Notas iniciais
Aconselho a ouvir esta música https://www.youtube.com/watch?v=VAi2wCgJgiI Boa leitura e entre no ritmo Kissus jane RCB

— Seja bem vindo, Sr.Guerra. — foi o cumprimento de Bibi assim que Paulo passou por ela. Jorge estava recostado na bancada da recepção e seguiu o moreno com os olhos, mas Paulo não se importou.

Continuou andando pelo lugar que já conhecia tão bem, virou à direita e continuou. Sentia-se realmente bem vindo naquele lugar, era confortável o som da valsa enquanto Alícia lhe falava os passos em sua voz musicada e cristalina e ele sentia necessidade de ouvi-la e de vê-la. De sentir seus dedos finos entrelaçados com os dele e, de vez em quando, a pele macia de suas costas. Mais do que tudo, adorava ver a leve sombra de mistério que pairava sobre seus olhos castanhos pedindo mudamente para que ele os decifrasse. E ele tentava, sempre.

Abriu a porta, a música já tocava e o sol estava se pondo dando a sala suas cores alaranjadas.

Alícia já estava ali e sorriu-lhe ao se virar com o ranger das dobradiças.

— Olá, Paulo.

— Olá, Alícia.

Sem mais palavras eles se aproximaram e colocaram-se em posição de dança. Não importava quantas vezes já tivessem repetido aquele ato, sempre que a pele de Paulo ao menos roçava a sua, ela se arrepiava e não podia evitar o leve rubor das faces.

~*O*~*O*~*~*O*~

A música mudou e Paulo diminuiu a distância deixando os cabelos de Alícia roçarem sua bochecha e sua orelha a dois milímetros de sua boca. Ela tinha as orelhas furadas, mas não se lembrava de já tê-la visto com brincos. Sentiu o peso leve da cabeça dela repousando em seu ombro, ela era tão pequenina e frágil que passava despercebida. Tinha medo de tocá-la, medo que ela se desmanchasse.

— Encontrei... Maria Joaquina, hoje. — disse Alícia sem quebrar o contato ou os passos. — Ela se-será uma noiva maravilhosa.

— Duas semanas. — ele respondeu como se fosse a isso que ela estivesse se referindo, por quanto tempo mais poderiam ficar juntos sem pecado.

— Eu sei, 25 de outubro. — ela desencostou a cabeça para encará-lo enquanto um milhão de cavalos parecia pisotear seu coração e os olhos negros profundos provocaram de novo o tremor involuntário que ele nunca deixava passar despercebido — É o dia... Da minha última apresentação na Academia.

— Última?

— Si-sim, eu... — mas era muito difícil para Alícia falar abertamente sobre aquilo, falar que teria que parar de fazer a coisa que mais amava na vida, aquilo que lhe fazia feliz e dizer isso para Paulo só parecia ainda mais complicado. Ela não voltou a falar e o moreno não iria insistir.

A música mudou para outra valsa e eles continuaram com os passos lentos, os corpos muito juntos, ela voltou a recostar a cabeça em seu peito sentindo o cheiro do desodorante masculino que exalava de todo o corpo dele, sentindo a rigidez dos seus músculos sob a roupa. Sentia-se tão bem e segura e feliz e completamente relaxada como se estivesse dançando para milhares de pessoas. Ele, por sua vez, esquecia-se de tudo, de que não deveria estar tão próximo, de que iria casar-se com quem não amava em apenas duas semanas, que tinha muitos problemas da empresa para resolver, que ele era ele e que Alícia era ela. Tudo sumia e ele fechava os olhos para ouvir o som delicado dos pés dela sobre a madeira, gostava de olhar para os grandes espelhos e ver sua cara de idiota ao notar que o corpo dela se encaixava tão bem ao seu. Sorria para seu reflexo e afundava o rosto nos cabelos curtos da sua instrutora.

A música mudou novamente. Eles continuaram dançando como estavam.

"Quando foi que isso aconteceu?" era a perguntava que ficava vagando pela mente de Alícia. Talvez fora quando ela passara a chamá-lo de Paulo. Talvez fora quando ela desmaiara no Fasano. Talvez fora quando ele entrara por aquela porta já dizendo não saber dançar. É, ela achava que fora daquela vez.

O entrecorte da fala dela, era ali que estava o mistério que ele tanto queria descobrir. Última dança. Por quê? Ela era tão jovem e sempre parecia tão viva, tão brilhante, porque parar de dançar? Ele queria poder senti-la de novo, senti-la próxima como quando dançaram aqueles ritmos latinos, senti-la fazendo parte dele. Não era tão simples assim. A música parou e outra valsa começou, mas dessa vez Alícia se afastou, um sorriso leve no rosto indicando que agora eles realmente tinham que praticar. Paulo continuou sério como sempre e deu-lhe o espaço necessário e começou a guiar. Passos para um lado, para outro, os pés sempre encontrando o caminho certo, um rodopio, dois.

~*O*~*O*~*~*O*~

Eles não ouviram a batida na porta nem quando ela foi aberta de maneira tão lenta que não emitiu nenhum ruído pelas dobradiças. Bibi colocou a cabeça para dentro observando-os continuar a dança, um sorriso enorme nos lábios e um pesar por ter que interromper aquele espetáculo. Era estranho como eles pareciam flutuar completando os passos um do outro.

Paulo Guerra guiava e Alícia Gusman confiava nele.

A valsa entrava por seus ouvidos como uma flauta mágica de um encantador de serpentes trazendo-os para mais perto um do outro. Alícia podia sentir a proximidade entre seus narizes, mesmo eles ainda não tendo se tocado e Paulo contava as pequeninas rachaduras nos lábios pálidos de Alícia que ela às vezes molhava com a língua. Ela fez isso mais uma vez antes dele roçar seus lábios secos nos dela, delicadamente. Mais um tremor passou pelo corpo de Alícia, milhares de vezes ampliado, e mesmo sabendo que era errado e que não deveria, a corrente que os atara não dava sinais de que iria soltar.

— Srta. Gusman? — chamou Bibi e Alícia abriu os olhos. Não se lembrava de tê-los fechados. Interrompeu a dança e largou o moreno bruscamente. — Desculpe interromper. — o riso da ruiva era maroto.

— Na-não, Bibi. — Alícia passou a mão pela franja colocando uma mecha atrás da orelha, o sol quase posto escondia um pouco seu rubor, e andou rapidamente até a colega. Paulo parecia indiferente, um pouco aborrecido, e colocou as mãos nos bolsos. — O que é?

— A decoradora do salão está aqui, ela precisa falar com você um instante.

— Agora?

— Agora. — Bibi abriu um pouco mais a porta para dar passagem a Alícia.

— Ah, Paulo. — ela chamou meio aliviada por poder ficar longe dele uns segundos. — Eu... Preciso resolver uma co-coisa, pode me dar um instante?

Ele concordou com um aceno. As duas se retiraram, mas a porta não se fechou. Jorge Cavalieri entrou por ela sem dizer nada, nem sequer encarava Paulo. Os praticantes de ioga se cumprimentavam no portão e iam embora e alguns garotos com roupas largas chegavam para a aula de hip hop.

— Cavalieri? — chamou Paulo e Jorge se virou o encarando seriamente.

— O que é?

— O que Alícia tem? — ele foi direto, precisava saber.

— Você vai se casar em duas semanas, Guerra. — os olhos azuis encarando os inexpressivos negros no mesmo tom. — Você não tem nada haver com a Lícia! Não dê falsas esperanças à minha prima!

— Pro inferno o meu casamento, Cavalieri! — rebateu o moreno. — Diga logo, porque a Alícia está tão obcecada em me ensinar a dançar?

Jorge não respondeu, sustentou o olhar de Paulo não sabendo direito porque a preocupação dele o incomodava e o reconfortava. Fora sempre ele quem cuidara de Alícia, era difícil ver outra pessoa tão ou mais possessiva para com ela. Especialmente uma pessoa que Jorge sabia poder machucá-la por que iria se casar em apenas duas semanas.

— Ela me disse alguma coisa sobre a apresentação de formatura ser sua última dança! — o tom de Paulo não era mais agressivo, era triste. — O que ela quer dizer?

Era difícil para Jorge falar, mas ele o fez.

— A Alícia tem uma doença nos ossos, eles estão definhando e é provável que ela termine em uma cadeira de rodas. — ele não encarava Paulo e não viu a expressão do moreno. Não era espanto, nem pena. — Ela vai ter que parar de dançar.

— E se ela não parar?

— Ela não tem escolha!

— E se ela não parar? — repetiu já sem paciência.

— Ela só estará encurtando ainda mais sua vida! — aumentando o tom de voz. — Que droga, Guerra! Ela não tem escolha.

Jorge se dirigiu a porta, já fizera seu trabalho, só faltava uma coisa. Colocou a mão na maçaneta e disse sem se virar.

— Já lhe disse e repito! Não lhe dê esperanças para depois quebrar seu coração. — saiu deixando as palavras no ar. — Alícia já está perdendo muita coisa que ama.

Notas finais
E agora que Paulo descobriu a doença de Alícia, o que ele vai fazer? E quanto à Alícia? Lutará pelo amor de Paulo ou abrirá mão dele sabendo que custará sua felicidade? Só lendo o próximo capítulo para saber... O que acharam? Por favor, os reviews e recomendações me incentivam a continuar, se não recomendar pelo menos me contento com os reviews. Quando entrei e vi que muitos nem comentaram me desmotivou serio. Não costumo cobrar, mas faço minhas fic de coração para vocês e me esforço ao máximo para impressionar. Desculpem ser chata, mas nunca nenhuma de minhas fics tem recomendações e isso me deixa triste, mas tudo bem ^^ Kissus jane RCB