Prólogo


"Entre o Amanhecer e a Eternidade"

Por Naty Amorim


Eu não a esperava.

Na verdade, tinha certeza de que não a veria de novo — não depois de todos esses anos, não depois de ter enterrado o passado em um lugar tão profundo que nem eu mesmo conseguia alcançá-lo.


A floresta estava estranhamente silenciosa naquela tarde. Não havia o som dos carros na estrada, nem o canto dos pássaros. Só o farfalhar leve das folhas e o som ritmado da minha própria respiração. Eu estava ali para pensar… ou talvez para esquecer.


E então, vi.

Primeiro, apenas uma sombra entre as árvores. Depois, a luz do entardecer tocando os fios ruivos do cabelo dela, como se o próprio sol tivesse decidido se prender ali. Ela se movia com uma graça estranha — rápida demais, silenciosa demais para ser apenas humana.


Meus olhos encontraram os dela.

Castanhos profundos, tão familiares e, ao mesmo tempo, completamente novos. Era como se todas as respostas que eu nunca soube que procurava estivessem presas ali, me encarando de volta. O mundo ficou quieto. O ar ao meu redor mudou.


E então, aconteceu.

Não havia nome para aquilo até que meu coração me contou, com um golpe certeiro no peito: imprinting. Um vínculo tão absoluto que nada, nem o tempo, nem a distância, nem mesmo a morte, poderia quebrar.


Eu não sabia o que significava para nós. Mas sabia, com a clareza de quem respira, que nada nunca mais seria o mesmo.