Entre duas paixões (Pausado)
11 Capítulo 11
Notas iniciais
— Merda! — xingo quando ouço a campanhia tocar incansavelmente, abro a porta do banheiro e Fred está latindo, acho que incomodado com tanto barulho — Que? — abro sem ao menos olhar no olho mágico e estaco quando vejo quem é.
— Oi gatinha! Até entendo receber o Dante assim, mas a mim? — Jorge diz me olhando de cima a baixo e apontando para minha condições. Olho para mim mesma e vejo minha situação, toda ensaboada, de toalha e com os cabelos presos. Ainda não consegui dizer nada.
— Isso é o que eu chamo de recebida triunfal! — Dante comenta e os dois babacas riem da minha cara. Faço uma careta e dou espaço para eles entrarem.
— Não tenho culpa se uns idiotas estavam a ponto de queimar minha campanhia enquanto eu tomava banho — digo e Fred late para Jorge.
— Esse seu cãozinho tem um problema comigo, não é possível. Cão homofóbico! — ele comenta indo em direção a cozinha, mas Dante o salva pegando Fred no colo e ele simplesmente se derrete em seus braços — Pode ir terminar seu banho da beleza, cuido bem do moreno — Jorge pisca para mim e Dante sorri. Bufo e volto para terminar meu banho, mas agora, sem calma. Estou no quarto, vestindo a roupa, quando escuto uma batida na porta e ela sendo aberta.
— Oi! — Dante caminha até mim e me enlaça a cintura — Não falei contigo direito hoje. Acho que eu mereço não? — ele me beija calmamente e com carinho. — Agora sim! — diz quando nos afastamos.
— Marcaram de vir até aqui ou..?
— Não, encontrei o Jorge no caminho. Ali, perto daquele Shopping, sabe? — assinto e ele continua — Disse que estava vindo para cá e ele pediu a carona — voltamos pra sala e encontramos meu amigo e Fred se encarando como se a qualquer momento fossem pular um no outro — Perdemos alguma coisa? — ele pergunta baixo no meu ouvido e eu dou de ombros.
— V I A D O — Jorge diz e meu cachorro late pra ele com raiva — Viu? Claramente, homofóbico — rimos da demonstração medonha dele e nos sentamos ao seu lado. — Eai? Já deram o beijinho de "não nos vimos hoje"? — nos olhamos e sorrimos, Jorge revira os olhos e bufa. — Ai, essa cena de casal apaixonado me mata! — ele diz e eu faço um sinal. Ele tá maluco de falar uma coisa dessas? Me expondo desse jeito na frente do cara! Ele parece entender e tenta consertar — Não que vocês sejam um casal.. ou estejam apaixonados... Maya é muito... desapaixonada! — abaixo minha cabeça e ponho minha mão na testa, estou morta de vergonha mas ouço a risada alta de Dante e levanto a cabeça, enquanto Jorge está sorrindo amarelo pra mim.
— Enfim, com fome? — meu cão vem para a poltrona comigo e os dois negam — Jorge já sei que não trabalha mas e você, Dante? Folga hoje? — meu amigo faz uma careta pra mim e eu o ignoro.
— Consegui um tempinho lá, queria falar com você!
— Ah, algo importante? — fico atenta e ele nega.
— Quer dizer, é!
— Meu deus criatura, vai dizer ou não? — olhamos para Jorge que ainda está ali e ele nos arqueia a sobrancelha — O que foi? Não vou sair daqui não, não vim até aqui para ser escorraçado!
— Pode ficar, Jorge — Dante toca em seu ombro e ele cruza os braços — Queria te chamar pra sair hoje, um jantar — ele diz tímido e dá de ombros.
— Ah.
— Só "Ah" ? — Jorge interfere — Olha, sinceramente — ele abre as mãos em tom de rendição e se levanta para ir a cozinha, nos deixando sozinhos.
— Então, para onde vamos? — indago e vou para seu lado no sofá, ele abre o braço, me acomodando.
— Surpresa. — eu o olho — Aposto que você nunca foi nesse lugar.
— Que lugar é esse? Se for uma casa de Swing, eu já fui sim — comento e ele se afasta me olhando.
— Já foi?
— Oi? — ele sorri e balança a cabeça a negação.
— Nada.
— O que eu visto?
— O que você quiser — me beija a nuca
— Ah não, odeio isso. Tem que falar o que é, porque daqui a pouco eu me visto super simples e você me leva para ganhar o Nobel de Medicina. — eu comento e ele sorri.
— Tudo bem, uma roupa confortável então. Cadê o Jorge? — pergunta e me dou conta de que ele foi para a cozinha e até agora não voltou. Levanto e vou ao seu encontro.
— Algum problema? — digo quando o encontro terminando uma ligação e ele me olha.
— Não, era só a Lucy nos chamando pra ir naquela boate que estreou a pouco tempo — diz passando por mim e indo para a sala.
— Hoje eu já tenho compromisso. — digo e ele nos olha.
— O jantar? — Dante confirma — Então vão depois do jantar. Qual é gente, estreou a pouco tempo e a Lucy já reservou área VIP! — ele pede e eu entro em dúvida. Conhecemos Lucy em uma das nossas noitadas da qual não lembramos bem o que aconteceu, ela sempre foi bem espontânea. Quando a conhecemos, ela namorava o Bruno, mas agora, dois anos depois, ela namora a Vanessa e as duas passaram a morar juntas não faz muito tempo.
— Se a Maya quiser. — Dante determina e meu amigo me olha com sua expressão suplicante, eu dou de ombros.
— Tá, nos encontramos lá. Pode ser? — ele bate palmas e eu sorrio com sua empolgação. Dante sorri e pega seu celular, fechando o semblante em seguida.
— Gente, eu preciso ir. — levanta o celular — O chamado — levanta e vem até mim, me dando um selinho e um beijo na testa, depois volta e aperta a mão de Jorge. — Até mais! — sai e fecha a porta nos deixando ali.
— É impressão minha ou ele tá mais gostoso do que a última vez? — jogo uma almofada nele, que segura — É sério, segura viu! Segura!
— E você, amigo? — sento na poltrona novamente e ele me olha arqueando a sobrancelha — Sua vida, suas coisas..
— Nada — ele dá de ombros — Você sabe que nada mudou. Não sou essa pessoa determinada como você que mesmo morrendo de medo, assumiu a empresa do pai. Eu apenas vivo da empresa dele, acredite, é dinheiro para gerações!
— Que bom, eu acho. Nunca quis fazer nada? Digo, estudar, trabalhar? Não estou te julgando nada.
— Eu sei que não — ele sorri carinhoso — Mas tem algumas pessoas que não precisam disso para se sentirem realizadas, sabe? — eu assinto — Eu vivo da vida, das coisas que ela pode me oferecer. Lógico que se eu precisasse, teria que trabalhar, mas eu não seria tão realizado como sou agora. — eu sorrio e ele pisca para mim — E você? Não quer voltar para sua faculdade? Estudar o que você gostava?
— Não sei bem — deito minha cabeça no encosto da poltrona — É duro dizer isso, mas — ele revira os olhos já imaginando o que vou dizer — Eu até gosto desse mundo de ser CEO de uma empresa. É sério mesmo. Acho que estou seguindo os passos de meu pai — rimos com meu comentário clichê e ele se levanta.
— Então tá, você que sabe! — vem até mim e me beija a testa — Estamos certas para hoje não é? — confirmo — Ótimo! Quando terminarem o encontro — ele diz com descaso e eu rio — Me liga. Estou indo, vou encontrar o Moisés
— Moisés? Não era o Pedro?
— Também — ele pisca pra mim e vai embora.
Me olho no espelho e aprecio minha aparência, não estou pronta para receber um prêmio mas acho que minha produção de hoje valeu a pena. Dante disse que era pra eu estar confortável, então acho que estou prontíssima, uma camisa leve de mangas longas branca, um short de cetim rosa, um blazer preto e uma bota preta de salto, não sei o que esperar dessa noite. Sento no sofá para esperar ele chegar e Fred vem até mim, pondo a cabeça em meu colo.
— Eai Fred Júnior? Estou bem? — afago os pelos do cão que me olha — Se isso não der certo, pelo menos você vai estar comigo não é? Vamos comer muito para curar a desilusão, tá bom? — ouço umas batidas na porta e estranho, por que ele não tocou a campanhia? Caminho até lá e o encontro segurando flores, rosas de cor rosa para ser mais específica.
— Ah, oi! — ele dá um passo e me dá um beijo, me estende as flores — São pra você. — pego as flores um tanto incerta — Não gostou? Meio careta? — nego sorrindo.
— Não, não é isso, é só que... nunca recebi flores — eu o olho e o beijo — Obrigada! — ele entra, fala com Fred que como de costume, se derrete todo e eu ponho as flores num vaso.
— Pronta para matar, senhorita — ele comenta quando saímos do prédio e eu sorrio. Ele coloca o carro em velocidade e eu ainda não sei para onde vamos, ponho uma música para passar o tempo e vejo quando a paisagem deixa os prédios altos e entramos em um lugar com mais verde e casas mais simples. Cada vez mais as casas vão ficando distantes.
— É agora que você me leva para o abatedouro e tira meus órgãos? — pergunto olhando para ele, que me sorri de lado.
— Não, ainda não. Chegamos. — ele para o carro e é um ambiente escuro e com árvores, parece um parque ou algo do tipo. Que lugar é esse? — Calma, ainda vamos encontrar um lugarzinho bom. — ele diz e manobra o carro entre vários carros que estão ali parados, e com pessoas dentro dele, o que é estranho.
— O que vai acontecer aqui?
— Você vai ver! — diz e me beija, um beijo de verdade, e pra variar, as Julietas gritam.
— Sabe o que isso parece? Aqueles filmes de antigamente, que...- sou interrompida por uma luz branca em um telão que acende do nada e as pessoas gritam aplaudindo — Ai meu Deus! É isso mesmo? — estou olhando maravilhada para o telão na minha frente — Vamos assistir um filme antigo aqui? Como nos anos 50? — ainda estou olhando para a tela esperando qual filme vamos assistir.
— Achei que seria uma boa ideia e que você iria gostar, seria mais fácil aceitar meu pedido de namoro — ele diz com a voz um pouco baixa e eu viro para olhá-lo.
— O que disse? — ele está sorrindo de lado.
— Eu gosto de você, gosto mesmo. — pega em minha mão — Desde a primeira vez em que te vi senti uma atração incomparável por você Maya, mas não foi só isso. Você não saiu da minha cabeça desde aquele momento, achei que fosse porque você era meio fora da casinha e eu estava só curioso sobre você ou algo do tipo, mas não é. Eu estou apaixonado por você e ficaria honrado se aceitasse ser minha namorada. — não consigo responder e só consigo olhá-lo. Eu sabia que essa noite não seria comum, minha intuição me disse mas ouvir isso dele assim faz meu coração dançar de uma forma que não consigo controlar — Não vai dizer nada? — ele pergunta baixo.
— Não sei.
— Amnésia de novo? — ele ri e eu o acompanho.
— Não! Sim.
— Sim? Amnésia de novo?
— Não isso, eu disse sim pra você criatura! — ele abre e fecha a boca mas nada sai. Seu olhar se intensifica e ele me puxa para um beijo longo, sua mão vai para meu cabelo e a outra para minha nuca, enquanto minhas mãos seguram em seus braços. Nos afastamos quando ouvimos a música soar. O filme começou e eu grito de felicidade batendo palmas logo em seguida quando vejo o nome brilhar na tela. — Como sabia???
— Vi sua playlist no Spotify, você baixou toda a trilha de Dirty Dancing. — lhe dou um selinho e me acomodo em sues braços para assistir essa obra prima. Assistimos o filme todo assim, entre beijos, abraços e afins, estou transbordado de felicidade e queria sentir isso pra sempre. Dante é o cara por quem eu estou apaixonada. Quando o filme termina, nós aplaudimos e pouco a pouco alguns carros vão saindo, enquanto outros apenas ficam ali assistindo a noite, somos todos casais ou quase isso. — Vamos, namorada? — Dante diz depois de olhar o celular.
— Pra onde, namorado? — me afasto dele e ele liga a direção.
— Jorge acabou de me enviar uma mensagem. Ele nos quer lá pra tal boate — afirmo.
— É verdade, já havia esquecido. — em meio a conversas simples, beijos rápidos, músicas e afins, finalmente chegamos a boate. Descemos do carro e Dante segura minha mão, deixamos nossos nomes na lista VIP e subimos para o camarote, encontrando Jorge, Vanessa e Lucy. E claro, nada passa despercebido pelo meu amigo.
— Olha só, mas o que é isso!!! — ele já bebeu um pouco e está mais animado que o normal, as meninas sorriem e eu cumprimento todas.
— Esse é o Dante e essas são Lucy e Vanessa — apresento e eles se cumprimentam. Jorge nos abraça.
— Assumiram esse namoro, então?
— Finalmente, não? — o moreno me abraça por trás, pondo a cabeça em meu pescoço e eu sorrio. Começamos com shots de tequila, menos Dante, já que ele vai dirigir e não é tão fã de bebidas assim, depois de 4 shots, eu e as meninas vamos dançar na pista. Não demora muito e sento mãos me rodeando a cintura, sinto pelo cheiro que é Dante e continuamos dançando até a sede ser maior que minha vontade de dançar e voltamos para o camarote. Pegamos algumas cervejas e sentamos no sofá para relaxar, apenas eu e Dante.
— Vou ao banheiro — aviso e dou um selinho nele, quando levanto sinto tudo girar e me apoio no sofá rindo, ele me segura a cintura.
— Ei, calma! Não é melhor sentar novamente? — ele pergunta, mas eu consigo me firmar e nego com a mão pra ele, o deixando lá. Chego na fila e não demora muito consigo entrar, o lugar é escuro e tons de vermelho e roxo, curti. A pior coisa de beber muito é a hora de fazer xixi, sempre achamos que o álcool vai evaporar, mas na verdade, a única coisa que fica no nosso corpo é o álcool e saio mais tonta do que entrei. Merda! Volto para o sofá e chamo Dante para sentar, não lembro bem o que aconteceu, só sei que dançamos muito, até que resolvemos ir embora.
— Vem namorado! — grito da entrada esperando ele se despedir do pessoal. Ele vem até mim e puxa minha cintura, me pressionando contra a parede e me arrebatando num beijo longo e quente. Nossas línguas brigam por espaço e uma de suas mãos puxam sua cintura para mim, enquanto a outra puxa seu cabelo, faço uma trilha de beijos na beirada da sua barba até sua nuca e o ouço gemer baixo contra meu ouvido, aquilo é o suficiente para me despertar de todas as formas, mas para a minha surpresa, ele me afasta — O que foi?
— Vamos para casa baby — ele pisca para mim e enlaça minha cintura, mais para me dar sustentação mesmo.
— Estou indo para casa com meu namorado — ele sorri da minha constatação e minha mão "sem querer" escorrega parando em sua bunda, e claro, eu aproveito. — E que namorado! — ele sobe minha mão no susto, olhando ao redor envergonhado e eu apenas gargalho.
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