Entre nós dois
6 I know places
Notas iniciais
Ally
O que eu mais temia ao permitir que o relacionamento com o Austin viesse ao público está bem na minha frente — Na verdade, quem me dera se fosse apenas diante de mim, pois talvez pudesse ignorar, entretanto está ao todo redor -: Os olhares desaprovadores de transeuntes que não sei dizer se são fãs meus ou do garoto, ou até se são haters. Semblantes os quais não consigo nem quero tentar compreender completam essa cena de terror.
Uma angústia me atinge bem no meu peito com tal situação e receio que algo poderia acontecer para nós, afinal, algo acontece quando todo mundo descobre. Mas parece que a paranoia atinge somente eu, pois Moon continua firme com suas mãos em minha cintura enquanto escora-se no tronco de uma árvore, dizendo alguma frivolidade para que nossa conversa continue fluindo.
Como estamos no Lummus Park e há uma suave brisa do mar vindo até mim, decido tentar me focar na deliciosa sensação de estar em um momento de lazer com meu namorado e esquecer os abutres rodeando em nuvens negras, que é como descrevo as câmeras fotográficas e celulares apontadas em nossa direção. Recebo uma ajuda nessa tentativa de me distrair quando Austin começa a fazer um afago na minha porção de pele que ele toca ao colocar as mãos embaixo da minha blusa.
Seus lábios tocam minha testa em um beijo leve e sorrio sem poder controlar a reação. Em seguida, ainda sorrindo, ergo minha cabeça a qual outrora estava voltada para baixo a fim de perder-me naqueles olhos castanhos que aprendi a amar mais do que qualquer outra coisa no mundo. Agora mesmo, nem lembro que estava angustiada alguns instantes atrás.
“Quer ir embora?” Austin questiona, desencostando-se da árvore e enfim me desvencilho dos braços alheios.
“Uhum, e que tal darmos uma passada no shopping? Preciso conversar com a Trish sobre algumas coisas” Vulgo, desabafar sobre todas as neuroses as quais estava sentindo.
Austin assente, entrelaça nossos dedos e começa a caminhar em direção onde pedi para irmos. De repente, meu medo retorna e percebo que isso é uma cena, e estamos aqui expostos. Posso ouvir as pessoas sussurrando enquanto passamos, afinal, deve mesmo ser uma visão bem estranha duas pessoas tão diferentes, como eu e Austin somos, andando de mãos dadas num parque, vivenciando um relacionamento. Será que estou com crise de baixa-autoestima de novo? Porque esses meus pensamentos me lembram do passado no qual me sentia inferior ao meu namorado.
Por um tempo, me perdi nesse devaneio mesclado com a missão de buscar me autodiagnosticar, porém barulhos irritantes parecidos com clic, clic começam a atormentar minha audição e rapidamente reconheço do lugar o qual eles partem: Papprazzis. Desespero-me no mesmo segundo, o que me leva a olhar para o garoto ao meu lado a fim de saber se ele tinha uma solução para aquilo, mas nada veio. Estávamos os dois encurralados.
Minha mente começa a rodar engrenagens, planejando diversas formas de sair, superando todo meu receio e pouca experiência nessas situações, até que algo pareceu ganhar vida. Aperto com mais força a mão de Austin e puxo-o para desandar em uma corrida.
Em poucos segundos já saímos do parque, comigo procurando a cada segundo superar a velocidade de meu corpo por conta de os paparazzis continuam a nos seguiar. Como odeio reconhecer que eles são os caçadores, nós somos as raposas. A fama trouxe este fardo. Não que eu reclame sempre, contudo em algumas ocasiões quero apenas privacidade.
“Onde estamos indo, Ally?” Moon interroga-me, tentando seguir meu ritmo.
“Eu conheço lugares que não irão nos encontrar” Digo apenas isso ao tomar ruela que tinha conhecimento.
O local que planejo nos levarmos fez parte de minha infância, com pouquíssimas pessoas conhecendo aquele canto. Tanto que Austin iria visitar pela primeira vez agora e por isso os fotógrafos iriam nos perder de vista.
Solto o palmo do loiro para poder abrir a maçaneta daquela construção antiga e abandonada. Minhas ações são seguidas pelo olhar atento do meu namorado, quando não desviado para ver se tinha alguém perto. Um ruído é solto quando abri a passagem, sinalizando em seguida para o menino vir comigo para dentro do espaço.
O cômodo está repleto de estantes abarrotadas de livros empoeirados, duas poltronas mais sujas do que as obras e, mesmo o lugar estando imundo, eu me senti bem ali. Trazia uma paz de quando eu era menor e lembro-me de quando saí de perto do meu pai enquanto ele conversava com a vizinha e proprietária do estabelecimento e explorei esse canto. Desde então se tornou meu refúgio, muito bem escondido, aliás.
A sessão nostálgica chega ao fim quando sou pega num ato abrupto, braços cercam-me em possessão e um beijo afoito é iniciado. Mais uma vez no dia tive uma anormalidade no ritmo de meu coração e minha cabeça nevoando-se para deixar apenas a sensação quente e inexplicável que tomou conta de mim. `
“Você é incrível” Austin comentou assim que paramos o ósculo e o mesmo estava ofegante “Desde quando você saiu daquele lugar eu quis fazer isto contigo e só sei dizer que eu te amo”.
Fico abobalhada com a declaração e não sei o responder, afinal, não estou recuperada do beijo anterior e ainda mais recebo este singelo dizer da pessoa que estou apaixonada. É demais para que eu possa e lidar, portanto acreditei que uma ação valia por mais de mil palavras e abracei-o.
Neste instante reconheço que não importa os empecilhos do caminho, a fama, nossa exposição constante e sim, o que sentimos um pelo outro e que não é afetado por esses fatores.
Eles miram e atiram, mas nós somos à prova de balas.
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