Estar no castigo com a Rachel eram sem duvidas as melhores duas horas da minha semana, melhor até que estar no clube do coral, la a sua atenção era totalmente voltada para mim, nós conversávamos sobre os mais diversos assuntos. Eu nunca tive algo assim na minha vida, alguém que eu pudesse chamar de amiga e ao mesmo tempo, alguém que eu desejasse tanto.

Era estranho perceber que nem todos podiam vê la da forma que eu via, ela se esforçava muito pra ser aceita e respeitada naquele grupo, era triste ver ela falar em tom de derrota das surras, raspadinhas e ovadas que levou na vida por nunca ter desistido de seguir os seus sonhos.

Q: Sabe Rachel, eu até me surpreendo com essas histórias que você me conta... – disse em um tom baixo, olhando para a professora para me certificar que ela ainda dormia — Você foi tão legal comigo desde o primeiro dia, eu não entendo por que te trataram assim...

R: As pessoas nunca dão uma chance, você sabe, elas já vem com idéias pré concebidas do que é bom ou ruim pra elas, eu apenas me adaptei a essa realidade, nunca me deixei corromper, mas eu confesso que isso me deixou um pouco egoísta, tudo que eu conquisto é um passo tão grande pra mim que eu tento defender da melhor forma possível, como se fosse possível eternizar a minha “vitória” de alguma forma

Q: Eu sei, nunca é fácil, ser bem aceito ou não sempre tem o seu peso....

R: Sim... olha só pra você, alta, magra, loira, linda... eles estão prontos pra te colocar em um pedestal mas você parece não querer isso...

Q: Não mesmo...eu já tenho muitos problemas com os quais eu tenho que lidar na minha vida... Eu só quero passar por essa experiência no colégio da forma mais normal possível...

R: Você nunca menciona esses seus problemas...

Q: Está tudo bem, não vale a pena perder tempo com isso...

R: Eu posso te ajudar?

Q: Ninguém pode... — desviei o olhar — Sabe Rachel, desde muito cedo querem te fazer acreditar que a vida boa é a vida útil, aquela que de alguma forma trará o bem pra humanidade... Então eles te convencem a trabalhar para alcançar essa vida útil, e sendo assim é inevitável que você seja escravizado pela busca por esse resultado, do qual a sua utilidade se fundamenta... No meu caso a minha utilidade são as minhas correntes, e graças a elas eu provavelmente nunca poderei me formar em música, pegar uma estrada, viver a minha vida conforme as minhas regras... — voltei a buscar os seus olhos, ela parecia curiosa — Essa é uma ideia que assustaria qualquer um...

R: Tudo tem uma solução Quinn, você não tem que fazer o que seus tios, pais, ou seja la quem for querem que você faça... Você é quem deve atribuir valor a utilidade da sua vida...

Q: Você faz as coisas parecerem tão mais simples... – Eu sorri e ela sorriu de volta

R: Talvez elas sejam...

–

Eu gostava de estar a sós com a Rachel pois ela estava sempre muito ocupada e preocupada fora dali. Naquela mesma semana no clube do coral ela agia como se fosse a única capaz de salvar o grupo de uma possível derrota nas nacionais.

P: Por Deus! Eu não aguento mais ouvir a Rachel falando... – o Puck reclamava enquanto jogava a cabeça pra trás, ele sentava ao meu lado nos fundos da sala do coral

Q: Pensei que já tivesse acostumado... vocês se conhecem a bastante tempo, não?

P: Ninguém se acostuma com a Rachel... – ele sorriu e voltou a posição normal para me olhar nos olhos – soube que vocês pegaram um castigo graças a treinadora Sylvester...

Q: Sim... mas não tem problema, só falta mais uma semana....

P: Você não devia arrumar encrenca com ela...

Q: Era ela ou a Rachel... acho que não tinha como sair ilesa da encruzilhada em que elas me colocaram...

P: É verdade... mas você daria uma ótima líder de torcida... – Ele aproveitou para analisar as minhas pernas

Q: Puck!

P: Qual é a sua afinal...? Eu teria uma chance? – ele depositou a mão sobre a minha coxa, mas eu retirei rapidamente

Q: Se você tem algum juízo nessa cabeça não deveria mexer comigo...

P: Namorado bravo?

Q: Tipo isso.... – Eu sorri pela definição

P: Nunca tive problema com namorados... – ele me encarava com um sorriso bobo

Então a sua cadeira tombou pra trás fazendo com que todos se virassem para nos olhar, incluindo a Rachel que teve o seu monólogo interrompido.

P: Droga de cadeira! – Todos riam dele, obviamente tinha sido a Aiden, mas ninguém nem sonhava com essa possibilidade

R: Se você parasse quieto Puckerman... — Rachel dizia com as na cintura

P: Se você falasse menos Berry...

F: Ei!! – Finn se levantou – Acho que já esta bom por hoje Mr. Schue...

Mr: Concordo com você Finn, continuamos na semana que vem!

P: ótimo! – Puck se levantou e foi saindo da sala, assim como outros alunos.

–

Eu guardava algumas coisas na minha mochila quando Finn se aproximou

F: E ai Quinn... como é ser a novata mais requisitada de todos os tempos?... – ele sorriu

Q: Eu? Do que você esta falando?

F: A treinadora ofereceu um premio pro jogador do time que conseguir te trazer pra cheerios... – nós dois rimos

Q: Isso só pode ser brincadeira.. essa mulher...

F: Ela é inacreditável, eu sei... por isso achei bom te avisar, não estranhe se ficarem no seu pé...

Q: Obrigada...

R: Finn! O que você esta fazendo? Vamos embora... – a Rachel interrompeu visivelmente irritada

F: Calma Rachel, vamos esperar a Quinn...

R: Você quer que eu chegue atrasada na minha aula de Ballet?

Q: Podem ir... eu to bem....

F: Ok então... até mais Quinn... – ele me abraçou

Após as despedidas os dois saíram de mãos dadas pelos corredores, Rachel falava sem parar no mesmo tom irritado que antes com ele. Eu apenas observava de longe enquanto caminhava também em direção a saída.

S: não cai nessa Fabray... – Santana me surpreendeu ao surgir do meu lado

Q: O que?

S: você gosta dela...

Q: Claro que não Santana... – Eu ri tentando disfarçar ao máximo a tensão causada pó aquela afirmação

S: Qual é Fabray... teria que ser muito idiota pra ficar no clube do coral e frequentar voluntariamente aquele castigo se você não pretendesse entrar naquelas saias... e eu não vou nem comentar os seus olhares nos ensaios...

Q: Você é muito criativa... não sei nem o que dizer...

S: Não diga nada... – ela deu um tapinha nas minhas costas e saiu

Por um momento então eu parei para pensar no que estava fazendo, talvez ela estivesse irritada por que assim como a Santana, percebeu que talvez eu estivesse interessada, como eu era burra, o que eu estava esperando, que ela viesse correndo pros meus braços?

–

As responsabilidades das quais eu falei com Rachel se traduziam em noites como aquela, fui acordada as pressas pelo Nathan, e antes que eu me desse conta já estava com ele no carro, chovia muito. Eu nunca tinha tido que fazer nada tão perigoso antes de entrar no McKinley , claro, agora eu tinha 16 anos, e a cada ano que passava eles esperavam mais de mim.

N: O governo criou o DPA, uma organização pra estudar o inframundo... Eles criaram uma maquina, o condensador, que é capaz de abrir uma passagem para o outro lado

Q: Eles abriram uma passagem....? – olhei pra ele incrédula – pro mundo do Aiden?

N: Sim... e algo aconteceu hoje mais cedo, algumas entidades escaparam do sistema de segurança e atacaram os pesquisadores, ficou impossível desativar o condensador... Todas as equipes de salvamento não retornaram... eles me ligaram pedindo ajuda... — Nathan respirou fundo — eu disse que você era apenas uma criança, que era muito perigoso, mas eles sabem que só você sabe lidar com essas coisas que vem do outro lado

Conforme nos aproximávamos do prédio o caos ia ficando maior, varias ambulâncias piscavam encostadas pela rua, dezenas de soldados fortemente armados controlavam a entrada e saída de pessoas. Nathan se identificou e então fomos até a porta do edifício

N: Quinn! Se você não souber como resolver essa bagunça você me avisa e eu te tiro de lá...

Q: Ta tudo bem.. Eu vou conseguir – Eu desci do carro e comecei a me aproximar, na verdade não estava tudo bem, eu estava apavorada, sabia do que aquelas entidades eram capazes, e os corpos em macas ao meu redor só me faziam ter certeza de que aquilo não era brincadeira. Eu podia ouvir os oficiais comentando “essa é a garota?” “o que pode acontecer com ela?”, mas eu respirei fundo e só continuei caminhando, Nathan foi ao meu lado até a porta principal

N: O condensador esta no ultimo andar do subsolo, eles me disseram que você deve encontrar a sala de controle e desliga lo, só isso pode parar essas coisas... – Eu apenas assenti. Ele segurou os meus ombros e olhou fundo nos meus olhos – Quinn, as entidades la dentro não são como o Aiden, elas são das profundezas do outro lado, não sabemos praticamente nada sobre elas... — eu deu um sorriso fraco enquanto lhe devolvia o olhar

Q: Eu tenho vivido com uma entidade e não sei nada sobre ela desde que eu nasci... Não se preocupe, eu não planejo morrer hoje... – Ele me abraçou forte

N: Tenha cuidado...

–

Conforme eu ia entrando a quantidade de sangue no chão aumentava, parecia que varias pessoas haviam sido arrastadas ali

Q: Aiden, fica perto de mim ta?

Fui até o elevador e apertei o botão algumas vezes, ele parecia preso em algum andar, era a minha única passagem

Q: Aiden, veja o que pode fazer...

Ele então desceu alguns níveis e pode ver que o corpo de um funcionário não deixava a porta fechar, ela ficava batendo nele insistentemente. Aiden conseguiu empurra lo pra dentro, então o elevador pode voltar a operar.

Quando ele chegou no andar que eu estava e as portas se abriram, eu me assustei com aquele corpo estatelado, aquelas coisas pareciam realmente muito agressivas. Tive que entrar com cuidado e apertar o botão do subsolo.

–

Quando a porta abriu me deparei com uma situação muito pior do que havia visto la em cima, o andar estava muito escuro, revirado e repleto de corpos no chão. Comecei a entrar com cuidado e me escondi atrás de uma mesa ao perceber que havia movimento no fundo da sala. Aiden me mostrou que varias entidades pairavam sobre aquele local, nós estávamos nos esforçando ao maximo para não sermos notados.

Agachada, eu comecei a andar por debaixo das mesas, Aiden me ajudava retirando alguns obstáculos do caminho. Eu já havia superado o meu medo do escuro, mas o meu coração estava acelerado, aquelas coisas podiam ser bem assustadoras.

Nós conseguimos passar para o segundo pavilhão, onde estava o condensador e a sala de controle. O Aiden indicou para que eu tocasse em um dos corpos que estavam pelo chão para que eu pudesse ver com o que estávamos lidando. Quando eu toquei meus olhos se reviraram, meu corpo enrijeceu, de alguma forma o Aiden podia fazer com que eu acessasse as ultimas memórias daquele homem.

Eu pude ver varias pessoas correndo desesperadas da sala de controle, aquele homem era um deles, ele tentou alcançar o elevador, mas uma névoa preta o rodeou e o arrastou de volta pra dentro, onde ele foi arremessado algumas vezes contra a parede.

Quanto eu recuperei a consciência pude compreender o motivo de haver tanto sangue pelas paredes...

Eu entrei na sala de controle com certa dificuldade por haviam muitas entidades rondando o local. O painel de controle era bem complexo e repleto de botões, a visibilidade estava baixa, eu pedi para que o Aiden me desse cobertura. Tarde de mais, um dos médicos havia sido possuído por uma entidade, e eu não percebi quando ele se levantou atrás de mim, antes que o Aiden pudesse impedir, ele me agarrou por trás e começou a me afastar da mesa me apertando com muita força.

Nesse momento outras entidades perceberam a nossa presença e começaram a nos cercar, eu não era como qualquer um, eu tinha a energia de que eles precisavam.

Aiden começou a lutar para afastar as entidades enquanto eu tentava me livrar do médico. Comecei a empurra lo pra trás até encostarmos na porta de vidro , ele então levou uma de suas mãos ao meu pescoço e começou a apertar com força, em uma questão de segundos eu estava sem ar, e me debatia tentando me libertar. Aiden então passou por nós e quebrou o vidro onde o médico estava apoiado, quando caímos no chão ele me soltou e eu pude alcançar um dos cacos de vidro que estavam no chão. Sem pensar comecei a golpear o médico possuído que não desistia de tentar me segurar, os golpes que eu dava nele não pareciam adiantar de nada .

Uma outra entidade empurrou um dos armários de ferro na minha direção, como eu estava sobre o médico eu pude me levantar e me afastar a tempo, mas o armário o acertou em cheio. Foi quando eu finalmente tive a chance de correr para a mesa novamente. Não havia mais tempo a perder, era uma questão de tempo até outra entidade tentar me matar.

Fui direto na caixa de força e puxei todos os fios, pude ver pelo vidro então uma forte luz brilhando no condensador, a fenda que estava aberta agora se fechava aos poucos, e um forte vento sugava tudo em sua direção. Tive que me agarrar a uma das barras de ferro da tubulação para não ser arrastada. Cadeiras, vidros, portas, e as entidades que pairavam no ar todas foram sugadas para aquele buraco que ficava cada vez menor até então finalmente se fechar.

–

Finalmente o silencio, não haviam mais sinais de movimento, a escuridão era total. Fui tateando o chão até conseguir um apoio para me levantar

Q: Aiden??

Comecei a caminhar

Q: Aiden?? Onde você esta??

Foi quando eu pude sentir a sua presença ao meu redor pela primeira vez após o fechamento da fenda

Q: Droga Aiden! Eu achei que tinha te perdido! Não saia de perto de mim, nunca!

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Certamente foi uma vitória muito comemorada, eu tinha apenas 16 anos e tinha impedido uma catástrofe comparável a uma bomba atômica. Eles achavam que poderiam lidar com o que havia do outro lado, mas eles não tinha noção do poder do inframundo. O DPA recebeu uma amostra do que estava por vir se os testes continuassem naquela noite, e o governo ganhou alguém capaz de limpar a bagunça.

Notas finais
Prometo mais pedaços importantes da stoyline faberry nos próximos dois capítulos! Esse capitulo foi importante para entenderem o futuro da Quinn! COMENTEEM!