Entre duas almas
14 Sotão
[17 anos]
Dizem que não adianta a gente planejar muito as coisas, a vida acaba tomando o rumo que tem que tomar e as coisas acontecem conforme tem que ser. Aquele dia foi um exemplo perfeito disso.
Conforme o fim do ano letivo se aproximava Rachel parecia cada vez mais apreensiva quanto ao seu futuro. Ela queria ir pra Nova York, esse sempre foi o sonho da sua vida, mas apesar do bom desempenho nas nacionais ela temia não ser aceita na faculdade. Bom na verdade essa era a versão que ela me contava, mas no fundo eu sabia que ela estava preocupada com o nosso futuro.
Justamente para relaxar um pouco, seus pais propuseram que nós fizéssemos uma pequena viagem até a casa da avó da Rachel, mãe de Leroy, durante o final de semana. Era uma experiência totalmente nova pra mim em tantos sentidos, e eu fiquei feliz pelo Nathan ter permitido que eu fosse.
A avó de Rachel, Suzan, era uma pessoa incrível e nos recebeu muito bem em sua casa. Passamos aquela tarde ensolarada na piscina de sua casa, muito bem servidas de todos os tipos de comidas que Suzan era capaz de produzir.
–
Rachel tomava sol na borda da piscina enquanto eu me mantinha dentro da água.
Q: Você não vai voltar pra água?
R: Agora não Quinn... – Rachel se mantinha de olhos fechados
Q: Você esta muito quieta...
R: Quinn, eu só não quero entrar na água agora....
Q: Eu te conheço Rach... – me aproximei de onde ela estava e depositei um beijo em seu quadril, ela rapidamente abriu os olhos
R: Para Quinn! – ela sorriu – não é nada! Eu só estou preocupada...
Q: Você prometeu que ia relaxar... – sai da piscina e sentei ao seu lado, ela também se sentou, ficando de frente pra mim
R: Eu sei... – ela segurou o meu rosto e deu um selinho – me desculpe, você tem razão...
Q: Você é ótima, eu tenho certeza que vai dar tudo certo... Sua carta vai chegar na semana que vem, e eu vou ter muito orgulho de você...
R: Obrigada! – ela sorriu e juntou a sua tenta na minha antes de me beijar novamente
S: Meninas... – Susan interrompeu – já esta ficando tarde, é melhor saírem da água!
R: Já vamos vovó!
–
Durante o jantar eu percebi que Rachel teve a quem puxar, Susan falava sem parar da neta e de seus país.
S: Claro que foi um choque saber que meu filho era gay... O pai dele morreu sem aceitar o nosso filho... mas cada um tem o seu desafio na vida, e essa lição vale para vocês... – Rachel sorriu mas se manteve calada
Q: Eu sei, não é o caminho mais fácil, mas eu fico feliz de ter o apoio de vocês no nosso relacionamento...
S: A sua família não apóia? – Susan me perguntou enquanto despejava mais uam colher de arroz sobre o meu prato
Q: Apóia... quer dizer... eu não tenho família... Eu fui adotada mais de uma vez... Sempre tive que conviver com os meus próprios dramas sozinha... Eu não conheci a minha mãe biológica...
S: Oh Quinn, me desculpe, eu não sabia...
Q: Não.. esta tudo bem! Eu não tenho vergonha em dizer isso... como a senhora disse cada um tem o seu desafio, e eu até fico feliz por essa forma “desprendida” de vida ter me trazido até aqui... – segurei a mão da Rachel
R: Eu também fico feliz por você ter me encontrado... – nós nos entre olhamos
S: Parece que eu já vi essa cena antes... Seus pais eram ao jovens quando se sentaram nessa mesa... Eu espero que vocês tenham um longo futuro juntas assim como eles...
Q: Eu também...
R: Vovó... – Rachel cortou o assunto – eu posso levar a Quinn lá em cima depois do jantar? Quero mostrar pra ela o meu cantinho...
S: Claro querida... mas sem dormir lá hoje!
R: Por que? – Rachel pareceu frustrada com a resposta
S: Seu pai foi duro comigo quanto ao deixar vocês dormirem juntas...
R: isso é ridículo... – Rachel cruzou os braços e virou o rosto, como uma verdadeira criança mimada
S: Não faça assim...
R: Eu queria mostrar pra ela o nascer do sol...
S: Pois então levantem cedo! – Suzan usou o mesmo tom que Rachel usava quando era dura comigo, eu não pude deixar de sorrir com a semelhança.
–
Depois do jantar eu subi até o sótão com a Rachel, ele era todo adaptado como uma grande sala de brinquedos, muitas das coisa ali já estavam bem velhas ou quebradas, mas eram da Rachel e ela se orgulhava em me mostra las.
R: é uma pena não podermos dormir aqui hoje... – Rachel se aproximou da única janela do cômodo, ela era grande, maior que Rachel.
R: Eu amava brincar aqui, e principalmente dormir diante dessa janela... – Rachel a abriu – é a minha vista favorita... não importa o que aocntecesse, eu sempre me sentia bem aqui... – me aproximei de seu corpo e abracei por trás
Q: é realmente incrível... – olhei para a vista privilegiada da cidade pacata em que sua avó morava.
R: Não, essa não é a melhor vista... – ela se afastou
Q: Não?
R: Não! – ela sorriu e estendeu um tapete no chão, em seguida me puxou para me sentar sobre ele com ela
R: essa é a melhor vista... – ela segurou meu queixo e me fez olhar pra cima, ver o céu lotado de estrelas, eu nunca tinha visto nada como aquilo antes.
Q: Meu deus... é lindo... – Enquanto eu ainda admirava boquiaberta aquela imagem, Rachel pegou um cobertor e colocou sobre nós, ela me puxou para deitar ao seu lado e me abraçou forte
Q: Rachel a sua avó não quer que...
R: Shiiu... – ela me interrompeu – não vamos dormir aqui, eu só quero ficar um pouco com você...
Q: Tudo bem... Mas isso tem haver com a gente?
R: Como assim? – ela levantou um pouco o rosto para buscar o meu olhar
Q: Eu não posso deixar de notar que você anda apreensiva, e não vou mais fingir que acredito que é por não se achar boa o bastante pra passar em Nyada...
R: É bobagem... – Rachel voltou a se deitar
Q: Não, não é... eu preciso saber o eu você esta pensando...
R: Eu não quero te deixar aqui. – ela respondeu rápido me pegando de surpresa
Q: Você sabe que eu vou tentar ir pra NY com você...
R: E se não der certo...?
Q: Eu vou fazer 18 anos daqui 2 meses, Nathan não pode me prender na base pra sempre... Eu vou ficar com você, é isso que eu vou fazer... — o silencio se instaurou naquele comodo, Rachel parecia pensativa
R: Eu te amo... – Rachel disse do nada após um tempo, e então começou a me beijar, e o que começou com um beijo passou para um verdadeiro amasso. Rachel projetou seu corpo sobre o meu e me beijava com voracidade, segurando a minha nuca com força.
Foi ela quem tomou a iniciativa naquela noite, pra minha surpresa Rachel cortou o nosso beijo pra tirar a própria blusa
Q: O que você ta fazendo?
R: Eu não quero mais perder tempo com você...- ela olhava intensamente nos meus olhos, tão poucas vezes eu a vi falar com tanta seriedade.
Q: Rach... sua avó ta la em baixo... eu não sei... – eu observava enquanto ela tirava o próprio sutiã
R: Ela não vai nos chamar até a novela acabar... não se preocupe... – ela sorriu, pegou uma das minhas mãos e colocou sobre um de seus seios, eu apalpei com cuidado sem acreditar muito que aquilo estava acontecendo, eu engoli seco, não estava esperando por essa iniciativa da Rachel. Ela me beijou suavemente enquanto abria a minha calça.
R: Você está nervosa? – ela disse ao cortar o beijo, eu apenas assenti.
R: Eu também... – ela sorriu e voltou a me beijar.
Como eu disse a gente não escolhe a hora certa por momentos mais importantes das nossas vidas, eu já tinha imaginado a minha primeira vez de tantas formas, mas foi ali naquele ambiente rústico do sótão da avó da Rachel.
Ela foi simplesmente perfeita e acendeu um fogo em mim que nem mesma eu conhecia, foi inevitável não deixar algumas marquinhas pelo seu corpo, ela era tão gostosa e perfeita.
Ela gemeu mais alto quando a penetrei com dois dedos, ela não tinha noção do quão era linda vê la nua daquela forma. Talvez seus pais me matariam por tirar a sua virgindade, mas eu fiquei orgulhosa não só por tirar mas também por perder a minha naquela noite. E quando terminamos eu deitei sobre o seu peito ofegante.
R: Você promete que vai dar um jeito de ficar perto de mim?
Q: Não importa pra onde você vá... eu sempre vou achar meu caminho até você...
Ela não disse mais nada até sairmos do sótão, apenas acariciou os meus cabelos com extremo caminho. No fundo eu sabia que não importava o quanto eu dissesse, ela estava com medo, talvez ela pressentisse...
–
[18 anos]
Rachel e eu estávamos mais ligadas do que nunca, ela foi aceita em NYADA e se preparava para ir pra Nova York em alguns dias. Eu não tinha uma vaga em lugar algum, não tinha dinheiro para bancar uma faculdade, mas estava determinada a segui la e fazer a minha vida na Big Apple assim que os meus testes terminassem.
–
Era tarde da noite de uma segunda feira e eu ainda trabalhava em alguns testes com Nathan. Por passar muito tempo com a Rachel, que estava muito melosa nos últimos dias por conta da sua partida, eu tinha que compensar até bem tarde.
N: Bom esse é o ultimo que temos pra hoje... – Nathan colocou 3 objetos sobre a mesa – se concentre no Aiden e veja se você consegue extrair memória de algum deles... – eu assenti
Aiden me indicou para que tocasse em uma caixinha de músicas e imediatamente os meus olhos se reviraram. Um imagem muito rápida percorreu pela minha mente, objetos eram totalmente diferentes do que trabalhar com pessoas. Vi uma garotinha abrindo um presente, era aquela caixinha, e quem havia dado pra ela era o Nathan. Eu senti saudades naquela memória, muita saudade... ela era sua filha.
Quando eu recuperei a consciência ele me esperava ansioso.
N: E ai?
Q: Vi uma garotinha... ela pareceu ter gostado do presente... – sorri de lado sem querer me aprofundar muito naquela memória.
No mesmo instante o telefone tocou, e Cole, o assistente o atendeu.
C: Nathan, um tal de Ryan te espera no saguão, disse que você sabe do que se trata... – ele estava sério, e foi assim que Nathan também deixou a sala.
Eu e Cole esperamos por 10 minutos... que viraram 15.... 20... Eu estava exausta, era tarde.
Q: Qual é a desse cara? Nathan não vai voltar?
C: Calma princesa...
Q: Depois ele reclama que não tenho tido tempo de estudar, a culpa não é da Rachel... ele que me faz ficar aqui até tarde... – caminhei em direção a porta
C: Onde você vai? Não vai espera lo?
Q: Eu estou cansada... – deixei a sala.
–
Na antessala vi Nathan conversando com um rapaz, ele gesticulava e estava visivelmente irritado, me aproximei.
Q: O que foi Nathan...? – ele me olhou com certo espanto inicialmente, o rapaz se mantinha calmo, mas não disse nada.
N: É... Quinn... certo... – ele parecia nervoso – esse é Ryan, ele é supervisor na CIA, e ele está aqui por que o governo quer que você se junte a escola militar no Alabama... – eu os olhava muito confusa
Q: O que?
N: Eu não tenho escolha... Ryan vai tomar conta de você daqui pra frente... Você tem que ir com ele Quinn... – ele respirou fundo – hoje...
Q: Eu não entendo... por que eu?
N: Essa unidade pertence a CIA... Eles observam os seus testes desde que você chegou, eles sabem do que Aiden é capaz... Você recebeu uma convocação oficial, isso esta acima de mim... – comecei a chorar, passei a mão entre os cabelos, me sentia completamente perdida, como se uma bomba tivesse acabado de explodir em minhas mãos
Q: Nathan eu te imploro, eu não posso ir pro Alabama! Você sabe que eu não posso deixa la! Eu te imploro!
N: Quinn eu sei que é difícil... mas é uma grande oportunidade pra você... e isso tudo vai passar rápido, você vai ver... – ele segurava os meus ombros me forçando a olhar em seus olhos
Q: Ninguém pode me dizer o que fazer com a minha vida, eu já sei o que eu quero! – elevei meu tom de voz
R: Me desculpe senhorita Fabray... – Ryan se intrometeu – mas eu não dou a mínima pro seu showzinho de adolescente mimada.... nós somos da CIA, não brincamos em serviço! Agora vá arrumar as suas coisas, você foi selecionada, e não se apresentar diante de uma convocação oficial é crime federal...
Q: VAI SE FODER! – eu o peitei apesar de ser um oficial
R: Já chega! Vamos embora! – Ryan agarrou o meu braço e começou a me puxar com força.
Não demos nem um passo sequer e Aiden fez com que todas as luzes naquela sala de espera piscassem, Ryan me soltou imediatamente
N: Quinn... não... – Nathan me abraçou com urgência – se acalme! – então ele cochichou no meu ouvido – faça isso por mim... vai passar rápido e então você estará livre para fazer o que quiser da sua vida... eu prometo que falarei com ela, eu vou explicar tudo....
Eu chorava muito, eu lutei tanto para ser quem eu era e agora me sentia acorrentada de novo. Eu não podia deixar Rachel dessa forma, mas eu não tinha escolha. Parecia que eu nunca tinha.
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