Entre o Amor e a Espada
3 Capítulo 3 A PENA E A ESPADA
Notas iniciais
Ao inteirar-se da rotina da domus de Saga, Camus estranhou a movimentação daquela casa. Ao contrário da convivência com Dohko que era tranquila e silenciosa, ali havia uma incesante circulação de pessoas. Algumas à espera de uma audiência com Saga, outros eram escravos se deslocando como formigas sob as ordens da domina.
O luxo ostensivo de certos aposentos, onde os nobres aguardavam para ser atendidos chamava a atenção de Camus. Aquele profusão de afrescos e obras de arte dava a impressão que alguém devia estar pagando por tudo aquilo, enquanto a plebe era mantida na miséria, sem emprego, sem condições de uma vida digna, mas agraciada com os espetáculos das arenas. Pensou em Dohko com sua simplicidade e ideias visionárias, sentindo certa tristeza.
— Camus! É esse o seu nome, não? – chamou June. – Saga precisa que o ajude com os manuscritos na biblioteca.
— Sim, domina.
Ao cruzar o corredor na direção da biblioteca, Camus encontrou os outros dois escravos que eram preceptores, Afrodite e Albafica. Ficou sem saber muito o que fazer, já que parecia ter vindo tomar-lhes o lugar. Entretanto, nenhum dos dois o destratou, apenas olharam-no e o de aparência bela, quase feminina falou:
— Você está com a testa franzida. Terá que acostumar-se com a rotina vertiginosa desta casa. Domina sempre acha algo para que façamos. Por ela, os escravos trabalhariam até dormindo.
A frase fora dita num dialeto muito semelhante à de sua língua natal, Camus constatou e isso quase o fez sorrir.
— Obrigado por me avisar. Eu sou Camus.
— Eu sou Afrodite e este é meu irmão, Albafica. Sei que veio da casa de Dohko. Será bom ter alguém diferente para conversar. Agora vá, dominus Saga é um pouco impaciente. Ah, nunca comente que falei em um dialeto bárbaro. Por aqui só devemos falar grego e latim.
Camus não gostou do termo bárbaro mas, em vista do que esperava, a recepção que recebeu tinha sido amável. Assentiu com a cabeça e foi até seu senhor.
Saga estava sentado, imerso em meio a vários pergaminhos, quando Camus entrou. Ele elevou os olhos, detendo-se nos cabelos ruivos do jovem e analisando-o com mais calma e detalhamento.
— Muito bem, agora que estamos às sós, gostaria que me contasse o grau de seu relacionamento com Dohko.
O jovem franziu o cenho com desconfiança. Não entendia o teor da pergunta, mas pela expressão de Saga, parecia ser algo obscuro.
— Não compreendi bem o que perguntou, dominus.
— Quero saber se eram amantes, visto que ele expressou grande apreço por você. – disse Saga.
— Não, dominus.— respondeu Camus com um olhar surpreso, como se Saga tivesse dito algo impossível.
— Sei que ele era velho, mas mesmo os velhos usufruem do fellatio com seus escravos. Ou, vai me dizer que Dohko nunca o tocou, visto que ele mesmo escreveu aqui que dormiam no mesmo quarto.
— Dominus Dohko foi como um pai para mim e jamais praticou atos abomináveis comigo. – falou Camus tentando controlar a indignação.
Saga notou e apoiou o indicador no queixo, franzindo a testa. Seria possível que aquele escravo jamais tivesse... se deitado com seu senhor?
– Ainda é virgem, Camus? – perguntou Saga.
— Sim, dominus. Enquanto estive com o senhor Dohko, tornei-me seu auxiliar e fui tratado como um filho e não como um escravo. Estava sempre ao lado dele e pouco me relacionei com outras pessoas. Nunca houve sexo entre nós ou qualquer outro.
Com um suspiro, Saga levantou-se e ficou frente a Camus.
— Dohko era um homem excepcional, mas tinha uma visão muito além do seu tempo. Eu confesso que dividi com ele algumas ideias, mas também estou inserido nesta sociedade e gosto de certos prazeres que ela oferece. Meus escravos gozam de minha benevolência e de meus cuidados, mas me servem sem questionar. Espero que compreenda que, por mais bem tratado que seja, ainda é, sua função, servir. Estou sendo claro, agora?
— Sim, dominus.
— Pois bem, preciso que catalogue meus gladiadores para uma avaliação posterior. Deixe Milo e Máscara da Morte fica fora desta lista por serem o campeões da casa e já possuírem suas habilidades confirmadas.
– Se me permite, dominus, o ideal seria fazer os campeões encabeçarem a lista pontuando suas habilidades e como foram usadas em combate. A partir deles, podemos avaliar os demais, comparando resultados e verificando quais se aproximam da competência dos campeões da casa.
— E como faremos isso se, a cada luta, podem haver variáveis no desempenho? Milo e Máscara já vem se mantendo desde que puseram o pé na arena.
— Eu posso observá-los durante três semanas seguidas registrando o progresso nos treinos e a eficiência nos combates. Depois, devolvo ao Doctore as observações para que ele ajuste o treinamento e chegue a resultados mais rápidos.
— Manigoldo tem um olhar aguçado, ele sabe como tirar o melhor de cada um.
— Isso é certo, mas se ele tiver alguém de fora observando todos o processo, poderá se beneficiar com o levantamento específico das habilidades e restrições de cada um.
— Você é mesmo inteligente, Camus. Faça isso e veremos os resultados. – disse Saga.
Camus retirou-se, metade satisfeito, metade apreensivo. Não esquecera as palavras de Saga: “Meus escravos gozam de minha benevolência e de meus cuidados, mas me servem sem questionar. Espero que compreenda que, por mais bem tratado que seja, ainda é, sua função, servir.”
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Manigoldo olhou com desconfiança para o escravo ruivo de pele clara e nariz empinado.
— Registrar o desempenho dos gladiadores nisso aí?- perguntou Manigoldo apontando para os pergaminhos. — E no quê isso vai me adiantar? Eu não sei ler!
Os homens riram. Primeiro, porque o escravo ruivo, embora não fosse baixo, tinha que empinar ainda mais o nariz para olhar para o Doctore. Segundo, porque ao entrar com pergaminhos, pena e tinta, um dos gladiadores havia trombado com ele e espalhado tudo pelo chão.
— Eu posso ler em voz alta o que está escrito e todos poderão ficar cientes do que foi observado. – disse Camus um pouco atrapalhado com os objetos em suas mãos.
Zelos, um dos aprendizes que ainda não possuía a marca se aproximou bem perto do ruivo bafejando em sua nuca e dizendo gracinhas.
— Se quiser escrever sobre mim, fique à vontade, mas... eu gostaria mais dessa sua boca vermelhinha me chupando... – disse ele rindo com malícia.
Camus olhou-o com uma expressão de incredulidade e asco. Os demais riram, menos Milo que olhava tentando lembrar de onde conhecia aquele homem...
— Você é o tal sujeito da praça! Aquele que ficou sério quando eu derrotei o idiota do Flégias. – disse Milo apontando o dedo quando, enfim, se lembrou.
Com o semblante franzido, Camus olhou para o gladiador e arrependeu-se por ter sugerido aquela tarefa. Estava cercado por homens rudes, ignorantes e... pervertidos. Ignorou a fala de Milo e continuou:
— Bem, eu não pretendo me intrometer em suas rotinas, apenas fazer o que dominus me ordenou. – disse por fim.
— Foi Saga que ordenou isso? – perguntou Manigoldo.
— Sim, Doctore.
O instrutor revirou os olhos, suspirou e por fim aceitou a presença do escravo. Camus então sentou-se à sombra, dispondo seus objetos de modo a poder manuseá-los de forma prática.
Milo ficou olhando a postura do ruivo e seus modos. Ali estava um homem intrigante que era escravo, como todos ali, porém possuía uma aura nobre. Achou-o estranho, mas simpatizou com ele e ficou curioso para vê-lo escrever. Sempre achara interessante como aquele monte de riscos podia significar alguma coisa. Quando o chicote estalou, deu de ombros, pensando que era melhor ir cuidar da vida e fazer o que sabia bem: lutar.
Os homens lutaram embaixo de um sol escaldante e muitos tiveram de parar a fim de tratar pequenos ferimentos.
Espadas, lanças, escudos, redes... O arsenal de armas usadas, também era catalogado por Camus que percebia a constituição física de cada um e sua inteiração com as armas escolhidas.
Depois de um tempo, Manigoldo resolveu colocar os campeões da casa para lutar.
— Milo e Máscara da Morte! No centro! – gritou Manigoldo brandindo o chicote.
Máscara da Morte cuspiu e foi para o centro do pátio. Milo coçou a cabeça ainda sentindo os resquícios do excesso de vinho. Ambos pareciam desleixados ao olhar de Camus e ele iniciou suas anotações.
— Comecem! – gritou Manigoldo.
Após o estalo do chicote, junto da ordem, tudo mudou. Tanto Máscara, quanto Milo pareciam duas feras ensandecidas. As lâminas se chocaram num reconhecimento de distâncias e força como se estivessem em um combate real.
Seguido ao choque das espadas, Máscara da Morte agiu rápido, penetrando no flanco esquerdo de Milo recebendo um bloqueio de sua ação. Grunhiu raivoso e, mais uma vez, brandiu o gládio com força, fazendo Milo empreender um movimento fluído que fez Máscara perceber que sua ira só atiçava os instintos do campeão.
Avançou a perna, girando o tronco e tentando atingir Milo na altura dos rins, porém ele desvencilhou-se sem esforço e, saltou, fazendo o gládio descer em uma linha diagonal que atingiu o braço de Máscara, quase lhe arrancando o pulso.
Rapidamente, Máscara se esquivou, mas seu braço sofreu um corte, acima do cotovelo. O sangue espirrou na areia quente e Milo sorriu, levando os dedos a sua lâmina, tocando-a e sentindo o líquido viscoso que nela se depositou.
Máscara da Morte não emitiu nenhum som, porém arfou e posicionou-se defensivamente. Estreitou os olhos e sorriu. Não precisava pensar em nada, precisava apenas esperar o momento certo e golpear. Um único golpe!
Milo sentiu a mudança e o sorriso de escárnio lhe fugiu dos lábios. Preparou-se para o golpe, e ergueu a espada com a mão direita, enquanto deixava a esquerda em prontidão para segurar-lhe o braço.
Máscara gritou e deu um salto no ar, elevando a espada acima da cabeça e Milo fez o mesmo, fazendo com que elas se chocassem e soltassem faíscas. Torcendo o corpo, Máscara da Morte obrigou Milo a defender na altura do peito, enquanto ampliava a posição dos pés na areia. Um movimento rápido e, desta vez, foi Milo que recebeu o beijo da espada na testa, num pequeno corte que também levou sangue às areias.
Os dois continuaram a bater as espadas num ritmo violento e vertiginoso que atiçou os demais. Eram amigos, mas também adversários ferrenhos. Sorte dos dois que lutavam pela mesma casa e só se enfrentariam se houvesse a necessidade de escolher somente um campeão, já que Máscara também provara seu valor na arena.
Entretanto, a rivalidade entre eles existia devido à ascensão meteórica de Milo e seu carisma com o público. Mesmo existindo uma forte amizade e um código de lealdade entre os dois, quando se enfrentavam no treinamento, ambos lutavam prá valer e sem poupar um ao outro.
— Empate!— gritou Manigoldo fazendo estalar o chicote.
— Se safou desta vez, Scorpionis... Ainda vou mostrar que sou melhor! – disse Máscara da Morte baixando o gládio.
— Digo o mesmo, seu filho da mãe!— respondeu Milo rindo e estendendo a mão ao amigo.
Camus anotava tudo e, aos poucos, ia conhecendo a rotina daqueles homens que traziam fama e riqueza à casa de Gemini. Fora um dia muito produtivo e isso o satisfazia.
Suado, Milo jogou um balde de água sobre o corpo e tornou a olhar na direção de Camus. O ruivo estava absorto em suas anotações e nem percebeu quando Zelos tornou a aproximar-se para atormentá-lo.
— E então, pensou na minha proposta?— perguntou o gladiador com feições semelhantes a um grande sapo.
— Eu o aconselharia a lutar com melhor desempenho ao invés de tentar esse tipo de sedução vulgar e inapropriada. – respondeu Camus com frieza.
— Hã?! – balbuciou Zelos sem entender as últimas palavras do ruivo.
— Ele falou prá você cair fora, Zelos! – disse Milo se aproximando.
— Obrigado. – disse Camus sem muita vontade.
Milo olhou para as anotações de Camus e falou brincando:
— Escreveu aí que eu sou bom, bonito e gostosão?
Camus o encarou bem dentro dos olhos e respondeu:
— Ah, sim! E acrescentei que é humilde, também.
Milo riu e, de repente, Camus sentiu vontade de rir também. O clima tenso pareceu se dissipar e, mesmo sem falar mais nada, Camus sentiu-se menos intruso com a presença do gladiador.
O ruivo despediu-se de Manigoldo dizendo que iria organizar suas anotações e, no dia seguinte, as leria para que ele avaliasse. Zelos deu de ombros e comentou com desprezo:
— É escravo como nós e se acha melhor por saber ler e escrever. Grande merda, isso sim!
Alguns riram, outros nem se deram ao trabalho de ouvir a fala de Zelos. Porém, Milo aproximou-se dele e com um ar sério, disse:
— Pode não ser grande coisa prá você. Então, fica longe dele e respeita o sujeito!
— Por que tá defendendo ele? Ah, já sei... ficou com vontade de comer o rabo branco dele! – disse Zelos debochando.
— O seu é que ele não ia querer comer, sapo! – deixa de encher a paciência. – rosnou Aldebaran.
— Já sabe e tá avisado! Deixa o sujeito quieto e fica no teu canto. – disse Milo sério.
Zelos fez uma careta, mas não falou mais nada. Manigoldo ordenou que todos fossem fazer sua higiene como mandavam os senhores da casa e se preparassem para a janta e o descanso.
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O jovem nu permanecia em pé, à mercê de seu senhor. Trêmulo, ele olhava para o ferro em brasa que brilhava na penumbra do salão onde se encontrava.
— A dor é um presente dos deuses! Significa que a carne é capaz de exultar tanto com um carícia delicada, quanto com o ardor do fogo ou da espada... — disse Hades imprimindo uma pequena marca nas nádegas do jovem escravo.
Um grito abafado de dor cortou o salão e Hades fechou os olhos, sinalizando para que outro escravo continuasse a tocar a cítara, enquanto ele fazia com que o jovem marcado ficasse de quatro.
Acomodando-o de forma que as nádegas ficassem empinadas, Hades tomou as correias e prendeu o falo e os testículos do escravo, de forma que ele pudesse sentir a dor da contenção de seu sexo e, ao mesmo tempo o prazer da dominação. O escravo gemeu e Hades sorriu, levantando a túnica e penetrando-o com força e violência.
Os corpos se chocavam, o escravo agora gritava com as estocadas fortes que o levantavam do chão e que, embora o machucassem, também atingiam uma área de prazer no fundo do seu corpo...
Senhor e escravo sentiam prazer e dor, se aproximando do orgasmo. A violência do ato, o cheiro do sexo, os gemidos entrecortados que ecoavam junto aos acordes da cítara, tudo ia num crescendo até a sensação excruciante se ampliar.
Então, Hades retirou a correia do falo do escravo e masturbou-o com força, ejaculando dentro dele, sentindo seu sêmen quente escorrer pelas pernas do jovem, misturado ao sangue que também vertia tão rubro quanto o vinho que jazia na taça de ouro.
Um grunhido de prazer também brotou dos lábios do jovem quando enfim gozou na mão de seu senhor.
— P-Perdão, dominus... eu o sujei... – disse o jovem ao sentir seu gozo ser expelido.
Os cabelos longos de Hades estavam úmidos pelo suor. Ele limpou a mão no rosto do escravo e o dispensou, caminhando, imponente, até a sala de banhos. Lá, a piscina aquecida o esperava e outro homem, também...
— Minos... a que devo o prazer tardio da sua visita? – perguntou Hades com um olhar frio.
— Já se saciou com o escravo? Francamente, Hades, achei que tinha um gosto mais refinado. – disse Minos contrariado, em pé frente ao busto esculpido em mármore do proprietário da domus.
Uma risada rouca brotou dos lábios de Hades.
— Ciúmes, Minos? Isso sim é que é patético! Não pensei que o veria hoje depois do vexame público de seu gladiador.
— Aquele maldito Scorpionis! O homem é fora do comum! Fervo de ódio em vê-lo como propriedade do idiota do Saga. A ludus da casa de Gemini está ganhando espaço demais. Daqui a pouco, ultrapassará até a Ludus Maxima.— vociferou Minos.
Hades levantou uma sobrancelha e o olhar que dirigiu a Minos foi tão gélido que pareceu mudar o ar da sala.
— A Ludus Maxima é protegida pelo próprio Imperador, nunca será sobrepujada. Agora diga logo a que veio. – falou Hades despindo a túnica e revelando um corpo maduro e bem proporcionado.
Minos se deteve, por alguns segundos na pele firme, na musculatura ainda rija e sentiu a boca secar. Hades sorriu satisfeito vendo a admiração explícita no olhar do outro.
— Entre no banho comigo... – disse Hades e Minos ficou surpreso.
Hades sentou-se na água quente e fez sinal para que Minos o acompanhasse. O cônsul obedeceu, despindo a túnica e revelando um corpo bem cuidado e com algumas cicatrizes.
— Vejo que ainda as tem... — falou Hades apontando para as marcas próximas da virilha de Minos e olhando-o com luxúria.
— São lembranças de outros tempos... Bons tempos!— disse Minos tocando uma das marcas próximas ao falo que já dava sinais de excitação.
— Tempos que podem, muito bem, ser relembrados. – falou Hades.
Minos abaixou-se e sentou na piscina bem perto de Hades. Os dois se olharam em um desafio secreto de quem já compartilhara muitas coisas... Então, sem aviso prévio, Minos se jogou nos braços de Hades e começou a beijá-lo. Hades retribuiu o beijo com um ardor que fez Minos gemer dentro da boca quente úmida.
O rosto de Hades mostrou uma expressão de prazer quando Minos colocou as mãos em suas nádegas fazendo com que seus quadris flutuassem e tomou-lhe o falo na boca com avidez.
De uma forma selvagem, Minos lambeu a cabeça do falo, enfiando a ponta da língua na ranhura e sorvendo o pré-gozo de forma que o membro ficou vermelho e sensível, fazendo Hades se contorcer e gemer, longamente...
Hades jogou a cabeça para cima segurando o cabelo de Minos com força, chegando ao desespero com os movimentos da língua e dos lábios... Não durou muito sentindo aquela sucção e, em seguida ejaculou na boca e no rosto de Minos.
O cônsul olhou nos olhos de Hades lambendo os lábios com os restos do sêmen dele, depois o beijou, novamente e, desta vez, Hades mordeu aqueles lábios até romper a pele fina e sentir o gosto de sangue misturar-se à saliva e ao prazer compartilhado.
Minos gemeu e ele o virou de bruços, mordendo as costas, o pescoço, marcando-o com os dentes até sentir-se duro, outra vez e, posicionar-se para penetrá-lo. Minos se jogou para trás numa atitude de deixar-se possuir e Hades trincou os dentes agarrando-o pelos cabelos e cintura, marcando-o com os dedos longos e finos...
Quando a ereção rompeu o interior de Minos, ele gritou de dor e prazer, enquanto Hades movia-se sem dar tempo para que ele se acostumasse com o ato. O falo rijo apoderava-se da carne, dilacerando-a e fazendo-a sangrar...
Os ofegos e gemidos pesavam no ambiente, mas mesmo assim, tanto Hades quanto Minos dançavam na linha tênue entre o consensual e a violação. Minos tinha seu corpo invadido de uma forma tão ou mais violenta que o escravo, horas atrás. No entanto, entre a expressão de dor extrema, havia um prazer misturado que se revelava na forma com que ele buscava o corpo do amante e implorava pela possessão febril.
Os dois grunhiram quando o orgasmo os arrastou e a piscina recebeu o gozo e o sangue em suas águas... Minos arrastou-se para fora, deixando-se cair na borda, ofegante e dolorido. Hades levantou-se e olhou para o corpo de Minos, agora com os olhos isentos de qualquer sentimento ou paixão.
— Limpe-se e vamos tratar do que o trouxe aqui. – disse Hades, calmamente.
Minos buscou a túnica e cobriu-se, sentindo dificuldade nos movimentos.
— Quero que me dê a preferência na abertura dos jogos, quando a nova arena for inaugurada.
Um brilho estranho formou-se nas íris acinzentadas de Hades.
— Acha que foder comigo lhe dá esse direito?
— Não vim aqui para isso, mas aconteceu. Estou pedindo em nome da nossa velha amizade.
– Sabe muito bem que a preferência sempre recai sobre a casa cuja ludus mostra o melhor desempenho na arena. Por enquanto, a sua está em desvantagem.
— Algo que será corrigido! – disse Minos.
Hades sinalizou para a escrava pedindo vinho.
— Assim espero, meu caro, Minos. Agora peço que se retire, pois tenho negócios a tratar.
Minos sentiu um gosto amargo na boca, envenenado com o descaso do homem que, em sua juventude, fora seu amante. Submetera-se a ele. Sempre! E agora, ele o tratava igual aos escravos que fodia a hora que bem lhe aprouvesse.
— Eu me retiro, mas rogo que pense bem sobre o assunto. Nós dois sabemos que existem certas coisas que não devem ser esquecidas, não é mesmo?
— Ameaças veladas não encontram eco em minha casa, Minos. Portanto, se quer dizer algo, seja homem e diga com todas as palavras. – respondeu Hades.
Um sorriso frio moveu os lábios machucados de Minos.
— Ninguém o está ameaçando. Só espero que saiba quem lhe é leal e quem sempre o apoiou. Agora, se me dá licença, estou me retirando.
Minos deixou a casa sem olhar para trás. Minutos depois, Afrodite adentrou a domus de Hades com um recado de sua senhora...
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Já era o sétimo dia que Camus registrava os treinos. No início, havia sido difícil e, muitas vezes constrangedor. No entanto, ele contara com o apoio de um dos campeões da casa e isso fizera uma enorme diferença. Milo era curioso como uma criança e fora essa curiosidade que os aproximara.
Uma intensa chuva caía sobre a areia. Relâmpagos riscavam o céu, seguidos pelo som profundo dos trovões.
Manigoldo brandia o chicote e conduzia o treino sem se importar com o lamaçal, nem com a pouca visibilidade em meio aos grossos pingos d’água.
— Zelos, pare de pular e levante direito esta espada! Aldebaran, imobilize El Cid antes de perder o fôlego! E Milo! O que está fazendo?!
— Estou olhando o que Camus escreveu!- gritou Milo.
Dos gladiadores, Milo era o único que via importância no que Camus fazia. Ele não sabia muito bem o porquê desta sensação, mas a verdade era que acabara iniciando uma amizade com o ruivo de nariz empinado e estava gostando.
— Você nem sabe ler! Volte para o treino! – falou Manigoldo.
Milo fez um muxoxo. Camus escrevia o tempo todo e agora lia algumas coisas que pareciam muito interessantes. Isso despertava e muito, a curiosidade do gladiador.
— Isso tudo que me disse tá escrito aí? – perguntou Milo.
— Está. Quer saber o que observei e escrevi sobre você nestes quatro dias?
— Quero.
— Veja bem, você tem reflexos muito rápidos, é forte e tem um fôlego excelente.Mas, também brinca muito e se descuida. Cada descuido se torna um ferimento que varia do leve ao moderado. Alguns poderiam até ser evitados e essas cicatrizes aí, poderiam nem existir.
Milo coçou a cabeça e franziu o cenho, fixando os olhos no pergaminho e depois no ruivo.
— Eu gostaria de saber ler só prá ver se escreveu isso mesmo. – disse o gladiador.
Camus encarou-o e deu um meio-sorriso.
— Posso ensiná-lo, se quiser.
— Eu? Aprender a ler e escrever? Tá brincando! – falou Milo rindo.
— Você mesmo. Não é tão difícil e creio ser até mais fácil que manejar uma espada.
Coçando a cabeça, novamente, Milo ficou pensativo. Neste meio tempo, Manigoldo gritou novamente:
— Milo e Aldebaran! No centro.
— Puta que me pariu, tenho que lutar com o Taurus! Continuamos nossa conversa depois. – disse Milo.
O chicote estalou e tudo recomeçou.
As espadas soltavam faíscas e o som das duas colidindo ecoava de um modo penetrante, como se dois gigantes estivessem duelando. Exultante, Aldebaran golpeava Milo, vendo-o assimilar seus golpes e devolvê-los com força, embora seu rosto estivesse banhado em suor que era lavado pela chuva.
A luta durou bastante tempo, com Milo resistindo e Aldebaran golpeando-o com vontade.
Merda! Esse cara não cansa nunca! Meus músculos parecem que vão rebentar! Pensava Milo vendo o gigante Aldebaran deliciar-se com aqueles golpes insanos.
Milo conhecia Aldebaran. O homem gigantesco era de uma personalidade peculiar, adorava lutar e desafiar-se, mas no fundo era gentil e um amigo leal. Seu sonho era adquirir a liberdade. Ficara conhecido como Taurus e, na arena, sua natureza era primitiva, selvagem e destrutiva como algumas forças da natureza...
Camus observava a luta, admirando a capacidade de adaptação de Milo a cada adversário. Ele não era como os outros que desenvolviam uma técnica e aplicavam-na sempre. Havia nele uma resiliência magnífica e isso era registrado a cada combate que assistia.
Nem bem Camus terminou com suas conjecturas, houve uma espécie de explosão. Aldebaran desceu sua espada rente ao fio da espada de Milo, golpeando-o com tanta força que ela quebrou e um fragmento voou, raspando no rosto do jovem e cortando-o no supercílio.
Milo via as coisas meio nubladas. Seus braços estavam cansados da tensão constante de golpear e assimilar golpes de um homem com o triplo do seu tamanho e peso e ele via-se arfar, com o rosto molhado de suor, chuva e, agora de sangue.
Sem espada, precisava mudar sua tática. Então, num ato totalmente inesperado, chutou o braço de Aldebaran desarmando-o e, em seguida, abraçou-se ao grandalhão. Taurus reagiu da forma esperada, prendendo-o num forte abraço que tinha o poder de esmagar costelas.
Milo respirou fundo sentindo o corpo tão dolorido que a pele parecia querer soltar-se de seus ossos. Conseguiu livrar seus braços da contenção e, dizendo um sinto muito, bateu forte com ambas as mãos nos ouvidos de Aldebaran.
O choque e a dor fizeram o gigante soltar Milo que caiu de joelhos, arfando no chão enlameado.
Camus sorriu e os companheiros de Milo também. Aldebaran levou as mãos aos ouvidos sentindo a cabeça vibrar e perdendo o senso de direção.
— Vencedor, Scorpionis!— gritou Manigoldo.
Milo deu a mão para Aldebaran que estava estonteado. O gigante aceitou a ajuda e gargalhou.
— Acho que te devo uma, Scorpionis. Pelo menos não vou ficar ouvindo merda por vários dias! – disse Aldebaran.
Milo riu, limpou o sangue que vertia do corte no supercílio com a atadura do pulso e olhou para Camus fazendo um sinal de anota isso prá mim, e seguiu para a continuação do treino onde enfrentaria mais outros três companheiros...
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