Entre duas paixões (Pausado)
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Acordo e olho para Fred, esparramado ao meu lado na cama e sorrio, ta aí um companheirinho que eu posso confiar com todas as minhas forças. Queria dizer que não e que minha prioridade e preocupação no momento é a empresa ou algo do tipo, mas é verdade é que estou magoada, como pode alguém em tão pouco tempo se sentir assim com um cara que conheceu por acaso há umas duas semanas? Mas aquilo que sinto quando ele me olha ou quando me toca não é só físico, até mesmo quando transamos, onde o que mais dominava era o calor e a excitação. Até naquele momento, eu sei, não foi puramente físico e eu achei que para ele também não havia sido. E se não foi? Não sei qual seria pior: Ele só ter me usado mesmo á procura de sexo ou ele ter alguém e sentir algo como eu senti. Deixo esse pensamento de lado e levanto da cama, fazendo o cão se levantar comigo e me acompanhar até o banheiro.
— O que foi? Vai querer entrar no banheiro comigo também? — pergunto para aqueles olhos amendoados atentos. Sorrio e afago seu pelo, deixando-o entrar. O cara de pau apenas senta no tapete e me espera. — Achei que queri tomar banho, não quer? — ele vira a cabeça na tentativa de me entender e eu termino meu banho. Lavo meus cabelos e acho que foi a melhor escolha que fiz, os esfrego numa tentativa simbólica de tira Dante da minha cabeça, mas só faço me machucar a toa. Visto uma saia lápis cinza e uma camisa roxa social, calço meu saltos e vou para a empresa.
— Bom dia! — passo pela mulher sorridente e entro em minha sala, logo Alice entra na mesma.
— Bom dia Maya, lembra que marcou a reunião.. — ela começa mas eu a interrompo.
— Alice cancele por favor, preciso resolver umas coisas antes. — ela afirma com a cabeça — Chame Ramírez, por favor. — ela afirma e se vai. Observo a mulher de meia idade e percebo que não sei muito sobre sua vida, digo, sei que ela tem uma irmã e um sobrinho ou sobrinha, mas sobre ela mesmo, nada. Trabalha aqui há tanto tempo que me pergunto que tipo de vida deve ter. Em menos de 20 minutos, o meu tio entra na minha sala.
— Cancelou a reunião? — ele chega com seu terno refinado e senta na cadeira á minha frente.
— Sim, precisava conversar com você. Ramírez — ele sabe que quando o chamo pelo nome quando estamos sozinhos, é algo sério — Eu encontrei uma pasta zipada no sistema presidencial da empresa e depois de algumas tentativas, eu consegui abrir. — ele me olha atento a todo momento. Viro o notebook em sua direção e abro a pasta, ele se aproximando tentando ler o que há.
— Nunca vi essa pasta — ele comenta e me olha com os olhos arregalados. — Quanto tempo essa pasta está ai? Dá pra saber — ele me pergunta e sinto seu interesse maior.
— Está aqui desde o ano da morte de meu pai. Há 5 anos trás, pelo menos essa pasta.
— E...você sabe do que se trata? — ele me pergunta ainda olhando os nomes na tela.
— Não, eu esperava que você soubesse, na verdade.
— Eu?! Por que eu saberia disso? Está me acusando de algo, Rapunzel? — ele perde um pouco a compostura, mas não demora muito a voltar a seu padrão. Eu puxo o notebook de volta.
— Calma tio. Ainda nem sabemos o que é, como posso estar te acusando de algo? — ele assente — Apenas achei que deveria saber já que sempre esteve com meu pai.
— Tem razão. Sabe como as coisas estão hoje, achei que..sei lá. — ele passa as mãos pelos cabelos.
— Não sei nem por onde começar. Vou ver se consigo pesquisar ou entrar em contato com alguns nomes desses. — ele se levanta em um rompante.
— Não! Isso é demais. — levanto também e dou a volta na mesa.
— Não estou entendendo Ramírez. Alguém tem que descobrir isso, não acha?
— Mas você nem sabe o que é, vai ver é qualquer besteira antiga de seu pai e você vai estar se colocando em risco á toa! — ele anda pela sala.
— A minha intuição diz o contrário. — ele me olha e tenta falar algo, mas eu o interrompo — E pelo o que eu me lembro, meu pai sempre me disse para usar a intuição e é isso que eu estou fazendo agora! — ele senta no sofá e passa a mão pelos cabelos novamente. Eu permaneço de pé.
— Tudo bem, mas não precisa ser você. Eu faço isso. — ele dita e eu franzo as sobrancelhas. — Não tente me fazer mudar de ideia. Não sabemos o que é isso e como você é a CEO da empresa, é melhor não ficar tão exposta dessa forma. — assinto. De fato, faz todo sentido o que ele diz, mesmo não sendo algo muito grave, a mídia cairia matando em cima de mim.
— Tudo bem. — sento na cadeira e ele me olha sorrindo — O que foi?
— Me lembra seu pai e não parece nada aquela garotinha que ficava me enchendo o saco e gastando meus papeis — sorrimos com a memória. — Bom, cancelou a reunião mesmo? — ele pergunta e eu olho no relógio. Achei que a conversa demoraria mais, já que ele me explicaria o que era exatamente, mas acho que não preciso cancelar.
— Não sei, ficar nesse vai e volta de decisão não é legal. Vou ver o que posso fazer.
— Já que é assim eu vou voltar. — ele me diz e vem até mim, me dando um beijo na testa — Se cuide, minha menina. — ele se afasta e eu chamo Alice de volta na tentativa de reaver a reunião. Para minha sorte, ela disse que confirmaria a reunião daqui a 20 minutos ainda, e dessa forma pôde voltar atrás. Fechamos o negócio e sinto orgulho, não de mim, de meu pai, que fez a empresa ser tão disputada e chega a ser engraçado quando chegam e me encontram. Claro que agora não é mais um problema. Passo o dia na empresa, até esqueço de almoçar, mas o trabalho é grande eu odeio acumular coisas.
Confesso que mesmo tentando, meu pensamento voa para Dante ás vezes e me pego olhando o celular, na esperança de ter uma mensagem dele. Não posso ficar assim por um cara que acabei de conhecer, não sou uma garota boba e nem inocente para me apaixonar dessa forma. Decido me concentrar no trabalho, ao invés de pensar no homem que provavelmente é casado e tem filhos o esperando em casa. Droga! O tempo passa e eu não noto, já passa das 19hs e eu ainda estou aqui na empresa, saio ás pressas e lembro que Alice me pediu dispensa hoje. Chego em casa e deixo meu celular de lado, encontrando Fred saltitante como sempre.
— Oi bebê! — afago seu pelo — Desculpe, perdi a hora hoje. — ele pula de alegria abanando o rabo e eu penso que pelo menos ele é verdadeiro. Tomo meu banho e estou arrumando a cozinha quando meu celular toca.
— Oi gatinha! — Jorge diz do outro lado da linha. — Como estamos?
— Oi, estamos bem e você?
— Tranquilo. Estou indo viajar agora, mas são só dois dias, logo estou de volta.
— Como você vive? — eu pergunto fazendo meu amigo gargalhar — Sério, não é possível!
— Vivo da vida meu amor! — ele diz animado como sempre e eu concordo. — Mas sua voz não está sendo das melhores. Problemas no paraíso? Cadê o médico dos sonhos? — sabia que ele iria tocar nesse assunto e eu sorrio automático. Não Maya! Não.
— Não sei. Ele veio aqui ontem e...você sabe — ele grita do outro lado.
— Não acredito! Eu estava certo?
— Estava — digo numa voz sentida.
— Mulher, não era pra você estar feliz? O que houve?
— Ai, foi tudo ótimo. Mas depois eu vi uma ligação no celular dele com o nome de " Mirella baby". Acredita? — pergunto com raiva.
— Ai amiga, que situação — ele para por um momento — Mas pode não ser nada, você poderia perguntar a ele como quem não quisesse nada, sabe?
— Eu até poderia fazer isso mas não sei se vamos nos ver mais. Ele não falou comigo hoje e eu não quero incomodar.
— Maya, se você quer falar com ele, fala ué. Não tem problema nenhum nisso. Eu vou ter que desligar, meu voo já vai sair, beijo. Quando chegar lá eu te ligo. — ele desliga e eu sento no sofá a espera de minha pizza, que não demora muito. Como com um cachorrinho me olhando pidão e me divirto a sua custa. Olho meu celular uma última vez antes de ir dormir e não tem nenhuma mensagem ou ligação de Dante, é oficial, ele só estava afim de sexo mesmo. Deito com esse pensamento, mas me arrependo no minuto em que meu rosto encosta no travesseiro. O cheiro dele está ali, as borboletas voltam me deixando de pernas bambas, ao lembrar do beijo e do seu toque. Parecia tão real. Adormeço com essa ideia.
Acordo e faço o de sempre pela manhã, além de limpar as necessidades de Fred. Eu preciso contratar alguém pra isso, pelo amor dos deuses! Chego na minha sala e começo a ler os relatórios a fim de me livrar logo deles. Não consigo deixar de pensar naqueles nomes e recebo uma mensagem de Ramírez falando que já começou a "investigação", fico aliviada e retorno os meus afazeres. Alice fala que vai sair pra almoçar e vejo que já passou da horo. Resolvo fazer o mesmo, o dia ontem fiquei sem comer e foi péssimo. Desço e procuro algum lugar que possa matar minha fome e bem rapidinho, lembro de um restaurante que fui uma vez com Jorge, mas como tem que andar um pouquinho, resolvo chamar um táxi. Entro no ambiente aconchegante e sento numa mesinha perto do cante, um dos meus hobbies é observar as pessoas e não posso fazer isso se estou no centro.
— Já olhou nosso cardápio? — sorrio e nego. — Tudo bem, quando escolher, bastar me chamar. — diz e se vai. Escolho por uma lasanha com salada de quinoa e estou a esperar quando meus olhos se arregalam. Não, isso não! A minha frente entrando no restaurante, está Dante acompanhado de uma moça muito bonita, no susto, eu pego o cardápio e coloco na frente do meu rosto. Eles estão sorrindo e conversam com bastante intimidade, então essa é a mulher dele? Será essa a Mirella? Meu coração dói com a cena, uma angústia me domina e toda a minha alegria ou o brilho do sol vai embora, é triste como uma desilusão é poética. — Senhorita? — o rapaz se aproxima com meu prato e eu faço sinal para ele colocar na mesa, que obedece e vai embora, me deixando ali olhando aquela cena do casal feliz. Ainda bem que estou sozinha, passar essa vergonha acompanhada seria demais pra mim, até a fome eu perdi, penso enquanto olho o prato, que por sinal, está bem bonito. — Ainda vai escolher algo? — o rapaz volta e eu nego. — Poderia pegar o cardápio? — eu olho para o papel na minha mão e para ele.
— Tudo bem. — entrego e torço para ninguém perceber nada. Coloco os molhos, plantas, decoração da mesa na minha frente na tentativa de me esconder. Acho que fiz um belo serviço e sorrio, mas acidentalmente meus olhos vão em direção a Dante, que está me olhando com um sorriso de lado e a testa franzida. Meu coração gela e eu tenho certeza que perdi a cor do rosto. Merda! Não tenho reação alguma, diferente dele que se levanta e vem até minha mesa.
— Oi! — ele está em pé eu aceno tentando sorrir — Tudo bem? — eu assinto e ele me acompanha, ficando parado em frente a mim. — É...está acompanhada? Estou atrapalhando algo? — ele acha mesmo que pode me fazer essa pergunta? Só ao vê-lo e sentir seu cheiro, as Julietas já estão fora de si e agora, o meu coração também acompanha o ritmo.
— Não estou, mas você está — aponto para a moça que agora está a nos olhar.
— É a minha irmã — ele diz rápido um tanto constrangido e eu não sei como reagir. Irmã dele? Então essa não é a Mirella? Pensando bem, a moça bem que se parece com ele, a diferença é que ela tem os grandes cabelos cacheados e cor de caramelo. Meu coração se aquece em uma descoberta um tanto confortável.
— Ah, achei que fosse sua namorada — me arrependo no mesmo momento em que digo — É que sei lá, vocês pareceram tão íntimos e vocês fariam um belo casal. Mas ela é sua irmã, então isso seria estranho.. — deixo a frase no ar e calo a boca para passar menos vergonha. Ele está a sorrir.
— Não, não tenho nada disso, já te disse no carro. Lembra? — eu confirmo — Já você, eu não sei bem — ele diz e eu me assusto — É, está me evitando? Não respondeu nenhuma mensagem e agora montou praticamente uma barricada contra mim — ele aponta para os molhos e eu vi que foi bem isso que eu fiz.
— Que mensagem? — pergunto pegando meu celular — Não tem nada aqui.
— No aplicativo — ele diz e eu lembro que cancelei as notificações do mesmo há dois dias. Não acredito, vasculho o app e acho, quando abro vejo 9 mensagens dele. O olho sem graça.
— Desculpa, eu tinha tirado as notificações! Foi tudo agonia minha, e eu achando que você... — lembro de Mirella e resolvo acabar logo com a dúvida — Achei que era sua namorada porque vi a ligação no seu celular quando estava na minha casa. Tinha o nome de "Mirella baby". — ele sorri mais uma vez.
— Mirella! — chama pela irmã que vem até nós sorrindo, e agora que levantou vejo seu estilo bem rocker. — Essa é Maya — ele diz e ela me estende a mão, não acho o suficiente e levanto, a abraçando só pelo fato de tirar um peso das minhas costas.
— Sei quem você é — ela olha para Dante de soslaio e eu só espero que signifique coisa boa. — Podemos sentar com você? — ela pergunta e eu afirmo, eles se sentam e o garçom traz seus pratos.
— Não sabia que tinha irmã — comento e Dante me olha. Mirella continua a comer.
— Tenho, mas ela não mora aqui. Só está passando esses dias, veio conhecer o Trovão — sorrio e acho ela bem parecida com ela e mais nova também.
— O cachorro é um fofo, quero conhecer o Fred também — olho para o moreno e ele dá de ombros — Ele me contou. — não sabia que ele tinha uma irmã, mas ela me parece bem legal. Espero.
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