Entre o Amor e a Espada

6 Capítulo 6 DESTINOS ENTRELAÇADOS...


Notas iniciais
"Creio que quase sempre é preciso um golpe de loucura para se construir um destino." Marguerite Yourcenar

Afrodite aproximou-se de June que ainda olhava o treino dos gladiadores e espichou os olhos, detendo-se no moreno que lutava contra dois oponentes. Dava para notar a firmeza e o esforço da musculatura rija e bem desenvolvida. O torso nu estava banhado de suor e, assim como Milo, ele não usava escudo e manuseava a espada com experiência e rapidez ao enfrentar seu oponente com a lança.

Que homem... Gostaria de prová-lo na cama! Pensou o belo escravo levando o dedo mindinho aos lábios.

— Saga deixou dito quando volta? – perguntou June tirando a atenção de Afrodite sobre o gladiador.

— Disse que volta ao entardecer, domina.

— Ele disse que viagem de última hora é essa? Estava dormindo quando ele saiu. – disse June apertando os olhos.

Claro, que estava dormindo... Bebe mais vinho doce que um velho impotente!- Pensou Afrodite sorrindo e respondendo com um tom gentil:

— Um barco chegou de Creta com algumas mercadorias para que domini Saga pudesse avaliar. O mercador enviou um menino entregar a mensagem hoje cedo.

Contrabando. Saga adora mercadorias exóticas! Tomara que me traga um presente decente, para variar! – disse June fazendo uma careta de dor. – Peça à Shina para me trazer um chá de ervas amargas. Minha cabeça está me matando!

— Sim, domina.

Afrodite saiu, e June olhou para os gladiadores e sua atenção voltou-se para Máscara da Morte. Avaliou, demoradamente, o corpo musculoso do gladiador e a selvageria com que ele lutava contra os seus oponentes. A subligaria que ele usava deixava perceber os ossos do quadril e também o volume do seu sexo.

June avaliava cada homem e pensava na decisão que tomara, sentindo a boca secar e os mamilos enrijecerem e, quando Shina chegou com o chá ela pediu mais vinho e pensou que havia muito tempo até o entardecer...

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— Tem certeza disso? – perguntou a voz por trás da coluna dórica do templo de Júpiter.

— Absoluta. São homens acostumados a esse tipo de trabalho. Por um bom preço, é claro.

— Dinheiro não é problema, mas exijo resultados. Não quero que o matem, nem ao escravo. Tem que parecer um assalto a um patrício nestes tempos nebulosos.

— Será feito, dominus.— respondeu o homem com olhos caídos e sorriso cruel.

— Pois bem, o endereço é esse. Cuide para que não haja testemunhas. – falou a voz.

O homem sorriu, mais uma vez, ao receber o pergaminho junto de uma bolsa de couro contendo 20 denários. Nas sombras, o dono da voz deixou que o homem deixasse o templo para só então, dirigir-se ao seu destino.

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Desembarcadouros insinuavam-se na margem da cidade e o porto estava repleto de navios. Barcos de pesca chegavam e partiam, assim como embarcações maiores descarregavam produtos vindos da Grécia e de outros lugares.

Saga observava a tudo, tentando localizar o mercador que lhe enviara o recado. Ao seu lado, Camus estava atento e procurava localizar o homem segundo as instruções de seu senhor.

— Estranho, a mensagem dizia que ele estaria aqui. – disse Saga.

— Esse homem é de confiança? Este local não me parece seguro para negociar, dominus e já está ficando tarde.— disse Camus.

Saga sorriu.

— Camus, tenho que admitir que Dohko fez um bom trabalho com você. Parece mais um velho conselheiro cheio de precauções que um escravo.

Em seguida, um menino maltrapilho chegou correndo e entregou um pergaminho para Saga. O cônsul pegou-o e leu.

— Venha, Camus. O mercador está neste endereço.

A contragosto, Camus seguiu Saga. Não sabia o porquê, mas sentia-se como há dois anos atrás, quando viajava com seu pai e fora escravizado. A mesma sensação de densidade, o mesmo desconforto na nuca.

Saga entrou em um barco afastado e Camus olhou ao redor. Tudo estava muito quieto, exceto por um barulho estranho de coisas sendo arrastadas. De repente, um homem calvo e gordo surgiu.

Dominus! Venha, eu trouxe uma mercadoria de qualidade que guardei nos fundos do barco. Sabe como é... precisamos nos precaver. – falou o homem e Camus desconfiou do tom da voz anasalada.

Saga olhou para o escravo e pareceu desconfiar também, mas mesmo assim seguiu o mercador. Camus sentiu-se desprotegido já que não podia portar nenhum tipo de arma. Manteve a aparência “inocente” e permaneceu ao lado de Saga.

De repente, vindos de trás, dois homens tentaram agarrar o cônsul, enquanto outro ameaçava Camus com um punhal longo.

Mesmo desacostumado com lutas, já que se tornara um homem dedicado às letras, Camus ainda se lembrava de algumas defesas contra punhais. Lançou-se contra o homem que o ameaçava, enquanto Saga lutava contra os outros dois.

Entretanto, o local era apertado a cheio de barris e redes o que dificultava a movimentação. O falso mercador atirou uma rede sobre Saga e ele logo foi dominado pelos demais.

Camus deixou passar o ataque e tentou esmurrar o homem, mas acabou escorregando no chão sujo e oleoso. Maior, mais atarracado e com a vantagem de conhecer o local, o agressor avançou em Camus com uma corda grossa, desequilibrando-o. Logo, mais dois homens surgiram e tanto Saga, quanto Camus acabaram sendo subjugados.

— Larguem-me! – gritou Saga quando sentiu o algodão grosseiro roçar em sua face.

Um saco foi colocado na cabeça de Saga e, em seguida, ele foi empurrado em direção ao chão.

Mesmo com toda a diferença de peso e força que havia entre ambos, o homem que agredira Camus não conseguia dominá-lo por completo. Então, um dos homens que chegara por último juntou-se ao companheiro e desferiu um golpe no flanco do ruivo, lhe atingindo as costelas, enquanto o outro o sufocava.

Camus sentiu-se prestes a desmaiar, o ar fugia de seus pulmões, a mão grosseira feria-lhe os lábios e o nariz. Numa reação desesperada, ele cravou os dentes na mão que o impedia de respirar, enquanto seu corpo dobrava com o impacto e a dor do golpe desferido pelo outro agressor.

Praguejando, o homem o largou, porém o outro continuou agredindo-o até que caísse.

Encapuzado, Saga era agredido com chutes no corpo, enquanto Camus era contido e espancado no rosto.

— Escuta aqui, seu escravo de merda! Já que é tão corajoso, vai apanhar pelo seu senhor! Depois, vou comer esse teu rabo até te fazer gritar como as rameiras do cais! – falava o homem, enquanto esbofeteava o ruivo.

Mesmo estonteado, Camus não se entregava e, num último ato, chutou como havia visto Milo fazer quando lutava, atingindo o seu agressor no baixo ventre.

Vendo que seu companheiro estava tendo dificuldades com o ruivo, o homem com cara de cavalo e cheio de pelos nos braços foi ajudá-lo, golpeando Camus pelas costas e fazendo-o cair de joelhos.

Perto dali, Kanon e Aiolia verificavam os cavalos que haviam chegado, sem saber que Saga e Camus estavam há alguns metros de seu destino.

Entretanto, movido por uma estranha intuição, Aiolia se deteve na movimentação suspeita de alguns meninos na direção das barcas e quando os interpelou, um deles, assustado com a presença do homem com a marca da legião tentou fugir. Agindo rápido, Aiolia pegou o menino pela roupa.

— Ei! Porque está fugindo?

— E-Eu só entreguei a mensagem! – disse o menino apontando na direção do barco.

— Kanon, eu vou dar uma olhada, meus instintos dizem que algo está errado por aqui. – disse Aiolia enquanto Kanon separava os cavalos.

— Está bem, logo me juntarei a você. – respondeu o general.

Aiolia entrou no barco e já desembainhou a espada quando percebeu os gemidos e os sons das agressões.

— Por Minerva! O que pensam estar fazendo?! – gritou Aiolia ao ver a cena.

Num primeiro momento, a surpresa fez os homens estancar, depois tentar reagir. Entretanto, ao notar a presença de um oficial romano a situação se tornou tensa e dois deles tentaram ganhar tempo, enquanto os outros continuavam com Saga e Camus.

Ao olhar na direção das vítimas, Aiolia reconheceu Camus e, por conseguinte, sabia que o encapuzado só podia ser...

— Saga!

Dois homens avançaram na direção de Aiolia, enquanto os outros três, e o falso mercador tentavam escapar. Kanon surgiu na porta, impedindo-os de sair, mas ao pousar os olhos em Saga e Camus, a surpresa e, ao mesmo tempo a ira invadiu suas ações e ele desembainhou a espada cortando o primeiro e já chutando o segundo.

Aiolia já cuidava dos outros dois, quando Kanon dominava os demais. Um foi morto na hora, os outros dois ainda tentavam cercá-lo, mas o conhecimento bélico de Kanon, mais sua habilidade com a espada resultou na morte de mais um e um ferimento mortal no último.

— Fale! Quem são vocês e porque atacaram um cônsul? – gritou Kanon para o homem ferido.

— E-Eu... N-Nós... – balbuciou o homem com a boca cheia de sangue.

— Fale, maldito!— vociferou Kanon, mas o homem já estava morto.

Aiolia já havia retirado o saco da cabeça de Saga que apresentava escoriações no rosto e curvava-se com dor na região das costelas. Camus havia apanhado mais e se apoiava na parede do barco com um corte profundo no supercílio, o olho fechado e o lábio inferior sangrando. Também havia sido machucado na altura das costelas e havia um vergão nas costas.

— Você está bem? – perguntou Aiolia para Camus.

— Sim... dominus.— respondeu o jovem com dificuldade.– Vamos tirá-los daqui! – disse Kanon apoiando Saga que tinha uma expressão de dor. – Aiolia precisamos dos cavalos. Vamos acomodar Saga e Camus em um e usar os outros para levar os corpos.

Aiolia assentiu com a cabeça e deixou o barco, enquanto Kanon verificava os ferimentos do irmão.

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Já havia se passado algumas horas após o almoço dos senhores e, os gladiadores iniciavam o seu. Havia fartura na casa de Gemini, tanto para os senhores quanto para os escravos o que era um diferencial enorme das outras casas onde os domini que passavam bem, mas subjugavam seus servos.

Pão, carne de javali, coelho e pato, peixe, ovos e aveia estavam presentes em ambas as mesas, na domus de Saga e, Máscara da Morte mordia com gosto mais um pedaço da carne tenra e consistente do javali.

Manigoldo viu a jovem Shina aproximar-se do gladiador e sussurrar-lhe algo ao ouvido. Máscara olhou-a e fez uma expressão maliciosa sem nada dizer. Em seguida, largou o que restava da carne no prato e acompanhou a escrava. Um uivo baixo dos demais acompanhou Máscara que fez um gesto obsceno com o dedo.

— Voltem a comer! – gritou Manigoldo.

No corredor que levava para o interior da domus, Máscara olhou para Shina que não lhe dirigia o olhar. Seguiram em silêncio até chegar aos aposentos de June.

Afrodite permanecia ao lado da domina e, quando Máscara entrou, o olhar de ambos se encontrou. O azul cristalino e dissimulado conectou-se ao azul selvagem e arrogante e um erotismo quase palpável instaurou-se entre os dois, até June dispensar Shina e Afrodite desviar os olhos.

— Aproxime-se e tire a sua subligaria. – disse June bebendo mais um gole de vinho.

Máscara da Morte se aproximou e obedeceu, olhando para June e, em seguida, para Afrodite. O olhar da domina recaiu sobre o membro avantajado do gladiador e ela suspirou.

— Você tem irmãos? Sua família é numerosa? – perguntou June.

— Tenho 10, minha família é bastante grande. – respondeu Máscara.

— Vou ser direta. Eu preciso de um filho. Chamei-o aqui, porque quero sua semente, não por prazer. Observo que é discreto e não se mistura muito com os seus. Ótimo, eu o recompensarei pelo... trabalho que irá empreender comigo. Aumentarei a sua cota de vinho e mulheres. Mas, se por ventura me trair, mando castrá-lo e arrancar a sua língua.

Máscara da Morte franziu o cenho, mas nada disse.

— Você nunca falará sobre isso, nem comentará o que aconteceu aqui. Afrodite vai prepará-lo. – finalizou June.

O gladiador viu o belo escravo se aproximar e se ajoelhar a sua frente. As mãos delicadas e suaves tocaram o seu membro que logo ficou ereto.

Olhando, sugestivamente para Máscara da Morte, Afrodite tomou o falo duro em sua boca e começou a sugá-lo com volúpia, vendo-o conter um gemido involuntário que quase lhe escapou da boca e, divertindo-se com isso, começou a traçar com a língua quente e úmida, caminhos tortuosos em toda a extensão, para depois fixar-se no pequeno orifício que logo começou a gotejar...

Sentindo o prazer de ter seu falo abocanhado com maestria, Máscara levou as mãos ao rosto do escravo, mas quando ia tocá-lo, Afrodite se afastou, deixando um vazio desagradável que fez o gladiador gemer contrariado.

— Ele já está pronto, domina.— disse Afrodite com um sorrisinho no canto dos lábios.

— Muito bem, penetre-me! – falou June levantando as vestes e ficando de quatro sobre a cama.

Máscara ficou contrariado, porém obedeceu, posicionando-se para penetrar June por trás quando Shina os interrompeu.

Domina! Dominus Saga chegou carregado por vosso cunhado! Ele está ferido!

De imediato, June se recompôs e olhou para Afrodite que entendeu rapidamente o que fazer.

— Venha comigo. – disse Afrodite para Máscara.

June correu para o salão de entrada, encontrando Saga apoiado por Kanon e Camus por Aiolia.

— Pelos deuses! O que aconteceu? – perguntou ela.

— Eles foram atacados por bandidos. Mande vir água quente e panos limpos! – ordenou Kanon.

— Pode deixar que sei cuidar do meu marido, cunhado. Shina irá chamar o médico, enquanto eu o lavo. Apenas me ajude a colocá-lo no divã para que possamos limpá-lo – respondeu June.

Kanon ajudou-a e Camus foi encaminhado por Albafica para ser cuidado também.

No pátio, alheios à movimentação no interior da casa, os treinos haviam recomeçado.

Milo golpeava o escudo de Mu quando, por instinto, olhou para a sacada. Sabia que os senhores haviam saído e que Camus acompanhava Saga. Entretanto, sentia algo no ar, uma espécie de pressentimento...

— Milo! Mas o que está fazendo? Como deixou passar esse golpe? – gritou Manigoldo quando viu Milo ser chutado por Mu e ainda atingido na altura das costelas.

No chão, Milo ignorou a pergunta e olhou, novamente, para a sacada.

Nada. Nenhuma movimentação.

Levantou-se e sacudiu a poeira do corpo, preparando-se para retornar ao treino.

Nos corredores que levavam às celas dos gladiadores, Afrodite acompanhava Máscara em silêncio. Porém, antes de retornar ao pátio, o gladiador olhou-o bem no fundo dos olhos e antes que Afrodite desviasse o olhar e fizesse um movimento de recuo, tomou-o, abruptamente nos braços e colou o corpo ao dele, beijando-o profundamente, enfiando a língua em sua boca de forma urgente e selvagem.

As mãos grandes e calejadas percorreram-lhe as costas, as nádegas e Afrodite sentiu a ereção de Máscara, através do tecido grosseiro da subligaria.

O gladiador havia ficado excitado e, é claro, desejava extravasar o que ficara contido. Mas Afrodite não seria a presa, também sabia agir como um predador. E, então, mordeu-lhe o lábio, com força. Máscara gemeu e recuou por um segundo. Com os cílios semicerrados e o olhar turvo, ele o encarou e Afrodite viu um desejo voraz no azul profundo.

Máscara interrompeu o olhar e puxou-o para perto de si, afundando a mão entre os seus cabelos e lambendo os lábios finos, apossando-se, novamente, da língua quente que agora se entrelaçava na sua com volúpia e vontade.

Tocando-se e beijando-se com força e sofreguidão, ambos flutuavam na tênue linha entre a dor e o prazer. Por um momento, pararam e se encararam e, desta vez, um sorriso se abriu nos lábios de ambos.

Afrodite sentiu seus pés serem erguidos do chão e gemeu quando as suas costas bateram com força na parede. Preso, entre o estuque áspero e o corpo largo e forte, Afrodite se deixou despir da cintura para baixo, enquanto Máscara abria parte da subligaria revelando uma ereção, extremamente, desperta e túrgida.

Ele enroscou as pernas nos quadris de Máscara, colando o corpo, ainda mais ao dele, fazendo-o sentir que também estava excitado. A cena incendiou o gladiador que o penetrou com força e tão abrupto e profundo que Afrodite gritou.

Dor, intensidade e excruciante prazer...

O membro rijo abriu caminho sem piedade e os ofegos que se seguiram à invasão escaparam de ambas as bocas.

Máscara saiu de dentro dele, ficando parado por um segundo. Depois, mergulhou tocando-o no ponto do prazer e Afrodite gemeu quando bateu, novamente, com as costas na parede e a situação inusitada percorreu-lhe a mente. Aquele homem havia sido escolhido pela domina e mesmo que ela dissesse não procurar o prazer, certamente o teria e desejaria mais e mais.

Desejar Máscara da Morte seria disputar com a sua senhora e isso, ele o sabia, seria uma faca de dois gumes... Porém, agora, não pensaria em nada, tudo o que queria era, simplesmente, sentir.

Delírio, frenesi e dor. Queria tudo, bem ali, sem limites, nos braços daquele homem que era tudo o que havia imaginado e muito mais.

— M-Mais forte... — gemeu no ouvido de Máscara, fazendo-o investir com mais ímpeto para dentro de si.

O gladiador gemia e arremetia com violência, sentindo os dedos de Afrodite ora, cravarem-se em suas costas, deixando marcas sobre a pele suada, ora enroscarem-se, em seus cabelos longos, puxando-os com desvario.

Afrodite sentiu quando Máscara da Morte retesou-se, sentindo o clímax se aproximar, tentando controlar-se, mas não resistindo ao prazer de tomá-lo, profundamente. Gemeu, extasiado e sorrindo ao reconhecer que tinha esse poder sobre os homens e, sobre aquele gladiador, em especial...

— V-Vem... M-Mais forte! Ahhhh... Ahhhh...isso, m-me faz...gozar... — sussurrou rente ao ouvido do gladiador.

Totalmente entregue ao calor e prazer de sentir-se engolfado por aquele escravo e por seus sussurros enlouquecidos, Máscara da Morte estocou mais forte e rápido, afundando-se mais, enchendo-o com o seu prazer tão profunda e desesperadamente quanto podia. De sua garganta saiu um gemido abafado e longo e ele sentiu seu tórax ser molhado pelo gozo de Afrodite que também chegava ao orgasmo.

Os dois tremeram, convulsos e se agarraram com força, as bocas se encontrando sem fôlego, o coração batendo violentamente por todos os poros.

— Ai... — disse Afrodite.

Máscara levantou a cabeça enfiada em seu ombro onde a pousara buscando recuperar o fôlego. Mexeu-se um pouco, sentindo a respiração quente de Afrodite em seu pescoço.

— Algum problema? – conseguiu dizer em meio ao efeito do orgasmo intenso

— A parede... — falou Afrodite, com uma careta de dor e ainda agarrado à Máscara da Morte.

O gladiador o afastou da parede e o pôs de pé, levando-o para uma parte mais iluminada daquele corredor.

— Vire, deixe-me ver. — disse Máscara examinando as costas do escravo.

Afrodite obedeceu sentindo as costas arderem como se tivessem sido queimadas.

— Arranhou um pouco. Vamos pegar um pouco de água e eu...

— Não! Deixa que eu mesmo faço. E você, se limpe e volte para o seu treino. E também se lembre do que a domina disse: nenhuma palavra sobre isso!— disse Afrodite tentando afastar-se.

Máscara olhou-o, depois suspirou. Não disse mais nada e virou as costas.

Afrodite engoliu em seco, sentindo o sêmen escorrer por entre as pernas. Era melhor assim, nada de intimidades após o sexo, nem conversas. Eram escravos e sujeitos aos desejos de seus senhores. Devia agradecer aos deuses poder ter conferido suas impressões sobre aquele homem e era só. Se Eros permitisse, talvez o encontrasse, novamente...

Quando Máscara retornou ao pátio de treino, Milo foi até ele.

Dominus ainda não voltou? – perguntou Milo.

Máscara o encarou sério, depois deu de ombros e falou:

— Voltou, mas parece que aconteceu alguma coisa. Ele se feriu.

— Se feriu? O Camus tava com ele! O que aconteceu? – falou Milo já preocupado.

— Não sei, mas logo vamos saber. – respondeu Máscara.

Milo levou a mão aos cabelos e olhou na direção da sacada. Depois largou a espada e fez menção de deixar o pátio. Nem bem tinha chegado ao portão, o chicote de Manigoldo estalou.

— Milo! Onde pensa que está indo? – gritou o Doctore.

— Aconteceu alguma coisa com Saga. Quero saber o que foi.

— As questões dos senhores são da alçada deles! Volte para o treino.

— Camus estava com ele, preciso saber o que aconteceu. – insistiu Milo.

— Lembre-se do que eu disse prá você hoje cedo. Mantenha o objetivo e não se deixe levar pela paixão. Se tivesse acontecido algo grave, nós saberíamos, pois notícia ruim vem a galope. Agora volte ao treino ou terei que discipliná-lo na frente dos demais. – falou Manigoldo próximo do gladiador.

Milo obedeceu, mas foi o treino em que mais golpes recebeu até Manigoldo dispensá-lo. Quando o chicote estalou mandando-o descansar um pouco, Milo correu até o corredor que levava até o interior da casa. Quase bateu de frente com Albafica que levava uma bacia de água nas duas mãos.

— O que aconteceu? – perguntou Milo.

Albafica o olhou de cima a baixo e depois respondeu conciso:

— Não devia estar aqui. Gladiadores só entram quando chamados pelo dominus ou a domina.

— Vai à merda, Albafica e me diz logo o que aconteceu? O Camus tá ferido?

O escravo suspirou.

Dominus e Camus foram atacados por bandidos. O médico está tratando de Saga e Camus está sendo cuidado por mim. Satisfeito?

— Eu vou com você!

— Não mesmo! Volte para a sua cela e...

— Me dá a porra dessa bacia e cala a boca! Vou ver o Camus e ninguém vai me impedir. Satisfeito?— falou Milo arrancando a bacia das mãos de Albafica.

Albafica olhou firme e zangado para o gladiador o que pouco adiantou. Milo parecia uma parede à sua frente com o diferencial que era uma parede viva e preocupada que, se decidisse forçá-lo, teria pleno sucesso.

— Está bem! Mas não faça ruído e não fale! Se surgir alguém deixe que eu explique.

— Tá, agora vamos. – disse Milo já empurrando o escravo.

Camus estava sentado num banco de madeira. Os cabelos avermelhados estavam um pouco sujos de sangue, o rosto machucado mostrava um arroxeado próximo ao olho esquerdo que já estava aberto e o lábio inferior cortado. O torso nu evidenciava algumas escoriações que se traduziam em vergões avermelhados e roxos em alguns lugares.

— Milo? – disse ele ao ver o gladiador entrar com a bacia na mão e Albafica do lado.

O gladiador olhou-o, preocupado, e então se aproximou tocando-o no rosto.

— Milo... O que está fazendo? Não devia estar aqui. – falou Camus constrangido.

— Fiquei preocupado. Quem fez isso com você? – insistiu Milo.

— Bandidos. Dominus foi atraído para uma cilada. A história do tal mercador era falsa, foi tudo uma armação.

O gladiador franziu o cenho. Um nome de imediato surgiu em sua mente e ele sentiu o sangue ferver. Minos!Só podia ser! Era o único inimigo declarado de Saga e já tinha sido humilhado em público várias vezes.

— Posso até arriscar quem foi o filho da puta covarde que fez isso. — disse Milo.

Camus quase sorriu. A preocupação do gladiador com ele era reconfortante, mas perigosa. Não desejava que ele fosse castigado por entrar na domus sem ser solicitado.

Dominus Kanon está tratando disso. Agora vá, não quero que se prejudique por minha causa. Eu irei até a sua cela mais tarde. – disse Camus.

— Obedeça, antes que surja alguém e prejudique todos nós!— falou Albafica colocando as mãos na cintura.

Fazendo uma careta para Albafica e sorrindo para Camus, Milo obedeceu e se retirou. Camus devolveu o sorriso como pode e depois deixou que Albafica terminasse de cuidar de seus ferimentos.

Era tarde da noite quando Camus desceu à cela de Milo. O gladiador o esperava, ansioso, e notou a dificuldade que o ruivo tinha ao andar.

— Vem, deita aqui. – disse Milo mostrando a cama.

— Meu corpo ficou dolorido... Mesmo que eu queira, fica difícil prá...

Milo coçou a cabeça e riu.

— Não to te fazendo deitar prá te comer, seu pervertido. Deita aí que agora sou eu quem vai cuidar de você e não o insosso do Albafica.

— Ele cuidou bem de mim. – disse Camus com o rosto vermelho.

— É? Pois eu acho que eu cuido melhor. Agora deixa eu tirar a sua roupa.

Deitado de bruços, Camus agora estava nu, totalmente entregue a massagem que Milo executava. As mãos grandes do gladiador passeavam pelas costas do jovem, impregnadas de um óleo perfumado e ervas medicinais, executando movimentos fortes e, deliciosamente, relaxantes.

Milo contornava as omoplatas bem devagar, traçando o grupo de músculos acima da cintura, chegando até as nádegas redondas, descendo pelas coxas, panturrilhas, até chegar aos pés, massageando-os dedo por dedo e friccionando pontos no calcanhar e na área plantar que arrancavam suspiros de puro prazer.

Embora estivesse excitado com tudo aquilo, Camus sentia seu corpo relaxar, os músculos doloridos recebiam uma pressão que desfazia todo o cansaço por suportar as agressões que recebera. De olhos fechados, o ruivo nem percebeu quando Milo o virou para si.

— Está se sentindo melhor? – perguntou Milo apertando-lhe os ombros, antes de seguir pelo tórax e modelar as costelas, devagar, desviando dos pontos doloridos e fazendo-o reviver o toque sensual de quando tinham feito amor.

— Estou... – respondeu Camus, entreabrindo os lábios para puxar o ar.

— Que bom... – disse Milo baixando a cabeça em direção à virilha do ruivo.

Com os olhos quase fechando, Camus foi tomado por uma languidez até sentir algo quente e molhado em outra parte de seu corpo que o fez abrir os olhos e ser invadido por uma descarga de energia que ele não soube de onde veio. Ou melhor, soube, mas não conseguia acreditar. Milo estava chupando-o e movia a língua sobre toda a extensão de seu falo do mesmo modo lento que fizera com as suas mãos em seu corpo.

— M-Milo... O- O quê? – gemeu Camus, abarcado por uma onda de prazer que fez seu corpo arquear, no mesmo instante.

Milo segurou-o pelos quadris e tomou-o, ainda mais profundamente em sua boca, antes de afastar-se e falar daquele jeito rouco e enlouquecedor:

— Estou te dando um tratamento infalível prá diminuir as dores... Relaxa e aproveita.

Um sorriso se fez, nos lábios de Camus em meio ao gemido que escapou da sua boca e ele afundou as mãos nos cabelos fartos do gladiador, movendo os quadris ao encontro da boca lasciva, sentindo todo o calor e luxúria que aquele homem sabia provocar.

Da forma dominante que o caracterizava, Milo apossou-se de Camus, sorvendo o falo com um prazer selvagem, provocando espasmos no corpo do jovem até provar do prazer quente que irrompeu dentro da sua boca, fazendo-o sentir o gosto de Camus por completo.

Camus gritou ao derramar-se sob o movimento imperioso da língua e da boca de Milo. Sentiu seu gozo ser engolido e, mesmo estonteado pelo orgasmo, viu Milo passar a língua nos lábios, após ter sorvido todo o sêmen que ele lançara.

Aquela imagem ficou gravada em sua retina, o olhar do gladiador, a forma sinuosa e deslizante do corpo dele cobrindo o seu, aquecendo-o, fazendo-o vivenciar um momento de paz e, também de prazer... Ele fez força para não fechar os olhos, mas eles estavam cada vez mais pesados.

Milo percebeu e buscou, delicadamente, os lábios de Camus com a boca que ainda guardava o gosto agridoce do prazer que acabara de provocar e provar com gosto.

Esquecendo o lábio ferido, Camus entreabriu os lábios e mergulhou fundo com a língua, misturando a sua à de Milo, mesclando os gostos, um do outro, sentindo o desejo do gladiador insurgir túrgido em suas coxas...

Seu corpo também o queria, mas a intensidade do orgasmo, o cansaço resultante dos ferimentos e o extremo esforço que fizera para estar ali, puxavam-no para o sono e seus olhos começaram a fechar...

Milo acariciou os cabelos avermelhados e sorriu, sussurrando rente aos lábios de Camus:

— Agora durma, relaxe...

— Mas, e você...? – ele ainda conseguiu perguntar, mesmo de olhos fechados.

— Eu estou bem, durma. – disse ele pegando a mão de Camus e colocando sobre o seu membro túrgido, sentindo o calor morno da mão ainda inchada por aparar os golpes das agressões que sofrera.

O ruivo sorriu e deslizou os dedos por sobre a enorme ereção, sentindo-a pulsar em sua mão e Milo puxou-o para bem junto de si.

— Pronto, deixe sua mão aí e durma. Amanhã nós conversamos.

Camus aconchegou-se à Milo e suspirou, sentindo a mão forte do gladiador acariciando seus cabelos e o cheiro dele, aquele cheiro inexplicável que impregnava suas narinas, seu corpo e seu coração...

— Você é mesmo incrível, Milo Krisius... – deixou escapar quando o sono abraçou-o com a mesma força que o gladiador.

Milo sorriu e estreitou-o junto a si, sentindo sua ereção pulsar dolorida e, mesmo assim, com uma sensação de completude e aquela estranha felicidade se espalhando em seu peito.

Notas finais
Muito obrigada a todas: ANGELIQUE,MEL DARK,JOYCE, SHALL, DDDKCAROLINA, HAPYFEE, GUIMA e quem mais chegar!!!carinho, reviews, atenção ou silêncio são bálsamos tão relaxantes e excitantes quanto àquele que Milo aplicou no Camus!!! *risos!!! Bjs, XD