Entre duas almas
21 Família
[21 anos] No dia seguinte a Rachel saiu cedo da cama, eu imediatamente senti a sua falta e estranhei por ela não retornar, ela sempre me acordava para acompanha la quando estávamos na casa de seus pais.
Quando eu desci, um pouco mais tarde, apenas Leroy estava na cozinha. Rachel parecia pensativa, mantendo um olhar perdido, enquanto esfriava uma xícara de café.
Q: Bom dia! – Eu me aproximei dela e depositei um beijo no topo da sua cabeça, ela pareceu acordar do transe em que estava
R: Oh meu Deus, Quinn me desculpe, me esqueci completamente de te chamar... – ela deu um largo gole no café e se levantou
Q: Ta tudo bem...
R: Não! Estamos atrasadas! – ela apontou pro relógio na parede, faltavam cerca de 20 minutos para o horário que eu havia marcado com o Cole.
R: Vem, anda! Você come alguma coisa no caminho! – Rachel pegou algumas frutas que estavam sobre a mesa e corremos para o quarto para se arrumar.
–
R: Kurt me mandou fotos do Freddie... — Rachel me mostrou o visor do celular — espero que a Santana esteja longe dele... — eu não pude deixar de rir do comentário
Q: Ele vai ficar bem, ele é um Fabray...
R: Ele é um Berry... — Rachel me olhou confiante, eu dei de ombros
Q: Viu só, corremos tanto e ele está atrasado... – eu disse enquanto checava o meu próprio relógio.
R: Bom, melhor estamos aqui antes do que não sermos esperadas por ele... – Rachel disse olhando para os lados, procurando por Cole.
Nós estávamos sentadas em um banco em um parque local, as folhas caiam ao nosso redor, as pessoas caminhavam, eu estava muito nervosa mas não deixava transparecer, tudo ao meu redor era calmo, e estranhamente silencioso...
Q: Rachel... – ela me olhou – aconteceu alguma coisa hoje cedo?
R: Na.. Não... – ela parecia surpresa
Q: Não minta pra mim, eu te conheço... Você está estranha... Nem se lembrou de me chamar...
R: Ta bem... ouve uma pequena discussão... – ela desviou o olhar para as próprias pernas
Q: E por que não me contar?
R: Eu ia.. Na verdade vou... Eu só não queria ter essa conversa agora, sei que é um dia importante pra você... – peguei uma das mãos de Rachel e entrelacei os nossos dedos, só então ela voltou a me olhar.
Q: Nada é mais importante do que a gente... Se seus pais disseram alguma coisa que te magoou eu quero saber... – ela continuava me olhando insegura — Minha mãe é o meu passado e eu tenho muito interesse em saber sobre ele... mas você além do meu presente, é o meu futuro, e nada é mais importante do que isso... – ela deu um sorriso de lado e se aproximou pra me dar um selinho
R: Ta bem... a Cia procurou os meus pais, eles não sabem do Aiden, mas contaram varias outras coisas...
Q: Eu não acredito... e eles não nos contaram nada? Rachel isso é muito perigoso...
R: Meus pais tem medo que você me faça algum mal, eles acreditaram em toda aquela história... – Rachel começava a ficar com os olhos cheios de lagrimas eu rapidamente a abracei com força
Q: Ei, ta tudo bem... Sabemos que isso não vai acontecer... Eu vou ficar bem aqui, do seu lado...
R: Quinn... – ela se afastou pra olhar nos meus olhos – a Cia sabe que estamos juntas, pelo menos eles tem certeza agora... Eles vão vir pra te tirar de mim...
Q: Rachel, eu não vou deixar isso acontecer...
Ela então olhou por cima do meu ombro e forçou um sorrisso, eu imediatamente me virei e vi o Cole. Enquanto Rachel se recompunha eu me levantei com pressa para abraça lo, faziam anos que eu não o via. Eu estava em um conflito interno muito grande, pois eu queria saber sobre a minha mãe, mas ao mesmo tempo eu sabia que era a hora de sumir dali com a Rachel.
C: Minha princesinha... – Cole afastou o abraço para me admirar com mais cuidado — Meu Deus... que mulher linda você se tornou... – eu sorri
C: Mas parece triste, e perdida.... Como da primeira vez que eu te vi
Q: Não tem sido muito fácil... – Rachel se juntou a nós
C: Que bom te ver de novo! – Cole a abraçou com força
R: Quem diria, não? – Rachel sorriu e ficou ao meu lado, eu peguei a sua mão
C: É tão bom ver vocês juntas, é assim que era pra ser...
R: Eu também acho... – Rachel procurou o meu olhar, eu assenti
Q: Você não faz idéia do quanto senti a sua falta... – Olhei pro Cole e ele parecia emocionado diante de nós.
C: Eu também... – ele deu um sorriso fraco – e quanto ao nosso amigo Aiden? – Não precisei responder, ele mesmo passou pelo Cole o fazendo sentir calafrios, nós adorávamos fazer isso quando ele dormia no escritório e eu era apenas uma criança.
C: Ahhh, está ai.... Senti sua falta também parceiro...- sorria
Q: Vamos andar? – Cole assentiu, eu estava preocupada, a essa altura alguém provavelmente já estava atrás de nós.
C: Procuramos muito por você...
Q: Eu precisei dar um tempo... quer dizer, não tive muita escolha... – ele concordou – mas como esta o Nathan?
C: Ele é o chefão agora... Não trabalha mais comigo a algum tempo... Quer dizer, foi bom, eu ganhei minha própria equipe assumindo o seu cargo, mas sem você a nossa grande pesquisa é catalogar os diferentes tipos de entidades...
R: Cole.. – Rachel interrompeu – me desculpe perguntar, mas alguém está sabendo do nosso pequeno encontro?
C: Não... Nem mesmo o Nathan... Ele se interessa muito pela volta da Quinn, eu não podia arriscar, ela me contou que estão tentando levar uma vida juntas....
R: É, tudo esta muito confuso pra nós agora...
C: Eu imagino... – eu parei, Aiden estava agitado, tão apreensivo quanto eu, precisávamos ir direto ao ponto.
Q: Cole... Eu preciso saber... Você conseguiu o que eu te pedi? – ele me olhou e respirou fundo.
C: Quinn, no dia em que você nasceu, uma mulher chamada Judy teve uma garotinha no hospital do DPA, o que consta nos registros é que a criança ainda está viva...
Q: E o pai?
C: Morreu um pouco antes do nascimento.... Parada cardíaca... foi tudo o que consegui saber...
Q: Onde está a Judy agora? – meu coração batia acelerado, eu sempre tive esse desejo de conhecer meus pais. Rachel apertava a minha mão, era tão bom te la ao meu lado naquele momento
C: Ela foi internada em um hospital psiquiátrico logo depois que deu a luz.... De acordo com os registros ela ainda esta la...
Q: Minha mãe... esta internada em um hospício há 21 anos? Quer dizer... Por que? O que aconteceu?
C: Não sei, isso era tudo que tava lá...
Q: Eu vou ver ela! – me afastei já me virando para voltar pra rua e pegar um taxi
R: Quinn calma! – Rachel segurou o meu braço
C: Entenda... ela esta em um hospital psiquiátrico a muito tempo, provavelmente você não encontrará as respostas que procura....
Q: Respostas? – me virei pro Cole – eu só quero ver ela, pelo menos uma vez... Ela é minha mãe! – meus olhos já estavam cheios de lagrimas, Rachel me abraçou
R: A gente pode tentar.. não pode? — Rachel procurou o olhar do Cole
C: Meninas, vocês não entendem? Ela esta internada em uma unidade de segurança máxima do DPA, se te pegarem la dentro Quinn... – Rachel já me olhou assustada
Q: Eu quero ir...
–
Esperamos ficar noite, Cole nos levou de carro até o mais próximo que podia daquela unidade do DPA, chovia um pouco, eu olhei no relógio e sabia que era hora de ir.
R: Eu não gosto disso Quinn... – Rachel olhava pela janela do carro
C: Eu também não... Sem guardas na entrada, estacionamento vazio... não parece certo... — Cole disse também olhando pela janela do carro
Q: Se eu não voltar em meia hora vocês vão embora...
R: Quinn!! – Rachel me olhou enfurecida – Você acha que eu vou ficar esperando aqui? – Passei as mãos pelo cabelo enquanto respirava fundo, tentei convence la de ficar com os pais mais cedo, mas foi em vão
Q: Meu amor eu já falei mil vezes, é perigoso...
R: Se é perigoso pra mim é pra você também, e se não for pra fazermos isso juntas você não vai!
C: Bom se a Rachel vai... eu também vou
Q: Ótimo, excursão agora... – sai do carro e bati a porta, Rachel também saiu e veio até mim
R: Quinn! É assim ou nós voltamos agora!
Q: Ta bom! Ta bom!
–
Entrar com a ajuda do Aiden era um tarefa simples em qualquer lugar, só havia um funcionário na recepção e Aiden fez com que ele desmaiasse. Rachel não gostava nada de me ver em ação, por que basicamente eram comandos que eu usava nas missões.
Ao invadir o computador da recepção descobri que Judy estava no quarto andar. Fomos então direto pro elevador. Ninguém realmente dizia nada, eu apenas dava os comandos e eles me seguiam.
Quando o elevador se abriu, pedi para que Aiden cuidasse de qualquer enfermeiro que estivesse por ali, o que também foi fácil, eram apenas dois e eles estavam distraídos por um filme na TV. Aiden também os apagou, e pudemos então entrar no saguão daquele andar. Haviam muitos quartos, e conforme avançávamos procurando pelo nome de Judy, Aiden cuidava para que as câmeras e sensores de presença fossem inativados. Tudo parecia correr dentro do planejado.
R: Quinn... – Rachel chamou por mim – aqui! – ela apontou pra uma porta, eu fui até la, já suava frio de nervoso. Rachel segurou o meu rosto para olhar em seus olhos, eu estava vidrada naquela porta
R: Nós vamos te esperar aqui ta bem? – eu assenti – Não demore, por favor... – Rachel beijou os meus lábios, eu fechei os olhos tentando me acalmar diante daquele turbilhão de sentimentos que percorriam o meu corpo naquele momento.
Me afastei de Rachel com certo pesar, ela sempre foi a minha rocha, mas eu sabia que aquilo era algo que eu devia fazer sozinha. Cole sorriu pra mim quando direcionei meu olhar pra ele, eles eram a minha família, aquelas pessoas eram tudo pra mim, e estavam ali, me apoiando.
Finalmente criei coragem e entrei no quarto, estava escuro, com um pequeno abajur fazendo toda a iluminação. Entrei com cuidado. Judy estava sentada em uma poltrona próxima a janela, estava de olhos abertos, mas era fácil notar que sua cabeça estava longe. Me aproximei e me ajoelhei diante dela.
Q: Mãe, sou eu... Quinn... – ela nem sequer dava sinais de que havia notado a minha presença. Passei a mão diante dos seus olhos algumas vezes, ela se mantinha longe.
Eu não pude conter que algumas lagrimas escorressem pelo meu rosto, desde que eu era pequena eu sonhava com aquele momento, e em nenhum deles imaginei minha mãe daquela forma, ela praticamente vegetava.
Peguei suas mãos com cuidado e as coloquei no meu rosto.
Q: Sou eu... Sua filha... Eu voltei... – as lagrimas se intensificaram, eu queria tanto entender
Q: Aiden... Me ajuda... – me concentrei segurando as mãos de Judy e Aiden me deu um sinal de que estava pronto. Ele nos conectou, como já fez tantas vezes antes, para resgatar as memórias da pessoas.
A primeira imagem que vi foi a de minha mãe em uma sala de testes muito parecida com as que eu costumava trabalhar. Ela parecia concentrada, ela podia mover os objetos que estavam diante dela sem toca los. “Muito bem Judy” uma voz no auto falante dizia.
Como num flashe eu a vi diante de um espelho, ela estava grávida e acariciava a própria barriga. “Pai e mãe com dons tão extraordinários... já pensaram na importância desse bebê?” Eu ouvi aquela voz do auto falante, provavelmente um médico, dizendo, “Você não vai dar conta desse bebe sozinha Judy... Deixe nos ajudar a cria lo da forma adequada, é o melhor pra ele, você sabe...” Judy parecia confusa.
Então, de repente eu vi a sala de parto novamente, a mesma que vi quando estava “morta”, Judy gritava que tinha mudado de idéia ao ver seu bebe ser levado da sala, mas ninguém parecia realmente ligar.
Vi então Harry e Susan felizes ao receber o bebe, e o mesmo médico dizia pra eles “nos avise se algo de estranho acontecer...” Eu tinha certeza, era obvio que era eu, aquela era a minha história, bem diante dos meus olhos.
Por ultimo vi minha mãe naquele quarto, ela estava sedada e a voz mandava “Aumentem a dose, certifiquem se de que ela nunca recupere a consciência”.
Eu abri os olhos, estava em prantos, era muito doloroso saber que toda a minha família havia sido vitima do DPA, e tudo isso por sermos especiais.
Q: Me desculpe... – eu tentava enxugar as lagrimas que insistiam em correr pelo meu rosto – Foi tudo minha culpa... – me levantei pra ir embora, aquilo era de mais pra mim, eu precisava ver a Rachel, abraça la, ouvir as coisas boas que ela sempre tinha pra me dizer nessas horas, mas Aiden me puxou de volta.
Q: O que foi Aiden? O que você quer me mostrar?
Foi só eu olhar pra minha mãe novamente que tudo ficou preto, nunca havia feito uma conexão como aquela antes, eu nem estava tocando Judy. Eu estava na escuridão novamente, como da ultima vez, mas era diferente, eu estava na escuridão da minha mãe. Eu logo vi Judy sentada da mesma forma que ela estava no quarto, mas Aiden a ajudou a ficar em pé. Lá ela me olhava nos olhos, ela estava muito fraca, mas era ela, o resto de vida que ela tinha estava ali, dentro da sua cabeça.
J: Minha garotinha... – ela abriu um sorriso, eu não pude me conter e corri para os seus braços, mas passei por ela como se ela fosse uma fantasma. Eu estava confusa.
J: Eu tive tanto medo de nunca te ver de novo... – ela colocou sua mão em meu rosto, mas eu não podia senti la – Eu senti tanto a sua falta, eu quis tanto estar com você...
Q: O que fizeram com você? – eu olhava em seus olhos
J: Foras as drogas que eles me deram todos esses anos... Estou presa nesse inferno... Eu não posso fazer nada... – ela perdeu o sorriso que tinha no rosto – eu só espero pelo fim...
Q: Não... Escuta.. Eu e Aiden podemos tirar você daqui, nós vamos dar um jeito...
J: É tarde de mais Quinn... – ela começava a perder a força novamente, e com isso ela ia sumindo
J: Eu amo você Quinn, você sempre foi a coisa que eu mais amei na minha vida, nunca se esqueça disso....
Q: Não, não... – eu tentava segurar sua mão, mas era impossível – MÃE!
No mesmo instante em que ela sumiu eu recuperei a consciência, ela estava ali, diante de mim, da mesma forma que antes, com o olhar perdido, ela já havia sofrido de mais. Me aproximei de seu rosto e beijei sua testa.
Q: Obrigada por esperar por mim... – disse quase que como um sussurro – eu também te amo.
Assim que eu me afastei, virei de costas, eu estava decidida a acabar com a sua dor.
Q: Acabe com isso Aiden...
E então ele imediatamente fez com que o coração de Judy parasse de bater, eu ouvi seu último suspiro e me senti em paz, não era uma decisão facil para uma filha tomar, mas foram 21 anos presa dentro de sua própria cabeça, mas agora ela estava livre.
Fui direto pra porta pra me encontrar com Rachel e Cole, tentava enxugar as lagrimas mas era em vão.
Quando abri a porta me deparei com uma cena que não esperava, haviam dezenas de policiais posicionados, e bem diante de mim estavam Rachel e Cole, presos como reféns. Havia uma arma apontada pra cabeça de Rachel e ela chorava.
Q: O que é isso?
T: Não tente nada Quinn! Qualquer movimento e os dois morrem aqui mesmo... Se mantenha calma, só queremos conversar – Eu olhava pra Rachel sem saber se reagia ou não, Aiden estava furioso.
T: Levante as mãos! – o policial que comandavam a operação pedia aos berros diante da minha inércia, eu olhei pra Rachel.
R: Por favor Quinn, obedece eles, por favor... – ela suplicava com aquele revolver apontado pra ela. Meu coração estava em pedaços, por ene motivos. Eu levantei as mãos, uma confusão se formava na minha cabeça, Aiden queria atacar todos, mas eu não podia coloca la em risco.
Dois agente vieram até mim e colocaram meu rosto contra a parede, enquanto um me revistava o outro colocou algemas nas minhas mãos.
R: Não machuquem ela, por favor! Por favor!
T: Continue cooperando Quinn, levaremos você até a central para uma reunião, tudo acabará bem se você cooperar. – Eu não acreditava naquela gente, mas até que Rachel estivesse a salvo eu não tinha opção.
T: Vamos! – o policial ordenou e então Rachel e Cole foram levados dali, ouvi Rachel esperneando por todo o caminho
R: Me deixem ir com ela! Me soltem!
T: Nos vemos em breve Quinn... – foram as ultimas palavras que eu ouvi antes de me aplicarem um sedativo. Eu apaguei.
Fale com o autor