Notas iniciais
OI HELENZINHA MEUA MOR! Sei que prometi repostar antes com o restante da história, mas você sabe como as coisas estão meio corridas e minha vida não está ajudando muito para facilitar as coisas KKKKKKKKKKKKK

Bom, eu fiz pequenas alterações nesse primeiro capítulo, então, caso queira ler, fique à vontade! Não é nada gritante, então também pode continuar no próximo!

BEIJO ♥

"— Bea, ajuda aqui, por favor!" — dizia Lucca pela ligação no Discord para mim enquanto jogávamos uma partida de seu jogo online favorito: League of Legends. Inclusive era uma das coisas que mais fazíamos desde que a quarentena começou, embora boa parte das vezes a gente tenha ficado mais nervoso do que se divertido, como ocorre em grande parte dos jogos online.

Eu sou amiga de infância de Lucca. Nossos pais foram amigos no ensino médio e mantêm contato até hoje, fato que eu acho bem maneiro, mas os quatro tem um discursivo vergonhoso sobre a gente de que “vamos namorar um dia”. Isso quebra todas as minhas estruturas, pois eu nunca sei como responder aos comentários deles, se é que me entende.

Dizendo assim parece até que Lucca era algo além disso, né? Quer dizer, ele era, sabe, mas… era muito mais complicado do que parecia, pois eu não sabia ao certo o que éramos. Já fazia tanto tempo que não nos víamos que até já pareciamos desconhecidos, ou melhor dizendo "web-amigos", fato o qual ficava ainda mais evidente quando jogávamos com Nicole, Giovana e Vinicius.

Esses três foram algumas das pessoas que fizemos amizade pela internet nesse momento de tanta angústia chamado quarentena. Embora haja mais pessoas, eles foram os principais e também mais especiais de todos. Nicolinha havia se tornado a palhaça da galera, Gio minha confidente em quase tudo e Vini um grande apreciador de minhas fofocas, além de contar várias também.

De forma geral, passamos nosso ano jogando diversos jogos juntos — desde Among Us até League of Legends —, muitas vezes nos divertindo e outras passando nervoso por causa desses jogos infernais.

— Ajudo, sim! — respondi, seguindo imediatamente com meu personagem para ajudar o de Lucca. Era um gesto simples, não tenho dúvidas disso, sem contar que se tratava de apenas um jogo, mas era importante para mim saber que ele desejava a minha ajuda.

Sim, podem me chamar de idiota, mas eu ficava toda boba quando ouvia a voz dele pronunciando meu nome. O pior era que nem lembrava há quanto tempo eu dava importância para essas pequenas coisas quando se tratava de Lucca. Não sabia nem ao menos lidar com todo alvoroço dentro de meu peito e estômago ao escutar sua risada escandalosa.

Sabe, as vezes eu fico me perguntando se um dia todos esses sentimentos que o Lucca me causa poderiam virar algo concreto ou se apenas ficariam em minha mente. Lembro-me perfeitamente dos momentos que passamos juntos antes da pandemia que eu perdia meu olhar nele até o ponto que nossos olhares se encontravam em meio à roda de amigos. Havia vezes até que eu tirava os óculos para fingir que não o estava vendo, quando na verdade colava meu olhar em seu sorriso torto e expressivo o tempo todo.

Nós estudamos na mesma escola, e quando o ensino era presencial nós costumávamos andar juntos, dando muitos motivos para que todos comentassem sobre nossa proximidade e como isso poderia estar além de uma amizade, pois nós realmente não nos tratávamos somente como amigos. Lucca e eu éramos família, mas não como irmão e irmã, porém algo que nunca pude colocar em palavras para descrever com clareza.

Houve tantas situações que não posso contar nos dedos, mas há uma em especial que nunca consegui esquecer e que jamais conseguirei. Ocorreu na festa de Halloween feita pela professora de português, exatamente quando uma garota de nossa sala deu em cima dele por conta do fato de nós nunca termos assumido nada.

Seu nome era Samatha, e eu juro que aquele dia foi como perfurar meu coração e ligar o interruptor de minha insegurança, pois foi realmente quando eu me senti feia. Lucca nunca disse que eu não era bonita, muito pelo contrário, mas também não havia negado as investidas da garota quando eu olhei para ele com todos os meus sentimentos transbordando de meus olhos.

Recordo-me de ter abraçado-o enquanto estava sentada, entrelaçando minhas pernas em seu quadril enquanto pedia, num sussurro, para que ele continuasse lá comigo. Não estava pedindo para que me beijasse ou que dissesse não imediatamente à menina, mas que apenas ficasse ali comigo, pois eu não estava me sentindo confortável perto de tantos garotos me encarando por conta da fantasia apertada de bruxa.

A quem eu quero enganar… Eu não queria mesmo que ele seguisse Samantha, e essas lembranças do primeiro ano do ensino médio hoje em dia nem valem mais de nada, mas mesmo assim machuca um pouco. O fato de ele ter ido atrás dela após eu praticamente implorar para que ficasse lá comigo fora motivo o suficiente para saber que não existia nem existirá s.

Não sabia como ele se sentia em relação a mim e não tinha a menor vontade de correr atrás da resposta, pois todas as vezes que imaginava uma possível declaração, minhas inseguranças gritavam em meu ouvido que Lucca era demais para mim. Para ser sincera, eu sabia que não estaria no nível do filho do casal de advogados da nossa cidade, ainda mais quando meus pais não passavam de professores da rede pública.

Ah, não que eu esteja menosprezando a profissão, mas nós sabemos o quão diferente é o tratamento de um professor em comparação a um advogado.

Enfim, eu não era o bastante. Não tinha atributos que pudessem impressionar, muito menos era divertido conversar comigo, pois além de ser tímida, também não era boa em contato virtual.

A Gi, uma das nossas amigas virtuais, insistia para que eu me declarasse para ele, alegando que faria um bem danado, pois caso a resposta fosse negativa, pelo menos sairia um peso de minhas costas e consciência. Só que mesmo sabendo disso, eu não conseguia aceitar, uma vez que não estaria contente se recebesse um fora do meu melhor amigo, que por sinal já tomou conta de todo meu coração há um tempo consideravelmente longo.

Por que diabos ele conseguia ser tão maravilhoso? Por que eu esquecia minhas inseguranças quando ouvia sua voz e sentia que era uma pessoa forte quando tinha seu apoio? Caramba, Lucca, por quê?

Ao mesmo tempo que eu me perdia nos meus pensamentos sobre desistir por saber que eu não era suficiente, uma pontinha de esperança surgia em meu peito quando notava o desconforto dele diante de pessoas que se aproximavam de mim com segundas intenções em mente. Não que fosse um comportamento tóxico por parte dele, digo com tranquilamente que não era, pois nesses dezessete anos de amizade e vida que temos, nunca me senti pressionada ou algo parecido por ele.

Quando notava seu humor mudar, como ocorreu durante um dia que assistimos Ao no Exorcist em sua casa antes da pandemia do Covid e seu primo deu em cima de mim, ele simplesmente ficava quieto até que a pessoa se afastasse, encarando seja quem fosse que estivesse perto de mim. Na época eu acreditava que ele poderia ser ciumento e que gostava de mim, mas mesmo quando me envolvi com um colega de classe, ele inclusive foi um dos que mais apoiaram a relação.

De forma geral, Lucca é uma incógnita para mim. Não importava o quanto eu procurava refletir sobre suas atitudes, sempre voltava para o ponto crucial que me impede de resolver este problema: ser insuficiente.

Enquanto eu pensava cada vez mais sobre minha paixão pelo meu melhor amigo, minha mãe abriu a porta de meu quarto e uma música muito alta a acompanhou, fazendo com que o pessoal reclamasse do barulho na ligação.

Se não me engano, tratava-se de “Menina Veneno”, uma das favoritas da minha mãe.

— Beatriz — começou minha mãe —, você está em ligação com o Luquinha?

Assenti que sim com a cabeça, tampando o microfone do headset com a mão.

— Ah, que saudade que eu tenho dele! Deixa eu mandar um beijinho aí na call — Posicionou-se ao meu lado e começou a falar várias coisas vergonhosas para todo mundo ouvir.

Digamos que até que não era tão ruim ela ser tão carinhosa assim com ele, mas eu realmente morria de vergonha, pois não era algo que dependia apenas do meu bem estar. Além de estar tocando uma música pra lá de careta de fundo, os comentários que eu tive que ouvir do pessoal por conta da intimidade de nossas famílias fazia eu querer enfiar minha cara num buraco.

Por sorte, ela terminou apenas com um “beijo, até amanhã”, e foi então que eu lembrei que o veria na véspera de natal. Nós iríamos para sua nova casa depois de quase um ano sem nenhum contato. Estava tão fissurada nas minhas discussões internas que nem havia lembrado do combinado de passar o natal juntos.

Suspirei, ansiosa e completamente desolada por não saber como reagir. Como seria vê-lo novamente depois de tanto tempo?

No mesmo momento que me dei conta da realidade, a partida que estávamos jogando terminou, mas não foi só isso que teve um resultado deplorável de derrota. Desbloqueei meu celular assim que saí do jogo, dando de cara com uma mensagem de Nicole com algo que eu jurei ser a pior coisa que eu poderia ler:

“Eu estou apaixonada pelo Lucca, Bea”

PUTA MERDA!

Notas finais
até o próximo~