Entre duas paixões (Pausado)
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Por mais que eu tente, não consigo esquecer a situação na empresa. Nada foi encontrado de errado, mas aqueles nomes estão ali para que? O Ramírez disse que me ajudaria e tentou pesquisar, mas aqueles nomes não são sociais, a ponto de não estarem em lugar nenhum, o que deixa tudo mais estranho. Aquela pasta zipada estava lá desde que eu assumi, mas nunca havia notado e me interessado em abri-la, já que nunca precisei, acho que eu deveria ter sido mais cautelosa em relação a isso. Já se passaram dias e até agora nada de resposta.
– Em que mundo você está hoje? — o moreno me abraça por atrás depositando beijos castos no meu ombro.
– Nem eu sei — sorrio e me viro para ele, lhe dando um selinho calmo — Não está com frio? — indago passando minhas mãos pelo seus ombros e costas nuas e ele me abraça.
– Com você perto de mim assim, estou não.
– Bom pra mim — solto e ele afasta o rosto me olhando — Digamos que seja uma bela visão — ele me morde o ombro.
– Tenho que ir — diz contra meu pescoço. Dante passou a noite e o dia aqui e confesso que foi bem gostoso tê-lo tão perto.
– Que dó trabalhar em um sábado — comento enquanto ele se afasta e vai em direção ao quarto para vestir suas roupas e eu o sigo. Ele faz uma careta vestindo a calça.
– Muito triste. O que vai fazer hoje?
– Vou passar lá na Nóbrega, preciso ver uns pepinos aí — digo escorada na porta e ele vem até mim.
– E entra em ação a empresária ardilosa! — diz me dando um beijo casto — Muitos problemas para resolver? — veste a camisa e passa por mim, puxando minha mão para a sala.
– Não. Aliás, mais ou menos — ganho sua atenção e ele bebe um copo de suco — Tem umas coisas que ainda não sei o que são ou para que servem, mas estou tentando ver aí — ele assente e vem até mim.
– Estou descendo, tá? — segura meu queixo e me beija, um longo beijo carinhoso — Qualquer coisa me liga, tá? — eu faço uma careta — Eu sei, vou te ligar de qualquer forma, mas me deixa parecer desinteressado par você ficar caidinha aos meus pés — abro a boca para retrucar mas ele me cala com um beijo. Dante passa por Fred, faz um carinho nele que se anima no mesmo momento e aceita querendo mais, esse cão também é outro que não tem amor próprio, não que eu também faça isso. Ele se vai e ficamos apenas nós, o cãozinho vem até mim e sobe no sofá em busca de carinho, fico uns 20 minutinhos o afagando e depois resolvo seguir para a empresa. Vou direto pra minha sala e sento de frente para o notebook. Abro a pasta e os nomes estão lá me esperando para serem desvendados, já que comecei, resolvo terminar e saio procurando mais alguma coisa, algo tem que me ajudar aqui.
Não acho nada de surpreendente e tento me concentrar em outra coisa para quem sabe depois, com a mente clara eu consiga encontrar alguma coisa. Começo pela contabilidade, mesmo não sendo a minha área, é importante saber como as coisas estão caminhando, me perco em tanta conta e tanta quantia, que chego a ficar com dor de cabeça. Matemática nunca foi minha praia. Decido ir na copa pegar um café e no caminho passo pela mesa de Alice, sempre tão arrumada e organizada que fico com vergonha das situação da minha. As coisas parecem bater, mas preciso de uma referência, o mês retrasado teve uma retirada e não lembro de ter investido tanto dinheiro, mas como Ramírez diz " Dinheiro não é problema. E tudo que vai, volta o dobro." , reviro os olhos e me acomodo na cadeira. Onde estão essas referências? Pensa Maya, pensa.
– Não vejo esses papeis faz tempo, só pode estar com o Ramírez ou com o pessoal da contabilidade — passo meu dedo pela borda da caneca pensando em como pegar isso, já que ele não está aqui hoje e teve que fazer essa viagem. Droga! Será que invadir sua sala para pegar é muita falta de privacidade? Sim! Com certeza e eu poderia ser presa por isso! Mas se eu pedir a ele, vai achar que algo muito grave aconteceu, a ponto de estar me envolvendo em uma área que nunca procurei saber antes. Mas sempre tem a primeira vez não é? Não. Não é certo. Pego o celular para ligar pra Dante e tentar me distrair mas paro quando começa a chamar, não vai funcionar. Quer saber? Ele não precisa saber.
Levanto da cadeira deixando a caneca de café em cima da mesa, toco a maçaneta e quase me arrependo mas sigo em frente. Pego o elevador e vou para o seu andar, chegando lá, sigo direto para a sua sala, espero que ninguém nunca veja as gravações dessa câmera.
– Tá legal. Onde pode estar? — chego perto de sua mesa e também está mais arrumada que a minha, sento em sua cadeira e abro seu notebook. Há várias pastas aqui e bem que poderia ter uma escrito " Referências que Maya precisa" , mas não tem nenhuma e sou obrigada a ler uma por uma, cansativo mas espero que valha a pena. Encontro a de contabilidade e já estou quase desistindo quando encontro um documento com os históricos, envio tudo para o meu e-mail e fecho o notebook, tentando deixar tudo como encontrei. Corro de volta para minha sala e tento agir como se nada tivesse acontecendo, me jogo no sofá e rio. — Que situação! — levanto num susto quando ouço meu celular toca e atendo aflita.
– Maya? — é Ramírez, ai meu Deus, será que ele viu?
– Oi, tudo bem aí?
– Tudo. Queria te pedir uma coisa, deixe que eu resolvo aquela história. Pode ser? — eu gelo — Me preocupo com você e queria te deixar fora de preocupação, sabe? Já é demais pra você assumir toda a empresa, que por sinal, está se saindo muito bem. — ele termina e eu ainda estou calada.
– Ah, tudo bem.
– Tem certeza?
– Absoluta. — nos despedimos e ele desliga, e só nesse momento percebo que estava segurando o fôlego. Pelo visto, ele não viu nada. Começo a analisar o papel e comparar o que eu tenho com o do meu tio, em sua maioria, as contas batem perfeitamente. Mas em outras não, abro minha agenda, onde anoto todas nossas transações e investimentos, inclusive valores, e passo a comprar. Houveram mais investimentos e nenhum deles passaram por mim?! E que bolada de dinheiro é essa que foi investida?! Pelo visto, foi um negócio bastante lucrativo, o retorno foi mais que o triplo, não posso reclamar, mais quero saber do que se trata! Esse número de referência não me parece brasileiro, jogo no Google e isso sim, me surpreende: Rússia.
A minha empresa tem ligações com a Rússia?! Que?! Meu pai nunca disse isso, sabíamos que éramos importantes, mas na América e dessa forma movimentamos a economia mundial, mas contato direto assim, é suspeito demais. Tiro fotos e guardo as comparações comigo, preciso pensar mais sobre isso. Só assim pra desocupar minha cabeça de Dante.
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