Entre o Amor e a Espada

5 Capítulo 5 VERDADE E CONSEQUÊNCIA...


Notas iniciais
Como dizia o poeta Mário Quintana: "A mentira é uma verdade que esqueceu de acontecer..." Beijos!

O som ritmado das espadas batendo nos escudos enchia o pátio nas primeiras horas da manhã. Os que tinham participado da festa da domina, puderam juntar-se aos demais, algumas horas mais tarde, porém Milo pouco dormira e cedo, juntou-se aos demais. O gladiador estava sério, sem o bom humor habitual. Cumprimentou os companheiros e foi treinar isoladamente.

Manigoldo fez vista grossa aos ânimos demonstrados. Na verdade, ele era contra as festas de sua senhora. A exposição de seus homens e o risco de algo dar errado sempre o deixava apreensivo. Respirou fundo e deixou que os homens se aquecessem antes de começar a dança do seu chicote.

Zelos cochichava algo e El Cid franzia o cenho. Mu afastou-se e Aldebaran fez sinal para que não se comentasse sobre o assunto da noite anterior. Máscara riu de canto, mas ficou quieto.

Enquanto isso, Milo golpeava o tronco de treino e estava com uma cara de poucos amigos. De vez em quando olhava para a sacada onde Saga e a domina observavam os treinos. Tinha esperança de ver Camus, mas ele não aparecera ali, também.

Sentia que, talvez, ele não continuasse com seus relatórios, nem com as aulas de leitura e escrita e, só pensar nisso, já estava ficando com uma espécie de vazio dentro do peito e a sensação o deixava triste e irritado. Bateu com mais força no tronco, tirando lascas que se projetaram no ar.

O sol elevava-se e Milo continuava batendo nos artefatos de treino sem perceber que Camus acabava de surgir no pátio com seus pergaminhos, penas e tinteiro. Uma gracinha dita por Zelos o fez perceber a presença do ruivo e seu coração acelerou.

— Bom dia, Camus! Pensamos que não viria, então começamos cedo. – disse Manigoldo que aprendera a valorizar o olhar astuto do jovem e, também as observações acertadas que ele tinha feito dos gladiadores.

— Bom dia, Doctore! Me atrasei um pouco, mas já estou a postos. – disse Camus com a mesma altivez de sempre.

Milo abriu um sorriso de alívio e Camus sorriu do seu jeito e foi sentar-se à sombra para escrever.

Zelos não se conteve e fez um comentário maldoso:

— Duvido que a vadia ruiva consiga ficar muito tempo sentado hoje, depois de ter levado o ferrão grosso do escorpião na bunda!

Alguns dos novatos riram e Milo, que ouvira a gracinha foi até Zelos e deu-lhe um soco, em cheio, no rosto, fazendo-o voar de encontro à parede.

— Mas o quê?! Milo, o que está fazendo? Pare já com isso! – gritou Manigoldo.

Fuzilando com os olhos, o companheiro caído, Milo não obedeceu e pegou Zelos pelo pescoço, sacudindo-o como se ele fosse um boneco desarticulado de pano.

Nunca mais! Nunca mais abra essa sua boca imunda pra falar merda!— disse Milo, entre dentes.

Sangrando no nariz, Zelos tentou reagir e a briga se avolumou. Manigoldo brandiu o chicote e os gladiadores foram separar os dois. Saga franziu o cenho e olhou para Kanon que chegava.

— Estranho, nunca os vi brigar assim. O que terá acontecido? – questionou Saga.

— São homens... Desde quando um homem precisa de motivo para brigar? Está no sangue. – falou June com uma expressão de tédio.

Kanon olhou para Milo e, em seguida para Camus que parecia constrangido. Sabia que uma forte amizade tinha surgido entre os dois, mas algo parecia ter acontecido na sua ausência e na de Saga. Havia algo no ar, ele podia sentir...

Manigoldo aproximou-se de Milo e Zelos.

Vocês dois! Mais uma ceninha dessas e eu faço vocês dormirem na mesma cela e treinarem juntos, da manhã à noite, ligados por uma corrente! Não interessa as diferenças entre vocês! São gladiadores da casa de Gemini, seus senhores estão observando e não querem saber de merda! Entenderam?

— S-Sim Doctore.— falou Zelos meio fanhoso, o sangue escorrendo pelo nariz.

— Milo?

Milo estava fervendo de raiva e nem ele mesmo entendia aquele sentimento descontrolado que o fazia esquecer-se de tudo e só pensar em... Camus.

— MILO! Estou esperando! – gritou Manigoldo vendo que o gladiador não respondia.

— Sim Doctore.— respondeu Milo com má vontade.

— Muito bem, agora vão treinar!

Olhando na direção de Camus, Milo percebeu que ele também o observava. Queria tanto dizer-lhe que sentia muito, que... apesar da situação, foder com ele tinha sido tão incrível!Merda, não podia dizer isso assim! Merda!Merda!Merda!

Quando o treinamento acabou e Camus organizava as suas coisas, Milo se aproximou coçando a cabeça e parecendo desconcertado.

— Camus, eu... Bem, sobre ontem à noite, eu...

Camus olhou-o, reconhecendo o constrangimento — Milo sempre coçava a cabeça quando estava nervoso — e sentindo o mesmo. A diferença era que sabia fingir estar acima da dor e de qualquer coisa.

Entretanto, nesta situação em especial, havia um sentimento pedindo passagem em seu corpo e em seu coração e ele não conseguia olhar nos olhos de Milo e mostrar sua tradicional frieza. Então, respirou fundo e tentou esquivar-se de fazê-lo.

— Milo, vamos deixar o que aconteceu no passado. Nem você, nem eu tivemos a intenção de... fazer aquilo. Somos escravos, tenho plena consciência disso. Não quero que brigue por minha causa. Deixem que façam gracinhas, elas não me atingem. – falou mantendo os olhos nos pergaminhos que havia escrito.

— Camus, eu e você... nós...fodemos! E eu... Eu não consigo tirar isso da cabeça. Eu sei que parece estranho, mas... Ah, esquece!— disse Milo vendo que Camus não o encarava. Irritado, deu as costas ao ruivo e saiu.

O ruivo não tentou impedir Milo de deixar o pátio, mesmo que sua vontade gritasse e seu corpo desejasse repetir aquele encontro. Juntou suas coisas e olhou para a sacada. Pediria a Saga para voltar a dormir dentro da domus. Quanto mais ficasse longe de Milo, melhor seria para tentar esquecer...

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A noite caiu na domus, encontrando Saga e Kanon em uma conversa animada. Havia uma tempestade se formando e, de vez em quando, a luz dos relâmpagos invadia a casa.

June olhava de canto para o cunhado, enquanto bebia o vinho adocicado com mel. Era incrível a mudança de seu marido na presença do irmão. Saga tornava-se mais alegre e disposto e quase não a procurava na cama. Varava a noite debatendo e bebendo com Kanon e isso a irritava, profundamente.

— Deseja mais alguma coisa, domina?— perguntou Shina.

June elevou os olhos e sorriu, estendendo a taça na direção da escrava.

— Sou uma mulher bonita, Shina? – perguntou ela.

— Mas é claro, domina, sua beleza é percebida por todos, principalmente por seu marido. – respondeu Shina.

O sorriso morreu nos lábios de June e ela olhou para Saga e odiou, ainda mais, a intimidade que ele tinha com Kanon. Pareciam amantes e não irmãos!

— Olhe para os dois... rindo, bebendo, desfazendo-se em gentilezas um com o outro... O dia em que tiverem a coragem de foder de uma vez, talvez eu tenha paz!- disse June bebendo todo o vinho da taça.

Shina assentiu com a cabeça e depois tornou a olhar nos olhos úmidos de sua senhora. Dava para perceber que estava bêbada e isso estava se repetindo com frequência. Quando estava naquele estado, ela se desfazia em regalias para sua escrava e Shina, apesar de sentir desprezo por aquela mulher egoísta e vaidosa, sabia aproveitar...

— Deseja que eu lhe faça companhia esta noite, domina?

— Não... talvez Saga me procure. Preciso dar um filho a ele. Só assim me livrarei do meu maldito cunhado!

Ditas as palavras, June recostou-se ao divã e adormeceu de imediato, deixando cair a taça. Shina recolheu o objeto e olhou para os seus senhores que conversavam, animadamente e pensou que, se eles se tornassem amantes e descartassem a domina, a vida dos escravos seria bem melhor naquela casa.

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A luz do archote espalhava um brilho fantasmagórico pela cela criando sombras estranhas.

Nervoso e recriminando-se, internamente por aquele ato de fraqueza, Camus desceu até as celas dos gladiadores e foi até a de Milo. Encontrou-o dormindo e inspirou fundo, quase desistindo de pedir ao guarda que abrisse a cela sob a desculpa de trazer ordens do dominus.

Milo estava nu e seu corpo bronzeado era iluminado pela luz do fogo criando uma aura amarelo-dourado que se refletia na pele e na ondulação dos seus músculos bem distribuídos. Estava de bruços e Camus engoliu em seco ao vê-lo assim, em repouso e com aquela sensualidade latente que parecia sempre impregnada naquele corpo.

Ficou observando-o por alguns minutos, sentindo a mesma excitação, uma vontade de tocá-lo nas cicatrizes finas que apareciam sob a luz do fogo. Seu baixo ventre tomado por um formigamento e a sensação faminta de desejar ser tocado também sussurrou-lhe ao ouvido, como um encantamento, um verdadeiro canto de sereia...

Virou as costas e ia sair quando ouviu a voz dele:

— Camus? Aconteceu alguma coisa? – perguntou Milo virando o corpo e já ficando em alerta.

— N-Não... Eu apenas queria ver se você estava bem. Hoje, você saiu daquele jeito e... eu queria que soubesse que nada mudou entre nós. Agora vou deixá-lo. –disse Camus já fazendo menção de sair.

— Camus... vem cá. – disse Milo estendendo a mão.

A voz de Milo soou um tanto rouca e, lá fora, a chuva começou forte, com relâmpagos brilhando nos céus e trovões bradando dentro da noite escura.

Camus sentiu tudo aquilo dentro do seu corpo... Parecia que a natureza traduzia seus medos e desejos em sua fúria e esplendor. Olhou para Milo que o fitava parecendo ter um abismo azul tragando-o para dentro daquele olhar. Aproximou-se da cama, excitado e tomado de angústia. Sentou ao lado dele e suspirou.

Um silêncio denso, quase físico, instaurou-se entre os dois, que apenas se olhavam até Milo tocar no rosto de Camus e ele fechar os olhos, roçando a face de encontro à mão áspera do gladiador.

Os dois voltaram a se olhar, profunda e demoradamente, cheios de um sentimento real e inexorável...

Elevando-se da cama, Milo não resistiu ao desejo e puxou Camus para perto de si, buscando-lhe a boca, invadindo-a com a sua língua quente, sorvendo da umidade, do calor... Como desejara aquilo, sentir a boca de Camus, o gosto daqueles lábios tão macios e sábios...

Camus, por sua vez, agia por instinto. Lábios, língua e respiração invadiram os recessos de sua boca e ele se deixou tomar, saboreando os lábios carnudos de Milo, sentindo prazer e somente prazer... Nunca imaginara existir tanto prazer em um beijo. Os lábios de Milo eram quentes e deliciosos...

Era o primeiro beijo que trocavam e a ânsia que ele despertou os levou a uma coreografia erótica e apaixonada, onde as línguas se procuravam, tocavam e sugavam fazendo Camus gemer junto à boca de Milo e sentir seu corpo reagir, tomado pela experiência única de desejar e ser desejado com tanto tesão.

Milo mordiscou-lhe o lábio inferior, depositando beijos molhados, deixando a saliva cobrir os lábios, enquanto se insinuava mais, deixando que Camus sentisse a sua ereção túrgida roçar em suas coxas e em seu falo que também pulsava.

O coração de Camus estava loucamente disparado e o de Milo também. As mãos do gladiador acariciavam, ávidas, o corpo do ruivo. Deslizavam sobre as costelas dele, sentindo a pele macia, as costelas expandindo com a respiração ofegante...

Em meio àquele frenesi de carícias, Milo gentilmente tocou o rosto de Camus com as pontas dos dedos, olhando-o nos olhos úmidos, percorrendo uma trilha pelo pescoço até descer e tocar um dos mamilos, enquanto circundava o outro com a ponta da língua numa carícia torturante, arrancando gemidos estrangulados do outro.

Sentindo a entrega de Camus, Milo desceu a mão para a junção entre as pernas dele. Provocou-o roçando, massageando, até introduzir os dedos na entrada de forma lenta e circular. Iria prepará-lo, fazer o possível para diminuir a dor...

Camus fechou os olhos quando todos os seus sentidos centralizaram na mão máscula e no que ela estava fazendo. Sentiu um ardor e desconforto, ainda estava dolorido da noite anterior.

Inalou profundamente quando se sentiu tocado em um determinado ponto. Seu corpo inteiro parecia em suspenso e então ele movimentou os quadris, instintivamente procurando, seguindo o movimento dos dedos de Milo, desejando-o dentro de si.

Milo colava o corpo ao de Camus, penetrando-o com os dedos, extasiado com a união das peles, com o calor que os incendiava...

Ofegos entrecortados escaparam da garganta de Camus e uma onda de prazer o percorreu. Milo retirou os dedos e a urgência de ambos os corpos eclodiu. O gladiador já estava nu, o ruivo despiu-se com pressa...

Arfante, Milo encaixou-se entre as pernas do ruivo, o membro viril sondando a entrada... Em uma sincronia natural, Camus moveu os quadris e apartou as pernas, levando Milo para dentro de si... Diferente da primeira vez que havia sido tomado, agora era ele quem guiava Milo e de um jeito que enlouquecia o gladiador.

— Vem... – disse ele tocando o rosto tenso de Milo.

Milo olhou-o, bem dentro dos olhos e, num movimento único, o penetrou. Um gemido longo e dolorido escapou dos lábios de Camus.

—M-Milo... eu... – gemeu Camus com uma expressão de dor, o rosto dele ficou rígido e Milo percebeu.

Dói, eu sei... se solte... se abra para mim, Camus ... se abra e a dor vai embora. — disse Milo esfregando-se no falo de Camus, enquanto cobria os lábios entreabertos dele com um beijo profundo e devorador. Imprimia à língua, o mesmo movimento que agora retomava com os quadris até sentir o interior de Camus ceder e ele relaxar ofegando baixinho...

Milo estocava de forma circular e lenta, mergulhando inteiro dentro de Camus, fazendo-o grunhir, não mais de dor, mas de um prazer intenso que atingia os dois de uma forma quase insana.

Camus gemia alto e o choque dos corpos se buscando, cada vez mais, os envolvia em um calor tão abrasante quanto os archotes que ardiam nos corredores fora da cela.

Os uivos do vento se uniam aos gemidos de prazer e tanto Camus, quanto Milo estavam chegando ao clímax.

A impetuosidade da chuva e dos trovões que retumbavam nos céus não impediu que Camus ouvisse seus próprios gemidos arranharem sua garganta, enquanto se contorcia sob o corpo de Milo. Também não abafaram o som dos ofegos de Milo e do seu sexo poderoso indo fundo dentro dele, deixando-o com o rosto afogueado, a boca entreabrindo-se para puxar o ar...

As peles brilhavam com a transpiração, os corações batiam descompassados e as bocas que se buscavam em meio ao turbilhão de carícias fez evanescer tudo ao seu redor. Só havia Camus ofegando junto aos lábios de Milo, as mãos trazendo-o mais para junto de si, os olhos translúcidos de prazer refletindo os anseios da alma...

Camus abriu os olhos e sentiu os tremores do gozo sacudirem o seu corpo, assim como havia acontecido a primeira vez. Agarrou-se a Milo e buscou-lhe a boca, gemendo dentro dela e sentindo-se derramar no corpo dele e, ao mesmo tempo, vendo-o paralisar os movimentos e fitá-lo bem dentro dos olhos para depois enterrar-se profundamente dentro de si.

Milo gemeu e abraçou-o como se quisesse absorvê-lo, dominá-lo. Havia uma paixão violenta nos olhos azuis, algo denso, terno e atordoante. Camus sentiu-o tremer convulso e gemer rouco, inundando-o com seu sêmen, possuindo-o por completo, deixando aquela marca invisível que os unia além da luxúria e os conectava à sentimentos que nenhum dos dois vivenciara antes.

Abraçaram- se sem nada dizer. Ficaram ouvindo as respirações, usufruindo da intimidade que chegara plena, intensa e natural. Milo fechou os olhos e estreitou Camus junto a si. Estava exausto, feliz e tão satisfeito que não havia palavras que expressassem aquele sentimento.

Camus também fechou os olhos e deixou-se acolher pelo sono, imerso na sensação de aconchego e felicidade que jamais pensara voltar a sentir um dia. Não queria pensar no amanhã, nem em sua condição de escravo. Sentiu Milo acariciar a sua coxa com aquela mão possessiva e áspera que tanto sabia acariciar quanto matar. Abraçou-se mais a ele e um sorriso espontâneo surgiu em seus lábios. Apesar de sábio, Camus era jovem e em sua juventude, a experiência da paixão, naquele momento, sobrepujava o medo do amanhã...

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Minos saboreava bolo de aveia e iscas de carne seca no desjejum quando Julian Solo, seu sócio na ludus entrou na sala e desabou sobre o banco.

— Tenho novidades... – disse o jovem.

— E quais seriam já, há essa hora? – perguntou Minos depositando parte do bolo no prato.

— A mulher de Saga ofereceu um jantar para Hades e dizem que ele foi tratado como se fosse o próprio deus Baco.

Franzindo o cenho, Minos afastou a comida com um gesto seco.

— June? Mas... Saga estava fora. Soube que ele e Kanon foram à Cápua prestar homenagens póstumas ao velho Dohko.

— Minhas fontes disseram que ela ofereceu muito mais que comida e vinho.

— Aquela puta!— gritou Minos.

— Não creio que o marido soubesse desse arranjo, portanto, creio que tem aí um trunfo a ser guardado.

— Tenho que concordar com você... O corno e a rameira terão o que merecem na hora certa.

Julian sorriu e serviu-se do bolo que Minos deixara no prato. Depois sinalizou para que um escravo lhe trouxesse vinho.

— Agora vamos falar de assuntos mais agradáveis. Aiacos quer se juntar a nós e oferece os resultados de seu campeão, Byako para que possamos nos aproximar do saldo da casa de Gemini. Creio que a partir desta aliança, podemos iniciar uma nova concepção de ludus.— falou Julian.

— Vamos dar um jantar e discutir o assunto. – disse Minos.

— Um jantar? – questionou Julian levantando a sobrancelha.

— Sim, um jantar. Creio que vou até a domus de Saga, aconselhar-me de como fazer da ocasião, um sucesso. – respondeu Minos com sarcasmo.

Os dois riram e se dirigiram até o pátio para assistir o treino de seus gladiadores.

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O cheiro de pão quente que vinha da cozinha despertou Camus quando ainda estava escuro. Por um momento, estranhou acordar abraçado e com uma sensação de bem-estar, apesar de sentir-se um pouco mais dolorido. O sexo havia sido intenso, os beijos e carícias haviam deixado marcas e estar com Milo se revelara uma experiência única.

— Preciso voltar para o interior da domus. – disse Camus baixinho junto ao ouvido de Milo.

O gladiador abriu os olhos, lentamente, e sorriu.

— Não antes de me dar um beijo... – falou Milo tocando os cabelos soltos de Camus.

Camus sorriu e mordeu o lábio inferior. Sentia seu corpo corresponder àquele simples toque, e mais que isso, queria sentir-se tomado por Milo de novo e de novo...

Não era algo racional, pensado ou analisado... Era tesão e um sentimento intenso que parecia começar na fome do corpo, mas acabava preenchendo seu coração de alegria e de outro sentimento quente e bom...

Como se fosse um felino Milo moveu-se com malícia e recostou-se na cama, estendendo as mãos num chamado mudo e fazendo Camus sorrir.

Fechando as pernas, puxou Camus para sentar-se sobre elas, abraçando-o, acariciando-o e beijando-o, sentindo-o fazer o mesmo com os dedos longos que deslizavam possessivamente por suas costas, o arranhando de leve...

De imediato, os dois inspiravam meio sôfregos com as bocas unidas num beijo apaixonado. Milo aconchegava Camus em seus braços e invadia a boca entreaberta com a língua insaciável. Depois, enterrou o rosto no vão do pescoço de Camus, lambendo, mordiscando e pedindo com a voz permeada de desejo: “Seja meu, antes de ir...”.

Camus olhou-o nos olhos e lambeu os lábios, apertando-os um tanto... ansioso. Queria, ah, como queria! Mas, também, sentia-se estranho com todo aquele furor dentro de si.

Como se lesse seus pensamentos, Milo fez todas as dúvidas de Camus se dissiparem quando aprofundou o beijo de um jeito ainda mais excitante, enquanto acariciava os mamilos túrgidos e o apertava com força junto a si.

Sem soltá-lo, Milo insinuou os dedos na entrada de Camus, acariciando-o internamente e preparando-o para acolhê-lo dentro de si.

Quando os gemidos de Camus mostravam que ele já sentia prazer com aquela pequena invasão, Milo, gemendo deliciado com os movimentos sensuais que Camus fazia com os quadris e os sons que emitia, buscando-o, aceitando-o em seu interior aprofundou a carícia, preparando-se para penetrá-lo...

Enquanto roçava os lábios na pele alva, Milo encaixou-se na entrada estreita e logo fazia Camus descer pela sua ereção, penetrando-o devagar, fazendo-o sentar em seu colo e sentindo a cavidade estreita abrir-se aos poucos à penetração.

À medida que Camus, vencia a dor inicial e baixava seu corpo sobre o membro, gemendo, e agarrando-se com força aos seus ombros, Milo enfiava a língua dentro da boca arfante até que estivessem em um beijo tão forte que ambos não podiam respirar direito. Fazia-o saber com as carícias e olhares intensos que jamais estivera tão envolvido e enlouquecido por alguém como estava com ele...

Camus começou a se mover sobre ele, a despeito da dor e desconforto que sentia. Empurrava o corpo para frente e para trás num ritmo que permitia ter o seu falo bem próximo do corpo de Milo. Aos poucos, ia intensificando o movimento, atingindo um ponto dentro de si que o fazia gemer mais alto e extasiar-se com a sensação prazerosa de sentir o falo de Milo totalmente mergulhado em seu interior.

Aumentou o ritmo e sua respiração tornou-se mais rápida. Sentiu a mão de Milo segurá-lo, começando a parar os movimentos até que eles se tornassem lentos e profundos, sem pressa alguma...

O ruivo grunhiu um protesto contra a interrupção de Milo que o segurava forte pelos quadris, limitando os seus movimentos. Um prazer angustiante tomou conta de todo o seu corpo e ele gemeu num ritmo entrecortado, desejoso de mover-se mais rápido, deixar o gozo abraçar o seu corpo com toda a sua intensidade.

— M-Milo...- balbuciou Camus fincando os dedos nas costas de Milo.

— Eu sei, você quer gozar... Mas não quero... que acabe rápido... — sussurrou Milo, enquanto beijava o lóbulo da orelha e o pescoço de Camus, dando leves mordidas e chupões que deixavam marcas avermelhadas, fazendo-o se arrepiar e apertá-lo, trazendo-o para junto de si.

Segurando-o forte e continuando com a deliciosa tortura, Milo moveu seus quadris lentamente descendo uma das mãos para a coxa de Camus na parte de trás, enquanto com a outra, acariciava o falo dele, preso entre os corpos, agarrando firme e masturbando-o na mesma lentidão delirante que o fazia rebolar sobre si.

Camus gemia, arfava e perdia o controle, os olhos fechados ansiando pelo clímax, os braços em volta do pescoço de Milo, apertando-o, tremendo convulso sem conseguir mais aguentar...

— Milo!... — disse ele invadido por um tremor intenso e frenético que fez sua mente esvaziar-se e o consumiu por completo, fazendo-o vivenciar um orgasmo veemente, mais uma vez...

Milo puxou-o para si, gemendo rouco ao sentir o sêmen quente projetar-se entre os corpos e investiu numa última estocada, sentindo a cavidade estreita contrair-se ao redor do seu falo, fazendo-o gozar, quase no mesmo instante. Derramou-se dentro de Camus, acolhido na paixão ardente que ambos comungavam em meio aos suores, gemidos e sêmen.

Tremendo, os dois permaneceram abraçados e, mais uma vez, sentiram o ritmo de ambos os corações se fundindo...

Camus mal conseguia raciocinar e Milo ria como se estivesse ébrio.

— Por que... está... rindo? – sussurrou Camus, ofegante.

— Porque... tenho de treinar daqui a pouco e é a primeira vez que não tenho nenhuma vontade de ficar batendo espada com aquele bando de marmanjos. Queria ficar aqui te beijando e sentindo esse teu cheiro gostoso pra cacete.

— Confesso que eu também, mas preciso ir e, ainda tenho que me lavar. – disse Camus rente aos lábios do gladiador.

— Tá bom, vai lá. – falou Milo beijando Camus nos lábios e ajudando-o a sair de seu colo.

Camus fez uma careta quando moveu o corpo e Milo abraçou-o pelas pernas e beijou-lhe as nádegas roliças.

— A gente fez demais... Desculpa. – falou Milo.

— Eu quis. – disse Camus com um sorriso malicioso.

Milo sorriu e quando se preparava para abraçar Camus, novamente, um par de olhos azuis cristalinos e furiosos surgiram num rompante na porta da cela.

— Se quer passar a noite fodendo, lembre-se de estar pronto antes que os senhores acordem! – disse Afrodite com as mãos na cintura.

— Ainda não amanheceu. – respondeu Camus sentindo o rosto quente.

— Dominus Saga está se preparando para uma viagem de última hora. Agradeça aos deuses eu ter visto a movimentação e vindo chamar você.

— Como sabia que eu...

— Estava com o bonitão aí? Elementar, Camus... Quando comemos da romã pela primeira vez, queremos mais e mais. Você é um escravo atípico, mas é humano. Agora venha logo!

Camus franziu o cenho e acompanhou Afrodite.

Milo viu-os se afastar, limpou-se e vestiu sua subligaria preparando-se para mais um dia. Quando se sentou à mesa para o desjejum, Manigoldo se aproximou.

— Espero que a noite de amor e, parte da manhã, tenham melhorado o seu humor. Não quero cenas, nem brigas hoje. A não ser aquelas que, realmente, importam.

Com um sorriso largo, Milo olhou para Manigoldo.

— Tava ouvindo?

— Não, mas pela sua cara, vejo que rendeu bem... Só espero que isso não afete o seu desempenho.

— E desde quando foder me prejudica?

— Nunca prejudicou, porque era só isso. Mas vejo que com o Camus tem algo mais e isso será a sua fraqueza. Cuidado, Milo, o amor já matou muitos. Quando você chegou aqui, de imediato eu me lembrei de outro gladiador, um homem chamado Kardia. Ele era como você, forte, implacável, criativo. Então inventou de foder com uma mulher nobre e casada e se apaixonar. Ela engravidou e morreu junto com a criança. Pelo menos foi o que contaram prá ele.

— E?

— Ele perdeu a vontade. Começou a beber em demasia. E na luta em que podia ter conquistado a rudis, ele se deixou abater. Ele estava vencendo, mas quando a arena começou a gritar, ensandecida, ele baixou o escudo e permitiu que o outro enfiasse a lança em seu coração. Lembre-se, Milo, somos escravos e nossa vida não nos pertence. O único momento em que isso acontece é na arena. Tudo o mais é passageiro. – disse Manigoldo se levantando.

Milo absorveu tudo em silêncio. Nunca tinha se apaixonado e aquele sentimento era algo novo e incontrolável. O sexo sempre fora uma fonte de prazer, algo que o deixava disposto, não importando se fodia com homem ou com mulher. Gostava da variedade, da sensação de gozar... Mas, com Camus era diferente, era como ter sede e nunca saciar-se. Pensava nele, sentia o cheiro dele e queria somente ele.

— Milo! – gritou Manigoldo brandindo o chicote e interrompendo as divagações do gladiador. – No centro com o Mu!

— Sim, Doctore!— respondeu Milo.

O jovem Mu havia recebido a marca, mas quem o olhasse de fora, não via nele muito entusiasmo ou mesmo a ferocidade dos demais. Sua expressão era sempre calma e, muitas vezes ausente. Ele posicionou-se frente à Milo e elevou a espada. Quando a luta começou, o jovem se transformou, atacando com precisão e obrigando Milo a perceber uma brecha nos ataques fortes.

Silenciosamente, Mu atacava com uma rapidez espantosa e arrancava faíscas azuladas do contato violento entre as duas espadas. A defesa, também rápida, de Milo fazia o movimento parecer uma dança orquestrada que logo foi interrompida por um chute que ele desferiu no peito de Mu atirando-o de encontro ao cordão humano que se formava ao redor deles.

Na sacada, Kanon observava a luta quando recebeu a visita de Aiolia. O tenente da legião aproximou-se e foi convidado para assistir o treino.

— Então, Aiolia o que o traz tão cedo? Venha, junte-se a nós. – disse Kanon.

— Bom dia, dominus. Vim apenas avisá-lo que os cavalos chegaram. Poderá ser o primeiro a escolher os seus.

— Ótimo. Veremos com termina a luta e então iremos. – falou Kanon. – Lembra-se de Milo? Eu sabia que ele seria um campeão.

— Verdade. Ainda sinto falta dos meus sestércios. — disse Aiolia rindo.

Aiolia gostava dos espetáculos, porém em seu pouco tempo livre, dedicava-se a um passatempo secreto: projetar pontes. Considerava Kanon um amigo, mesmo sendo subordinado a ele. Entretanto, até mesmo para Kanon pouco revelava sobre si. De repente, chamou-lhe a atenção o jovem que lutava com o campeão da casa. Além da aparência exótica, o lutador parecia nunca perder a fleuma, como se estivesse se contendo.

Sem saber que estava sendo observado, Mu continuava atacando, porém Milo continuava a levar vantagem por atacar com agressividade e constância. Usando o corpo de um modo integrado com sua espada, Milo acabava por quebrar a resistência de seus oponentes ao chutá-los e empurrá-los, tirando-os de seu centro de equilíbrio.

— Milo é o vencedor!— gritou Manigoldo quando Mu foi derrubado pela terceira vez e a espada foi encostada em sua garganta, obrigando-o a fazer o sinal de rendição.

Milo estendeu a mão e Mu aceitou. Máscara foi chamado para o centro, junto com Zelos e El Cid e outra ciranda de lutas começou.

— Por que faz isso? – perguntou Milo sentando ao lado de Mu.

— Isso o quê? – devolveu Mu franzindo o cenho.

— Você se esconde. Sabe lutar pra caralho, mas finge que não sabe.

— Não gosto de lutar. Não desse jeito.

Franzindo o cenho, Milo olhou nos olhos de Mu.

— E por que então se tornou gladiador? Podia ser um outro tipo de escravo.

— Eu matei três caçadores de escravos, jamais me deixariam ser um escravo doméstico.

— Quer um conselho? Se não gosta desta vida lute pra conseguir sua liberdade. – disse Milo batendo nas costas de Mu.

— Uma liberdade encharcada de sangue. – respondeu Mu com desânimo e levantou-se para ir até o poço e jogar água sobre o corpo.

No mesmo instante em que se ouviu dizer aquelas palavras, Mu olhou para a sacada e seus olhos encontraram os do oficial romano que estava ao lado de Kanon. Por alguns segundos, pareceu que ambos se conectaram a um inexplicável e obscuro sentimento. O de cumprir um papel que não preenchia os anseios de seus corações...

Aiolia franziu o cenho, percebendo no olhar que o fitava algo tão conhecido e, ao mesmo tempo, tão cuidadosamente escondido dentro de si. Tinha sede de vida e de sossego. Aprendera a guerrear, mas em seu íntimo, preferia a paz. Tornara-se um guerreiro, mas internamente, desejava construir e não matar. O verde daqueles olhos imersos em uma tristeza disfarçada misturou-se ao seu...

— Vamos, Aiolia? – disse Kanon.

— Ah, sim! Vamos, senhor. – respondeu Aiolia.

O vínculo se rompeu e tanto o gladiador, quanto o oficial romano voltaram às suas atividades. Manigoldo estalava o chicote e tudo era retomado na rotina da domus. Saga aprontava-se para sair e Camus foi solicitado para acompanhá-lo.

Se Sêneca, o grande filósofo romano estivesse assistindo ambas as cenas, certamente diria que a ignorância e o desconhecimento do destino eram os melhores presentes que as Parcas podiam dar aos homens. Pois, tanto senhores quanto escravos, continuavam seus afazeres desconhecendo os percalços tortuosos que os esperavam em sua jornada de verdades e consequências...

Notas finais
Um super beijo para: ANGELIQUE, DDDKCAROLINA, GUIMA, SHALL,HAPYFEE, MEL DARK, JOYCE e quem mais chegar!!!! Obrigada pelo carinho, pelo retorno, pelos alertas, enfim, por gastarem parte do seu tempo comigo! Pequeno glossário de termos: subligaria= aquela tanguinha dos gladiadores...