Entre duas almas
1 O teste
Eu nasci com um dom estranho, a habilidade de ver o que nenhum ser humano foi capaz de ver antes. Esta tudo bagunçado na minha cabeça. As imagens, os sons, os cheiros...
Eu preciso me lembrar, colocar as coisas em ordem até esse momento, lembrar quem eu sou... E se eu tivesse que dizer como tudo isso começou, eu deveria dizer que começou aqui.
-
G: ei, garota...
Abri os olhos lentamente, a imagem ia ficando mais clara, eu estava em uma delegacia
G: Esta tudo bem? Eu te encontrei na estrada... você está bem? Alguém tentou te machucar?
Olhei levemente ao redor, só havia eu e aquele guarda na sala, parecia tarde... Tudo estava muito confuso pra mim, preferi ficar calada.
G: Que tal um nome? Alguém para quem eu possa ligar? O que você acha? – não respondi, não tinha nada a ser dito – você não fala muito, né? Bem, se você não me ajudar eu não posso ajudar você...
Ele respirou fundo e se levantou, começou a rodear a minha cadeira pensativo, coçava ligeiramente a barba em seu rosto.
G: isso é... uma cicatriz? – ele parou atrás de mim – isso é recente? – ele começou a se aproximar, fazendo menção de que me tocaria, fechei os olhos e respirei fundo.
A caneca em cima da mesa atingiu a parede com uma velocidade incrível antes que ele pudesse me tocar. O guarda então deu dois passos para trás. Eu estava exausta, não sabia como aquilo ia terminar, mas de uma coisa eu tinha certeza naquele momento, eles estavam atrás de mim..
Q: eu sei... eles estão vindo. – foram as minhas primeiras palavras que quebraram o silencio instaurado naquela pequena sala de delegacia.
Como eu podia prever, vários homens da Swat entravam com pressa pela porta principal da delegacia, o agente que me resgatou, preocupado com o barulho, deixou a sala curioso pelo batalhão que se posicionava la fora.
G: o que é isso?
J: anda logo, onde esta ela? – o oficial que comandava a operação falava alto, eu podia sentir a preocupação em sua voz.
Eles se posicionaram, bem armados como de costume, só aquela parede nos separava, eles queriam me surpreender, mas quando o comando de invasão foi dado, e a porta foi finalmente aberta, todos aqueles soldados se depararam com uma sala vazia.
Eu não tive culpa, eu avisei a todos eles.
Quando o Nathan chegou cerca de meia hora mais tarde já não havia um soldado sequer naquela delegacia, apenas o guarda que me socorrerá havia sido poupado, tudo estava revirado e soldados mortos por toda a parte. Mesmo assim ele adentrou mais um pouco, incrédulo com o que havia encontrado.
N: Quinn.... o que você fez?

-
Eu e Nathan nos conhecemos a muito tempo. Ainda consigo me lembrar de como ele ou Cole, seu fiel assistente, vinham me chamar para as atividades e testes diários, todas as manhas. Nathan sempre foi um respeitado pesquisador e sempre me tratou como uma filha, era dele e do Cole de quem eu recebia o mais próximo do que se pode chamar de amor paternal, mesmo assim, eu não podia deixar de me sentir sufocada na base, o que não me rendeu uma infância muito feliz. Não tinha amigos, na maior parte do tempo éramos apenas eu e o Aiden... quer dizer, isso durante o dia, quando a luz do sol podia nos proteger.
Apesar do quarto confortável e repleto de brinquedos da base, eu e Aiden ficávamos muito entediados, muitas vezes os exercícios eram longos e repetitivos. Me lembro do dia em que Cole me colocou em uma sala, era um dos meus primeiros testes, eu devia ter uns 6 anos, não estava na base a muito tempo.
C: certo Quinn, você vai ficar aqui. Bem na sua frente existe uma outra sala, idêntica a esta... – ele apontou para a parede que estava na minha frente – lá a Annie esta sentada, assim como você, com figuras como as suas dispostas pela mesa... ela vai escolher uma aleatoriamente e erguerá a carta.... você acha que você e Aiden podem nos indicar, dentre essas figuras que estão na sua mesa, qual ela escolheu? — eu assenti algumas vezes, mas não disse uma palavra, eles me tiraram cedo da cama para aquele teste e eu realmente não queria estar ali naquele momento, não tinha sido uma noite fácil.
Cole saiu animado da sala e foi para a central de onde ele monitoraria toda a experiência. Pelo auto falante ligado a minha sala ele deu o sinal.
C: Ok Quinn... podemos começar... Annie já escolheu uma carta...
Aquilo era fácil de mais para mim, Aiden sempre estava ao meu lado, ele ouviu a conversa e sabia o que fazer. Doía um pouco conforme ele se afastava, mas com o tempo e o treinamento, cada vez eu podia suportar que ele estivesse mais longe. Naquele dia foram só alguns metros, Aiden cruzou a parede que nos separava da Annie e me deixou ver qual carta ela segurava. Então eu pude pegar a carta semelhante na minha mesa e ergue-la para a câmera, por onde Cole e Nathan nos observavam.
C: ótimo Quinn! Fantástico!
Como foi pedido, repetimos esse exercício durante algum tempo, varias cartas e formas foram usadas, eu acertei todas, claro. Aquilo era muito natural para mim, eu nasci com Aiden, não sabia como era viver sem ele, eu estava acostumada a ver as coisas que ele via. Nós éramos tão íntimos, nós dividíamos uma vida, e eu não sabia nada sobre ele. Aiden nunca foi um parasita, ele era parte de mim, éramos duas almas que por algum motivo não conseguiam se separar. Cole e Nathan o classificavam como uma entidade do inframundo, e era exatamente esse mundo do além que eles buscavam desvendar me estudando.
Mas no começo eles sempre queriam mais, sempre queriam explorar ao maximo nos testes, e foi o que o Cole fez naquele dia.
C: Ok Quinn... agora você acha que o Aiden pode mover alguma coisa na sala onde a Annie esta? Acha que ele pode nos mostrar alguma coisa interessante?
Aiden estava tão cansado quanto eu, mas só quem pudesse compartilhar daquele mundo em que eu e Aiden vivíamos seria capaz de entender, e eu era apenas uma criança para saber explicar... Eu assenti para a câmera e pedi mentalmente para que o Aiden fizesse logo o que estavam pedindo. Então, novamente ele foi para o outro lado e começou derrubando as cartas da mesa e mudando um copo de água de lugar, mas eles queriam mais e continuavam a pedir demonstrações especificas e a dar ordens, e bem... o Aiden sempre foi muito genioso... Ele começou a causar uma série de eventos dentro daquela sala sem que eu pedisse, a mesa foi virada, a luz apagada, coisas voavam por toda a parte.
C: Quinn já chega! você pode parar!
A Annie estava apavorada, ela implorava para sair da sala enquanto se debatia contra a porta... Acho que o Aiden de certa forma se divertia com aquilo, era a forma dele de dizer “ei, eu estou aqui e vocês não podem me controlar”.
Q: já chega Aiden!
Os gritos de pavor da Annie continuavam, e então, o único vidro daquela sala em que ela estava, começou a trincar todo, mais uma gracinha do Aiden
C: Calma Annie, a porta emperrou, nós já vamos tira la daí, só tente manter a calma, por favor!
A: ME DEIXEM SAIRR!!!
Q: CHEGA AIDEN! — eu me levantei
E finalmente ele parou, a porta se abriu no mesmo instante, foi quando Nathan correu até mim e me abraçou, todos eles pareciam com medo, e mais uma vez eu me sentia um monstro por ser tão diferente, eu tinha muito medo de tudo que acontecia comigo, então naquele abraço eu deixei que algumas lagrimas rolassem. Nathan olhou nos meus olhos
N: ta tudo bem querida, nós vamos entender tudo isso juntos... isso vai passar...
Q: não.... isso nunca vai passar.
-
Anos mais tarde eu roubaria milhares de arquivos confidencias de embaixadas estrangeiras usando esse mesmo truque barato com que Cole e Nathan ficaram impressionados naquele teste. Era só estar bem arrumada, acompanhada de um rapaz elegante, geralmente o Ryan, e eu me infiltrava facilmente em qualquer festa, depois disso era só arrumar um canto mais calmo, geralmente os banheiros, onde eu podia me concentrar no Aiden, que facilmente entrava nas salas e violava qualquer arquivo sem ser percebido, era genial.
E isso só prova que eu estava certa desde muito nova, Cole e Nathan não podiam fazer nada, aquilo não pararia... e não parou.
Notas finais
Essa fanfic em especial vai funcionar como um livro de memórias, um quebra cabeça que vai sendo montado capitulo a capitulo, e nem sempre a Quinn contará as coisas de forma linear, como vocês podem perceber, haverão muitos "jumps times" então peço que tenham muita atenção ao ler essa fic e desvendar os seus mistérios. Sei também que muitos ficam impacientes, gostaria de deixar avisado que eu sei que as vezes eu judio de vcs leitores no suspense, mas minhas fics não são longas e não tem enrolação, a história vai se desenvolver como tiver que ser e eu prometo que no final tudo se encaixa.
Obrigada desde já, espero que me acompanhem nessa nova fanfic e POR FAVOR comentem! É a unica forma de eu saber se estão gostando e de como conduzir a história de uma forma que seja agradável pra vocês e pra mim.
Obs: Se alguem gostar e puder divulgar essa fic, deixe nos comentários o link da sua divulgação para que eu possa fazer os devidos agradecimentos.
Fale com o autor