Era o ultimo dia do castigo, eu me sentia um pouco idiota por estar chateada por isso, mas talvez a Santana tivesse razão, eu estava dando muito na cara, e a Rachel tinha um namorado, eu tinha que respeita la. Então, prometi a mim mesma que daria mais espaço a ela depois daquela experiência, embora fosse uma tarefa tremendamente difícil.

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Nós conversávamos sobre um pouco de tudo, como sempre, quando a Rachel arregalou os olhos e apontou pro meu pescoço

R: Quinn o que é isso!? – Ela se referia aos roxos na minha pele, graças a luta com o médico quando tentava desligar o condensador na noite anterior.

Q: Isso? Ah, eu devo ter dado um mal jeito.... na aula de educação física... – Eu dizia com certo nervosismo, não estava esperando que ela percebesse

R: Quinn a aula de educação física foi segunda feira, hoje é quinta! E você não estava com essa marca ontem...

Q: Você fica reparando sempre na minha nuca? – ri sem opção

R: Quinn, não mude de assunto! – Ela se irritou – o Finn me falou sobre a proposta da treinadora Sylvester aos alunos do time de futebol... você esta saindo com algum deles?

Q: Não...

R: Anda... você pode me contar... nós somos amigas, não somos?

Q: Somos, claro.... mas eu não estou saindo com nenhum jogador...

R: Então o que é isso? Tem haver com os seus “problemas” ?

Q: É... digamos que sim...

R: Anda Quinn... me contaa – ela balançava o meu braço suplicante, eu não queria mentir pra Rachel, mas também não queria dizer a verdade, graças a festa que eu fui na casa da Kris nos meus 12 anos eu tinha um certo trauma de me abrir para as pessoas..

R: Você ta namorando e não quer me contar... – ela cruzou os braços

Q: Rachel... – eu passei a mão na cabeça – eu não quero nenhum desses caras, entenda... – respirei fundo – Eu sou gay....

R: Você o que? – ela me olhou surpresa – quer dizer... me desculpa... eu devia ter confiado em você, eu sou muito teimosa...

Q: Ei.. ta tudo bem, eu to te contando isso justamente pra você ver que eu confio em você, eu te contaria se fosse verdade... eu só me machuquei de alguma forma...

R: Tudo bem, eu fui uma idiota... — ela desviava o olhar de mim, estava visivelmente envergonhada

Q: Não! Ta tudo bem, de verdade...

R: Nossa... eu confesso que estou surpresa... você não parece lesbica... — ela voltou a me olhar no olhos

Q: Eu só acredito que não seja necessário gritar isso pelos quatro cantos, eu sou apenas eu...

R: Eu estou me sentindo péssima... – ela pegou a minha mão – me desculpa

Q: O que foi Rachel? eu já disse...

R: Não... – ela me cortou — não por isso... é que você tem sido tão legal e verdadeira comigo, mas eu não fui com você.. eu preciso tirar esse peso das minhas costas...

Q: Como assim...? – olhei em seus olhos, ela continuava olhando pras nossas mãos

R: Eu me senti ameaçada quando você chegou, você é tudo que qualquer garoto sempre quis, a amiga que qualquer gostaria de ter... Por isso eu fiz de tudo pra você não deixar o glee clube, quer dizer... nós somos fracassados, todos sabem disso... se você saísse e se tornasse uma cheerio, era questão de tempo pro castelo que eu construí desabar sobre mim... eu me esforcei muito pra ter os amigos que tenho hoje, pra me tornar namorada do Finn, e de repente você chegou e abalou a minha confiança....

Q: Nossa Rachel... eu não sei nem o que dizer...

R: Só me desculpa por favor, eu realmente quero ser sua amiga... eu gosto de você... e eu não aguentava mais ouvir você dizer a pessoa incrível que eu era enquanto eu “armava” pra você... por isso quero que você saiba o real motivo de estarmos aqui nesse castigo, o meu egoísmo...

Q: Rachel, você é uma boa pessoa... – levantei o seu rosto e a fiz olhar nos meus olhos – a melhor que eu poderia conhecer aqui... eu entendo a sua insegurança, eu sei o que você passou... e eu estou muito feliz que você tenha me contado isso...

R: Amigas?

Q: Claro! – Ela me abraçou forte, confesso que não esperava por isso, ela acabava de me chamar de amiga e lá estava eu entorpecida pelo seu perfume

R: Na verdade... – ela se afastou de mim – eu acho que você devia aceitar o convite ad treinadora, você seria uma cheerio incrível...

Q: Eu não quero isso... eu estou onde eu deveria estar – ela sorriu

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Eu e Rachel saímos juntas da escola naquele fim de tarde, nós não morávamos tão próximas mas boa parte do caminho que fazíamos era o mesmo. Ela andava se equilibrando pelos paralelepípedos enquanto me contava todos os seus planos Nova Yorkinos. Nós estávamos perto da auto estrada e tudo parecia calmo, poucos carros passavam por ali naquela hora e nós éramos as únicas andando a pé, o vento que corria entre os nossos corpos me fazia ajeitar o casaco inúmeras vezes, mas a Rachel estava totalmente tranqüila, eu podia perceber que era quase terapêutico para ela falar daquela forma.

Quando nos aproximamos da curva no fim da rua eu senti um arrepiu na espinha, algo estava errado. Eu nem tive tempo de processar esse pensamento corretamente quando avistei um caminhão vindo na nossa direção a toda a velocidade, a essa altura estávamos eu e a Rachel exatamente na curva daquela rua e não haveria tempo de sair dali. Sem pensar eu a puxei e abracei com força, me colocando de costas para o caminhão que vinha em alta velocidade, ela me abraçou com a mesma força e fechou os olhos, tudo aconteceu muito rápido.

Q: Aiden! — foi tudo que consegui dizer

O caminhão atingiu em cheio a barreira protetora que Aiden havia projetado sobre nós. Ao olhar pra trás eu vi tudo acontecer como se estivesse em câmera lenta. Vi a frente do caminhão se destruir, amassar como uma sanfona, como se ele fosse apenas uma lata de sardinha. E isso tudo bem diante dos meus olhos, a uma questão de 10 a 12 centímetros do meu corpo.

Rachel só abriu os olhos alguns segundos após o barulho impacto, ela esperava ser atingida e não entendia por que ainda estava de pé. Ela olhava boquiaberta aquela cena ainda se mantendo fortemente presa a mim. Voltei meu olhar pra ela, minhas mãos tremiam tanto quanto as suas.

Q: Ta tudo bem Rachel... Ta tudo bem... – segurei o seu rosto – olha pra mim! – mas ela mantinha o olhar fixo no caminhão com a frente destruída parado bem atrás de mim.

Q: Rachel você ta bem? – Ela me segurava com tanta força que meu braço já começava a doer – vem Rachel... senta aqui um pouco... – fiz com que ela desse alguns passos pra trás e se sentasse no paralelepípedo.

R: Quinn por que nós estamos vivas? Por que aquela coisa não nos atingiu? – ela mantinha o olhar vidrado

Q: Esta tudo bem! Olha, eu vou te explicar tudo, mas nós precisamos sair daqui... – ates que eu pudesse segurar Rachel desmaiou e seu corpo caiu pela calçada

Q: Rachel! Rachel! – ela aos poucos recuperava a consciência – eu já vou te tirar daqui, espera um minuto!

Me afastei dela e fui até o caminhão ver se podia ajudar alguém, mas a cabine havia sido totalmente amassada, e eu podia ver que o motorista não havia resistido, havia muito sangue pelo painel e já nenhuma luz em volta do seu corpo, eu não podia fazer nada.

Ao tocar uma parte descoberta do seu braço meus olhos reviraram e o meu corpo enrijeceu, eu estava acessando as suas ultimas memórias. Pude ver flashes daquele homem em um bar, amigos ao seu redor, ele parecia feliz mas seu coração doía de saudade, ele pensava muito em sua mulher e filhos naquele momento... Ele foi pro caminhão com algumas latas de cerveja, ele dirigia com o som muito alto, ele bebeu enquanto dirigia... e a ultima coisa que eu vi fomos eu e Rachel no final da rua, sob uma imagem muito confusa e embaçada.

Recuperei a consciência, eu respirava ofegante, e por mais assustada que eu tivesse eu precisava cuidar da Rachel

R: Quinn! Cade você?

Voltei pra onde a Rachel estava e a ajudei a se levantar

Q: Anda, nós precisamos ir embora, você consegue andar? – ela assentiu

Eu a abracei e seguimos o caminho com pressa, Rachel não dizia uma palavra, o que era completamente estranho pra mim. E eu também não sabia o que dizer, estava muito assustada.

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Nós estávamos sozinhas na casa dos Berry, eu achei ótimo que seus pais não estivessem lá, a Rachel estava muito nervosa e podia falar algo que não devia. Ela continuava quieta. Fomos até o seu quarto e ela sentou na borda da cama, eu fiquei parada na sua frente pensando no que diria. Ela mantinha o olhar pro chão.

Q: Fala alguma coisa, por favor... — finalmente quebrei o silencio

R: Alguma coisa aconteceu Quinn... Alguma coisa parou o caminhão, nós duas tínhamos que estar mortas, ele não conseguiria parar...

Q: Ei! Calma! – me agachei na sua frente e me apoiei sobre os seus joelhos, olhei em seus olhos e pela primeira vez ela correspondeu o olhar

R: Quinn ele não atingiu nenhuma mureta, ele não bateu em nenhum lugar, você viu o estado que aquele caminhão ficou...

Q: Ele estava bêbado Rachel... ele teria morrido de qualquer forma naquela curva...

R: Han? Como você sabe que...

Q: Eu não sei nem por onde começar... — interrompi — Sei que é extremamente confuso.... mas você não morreria hoje, não por estar do meu lado... era o seu destino

R: O que? – ela me olhou com estranheza , eu respirei fundo

Q: Eu tenho uma entidade... O nome dele é Aiden, e ele esta preso a mim de alguma forma, e pode me proteger... Foi o que ele fez hoje, o caminhão bateu contra ele e não em nós...

R: Uma entidade?

Q: Sim, é como se fosse um espirito que me acompanha, por isso eu acabei desenvolvendo um lado sobrenatural muito forte... — passei a mão no meu próprio cabelo, estava nervosa por dizer aquelas coisas a ela — Eu te disse que os meus problemas eram complexos, eu tenho lidado com isso desde que eu nasci...

R: Ele sabia que isso ia acontecer?

Q: Não antes, mas ele pode sentir na hora...

R: Eu não entendo... — ela deitou o corpo sobre a própria cama, ela parecia transtornada — Fomos salvas por uma entidade? e ele esta ligado a você.... isso é... tão confuso...

Q: Eu sei... – a interrompi – por isso mesmo eu exitei em te contar a verdade quando você perguntou pelo o que eu estava passando naquela tarde no castigo... eu moro na base, essa minha "anomalia" é objeto de pesquisa... eles tentam entender o que acontecesse comigo e com o Aiden, mas algo assim não é simples... não são todas as pessoas que são capazes de entender, de aceitar, e eu não estou te pedindo isso... eu só quero uma coisa...

R: O que?

Q: Que você não conte pra ninguém, nunca, nem sobre o acidente de hoje... Se souberem que você esteve la vão querer explicações.... E você não faz ideia do quão cruel as pessoas podem ser com gente diferente como eu... eu já estou cansada...

R: Tudo bem...

Q: Você vai ficar bem?

R: Eu acho que sim...

Q: Acho melhor eu te deixar um pouco sozinha então... – me levantei – se você quiser, não importa quando, falar sobre isso, eu estou a sua disposição...

R: Não! Quinn! Eu não quero ficar sozinha, eu to com medo... Por favor, fica um pouco aqui

Q: Se você prefere assim... – me sentei ao seu lado, ela continuava em silencio – você devia tomar um banho, eu arrumo algo pra você comer... descansar... você não ta normal Rachel, seus pais vão acabar percebendo...

R: Você tem razão...

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Rachel havia colocado Funny Girl, ela disse que era o seu filme favorito de todos os tempos e que com certeza nos acalmaria, mas nós acabamos pegando no sono, a tensão e estresse emocional naquela tarde haviam sido intensos.

Nós duas estávamos deitadas lado a lado em sua cama , e eu senti quando ela se virou pra mim e agarrou o meu braço, eu abri os olhos por um momento e vi que ela dormia tranquila. Eu podia ser uma idiota, mas eu estava muito feliz naquele momento, a Rachel não tinha surtado ao saber do Aiden e agora ela estava ali, deitada comigo. Tirei a mecha de cabelo que cobria o seu rosto e pude admirá-la de uma forma que nunca tinha feito antes. É, talvez eu fosse uma idiota, mas mesmo depois de tudo eu estava feliz.

Notas finais
Capitulo meio tenso, eu sei... mas muito importante! espero que estejam gostando! COMENTEM por favor!