[21 anos] Quando eu acordei eu estava presa a uma mesa em uma sala clara, eu fui recuperando a consciência e os sentidos aos poucos. Eu estava sozinha naquela sala, que agora eu podia identificar como uma sala de interrogatório. Movia minhas mãos tentando me livrar daquelas algemas, mas era em vão.

Q: Aiden, veja se consegue encontrar a Rachel...

Aiden então tentou cruzar a parede, como fazia sempre, mas daquela vez ele não consegui, além da parede física existia uma barreira que o impedia de sair, nós nunca tínhamos visto algo como aquilo antes.

Q: Que droga é essa Aiden? – Ele ficava se debatendo por todos os cantos, mas era impossível sair dali.

A porta finalmente se abriu, as nossas atenções se voltaram imediatamente para o homem que entrava. Era Nathan, ele estava usando um terno preto, visual bem diferente do que eu costumava ver na base.

Q: Nathan! – Mesmo ainda presa a mesa ele se aproximou e me abraçou

N: Meu Deus Quinn, eu senti tanto a sua falta... – ele se afastou e me olhava com um sorriso no rosto

Q: Eu também mas.... O que esta acontecendo?

N: Formalidades do DPA... — ele revirou os olhos enquanto retirava uma chave do bolso para me libertar das algemas – eu disse que você era inofensiva e tentei evitar isso ao maximo, mas depois de tudo o que fez, bem... os agentes tinham medo de você... – passei as mãos pelos meus próprios pulsos, ainda um pouco marcados pela algema

N: Venha, vamos conversar na minha sala... – antes de se virar ele parou e me olhou por um momento – Você vai se comportar, não é mesmo? – eu apenas assenti e me levantei para segui lo

Q: Nathan... o que é isso? Essa sala... Por que o Aiden...?

N: Tecnoligua de ponta.. é uma sala teste, é anti-atividades paranormais, podemos dizer assim... A idéia é que os novos condensadores sejam construídos em locais como esse, assim não tem perigo de, você sabe...

Durante o caminho parei para observar um enorme condensador que estava a toda atividade atrás de um vidro, me aproximei e fiquei observando aquela confusão la dentro.

N: É o maior do mundo... – Nathan disse em tom orgulhoso ao parar ao meu lado

Q: Isso é perigoso... Você sabe...

N: Mas nós somos pioneiros nisso, sabemos como lidar com essas coisas... Por isso é importante que esse tipo de atividade em outros países sejam impedidas... – ele olhou sério pra mim, ambos sabíamos que essa era a minha antiga função na CIA.

–

Entramos em sua sala, muito sofisticada e repleta de livros e bugigangas, além disso ainda tinha uma vista para aquele enorme condensador. Me sentei em um sofá de couro preto como Nathan me indicou, e ele se sentou em uma cadeira na minha frente.

N: Você está bem?

Q: Sim... – me mantinha olhando para o condensador – minha cabeça dói um pouco, mas acho que é efeito do sedativo...

N: Me desculpe.. Era o único jeito de impedir alguma gracinha do Aiden... – Olhei pro Nathan

Q: Onde está a Rachel? Eu quero vê la...

N: Calma, ela esta te esperando confortavelmente no saguão, temos uma cafeteria ótima la em baixo...

Q: Eu queor vê la agora! – me mantive séria

N: Quinn, nós precisamos conversar, eu te garanto que ela esta bem... Você confia em mim, não? – Assenti enquanto desviava o olhar novamente

N: ótimo, você sabe que é como uma filha pra mim, eu não deixaria que nenhum mal acontecesse a você... Por isso mesmo me propus para te, digamos, receber...

Q: Por que você nunca me contou sobre a minha mãe? – Fui direta, aquela pergunta estava me perturbando, ele pareceu surpreso

Q: Por que esconder a verdade todos esses anos? — insisti

N: Eu tentei te dizer... Mas como dizer pra uma garotinha que a sua vida não é real? Então eu cuidei de você, amei você, e por isso te protegi o maximo que pude... – me levantei, estava um pouco irritada com toda aquela situação, comecei a andar de um lado pro outro

Q: Ok, então esse é o plano? Me capturar como um animal e me forçar a voltar pra CIA?

N: Eles te trouxeram aqui pois existem coisas importantes a serem feitas...

Q: Ajudar eles? – eu parei para olhar em seus olhos indignada – Ajudar as pessoas que acabaram com a minha mãe, com a minha família, e tentaram roubar a minha vida? Me usar como uma arma? Eu já não fiz o bastante? – Nathan se levantou diante da minha irritação

N: Nós descobrimos que outro país esta trabalhando com o inframundo, eles provavelmente não sabem como lidar com isso, seria o fim do mundo se um desses reatores entrasse em colapso, você sabe o perigo disso...

Q: E o que eu tenho a ver com isso?

N: Você conhece o inframundo melhor do que ninguém... – respirei fundo

Q: Isso é trabalho da CIA, eu estou cansada disso... – me virei de costas pro Nathan, estava nervosa e isso só aumentava a minha dor de cabeça

N: Eles querem te oferecer um acordo... – Nathan segurou o meu ombro – Você faz esse serviço pra eles e você está livre, eles te dão a sua demissão, sem mais problemas... – me mantive em silencio, eu sabia que era o tipo de trabalho pesado

N: Quinn, você sabe muito bem o que acontece se uma passagem for aberta... Vai ser o apocalipse, e você tem o poder de impedir isso...

–

Eu pedi uma sala onde pudéssemos conversar em particular e então esperei por ela. Rachel abriu a porta e veio direto para os meus braços e me abraçou com força

R: Quinn! Meu amor você esta bem, eu fiquei tão preocupada! – Ela segurava o meu rosto e o olhava cuidadosamente, se certificando que eu estava bem

R: O que foi? Por que essa cara? – ela olhava em meus olhos, sabia que tinha coisa errada

Q: Eles me ofereceram um acordo...

R: Que tipo de acordo Quinn? – Ela se afastou já com um semblante preocupado

Q: Basicamente, eu salvo o mundo e estamos livres, nunca mais me procurarão...

R: Como assim salva o mundo Quinn? Você vai voltar pra CIA?

Q: Só mais uma vez... É importante...

R: O QUE? – Ela se exaltou – Eu não acredito nisso, não acredito mesmo... – Rachel pois a mão na cabeça e começou a andar de um lado pro outro, me mantive encostada na mesa de braços cruzados

Q: É só mais uma vez e teremos nossa vida de volta, não vamos ter que fugir, vamos finalmente ficar juntas como tem que ser...

R: Você disse salvar o mundo Quinn, provavelmente eles vão te jogar em um lugar muito perigoso e.... – entrei em sua frente e segurei seus braços pra que ela parasse de me olhar

Q: Você me fez pometer que não machucaria mais as pessoas, nós só temos duas opções aqui, ou eu destruo tudo, coloco esse prédio abaixo agora e viro, provavelmente, o maior premio de caça no mundo... Ou eu trabalho pra eles, faço um bem pra humanidade e ainda ficamos bem no final disso tudo...

R: Eu não quero você em perigo de novo... – Rachel me abraçou já chorando

Q: Ta tudo bem, o Aiden sempre vai estar comigo, se esqueceu? – eu acariciava seus cabelos tentando acalma la

Q: Nós estamos juntas agora, certo? To fazendo isso pela gente... – ela levantou o rosto e me olhou com aqueles olhos inchados de choro

R: Eu te amo tanto... promete que você vai voltar pra mim...

Q: Eu sempre volto pra você, eu não preciso prometer isso... – beijei os seus lábios, era tão triste ter que partir de novo, aquilo acabava comigo de muitas formas, mas sobretudo eu queria manter a Rachel a salvo, e era o único jeito.

–

Naquele mesmo dia, após algum tempo de conversa com a Rachel, eu me encontrei com Nathan novamente e fomos ao encontro do general responsável pelo DPA, a situação não parecia boa, e as providencias deveriam ser tomadas imediatamente.

T: Não sabemos em que estagio de experimentos eles estão, mas Nathan verificou uma grande movimentação no inframundo... – O General se mantinha apoiado sobre a mesa enquanto me mostrava alguns slides

T: A sua missão é destruir essa passagem que eles construíram para o inframundo e acabar com qualquer tecnologia que possa nos prejudicar...

Q: Mesmo que eu destrua o condensador, se eles tem uma passagem, a fenda continuará aberta...

T: Construir um condensador leva muito tempo, pesquisa e dinheiro... Com isso nós podemos ganhar tempo para aprimorar as nossas pesquisas e ter certeza de que podemos lidar com isso....

Q: Devo presumir que o local esta fortemente protegido...

T: Naturalmente... Mas a sua equipe...

Q: Equipe? – eu interrompi, Nathan me olhou com um sorriso de lado, e pegou o telefone que estava a sua frente

N: Deixem que eles entrem pó favor... – eu imediatamente me virei pra trás, vi meus antigos parceiros entrarem sorrindo, eles estavam felizes em me ver, eu estava confusa. Atrás deles entrou Ryan, de braços cruzados e sem me olhar nos olhos.

T: Uma equipe pequena é mais difícil de ser detectada, seremos ágeis e certeiros nessa missão, não podem haver falhas... – O General dizia completamente sério – a operação começa amanha, boa sorte! – O General se retirou para atender algum tipo de chamado e nós continuamos em silencio na sala. Antes que alguém dissesse alguma coisa eu me levantei pra sair, Nathan segurou o meu braço

N: Tenha cuidado Quinn! Ninguém sabe o que podemos encontrar do outro lado..

Q: Não se preocupe... Não estou pronta pra fazer parte do inframundo ainda... – dei um sorriso fraco, Nathan se levantou e me abraçou com força

N: ótimo, por que eu não quero perder você...

Logo em seguida, eu me afastei e sai da sala, Ryan veio atrás de mim no corredor.

R: É bom te ver de novo... – parei de caminhar e olhei pra ele com um sorriso sarcástico

Q: Mantenha distancia Ryan... – Aiden fez as luzes piscarem – ele é menos apto a perdoar do que eu...

R: Tudo bem... – ele levantou as mãos como se se rendesse, eu virei as costas e sai, não podia perder tempo, aquele poderia ser meu ultimo dia com a Rachel.

–

Eram cerca de 6 horas da manha, estávamos deitadas em uma cama de um motel barato de Ohio, Rachel se desentendeu com os pais por terem cooperado com a CIA em me capturar, então acabamos saindo de la. Por mais que nós tentássemos nenhum das duas realmente dormiu, e quando o despertador no celular da Rachel tocou nós continuamos ali paradas na cama. Ela fazia caminhos imaginários com as pontas dos dedos em meu peito, eu olhava pro teto pensando em como sairia dali. Ela finalmente se mexeu para alcançar o celular, eu aproveitei pra me sentar na cama.

R: Chegou a hora... – respirei fundo e concordei com a cabeça antes de me levantar

R: Eu venho te buscar aqui em Ohio quando você voltar...

Q: Não precisa, eu te encontro em Nova York... – eu vestia o uniforme que havia sido me dado no dia anterior, enquanto isso Rachel voltou a se deitar na cama

R: Não... Eu quero te esperar...

Q: Não devo demorar mais do que 4 dias, é uma missão rápida... – ela ficou um pouco em silencio antes de falar

R: E se você não voltar em quatro dias? Como vou saber se está bem?

Q: Por isso eu não quero que me espere... imprevistos podem acontecer e eu não tenho como te avisar... Fazer ligações ou passar mensagens podem entregar nossas posições...

R: Eu não gosto disso...

Q: Eu também não... Mas já esta acabando... – sentei na borda da cama para amarrar as minhas botas, Rachel veio de joelhos e me abraçou por trás

R: Toma cuidado ta? Muito cuidado!

Q: Ta meu amor... – ela beijava o meu pescoço

R: E se alguma coisa der errado você foge, foge pra bem longe e não se preocupe com os outros!

Q: Isso é meio cruel.. – eu ri enquanto finalizava o laço com a Rachel pendurada nas minhas costas

R: Não me importa, eu quero você em casa no final de semana, cuidando de mim e do Freddie, e nós temos uma mudança pra fazer!

Q: Oh nem me lembre disso... – Eu a puxei para o meu colo e ela me olhou nos olhos, eu podia ver que estava triste.

Q: Não fica assim, vai dar tudo certo e vai ser bom pra nós...

R: Eu vou tentar... – ela segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou com urgência, ela era tão perfeita, a coisa mais difícil era deixa la naquela cama pra partir pra uma verdadeira guerra. Eu queria tanto ficar ali só mais 10 minutos.

Q: Eu tenho que ir... – cortei o beijo, e a empurrei pro lado para me levantar

R: Eu nunca pensei que te veria com esse uniforme...

Q: E eu nunca pensei que o usaria novamente...

–

[2 dias depois] Acordei extremamente confusa, um general de traços asiáticos se mantinha parado na minha frente com alguns guardas armados ao seu redor. Atrás dele estava o Ryan, ele estava preso com as mãos pra cima, sem camisa e todo machucado. Eu ia recuperando a consciência e a audição aos poucos, minhas mãos estavam amarradas a cadeira em que eu estava sentada, eu olhei pra baixo, estava sem força, gotas de sangue pingavam sobre o meu uniforme nas minhas próprias pernas.

G: Eu estou ficando cansado disso... – O pequeno asiático dizia com um sotaque carregado. – se você não cooperar não vai me restar outra saída se não matar vocês... – ele começou a rodear a cadeira em que eu estava

G: Eu vou matar de qualquer forma, vocês invadiram a minha base, mas poderia ser rápido e menos doloroso.... – eu não entendia o que estava acontecendo, estava muito confusa

G: Então.. – aquele general parou diante de mim novamente – eu vou perguntar uma ultima vez... – ele me olhava muito sério — Pra quem você trabalha? — a minha visão começou a escurecer novamente

Q: Aiden... – eu disse com estrema dificuldade – cadê você?

Notas finais
E ai! Já aviso que ainda não fechei a fic, mas não teremos mais do que 3 capitulos... sim ta acabando :/ Espero que estejam gostando... COMENTEM!