Notas iniciais
Boa leitura!!!

Encontro o Ramírez no saguão do hotel, que me estende a mão fazendo um discreto sinal, o cumprimento e ele põe a mão nas minhas costas, me guiando.

— Que bom que chegou cedo, tenho que falar com você — ele sussurra no meu ouvido e eu aceno entrando no elevador.

— O que foi? — pergunto a um homem um tanto nervoso.

— Primeiro quero dizer que você está linda — eu sorrio e ele continua — Bom, ainda não encontrei nada sobre os nomes. — ele me diz e eu permaneço o olhando.

— E... — incentivo.

— Só, queria dizer isso.

— Disse que era algo importante! Se ainda não achou, a procura ainda não terminou! Não é possível isso. — pontuo e ele concorda.

— Mas é justamente isso. Não acha estranho? Nenhum dos nomes são conhecidos — ele comenta e a porta do elevador se abre. Somos recebidos pelos colaboradores.

— Estávamos ansiosos. Tenho alguns amigos investidores que almejam conhecer a jovem e pretensiosa empreendedora — um deles comenta e eu nem ao menos lembro o seu nome. Sorrio com o comentário e cumprimento um a um. O coquetel acontece normalmente mas a frase de Ramírez não sai da minha cabeça, se os nomes fossem investidores ou algo do tipo, ele seriam conhecidos e provavelmente, alguém saberia sobre eles. Esse segredo todo me mata, estou precisando assistir mais filmes e ler mais livros de suspense, algum desses tem que me dar uma dica. Como de esperado, vamos embora assim que escurece.

— Obrigada Carlos ! — desço do carro e homem sorri me desejando boa noite. Carlos é um homem bem legal, na verdade. Ele trabalhava como motorista do meu pai, mas como eu prefiro dirigir e não quero deixar ele sem emprego, ele me leva ou me busca em alguns momentos, como agora. Lembro de quando seu filho nasceu e ele ficou desesperado na empresa, o que fez meu pai levá-lo até o hospital, trocando suas funções. Era uma bela amizade. Fred está em uma animação invejável quando eu chego, e decido passear com ele já que ainda está cedo. — Vamos? — pego a coleira depois de trocar de roupa e ele pula sem nem saber o que é, cãozinho louco! Descemos vamos para o parque que fica perto do meu prédio.

— Que ótima surpresa! — ouço aquela voz atrás de mim e meu estômago se contorce. Sorrio e me viro para o moreno de roupa de moleton.

— Não sabia que viria aqui — digo apenas porque não sei o que dizer e ele sorri de lado.

— Por isso a surpresa — ele diz e olhamos para os cães que se cheiram e parecem se reconhecer — Olha só quem se lembra de você Trovão! — ele diz se abaixando para fazer carinho no Fred, logo depois se levanta e os dois se sacodem. — O que achou do nosso almoço de hoje? — ele indaga quando voltamos a caminhar.

— Foi ótimo! Só não sabia que tinha uma irmã, ela é mais nova que você não é? — ele confirma sorrindo — Ela vai ficar por muito tempo?

— Não, ela vai voltar na próxima semana. Gostou muito de ter te conhecido — ele olha pra mim de soslaio, noto pela visão periférica. Nos sentamos em um banco e os dois companheirinhos brincam na nossa frente.

— Também gostei dela.

— Mais do que de mim? — ele pergunta e eu o encaro sorrindo.

— Não sei, acho que ela não deixaria queimar o molho. — o lembro e ele se aproxima.

— Está certa! — rimos — Eu cometi um crime terrível e jamais se repetirá, mereço uma punição por tamanha falta de atenção e honra.. — eu o interrompo colando meus lábios aos dele, o que se inicia com um beijo terno se torna envolvente e malicioso, com suas mãos em minha nuca, nos separamos quando falta o ar — Achei que merecia uma punição, não uma recompensa.

— Estamos usando o mesmo treinamento para o Fred e o Trovão? — pergunto com a sobrancelha arqueada e ele sorri pondo a cabeça no meu pescoço.

— Não. — me dá um selinho leve — Senti falta desse beijo — diz enquanto me olha e eu sorrio nervosa. — Já consegue ver minhas mensagens? — indaga enquanto afasta o cabelo do meu rosto.

— Sim. Já ajustei as configurações. Quis mandar alguma mensagem hoje? — pergunto e sua mão sobe para a sua nuca com um sorriso de leve. Ele está constrangido?

— É... não, sim, na verdade. — minha testa franze e ele solta o sorriso — Ia mandar, mas como tínhamos nos visto no almoço.. achei que.. Enfim. — ele se cala de repente.

— O que queria mandar?

— Ia te chamar pra sair.

— Ah, bom que não mandou. Eu teria que recusar — ele me olha espantado e aposto que está corado, mas assente. — Não, não porque eu queria, mas por causa do coquetel. Acabei de chegar — ele parece relaxar e assente novamente.

— Achei que estava me dispensando — rimos e eu nego com a cabeça — Vou comprar uma pipoca, quer? — assinto — Doce ou salgada?

— Doce. — ele me dá um selinho rápido e se levanta. Isso parece tão natural, eu e ele aqui com Fred e Trovão, no parque no meio da semana. Gosto dessa situação e sorrio, mas sou interrompida nos meus pensamentos quando sinto um leve tocar nas minhas costas, olho para trás achando ser Dante, mas não é.

— Oi? — pergunto ao homem, que dá a volta no banco e fica na minha frente, aperto as coleiras.

— Desculpe incomodar — ele tenta sorrir — Mas é raro ver uma mulher sozinha assim no parque. — ele comenta e eu arqueio uma sobrancelha — Achei que poderia querer companhia — sem permissão, ele senta ao meu lado e eu levanto. Fred e Trovão se levantam também e parece sentir a tensão já que vem para o meu lado.

— Olha só, nada lhe dá o direito de sentar ao meu lado. Não é da sua conta se estou sozinha ou não — ele fica segundos me olhando, mas se levanta e parece constrangido.

— Desculpa se minha abordagem foi...

— Grosseira.

— Sim, tem razão. Mas preciso dizer que é muito bonita — o homem aparenta ter uns 30 e poucos anos e veste uma roupa social, não é feio, mas não estou interessada. Antes que possa responder, sinto uma mão firme na minha cintura.

— Ela está acompanhada. — a voz de Dante chega ao meu ouvido e parece mais grossa e firme do que o normal. O homem pra ele e olha pra mim sorrindo.

— Desculpe — me diz e se afasta. Dante ainda mantém sua mão apertando minha cintura e eu me afasto.

— Valeu macho alfa, mas eu poderia sair dessa sozinha — ele me olha chocado.

— Então você queria? O cara não respeitou o fato de você estar comigo! — ele diz e eu me espanto.

— Em nenhum momento eu disse que queria, não seja idiota. Mas vocês homem tem essa mania de só respeitarem outro homem, isso é insuportável! — cruzo os braços e ele ainda está a me olhar. — E você achar que eu estava interessada, mesmo estando aqui com você, me ofende um pouco.

— Tem razão, desculpa. Essa cena foi ridícula — ele me olha e se aproxima — Ele foi grosseiro com você?

— Nada demais. — ele ainda me olha e ri.

— Que situação! Foi mal mesmo, mas ele aqui com você querendo intimidade, não tem mais respeito mesmo.

— Não tem.

— Ainda chateada comigo?

— Não sei. Não gostei do que disse, se acha que eu me interessaria por gente que tem uma abordagem como ela, então não sei porque está saindo comigo. — ele abre e fecha a boca algumas vezes.

— Maya, eu disse por impulso. Não acho que você ficou interessada mesmo.

— Acha sim. Se falou, é porque pensou. — ele ainda está segurando a pipoca em uma das mãos e com a outra passa pelo seu cabelo.

— Não! Não, não acho! Isso nunca te aconteceu? Dizer algo que não é verdade, só porque não raciocinou direito? Me desculpa mesmo, não quero que pense esse tipo de coisa de mim. — não vou dizer que não entendo o que ele quis dizer porque entendo, mas preciso demonstrar que não gostei para que não haja repetição. — Foi só...

— Foi só o que?

— Ciúmes! — ele altera a voz.

— Nós não temos nenhum compromisso! — eu quase grito de volta e ele se espanta um pouco. Me fita e seus olhos ficam mais escuros.

— Tem toda razão, não temos. — ele diz e estamos os dois nos enfrentando enquanto os cães apenas observam a cena — Desculpe, entendo se não quiser mais sair comigo — ele diz e se vira, mas ainda consigo ouvir ele xingar baixo para si mesmo. Eu não sei muito o que fazer, mas começo a andar segurando a coleira de Fred, pegando o caminho de casa, mas paro depois de 8 passos. Estou sendo covarde, é assim que se faz hoje? Gosta da pessoa mas no primeiro incômodo simplesmente a descarta? Não vou fazer isso. Me viro e dou de cara com Dante segurando um girassol e de joelhos.

— Meu Deus! O que está fazendo? Levanta daí! — digo olhando ao redor e poucas pessoas olham a cena. Tento puxá-lo pra cima mas ele não aceita.

— Só quando disser que tudo bem, pode me chamar de estúpido ou me bater. Mas eu gosto de você, gosto mesmo e não quero que a chance de começarmos algo seja jogada fora por uma fala maldita minha. Por favor? — ele sorri amarelo e eu só consigo sorrir junto com ele.

— Tudo bem — ele se levanta e me beija. Não sei dizer como está meu corpo agora, minhas mãos estão suadas, o meu coração dança e minhas Julietas estão alucinadas. — Quer tomar algo lá em casa? — eu pergunto quando ele se afasta um pouco, ele morde meu lábio inferior — Uma água, um suco, um banho...? — pergunto e ele gargalha, levando a cabeça para trás.

— Vou aceitar o convite senhorita — ele faz uma referência e me dá o braço. Caminhamos juntos até o meu apartamento, mal entramos e ele me puxa para um beijo, não é fofo, não é carinhoso, é um beijo com fúria. Uma fúria que nos excita a ponto de sentir meu ventre queimar e meu corpo se arrepiar. Ele ergue minhas pernas e me prende em sua cintura, andando até sofá e sentando no mesmo, não consigo não me mexer em seu colo e é nesse momento que ouço um gemido rouco ecoar pela sua garganta. Posso sentir sua ereção contra a minha intimidade e não estamos mais pensando quando arranco sua camisa e ele faz o mesmo com a minha. Ele me deita no sofá e se posiciona em cima de mim, seus beijos descem pelo meu pescoço e colo, até chegarem aos meus seios e ele sabe o que fazer — Você me enfeitiçou — ele diz e captura minha boca novamente, enquanto suas mãos percorrem meu corpo e me fazendo arquear costas em busca dele, ele alcança meu short e o abre, retirando lentamente. Eu chego com minhas mãos em sua roupa e faço o mesmo, agora somos nós e o nosso desejo crescente que infla quando o sinto em mim. Começamos lento e nos movimentando em sincronia mas depois fica tudo urgente e fica cada vez mais rápido e forte, até que chegamos ao nosso deleite. Estamos suados e satisfeitos, Dante está sorrindo e me dá beijos castos na testa, bochecha e boca.

— Gosta de mim? — pergunto e ele levanta sua cabeça, que antes estava apoiada no meu pescoço.

— Só captou isso agora?

— Não, só queria ter certeza — dou de ombros e ele sorri, me beija novamente e afirma.

— Gosto sim, mais até do que eu poderia. — diz e deita novamente em mim.

Notas finais
Muitíssimo obrigada!!