Notas iniciais
Aconselho a ouvir esta música.. https://www.youtube.com/watch?v=V9_J2IulYrM Boa leitura e entrem no ritmo... Kissus jane RCB

A música parou e Alícia estancou os movimentos, mas continuaram na mesma posição. Ambos estavam levemente brilhantes de suor e com as bochechas avermelhadas. Ela podia sentir as mãos dele tremerem ao deslizarem por suas costas para voltar a repousar em seus quadris, na verdade todo o corpo dele tremia. Afastaram-se com alguma dificuldade e ele cerrou os punhos.

Ambos estavam com a respiração levemente acelerada.

A morena se aproximou dele e tirou-lhe a venda. Os olhos de Paulo estavam fechados por baixo dela e o sol já havia se posto totalmente. As pessoas praticando ioga já haviam recolhido seus colchonetes e ido embora e os sons de alguns alunos saindo das outras salas ao longo daquele corredor também podia ser ouvido um pouco abafado pela quarta música latina que começara a tocar.

— Acho que é suficiente por hoje, Sr.Guerra. — Alícia foi até o rádio e o desligou e completou sem se virar. — Pratique mais em casa.

Ele não disse nada, somente vestiu os sapatos e se dirigiu a saída. A dançarina só respirou aliviada ao ouvir o som da porta se fechando. Deixou-se cair sentada no chão ao lado do rádio, as pernas latejando e doendo tanto que pareciam queimar seus músculos. Aquela sensação de dor substituiu o prazer de minutos atrás.

— Alícia! — Jorge acabara de abrir a porta, tinha vindo ao encontro da morena assim que vira Paulo passando pela portaria onde estava esperando com Bibi. Agora ele ajoelhava-se perto dela e a colocava recostada em seu peito forte. — Eu avisei, Alícia! Você precisa tratar direito essa...

— Jorge! — ela falou com há voz um pouco elevada. — Não deixe tudo pior do que já está!

Ele relaxou seu olhar firme e levantou-se segurando a garota. Tudo que poderia fazer era apoiá-la.

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Paulo passou rapidamente pelos corredores, alguns alunos ainda passavam pelos corredores em direção à saída e outros entravam. Bailarinas com seus collants e meia-calça rosadas, dançarinos de tango com calças e camisas largas e sapatos lustrosos, os praticantes de ginástica, de dança de rua, de jazz, de salsa, merengue, flamengo e vários outros tipos de dança ensinados no local de Paulo não conhecia.

Viu Jorge com os braços cruzados apoiado em uma parte do balcão, Bibi estava debruçada sobre ele tentando chamar a atenção do rapaz, mas sem sucesso. Assim que os olhos se ergueram e encararam brevemente o Paulo, Jorge saiu de perto do balcão e passou por Paulo em direção à sala de Alícia.

Ele saiu do local ouvindo o "Até amanhã" costumeiro de Bibi, mas novamente não deu atenção. Sentiu a brisa gelada da noite tocar-lhe o rosto, mas não obtendo sucesso em secar-lhe as gotas de suor da testa e dos braços. Entrou em seu carro e ligou o ar condicionado, não deu a partida, muito menos tocou no volante. Ficou parado olhando para baixo com a confiança de estar protegido atrás dos vidros fumê. Demorou alguns minutos para finalmente colocar uma mão sobre o volante, pender a cabeça e passar as mãos pelos cabelos.

Como era possível? Como aquela garota conseguira deixá-lo naquele estado de excitação com simples movimentos? Tenha dó, ele não era mais um adolescente cheio de hormônios e também não era um homem sem autocontrole, então como? Qual era o segredo de Alícia, se nem Maria Joaquina, sua noiva e com quem fazia sexo regularmente, conseguia deixá-lo naquele estado com carícias?

Bateu com a testa no volante. Conhecia aquela mulher a menos de uma semana e ela já o deixara assim.

Sorriu levemente ainda com a cabeça recostada no volante. Na verdade havia um lado seu que gostara profundamente daquela sensação. Um lado seu que era malicioso e que estava tremendamente tentado a permanecer naquela sala e fazer coisas que não deveria por estar noivo. A sensação de fazer o que era errado era tremendamente prazerosa e por um momento pensou que Alícia deveria ter sentido a mesma coisa ou ela estava sendo estritamente profissional e só lhe passando o exercício?

— Não, ela deve ter sentido alguma coisa, também. — levantou a cabeça e deu a partida. Naquela noite ele não precisaria ter sua noiva em sua cama.

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— Margarida, já cheguei ! — anunciou Jorge entrando no apartamento e ajudando Alícia. — Alícia está aqui.

— Olá, Jorge, que bom que chegou. — Margarida saiu da cozinha e tirou seus óculos de leitura prendendo-os no colarinho da blusa que vestia. — Alícia! — ela correu até a moça para ajudá-la a se sentar no sofá. Sentou ao lado dela em seguida — Ah, amiga, o que aconteceu?

— Ela andou se esforçando demais de novo! — disse Jorge jogando suas chaves, o celular e a bolsa de Alícia sobre a mesa da sala de jantar raramente usada. — Não pode ficar sozinha no apartamento.

— Lícia, você tem que se cuidar mais. — a mulher de Jorge a olhava com os olhos castanhos transbordando carinho.

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No começo do namoro de Margarida e Jorge, Alícia pensou que aconteceria o mesmo que com as namoradas anteriores do primo, todas se separariam dele por terem ciúmes demais dos cuidados dele para com a morena, mas Margarida fora diferente. Ela simplesmente era um amor de pessoa com Alícia e sempre a estava ajudando também.

Margarida Garcia era uma advogada. Porém na sua vida particular ela era completamente diferente da fera que se transformava diante de um tribunal. Jorge Cavalieri era administrador de empresas. Eles só se conheceram por causa do bingo maluco da empresa de Jorge para a qual Margarida fora convidada acidentalmente.

Eles se casaram depois de três anos de namoro e a mulher sempre ajudara Jorge a cuidar de Alícia. A doença dela não era terminal, mas o sofrimento emocional por qual a dançarina passara todos os anos de sua infância e adolescência sendo repudiada pelo pai pelo que escolhera fazer da vida e depois de sair de casa para seguir o seu sonho, para a insatisfação de Lima Gusman, tudo fosse acabar era demais para ela.

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— Margarida, me desculpa. — disse a morena enquanto Margarida colocava sua cabeça sobre seu colo e acariciava os cabelos.

— Não seja boba, Alícia.- ela sorriu. — Você é bem vinda aqui.

Ela concordou com a cabeça e fechou os olhos. Mais uma vez iria ser uma intrusa naquele lugar particular de Jorge e Margarida, mais uma vez seria ela o estorvo por causa de sua doença que lhe causava completa exaustão depois de muito desgaste físico. Mais uma vez Jorge insistira que ela não poderia ficar sozinha, mesmo já sendo uma mulher adulta e independente. Sabia que o primo só queria lhe ajudar e proteger, mas...

"Eu preciso viver sozinha o que resta desse meu sonho" pensou começando a adormecer.

Notas finais
E então? O que acharam??? Reviews??? Amanhã tem mais... uma ótima noite para vocês, meus amores..♥ Kissus jane RCB