais diria que aquela garotinha feliz estava doente. Pela primeira vez, ele começava a ter uma noção de quanta dor ela carregava... Do quão quebrada Hyuuga Hinata realmente estava. Ela amou e perdeu sua mãe. Ela amou e perdeu sua irmã... Fora todo o passado dela com ele. E o pai... Ainda havia muita coisa guardada nela, ainda havia muita coisa para ele descobrir. Tudo o que ele podia fazer naquela hora, era o que ele estava fazendo. Era apenas abraçá-la e permanecer ao seu lado. E era apenas disso que ela precisava agora.

— Desculpe por todas essas lágrimas, ok? E obrigado por estar aqui comigo. Eu realmente agradeço por você estar do meu lado, Naruto. – Ela olhou para ele.

— Eu te amo, lembra? Estarei aqui para sempre com você.

— Eu também te amo.