Entre o Amor e a Espada
4 Capítulo 4 O DOCE AMARGO DA SEDUÇÃO...
Notas iniciais
Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo.
De amargo, então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve,
Forte, cego e tenso, fez saber
Que ainda era muito e muito pouco...
O gato malhado com a orelha rasgada arqueou o dorso e miou na cela de Milo. Já havia passado a hora do jantar e todos os gladiadores haviam se recolhido em suas celas. Cada cela continha duas camas e era, relativamente, espaçosa. Somente os campeões da casa desfrutavam de uma cela individual, que era o caso de Milo e Máscara da Morte. Agora, sob a luz do archote, Milo lutava um combate diferente...
— Merda! Eu não consigo! Já é a quarta pena que eu quebro!— xingou, Milo.
— Você está apertando demais a pena sobre o pergaminho. Relaxe a mão. É uma pena e não uma espada. – falou Camus pegando uma nova pena do seu estoque.
Milo olhou para o ruivo com angústia. Havia sido convencido a aprender a ler e escrever, porém a primeira lição estava sendo mais difícil que o seu primeiro dia na ludus. Coçou a cabeça e pegou a quinta pena.
— Olhe, segure assim e relaxe... – disse Camus colocando a sua mão sobre a de Milo.
O gladiador mordia o lábio inferior, quando sentiu a mão de Camus sobre a sua. A mão do amigo era macia, embora fosse tão grande quanto a sua. Não tinha calos e era um pouco fria.
— Veja! Agora sim! – disse Camus retirando a mão, enquanto Milo traçava uma letra trêmula, porém sem quebrar a pena. — Esta é a letra “A”. As letras são símbolos que quando se juntam formam palavras. Por exemplo, vamos começar com o seu nome. A primeira letra é “M”. A segunda é “I”, a terceira, “L” e a última, “O”. Juntas formam a palavra “MILO”, o seu nome. Compreendeu? Então agora, vamos escrever uma por uma das letras e depois vamos juntando e formando pequenas palavras para você ir aprendendo.
Milo tinha os olhos azuis fixos na boca de Camus e no que ele falava. Aos poucos, um mundo estranho, mágico e diferente parecia saltar-lhe aos olhos. O tempo parecia voar, enquanto ele copiava as letras com crescente entusiasmo. Depois olhava os traços desajeitados e praguejava batendo na mesa de madeira.
— Que merda, tá tudo torto! Camus, acho que eu não dou pra isso!
— Menos palavrões e mais empenho. Faça de novo! – respondeu Camus, sério e com um tom exigente na voz.
O gladiador recomeçou e continuou tentando até conseguir. De vez em quando ouvia uma gracinha das celas próximas e respondia com um vai se foder!
Camus o repreendia por perder o controle, mas continuava incentivando-o. Por fim, quando Milo conseguiu escrever seu nome, entendendo o processo da escrita, Camus abriu um largo sorriso no belo rosto e disse com franca admiração:
— Você é um homem incrível, Milo Krisius. Deve orgulhar-se de si mesmo. Aí está a sua primeira lição e executada com sucesso!
O efeito daquelas palavras e daquele sorriso fez Milo experimentar uma satisfação inédita. Lutar e matar eram habilidades que já haviam nascido com ele. Mas, aprender algo novo e interessante abria uma porta de algum lugar que ele não sabia qual, mas que lhe dava um grande e diferente prazer.
— Eu consegui escrever meu nome! Camus, eu... Eu nem sei como agradecer a sua paciência e...
— E o caralho! Agora deixe as letras e vá dormir! Amanhã o treino começa cedo! – gritou Manigoldo.
Podia-se ouvir o riso nas outras celas. Porém, Milo não se importou e, num gesto espontâneo, abraçou Camus de um jeito que quase tirou o ar dos pulmões do ruivo.
— M-Milo!
— Ah, Camus! Eu to feliz! Muito feliz! – disse Milo sem soltar o ruivo que teve de render-se e abraçá-lo também.
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Duas semanas depois do encontro com Minos, Hades chegou à casa de Gemini, no final da tarde, acompanhado de seus servos. Ao atravessar o atrium observou que Saga era, realmente, um homem de posses e bom gosto. Havia uma suntuosidade elegante naquela casa. Desde os jardins bem cuidados, aos afrescos decorativos...
— Seja bem-vindo, meu senhor. – disse June fazendo uma breve reverência.
— Sua casa é encantadora, vejo que Saga a mantém como merece, bela senhora.
— Meu marido é um homem notável, dominus! Sou uma mulher abençoada. – respondeu ela baixando os olhos. – Pena que tanto ele, quanto Kanon não puderam estar aqui para recebê-lo, mas eu farei as honras da casa...
— Seu convite deixou-me curioso. Nele dizia que a casa de Gemini possui, além da fama de seus gladiadores, o título de ser totalmente acolhedora e prazerosa.
— Mas é claro, dominus... Os prazeres de minha casa ultrapassam o comum. Aqui, o senhor tem aquilo que deseja sem restrições.
Ditas as palavras, June ordenou que as escravas viessem e acomodassem Hades em uma cadeira de espaldar alto e lhes tirasse as sandálias. As escravas trouxeram uma bacia com água quente e pétalas de rosa e lavaram os pés do cônsul.
Enquanto isso, os escravos domésticos e os gladiadores estavam sendo organizados em filas distintas. Os domésticos estavam vestidos, enquanto os gladiadores estavam seminus, usando, apenas, um minúsculo tapa sexo e seus corpos haviam untados com óleo aromático depois de terem se banhado. June os chamara para uma espécie de exposição e já estava preparada para os resultados desse ato...
Milo, Máscara da Morte, Aldebaran, El Cid, Mu e Zelos estavam alinhados, as peles queimadas de sol reluzindo, os cabelos limpos e longos de alguns, caindo em cachos pelas costas largas e musculosas.
Enquanto isso, Camus, Afrodite, Shina e Albafica permaneciam à disposição no arco de entrada. Nenhum deles sabia bem o seu papel, mas isso não importava. Eram escravos e o que seus senhores ordenassem seria feito.
Também havia alguns convidados, amigos dos senhores da casa que conversavam animados sem antever o que aconteceria ali...
Os planos de June eram desconhecidos, mas a atmosfera sensual que permeava o ambiente da casa já contagiava a todos.
Hades foi conduzido ao diaeta e acomodado ao divã acolchoado com penas de ganso. Os olhos do cônsul brilharam ao ver a exposição de escravos. Realmente, devia parabenizar Saga pelo conjunto de mulheres e homens bonitos. Não havia, entre eles nenhum maltratado, doente ou mal nutrido. As peles eram viçosas e os olhares discretos, porém vivazes.
June observou a excitação do cônsul, a transformação da frieza civilizada em um desejo primitivo ainda oculto pelas boas maneiras...
— Lembre-se dominus, aqui, somos todos seus servos... – sussurrou ela.
Hades moveu os olhos, lentamente, por cada rosto e corpo. Deteve-se nas protuberâncias abaixo da cintura dos gladiadores, tocou em alguns, aspirou o cheiro de outros...
Quando chegou a frente de Milo, olhou-o com cuidado e sorriu, pela primeira vez. De todos ali, aquele homem era o único que parecia relaxado e à vontade. Era belíssimo, apesar das cicatrizes e exalava luxúria pelo olhar e poros.
Hades amaldiçoou estar se recuperando de uma leve enfermidade e ainda não estar em plenas condições de aproveitar aquele corpo. Senti-lo arder e gozar nele, iniciá-lo em seu ritual particular de prazer e... dor.
Milo, por sua vez, estava pouco interessado naquele homem, mas sabia que Hades era o responsável pela Ludus Maxima e podia colocar a casa de Gemini na luta de abertura da nova arena. Talvez por isso ele estivesse ali. Pensou o gladiador.
— Parece que gostou de Milo, nossa maior esperança na arena, dominus. Asseguro-lhe que fez uma excelente escolha. – disse June.
Hades tocou a coxa grossa de Milo, enchendo a mão na carne rija e musculosa e o gladiador olhou-o, avaliando-o também. Os dois experimentaram uma espécie de enfrentamento silencioso, até Hades voltar-se para June e cochichar-lhe algo ao ouvido.
— Hummm... acho que podemos proporcionar-lhe este... espetáculo. – respondeu a senhora.
Um sorriso malicioso surgiu nos lábios de Hades e ele voltou ao seu divã, acomodando-se, enquanto era servido do melhor vinho da casa.
— Camus! – chamou June. – Você tem alguma experiência sexual?
O ruivo franziu o cenho, mas sua voz saiu firme.
— Não, domina.
— Pois bem, nosso convidado de honra gostaria de ver algo diferente e sugeriu que alguém tenha a sua primeira vez aqui, bem no centro deste salão. Ele quer rever todas as expressões de prazer e dor que uma relação é capaz de desencadear. Você será honrado em ser esta pessoa!
Camus empalideceu. Seu coração acelerou e ele olhou para June, depois para a porta rezando para que Saga ou Kanon chegassem para acabar com aquela loucura.
Loucura era pensar que qualquer um dos dois se importaria com um escravo. A frase gritou em sua mente ao dar-se conta do seu papel ali. Era um escravo, um pouco mais importante que um animal doméstico ou exótico. Mesmo sendo Saga um homem razoável, ainda assim, a cruel realidade era que um dominus detinha o poder sobre a sua vida e a de todos que se encontravam ali como seus servos.
— Domina, eu... não sou adequado para tal ato. – arriscou dizer.
— Você fará o que eu mandar. Milo, aproxime-se! – disse June num tom seco e autoritário.
Milo, que até então também estava chocado, viu-se retirado da sua zona de conforto ao ver a palidez do ruivo e ouvir o chamado de sua senhora. Sabia que seu amigo era um homem das letras e, do pouco que sabia dele, nunca o ouvira falar sobre um amante ou uma foda eventual sequer.
— Sim, Domina.— falou Milo.
— Vai foder com Camus. Faça disso um espetáculo que agrade ao senhor Hades e ele nos colocará em sua preferência. Ouça as instruções dele e obedeça. Fui clara? – disse ela bem próxima ao ouvido do gladiador.
O gladiador não respondeu, apenas continuou olhando dentro dos olhos ambiciosos de sua senhora e moveu a cabeça num gesto afirmativo. Realmente, aquela mulher sabia exercer a autoridade de forma ainda mais enfática que Saga. Ela parecia conhecer cada ponto fraco e pressioná-lo sem piedade, nem remorso, usando de todos os recursos a seu favor.
Milo estava perplexo e confuso, mas sabia que se não fosse ele, seria outro e, a simples imagem de alguém fodendo com Camus e machucando-o lhe trazia raiva e dor.
— Os dois, no centro! – disse Hades com voz rouca.
Duas servas colocaram um tapete estreito no chão, bem no centro e se retiraram. Os outros permaneceram em fila, enquanto alguns convidados se reclinavam nos divãs rindo, comendo frutas e bebendo vinho.
Camus olhou para Milo, sentindo-o tão deslocado quanto ele próprio. Ambos sabendo que não havia espaço para a desobediência. O gladiador avançou, acostumado a enfrentar seus desafios sem o mínimo de hesitação. O ruivo se moveu com mais lentidão, sua mente se rebelando a ser visto como um animal copulando na frente de todos. Estancou quando ficou de frente com Milo e viu nos olhos do amigo uma angústia inusitada, disfarçada pela seriedade que ele apresentava.
— Muito bem... Isso, olhem-se nos olhos como se fossem adversários. Eu quero ver resistência e dominação. O gladiador substituindo sua espada pelo pau que deve rasgar seu adversário, mas junto da dor, deve fazê-lo render-se ao prazer... – instruiu Hades já sentindo sua ereção formar-se por baixo da toga.
Milo levou a mão ao rosto de Camus e guiou-a até os cabelos, soltando-os num puxão seco. Depois foi despindo-lhe a túnica devagar, até deixá-la cair ao chão, revelando o corpo esguio e claro à sua frente. A musculatura de Camus não era tão desenvolvida quanto a sua, mas o conjunto era harmônico e ele possuía uma beleza diferente e inebriante. A pele alva contrastando com o fogo dos cabelos, as pequenas sardas insinuando-se no pescoço...
De repente, a amizade se transformando em puro desejo...
O ruivo sentia a respiração entrecortada e tentava mantê-la inaudível, mas seu coração parecia retumbar no peito, nos ouvidos, por todo o corpo. Estava nu diante de Milo e quando o gladiador despiu-se, também, percebeu-o como nunca havia notado...
A força imponente da estrutura óssea de Milo, cintura e quadris estreitos que alargavam-se para cima num tórax largo e triangular. Não havia pelos no peito e podia-se ver a musculatura delineada reluzindo sob o efeito do óleo. Na pélvis, pelos aloirados em um tom mais escuro circundavam o sexo rígido e pulsante que despontava parecendo uma lança em riste.
Camus sentiu a boca secar ao ver a ereção de Milo. Não era somente o medo, mas um sentimento obscuro e desconhecido que se revelava em suas entranhas. Milo percebia a alteração de Camus e culpava-se em desejá-lo daquele modo. Seu membro nunca ficara tão duro e vibrante com um simples olhar...
Pelos deuses, sua vontade e seu corpo pareciam unir forças para que tomasse Camus para si, ali, na frente de todos.
Todos no salão ficaram em suspenso. Até mesmo Hades percebeu uma energia erótica tão crua e, ao mesmo tempo, tão arrebatadora como nunca presenciara entre dois homens.
O cônsul queria ver um ato selvagem e, no entanto, aquele momento despertava uma espécie de prazer retardado, intensificado pela atmosfera de medo e desejo misturados.
— Ponha-o de quatro e penetre-o! – gritou Hades, por fim. O próprio corpo desejando satisfazer-se, a mão insinuando-se por baixo das roupas.
Os dois assumiram a posição, mas de repente, Milo ignorou a ordem e fez com que Camus se virasse e deitou-se sobre ele, apoiando-se nos braços fortes e insinuando-se por entre as pernas do ruivo, abrindo-as com seus joelhos, enquanto sussurrava algo que só Camus podia ouvir.
— Vou fazer o possível pra terminar rápido... se abre pra mim para que eu não o machuque e... feche os olhos. Vai doer, no início, mas vou te dar prazer.
Camus ofegou e obedeceu. Sua respiração tornou-se mais intensa e entrecortada. Seu corpo retesou-se quando sentiu a invasão do falo rijo dentro de si. Era como ser penetrado por uma chama ardente e líquida que abria caminho sem piedade.
Sua boca abriu-se num gemido longo e Milo deteve os movimentos para prosseguir devagar em pequenos avanços e recuos, dilatando o interior, procurando chegar no ponto de prazer...
Camus suava, cerrava os dentes e apertava os olhos. O calor da pele, a forma como sentia as mãos de Milo tocando-o, o cheiro dele... Tudo acontecia num crescendo até ele sentir-se estocado no fundo do corpo e algo acontecer. Era como se um prazer latente recobrasse suas energias vitais e quisesse acariciá-lo por dentro, crescendo a cada investida, ocupando todos os espaços...
Milo...
O nome invadiu-lhe a mente com uma sonoridade inédita e intoxicante.
As mãos de Camus, antes inertes, agora subiam pelas coxas grossas que se colavam às suas e cravavam os dedos nas nádegas roliças de Milo, apertando-as com força e arqueando o corpo de encontro ao falo que o invadia.
Os quadris de Milo moviam-se, cada vez mais rápidos e ele sentia seu falo deslizar para dentro de Camus, tão fundo quanto possível, cada vez mais preso ao doce calor escuro que o engolia e tomado por um sentimento insólito que o fez gemer e quase sorrir...
Camus...
Quantas vezes dissera o nome dele em meio à bebedeira e brincadeiras, gostando de vê-lo sorrir, mesmo tímido e, muitas vezes, com aquele ar reprovador. O olhar do ruivo, agora, estava febril e seus lábios se abriam em gemidos que o excitavam,cada vez mais.
Pequenos tremores involuntários, do corpo de Camus, cresciam e aceleravam, deixando-o suspenso num universo novo e desconhecido. Seu falo estava duro e latejante entre os corpos, a fricção era tão prazerosa e a possessão tão profunda, que a dor evanesceu...O orgasmo apoderava-se de si, mesmo que ele resistisse e desconhecesse o poder daquela sensação avassaladora que o dominava varrendo todos os seus pensamentos com um furor extasiante...
Hades estava vidrado no movimento ondulante das nádegas firmes e cheias de Milo, no falo potente penetrando Camus com força e vontade, na expressão de prazer na face contraída do ruivo. Sua mão acelerou os movimentos em seu membro, em uma masturbação frenética e ele grunhiu pesado e baixo...
Com a cabeça esticada para trás, Camus sentia como se uma agonia misturada ao prazer se entrelaçassem dentro dele e, no ápice daqueles tremores, mesmo cerrando os dentes, ele gritou. Seu falo pulsou, desfazendo-se em jatos quentes e longos em seu abdome e no de Milo, enquanto cerrava as coxas com força, prendendo o falo dentro de si e recebendo o sêmen quente e poderoso que o inundou por inteiro.
Luzes explodiram por trás de suas pálpebras cerradas e Camus cravou as unhas nas nádegas rijas de Milo arqueando o corpo e puxando-o para si. E, neste momento, ele abriu os olhos, encontrando o olhar intenso de Milo conectado ao seu.
Milo estremeceu com os olhos fixos no rosto de Camus, o gozo vindo com toda fúria, mas antes, queria ver o prazer nos olhos dele, senti-lo seu... Grunhiu estrangulado próximo aos lábios do ruivo e controlou-se para não cair exausto sobre o corpo que estava sob o seu.
No mesmo instante, Hades também gozava, engolindo o gemido de prazer e deitando o corpo para trás. Outros convidados, ao ver ambas as cenas, também ficaram excitados e masturbavam-se, ostensivamente, enquanto alguns fodiam com escravos ou com a companhia que haviam trazido à casa...
June sorriu, satisfeita e sinalizou para que as servas fossem até Hades e, silenciosamente, o limpassem com um pano de linho embebido em água com lavanda.
Camus, apesar de estonteado, levantou rapidamente, sentindo um misto de torpor e humilhação. Quase caiu e foi amparado por Milo que estava sério e tão constrangido quando ele.
— Podem sair! – disse June.
— Não, espere! Os dois, aproximem-se! – disse Hades com o olhar ainda carregado de luxúria.
Milo e Camus obedeceram e o cônsul levantou-se do divã com o olhar ainda ébrio pelo prazer sentido há pouco. Ele olhou para Milo e para o falo do gladiador molhado pelo gozo. Tomou-o numa mão, sentindo-o e chegando até os testículos, massageando-os, enquanto mantinha o olhar conectado a Milo.
— Você desobedeceu minha ordem, mas devo admitir que tem um pau interessante e fode bem, gladiador...e, você, ruivo, é uma delícia virginal que agora já sabe o que é ser fodido. Em outra oportunidade, vou tê-los em meus aposentos... Os dois! Vou ensiná-los outras formas de prazer – disse Hades limpando a mão suja do sêmen de Milo, agora no rosto de Camus.
O ruivo não moveu o rosto, e Hades introduziu os dedos em sua boca tocando-o nos lábios e fazendo-o sentir o gosto de sêmen que também escorria por entre as suas pernas. Algo se retorceu nas entranhas de Camus com o toque de Hades, mas mesmo assim, ele permaneceu desprovido de qualquer expressão.
Frio como o gelo, intocável como a neve... A frase que se tornara sua prece pessoal era acionada, mais uma vez para impedir que tremesse.
Milo controlou-se para não cuspir naquela face perversa e limpar o restante de sêmen que ainda permanecia em seu falo, nas vestes do cônsul. Entretanto, assim como Camus, ele não expressou sua repulsa, mas internamente, começava a sentir um ódio mortal por aquele homem.
June, apesar de saber que enveredava pela perigosa senda da dissimulação, sabia que a grande chance de seu marido só poderia vir do homem que possuía a Ludus Maxima e que tinha ligações estreitas com o Imperador.
Detentor de um gosto exótico para os prazeres, sabia que Hades desprezava as prostitutas e prostitutos das Casas de Prazer e buscava novidades em outros lugares. Por isso, arriscara-se para se tornar uma opção interessante para que o cônsul pudesse exercer sua perversidade sexual e, deste modo, ficasse agradecido à casa de Gemini.
Sorridente, a domina acompanhou o cônsul e apertou-lhe a mão, demorando-se um pouco e olhando-o nos olhos. Hades sorriu também e ambos pareceram gostar do jogo sombrio e excitante que surgia entre eles. Ambiciosos, começavam a descobrir gostos semelhantes e um forte desejo pelo poder.
A noite, na casa de Gemini chegou com seu manto aveludado e envolvia, em sombras, os jardins que agora estavam imersos em silêncio. Hades já havia deixado a casa e June ordenara aos servos que limpassem todo e qualquer vestígio da passagem do cônsul por sua casa. Saga e Kanon estavam fora e, sua atitude em promover o encontro com o cônsul tinha sido um investimento de risco, mas que valera a pena... Hades dera a sua palavra que a casa de Gemini teria o seu espaço na inauguração da nova arena. Se tudo desse certo, Saga abriria os jogos!
Sorridente, a domina agora desfrutava do vinho adocicado com mel e olhava para Shina que permanecia ao seu lado. Fitou-a com atenção notando o corpo esguio e gracioso da escrava.
— Aproxime-se, Shina... – disse ela num tom macio.
— Sim, domina.
— Então, o que achou do espetáculo que Milo e Camus nos proporcionaram, esta noite? – perguntou ela.
Shina engoliu as palavras que desejava dizer e forçou-se a sorrir e a encher, novamente a taça de sua senhora com vinho. Achara tudo muito humilhante e perverso, porém sua condição não lhe dava o direito de manifestar-se, mesmo que a domina lhe perguntasse.
— Sou apenas uma serva, não tenho opiniões, domina.
June gargalhou alto, deixando cair vinho em seu vestido. Os olhos astutos, agora um tanto embaçados pelo efeito do vinho.
— Uma escrava muito esperta! Isso é o que você é! – disse ela deixando cair parte do vestido e deixando um seio à mostra.
Shina apressou-se a limpar a pele de June com um pano de linho e, quando se afastava, sua senhora pegou-a pelo pulso e a puxou.
— Gosto de pessoas que sabem o seu lugar... Mas, mais ainda daquelas que possuem a sua visão, minha cara...
O hálito quente e, cheirando a vinho, de June, foi sentido por Shina bem próximo ao seu rosto.
A domina passou a língua nos lábios, umedecendo-os e esquadrinhou, vagarosamente, o rosto de Shina. Sua serva era jovem, possuía uma beleza natural e reservada que lhe era muito atraente...
— Que idade tem? – perguntou June.
— Dezessete, domina.
— E com quantos já se deitou?
—Ainda não me deitei com nenhum homem, domina.
— Já teve uma mulher?
— Não, domina.
— Mas que delícia! Dezessete anos e ainda totalmente pura! – disse June rindo.
Shina mordeu o lábio inferior e apertou as mãos, tentando evitar o desconforto. June aproximou-se dela e tomou-lhe a mão, fazendo-a tocar em seu seio.
— Pois hoje, você aprenderá e experimentará o prazer .E eu espero que me deixe muito satisfeita... – falou June, enquanto Shina fechava os olhos e fazia força para não chorar.
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Camus encontrou duas ânforas com água fria ao lado de uma grande tina de madeira. Não era usual um escravo ter este privilégio, mas tanto Saga quanto June faziam questão de ter seus servos limpos e, para isso, os submetia a uma cuidadosa higiene que, agora, era indispensável.
Lentamente, despejou a água sobre o corpo, onde as marcas deixadas pelo ato sexual ainda permaneciam vívidas. Fechou os olhos ainda sentindo o corpo de Milo junto ao seu, a invasão dolorida que depois se metamorfoseou em prazer, o olhar dele tão intenso preso ao seu...
Quando voltou a cela, com os cabelos molhados, vestindo uma túnica de algodão escuro vislumbrou, do lado oposto da sua, a cela de Milo, mas ele não estava lá. Inspirou, agradecendo que seu senhor fizera uma exceção e permitira que ele ficasse sozinho. Havia somente os guardas que permaneciam vigiando, como de costume. Entrou no seu pequeno espaço e deitou-se na cama estreita, mantendo os olhos abertos e sentindo-se, terrivelmente, dolorido no corpo e angustiado no coração...
Milo não havia se banhado no lavatório. Estava no pátio, próximo ao poço e jogara alguns baldes de água sobre o corpo. Estava confuso e estranhos pensamentos cruzavam-lhe a mente. Nunca fora questionador quanto à ordem das coisas, nem preocupado com o amanhã. Já perdera a conta de quantas mulheres e homens tinha fodido e, modéstia à parte, era a segunda coisa que sabia fazer muito bem. A primeira era lutar.
A cada vitória na arena, podia somar mais uma boa foda, muita bebida e o reconhecimento dos seus admiradores na arena. As mulheres mostravam os seios quando ele entrava no chão arenoso para lutar e alguns homens faziam gestos obscenos simulando sexo oral e se ofereciam para chupá-lo. Isso sempre fora bom e suficiente para deixá-lo feliz.
Camus era um amigo especial, o ensinara a ler e acrescentara mais alegria ao seu cotidiano. Haviam se tornado muito próximos, mesmo com tantas diferenças de personalidade e visão de mundo. Tudo parecia se encaixar como num quebra cabeça.
Entretanto, esta noite, ao foder com Camus algo mudou dentro de si e tudo o que antes parecia certo, agora estava desmoronando.
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