Notas iniciais
Gente me perdoe o atraso outra vez... Sai ontem e cheguei tao cansada que dormi o dia todo e ai nem tive tempo de analisar e postar. Mas hoje vou recompensar vocês com 3 capítulos fresquinho.. 1 que era de ontem e 2 hoje.. e bom nem musica tenho em mente, mas podem escutar as anteriores que indiquei ou alguma da preferencia de vocês.. Boa leitura Kissus jane RCB

— Lícia, você deu a sua palavra! E dessa vez não irá fugir. — Jorge impedia a passagem. Já estava atrasada para chegar à sala e começar os preparativos para sua próxima aula, com Paulo. Uma aula para qual não podia considerar-se ansiosa. Depois do que fizera na noite passada não saberia dizer se tinha cara de pau o suficiente para encarar o moreno.

— Jorge, eu tenho que...

— Alícia! — ele franziu fortemente as sobrancelhas e cruzou os braços. Alícia sabia que o primo podia se tornar um homem muito intimidador e insistente quando contrariado. — Não adianta!

Ela suspirou derrotada e olhou para o relógio pendular no corredor por cima do ombro de Jorge. Eram cinco e meia da tarde, Paulo era um homem extremamente pontual e estaria ali exatamente às 15 para as seis como fazia todos os dias.

Não sabia bem o porquê, mas não queria encontrá-lo por acaso ao sair dali com Jorge e ter que dar qualquer explicação, então sorriu para o primo de forma tranquilizadora e concordou com a cabeça.

Ele deu passagem para ela descruzando os braços.

— Vou avisar Bibi que você está saindo cedo. — ele disse seguindo para a entrada enquanto Alícia entrava em um dos vestiários. — Você tem 5 minutos para chegar ao carro, caso contrário virei aqui e te levarei a força; — meio sorriso.

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— Não acredito, Paulo! — reclamava a voz de Maria Joaquina por telefone enquanto ele entrava no carro e afrouxava a gravata. — Como você não pode faltar um único dia dessas aulas para jantarmos com nossos padrinhos?

— Caso você tenha se esquecido, Maria Joaquina. — ele apoiou o celular no ombro e deu a partida. Aquele dia tinha ficado preso no escritório por um tempo a mais do que costumava e não teria tempo de passar em casa para se trocar. Alícia deveria estar preocupada e, portanto, queria chegar o quanto antes, apesar de não saber o porquê de estar preocupado com o que a sua instrutora estaria pensando. — Foi você quem inventou essa palhaçada de aulas de dança.

— Tão palhaçada que você não falta um dia sequer.

O moreno teve vontade de bater a cabeça no volante. Se continuasse ouvindo a voz de Maria Joaquina reclamando tanto por uma coisa que ela mesma escolhera para ele iria acabar com uma perfeita dor de cabeça e descontando sua raiva em Alícia.

Afastou o celular da orelha tentado a jogá-lo para fora da janela. Estava parado em um sinal vermelho, um garotinho no carro ao lado olhava-o com um pirulito vermelho na boca e uma sobrancelha erguida. O moreno franziu as sobrancelhas ameaçadoramente para o pobre garotinho inocente que, amedrontado, abaixou-se no banco e fechou o vidro. O sinal abriu e ele voltou com o celular para ouvir Maria Joaquina.

— Eu vou ver o que dá pra fazer! — ele respondeu virando uma esquina. — Quem sabe sair mais cedo.

— Maravilhoso, Paulo! — ela disse sorridente. Paulo já poderia considerar-se "fora de perigo".

— Certo. — ele finalizou. — Tchau.

"Esse casamento está tornando a Maria Joaquina ainda mais insuportável" ele pensou avistando o telhado do casarão que era a Academia de Dança Bio Ritmo depois de alguns minutos. "Porque mesmo ainda vou me casar com ela?".

Deixou os pensamentos de lado e estacionou na sua vaga de sempre do lado de fora da Academia e seguiu, com as mãos nos bolsos da calça social, pela estrada de pedra até a entrada. Deu uma olhada para a sua esquerda onde os praticantes de ioga estavam se esticando e para as janelas da sua sala de aprendizagem.

Abriu uma das grandes portas da frente, mas estranhou não ouvir o costumeiro "Bem vindo, Sr. Guerra" de Bibi. A garota estava lá, atrás do balcão, e anteriormente rabiscava no caderno, mas não lhe lançava o sorriso de canto nem soltava o seu suspiro emocionado. Mantinha a face séria e assim que ele ameaçou dar o primeiro passo em direção a sua sala, a garota saiu de trás do balcão de madeira colocando-se na sua frente. Bibi era uns dois centímetros menor que Alícia e uns dez centímetros menor que Paulo, mas o seu ar altivo e autoritário era muito diferente do jeito carinhoso e sutil de Alícia.

— Alícia não está, Sr.Guerra. — anunciou a ruiva o olhado nos olhos . — Ela teve que ir a um compromisso inadiável.

— Que compromisso? — Paulo só percebeu o quanto estava se intrometendo na vida de Alícia depois de fazer a pergunta.

— Isso é particular, mas ela pediu para lhe garantir que isso não vai mais se repetir.

— Que seja! – ele respondeu irritado, agora teria que ir ao jantar de Maria Joaquina, pois tinha certeza que ela ligaria para a Academia de Dança para que o liberassem das aulas daquele dia.

Dando as costas para a garota, Paulo voltou para as grandes portas duplas e abriu uma delas para sair, mas parou ainda com a mão na maçaneta e voltou à cabeça para encarar Bibi. Teve o intuito de dizer mais alguma coisa, perguntar se Alícia iria ficar bem, mas desistiu e saiu do local.

Chegou ao carro estacionado ali perto e pegou o celular que nunca levava para as aulas e segurou firme o digito seis, digito de comando para uma ligação direta para o celular da médica.

— Alô? Paulo?

— Consegui sair da aula de dança hoje. — ele anunciou dando partida. — Estou indo para casa tomar um banho.

— Meu amor, isso é muito bom! — Maria Joaquina felicitou-se do outro lado do telefone. Estava verificando o guarda-roupa procurando seu melhor vestido. — Mário, Valéria, Davi e Laura vão gostar muito.

— Local e hora? — perguntou querendo terminar logo com aquela conversa.

— O Fasano. — ela tirou um vestido vinho tomara que caia. — Passa pra me pegar, amor?

— Claro. — revirando os olhos.

"Fasano é um restaurante grego" penso o moreno "Odeio comida grega."

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— Lima Gusman está na cidade, Jorge? — perguntou Margarida deitando-se na cama observando o marido ajeitar a camisa branca em contraste com a gravata preta.

— Está. — ele respondeu simplesmente.

— Você levou a Alícia no médico hoje, não levou? Como ela está?

— O de sempre. Ela não pode se esforçar muito mais, o desgaste dos ossos dela está em estado crítico.

— Ela prometeu que esse seria o último aluno, não foi?

Jorge terminou de arrumar o nó da gravata e ajeitou os cabelos com um suspiro pesado.

— Você conhece a Alícia, amor. Sabe que ela adora dançar.

— Isso deve estar sendo muito difícil pra ela, principalmente o pai não a apoiando. — a advogada levantou-se e andou até o marido que estava quase pronto para o jantar familiar Gusman que acontecia toda vez que o patriarca Gusman estava na cidade. Mesmo como esposa de Jorge, por não ter elo de sangue com a família, Margarida nunca comparecia a esses jantares. — Não deixa a Letícia chegar muito perto de você, certo?

— Margarida... — ele repreendeu de forma descontraída o ciúme bobo da esposa para com a prima que sorria marotamente para qualquer par de calças que achava atraente.

— Estou falando sério, Jorge! Boa sorte. — ela disse beijando levemente os lábios do marido. — Mande um abraço para Alícia.

Ele concordou e começou a descer as escadas até o subsolo do prédio, não tinha muita paciência para esperar o elevador.

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— Eu ainda acredito que o Mário deve ter perdido de novo o Rabito! — disse Valéria tomando um gole de vinho.

Valéria estava no Fasano com Davi ao seu lado e Laura em uma das pontas da mesa. Paulo e Margarida estavam a sua frente, de costas para as grandes janelas do local e encarando a entrada. Só Mário faltava estar presente naquele jantar.

— Maria Joaquina, eu soube que você foi promovida para diretora da ala cirúrgica. — comentou Laura, a castanha era repórter e sempre tinha alguma novidade ou assunto para puxar conversar, não importando do que se tratava, ela não deixava passar qualquer detalhe.

— É, eu fui! — a jovem sorriu largamente com o comentário. — Estava muito disputado, temos ótimos médicos na equipe, mas... Bem, eles continuam sendo ótimos médicos.

— Meus parabéns! — Laura mirou Paulo que estava alheio à conversa, até que o tirou de seus devaneios. — Não está feliz, Paulo?

— O quê? — ele perguntou voltando a focar seus olhos na garota, e então olhou para a noiva que desviou os olhos bebendo um gole do seu vinho. — Claro, claro que estou.

"Apesar de Maria Joaquina não ter me dito que foi promovida" pensou o rapaz.

— Acho que Mário chegou! — observou Maria Joaquina. — Vindo com a família mais importante do país.

Notas finais
O que descobriram a doença da Alícia? Tadinha dela :(