Notas iniciais
Olá, gente! Eu começo esse capítulo com as desculpas que preciso fazer para vocês, porque demorei para postar e era previsto um capítulo por semana, sendo assim... Perdão. Os motivos para a demora são, com certeza, a falta de inspiração e a escola que não me deixa nem pensar direito sem que seja algo relacionado a estudo. Além disso, agradeço por todos os leitores que tenho me acompanhando, pois ajudaram-me a ter disposição e força de vontade para postar. A música de hoje é Houdini - Foster The People. Espero que gostem!

Ally

A data é um dia antes da tão importante escolha: Ir para a turnê com o Austin ou permanecer em Miami e gravar meu disco.

Inconscientemente, sei que a decisão está feita, até mesmo meus amigos creem que irei fazê-la, entretanto busco a disfarçar de mim mesma, pois me sinto péssima ao apenas refletir sobre me distanciar do garoto. Outrora, quando sequer o conhecia, talvez não precisasse dessas artimanhas, afinal, naquela época tomava a lógica como certeza, enquanto agora, depois de experimentar o amor com ele, a razão mescla-se em uma porção maior de sentimentalismo.

Meus passos são acelerados e desgovernados contra o piso da Sonic Boom ao passo que me mantenho presa a esses devaneios. Gosto de ficar tentando me convencer usando argumentos como o caso de ser somente a primeira dele, provavelmente no futuro poderei acompanha-lo em outras, entretanto logo em seguida já solto uma risada descrente por isso ser justamente um porquê de ir – Será uma memória única.

Sofro um sobressalto ao ouvir o ruído da porta de vidro sendo empurrada e velozmente me viro em direção a ela. Desligo-me dos pensamentos e conecto-me com a imagem encantadora de Austin entrando na loja com seu típico andar desleixado conciliado ao traje característico de uma blusa cinza, tênis preto e calça surrada.

“Você me chamou para conversar, Ally?” Ele questiona, aproximando-se de mim e agora noto seu nervosismo através das gesticulações excessivas com as mãos.

“Na verdade, sim” Minha voz sai estranha até mesmo para mim, com uma entonação carregada, portanto trato de cuidar disso antes de continuar “Sinceramente, consigo supor que você saiba o assunto.”

“Mesmo querendo não saber, tenho uma ideia” Realiza uma aproximação maior que a anterior, chegando ao ponto de estarmos separados por vinte centímetros e ele insinua que irá segurar minha mão, o que permito sem hesitar, entrelaçando os dedos “A viagem.”

Assinto e não consigo deixar de recordar de todos os momentos vividos ao olhar aqueles doces olhos castanhos os quais tanto me fascinam, pois foi os observando que tive experiências como a música roubada, o vexame no programa da Ellen, a aventura em Nova Iorque para tocar na Times Square e, a que sempre me faz borbulhar em um misto de sensações, quando superei o medo de palco previamente ao primeiro beijo com o rapaz.

As recordações me fazem desejar vomitar declarações sobre tudo o que senti e sinto atualmente, mas tenho algemas, minhas palavras estão atadas. Repreendo-me mentalmente, afinal, percebi como a situação estava tendo um vácuo das verdadeiras coisas as quais pretendia dizer antes de realmente tomar uma decisão. Lembro-me da fala de Lester ao que lhe desabava dos meus receios: “Medo pode fazer você se comprometer”.

“É sobre isso sim, porém, por favor, mantenha em mente que não tenho nenhuma certeza ainda” Mordo o lábio inferior, angustiada, assistindo o semblante de Austin assumir uma careta inquieta “Hoje, neste exato segundo, quero pedir que, independente de minha presença ou não, foque na sua habilidade, simplesmente foque na sua habilidade, então eles não poderão pegar o que querem roubar, a sua vivacidade e alegria.”

Dito isso, separo nossas mãos apenas para que eu possa repousar minha palma tórax alheio, conseguindo assim sentir o coração dele bater acelerado. Instintivamente, direciono meu olhar, anteriormente voltado no contato entre nossos corpos, para o seu e perco a noção ao o encontrar me fitando também. Aquele lindo garoto, agora carregando uma tristeza a qual não almejava nunca que ele precisasse lidar.

Sim, eu sei que está indeciso. Sim, eu sei disso. Sim, eu não quero fugir também. Presumo como deve ser estar na sua situação, dividido entre aceitar continuar alegre diante de uma possível decepção ou fechar-se, no entanto, nós não podemos desistir do que lutamos tanto para conseguir. Aliás, nós aguentamos qualquer coisa. Somos muito mais do que o presumível” Ele continua a me fitar, segurando meu punho como se fosse um ato para me afastar, contudo seu polegar acariciando minha pele demonstra o contrário “Não quero que ninguém se comprometa.”

“Ally, eu não sei o que dizer, só... Meu peito dói ao imaginar você não me acompanhando, mas, caso resolva ficar, vou tentar ao máximo te compreender e te orgulhar. Juro de mindinho” Murmura, logo me puxando para um abraço apertado.

Circundo sua cintura e encaixo minha cabeça na curva de seu pescoço, rapidamente sentindo uma mão começar a acariciar meu cabelo. Delicadamente, deposito um beijo breve na epiderme próxima e fecho os olhos para aproveitar o calor agradável do momento. A mente começa a ser preenchida pelos sentimentos de desespero e ira pelo que o mundo me faz ter de enfrentar. Eles estão me abatendo enquanto prisioneiros se rebelam em forma de lágrimas.

“O amor é um presente perfeito meu para você” Sussurro somente por sentir a necessidade de que ele saiba das emoções as quais me afligem. O aperto em volta de mim aumenta relativamente.

Passamos longos minutos nos sentindo e, em meio ao abraço, sinto que sei qual será minha decisão.

Notas finais
E aí, gente? O que acharam? Desejo as sinceras opiniões de vocês, mesmo que seja um simples comentário com "Gostei. Continua", porque até isso é motivador. Eh isto. Um beijo, DhampirGirl