Entre duas almas
7 Fugas
Eu podia amar a Rachel por um milhão de motivos, mas com certeza a forma como ela me fazia sentir aceita era o principal deles. Ela me quis por perto, ela gostava de mim como eu era, e não por que eu podia lhe dar algo especial ou experiências sobrenaturais, ela gostava de mim, ela foi a primeira pessoa que se interessou em saber quem era Quinn Fabray.
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Eu tinha poucas lembranças de antes da base, mas quando eu era pequena, até os meus 6 anos, eu morei com pais adotivos. Sara era muito gentil comigo e era capaz de me amar como um filha, mas ela tinha feridas, era uma mulher que não podia ter filhos o que deixou o seu marido muito frustrado.
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S: Quinn... você vai ficar ai o dia todo? – Sara parou atrás de mim ao me ver debruçada sobre a janela, eu observava os flocos de neve caindo sobre a nossa varanda, eu jamais me esqueceria daquele natal.
Q: Você vai brincar comigo? – me virei pra ela
S: Mais tarde! Eu preciso preparar o jantar querida...
Q: Tudo bem... – disse um pouco decepcionada, eu acabava muito sozinha por meus pais não deixarem eu brincar com as crianças da rua
S: Que tal um abraço? – Ela estendeu os braços e eu corri até ela, era tão bom te la por perto.
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Brincar sozinha era uma tarefa difícil, quando eu estava com as minhas bonecas ou ursinhos, Aiden sempre queria me provocar derrubando as coisas, virando a cabeça das bonecas ao contrario, escondendo as coisas e me dando sustos... As vezes podia ser divertido, mas as vezes eu também queria saber o que era ficar sozinha.
Naquele dia eu decidi que brincaria na neve, no quintal dos fundos, claro, era o único lugar que era permitido pra mim, pois meus pais acreditavam que as cercas e impediram de interagir com outras crianças.
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Aiden me balançou um pouco enquanto eu passava as botas pela neve sentada no meu balanço, mas aquilo era muito chato. Eu podia ver que na rua alguns garotos brincavam na neve, e eu estava extremamente curiosa sobre isso. Finquei meus pés no chão, parando o balanço, e fui até a cerca. Antes que eu pedisse, Aiden soltou uma das madeiras da cerca que me separava da rua. Eu olhei pra trás e vi que minha mãe ainda estava entretida com o jantar e descobri o momento perfeito de passar pro outro lado.
Os garotos corriam animados e atacavam bolas de neve uns nos outros.
G: Vem brincar Quinn!! Se esconda rápido, antes que te acertem!! – Um deles disse ao me ver. Eu fiquei muito feliz pelo convite, e sem pensar muito entrei na brincadeira.
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Após algum tempo de corrida, eu entendi o espírito da coisa e então passei a atingir em cheio os meninos que eram uns 2 ou 3 anos mais velhos do que eu. No começo foi divertido, mas depois eles passaram a se incomodar um pouco com o meu bom desempenho e então a brincadeira passou de guerrinha a perseguição a pequena garotinha. Continuei correndo e me divertindo muito, eles se esforçavam mas não conseguiam me pegar, eu era muito rápida. Foi então que eu tropecei em uma pedra que estava coberta pela neve, e cai no chão. Só assim eles puderam me alcançar.
G: Peguem ela!! Hora da vingança!! – eles riam
Dois garotos seguraram os meus braços quando um terceiro se aproximou e acertou em cheio uma bola de neve na minha cara, tudo bem, eu havia provocado. Quando ele se preparou para arremessar uma segunda bola de neve Aiden o atacou, ele nunca tinha sido agressivo dessa forma antes, ele fez com que o garoto ficasse sufocado, e em pouco tempo ele caiu de joelhos na neve, tentando se livrar daquilo que ninguém podia ver. Os outros garotos ficaram assustados, me soltaram e se afastaram um pouco.
Q: PARA! PARAAA! – quando eu gritei Aiden parou e o menino pode então voltar a respirar.
G: O que você fez comigo? – ele me olhou nos olhos ainda ofegante – O QUE VOCÊ FEZ COMIGO SUA BRUXA?! – todos me olhavam assustados – ela tentou me matar... vocês viram isso?!!

Permaneci calada, eu não sabia o que dizer. Foi quando vi meu pai adotivo, Harry, que acabava de chegar do trabalho. Ele viu que algo estava errado e se aproximou de nós com pressa
H: Quinn! Venha já pra ca! – ele me pegou pelo braço – Vamos já pra casa!
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Ele parecia nervoso, eu não devia estar la fora. Quando entramos ele bateu a porta com força, o que fez com Será viesse imediatamente ao nosso encontro
S: O que aconteceu? – Harry ainda me carregava pelo braço sala a dentro
H: O que você estava fazendo na rua? Você sabe que não pode sair do quintal!
Q: As outras crianças estavam brincando.. eu só queria me divertir! – Me soltei e fiquei diante deles
H: O que você fez com aquele garoto?! – Ele se mantinha sério enquanto apontava em direção a rua
Q: Eu não fiz nada! Aiden fez isso.. ele estava tentando me proteger, ele pensou que...
H: Eu estou cansado de suas histórias! – Harry me interrompeu aos berros – Quinn dessa vez você vai aprender uma lição!
Harry se aproximou de mim com a mão erguida para me bater, ele me segurou com força
S: Para Harry! — Sara disse tentando se aproximar
Antes que ele me atingisse Aiden derrubou alguns quadros da parede e fez com que a nossa arvore de natal e luzes se apagassem. Quando a TV ligou sozinha Harry me soltou, ele estava ofegante e visivelmente assustado.
H: Vai pro seu quarto... agora!
Eu atendi o seu pedido e subi as escadas correndo, eu não tinha culpa de nada que estava acontecendo.
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Mais tarde Sara veio até o meu quarto, eu já estava pronta para dormir. Ela se sentou ao meu lado na cama.
S: Tente dormir um pouco meu amor... tudo vai estar melhor de manha... – ela deu um beijo na minha testa e se levantou – Boa noite! – Ela apagou o abajur ao lado da minha cama e foi em direção a porta.
Q: Mamãe! – ela parou – eu estou com medo dos monstros... eles vem me pegar...
S: Querida você sabe que monstros não existem... Mas eu vou deixar a porta aberta, esta bem? – eu assenti.
Assim que ela deixou o quarto Aiden acendeu o abajur ao lado da minha cama novamente.
Q: Sai daqui! — esbravejei — Isso tudo é sua culpa! É sua culpa que os meus país não me amam! Vá embora!! – disse já com os olhos cheios de lagrimas enquanto me virava de bruços para chorar com a cara no travesseiro.
Aiden se afastou naquele momento, ele desceu até a cozinha onde meus pais estavam e ficou lá quietinho observando a cena que se formada, eu tenho certeza que ele não queria causar tanta confusão, mas eu era pequena, era muito difícil compreender.
S: Você não devia ficar bravo com ela Harry... – Sara disse ao se aproximar – Ela é só uma garotinha...
H: Uma garotinha? Você viu o que ela pode fazer... – Sara respirou fundo e se virou para deixar a cozinha
H: Sara ela não é apenas uma garotinha... ela é um monstro!
S: Não fale dela dessa forma! – Ela se virou já irritada para o enfrentar
H: As coisas que acontecem perto dela estão ficando cada vez mais fortes... – Harry segurou os braços de Sara – Pelo amor de Deus! Nós não podemos lidar com isso...
S: Não seja ridículo.. – ela se soltou do marido e se sentou na cadeira próxima da mesa.
H: Sara! Essa coisa é como um animal que não podemos controlar... é como viver com um demônio de baixo do próprio teto... é perigoso! – Sara se debruçou sobre a mesa chorando
H: Isso tem que acabar, e tem que acabar agora! Antes que nós fiquemos loucos ou até que isso nos mate...
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No dia seguinte do (quase)acidente, Rachel tentava agir normalmente na escola. Eu me preocupava muito com a recuperação dela, que com certeza, nunca tinha passado por uma situação como aquela.
Q: Ei você ta bem? – Me apoiei no armário ao lado do seu enquanto ela guardava alguns livros
R: Sim... Por que você foi embora sem avisar?
Q: Fiquei com medo que seus pais chegassem... você estava dormindo tão bem, achei melhor não atrapalhar...
R: Obrigada por ter tido paciência comigo... – ela fechou o armário e olhou pra mim
Q: Acho que era eu quem devia dizer isso... não?
R: Não.. você manteve a calma... claro que eu preciso colocar a minha cabeça no lugar, mas a sua discrição me ajudou muito
Q: Sem problemas...
F: Rachel! – Finn surgiu atrás da morena e chamou a nossa atenção – onde você estava? Não me ligou depois da aula ontem...
R: Me desculpa... – ela deu um selinho nele – eu estava com a Quinn...
F: Oi Quinn.. – ele me olhou com certa estranheza
R: Nós estamos estudando pra prova de história juntas... não é Quinn? – Ela se virou com um sorriso lavado
Q: Sim... Claro...
F: Ok... Ah, Quinn Puck ta insistido bastante pra eu te convidar pra ir no Bread Stix com a gente hoje a noite... que tal?
Q: Eu não sei... Eu não posso sair muito a noite...
F: Qual é! A gente te busca...
R: Você já parou pra pensar que talvez ela só não queira sair com o Puck....? – Rachel riu de seu próprio comentário, deu de ombros e entrelaçou sua mão com a do Finn
Q: Não é isso...
F: Não – Finn me cortou – relaxa... vamos todos como amigos...
Q: Ta, eu vou pensar... sério... preciso ver com os meus tios.. eles são meio chatos quanto a isso...
R: Vamos Quinn! Vai ser divertido... se você quiser pode ir dormir na minha casa! Fazemos uma noite das meninas! – Ela parecia muito entusiasmada
Q: Eu não sei... eu vou ver e ligo pra vocês!
Eu não queria decepciona la, ela fazia tanta questão da minha presença... Mas talvez não fosse o meu passeio predileto estar com ela e Finn ao mesmo tempo, aquilo me incomodava. Ele era tão legal comigo e tudo que eu podia pensar era na sua namorada me beijando. É isso era bem estranho.
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Como já era esperado por mim, Nathan não queria deixar que eu saísse com meu amigos a noite.
Q: Por favor Nathan! Por favor! Eu não mereço isso?
N: Quinn! Você é a nossa garotinha, eu não posso deixar que nada te aconteça... nós temos grandes responsabilidades...
Q: Por Deus! Eu tenho 16 anos Nathan! Eu só queria ser uma garota normal, uma noite... — me sentei bastante irritada no sofá no meu quarto
N: Você não é uma garota normal e você sabe disso... — cruzei os braços e virei o rosto, Nathan se sentou do meu lado
N: Não conhecemos esses rapazes... e não é momento pra você se envolver com um deles...
Q: Eu não quero nada disso! Eu só não queria desapontar a Rachel, ela até me convidou pra dormir na sua casa...
N: Eu sei que você esta empolgada com a nova amizade... Mas como você lidaria com isso se as entidades viessem atras de você essa noite? — permaneci calada, de certa forma ele tinha razão, não tinha como eu expor a Rachel a esse perigo, eu não queria traumatiza la mais.
N: Por mais que ela saiba sobre o Aiden é tudo muito complicado, você sabe... tem que dar tempo as coisas....
Q: Esse é o problema, eu sempre espero, eu sempre dou um tempo, sempre... eu estou cansada....
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Eu não mentia, cheguei em um ponto decisivo onde ou eu corria atras da minha vida ou eu a perderia por completo para o governo. Eu queria sair, e por mais que fosse contra a vontade do Nathan e do Cole, e eu os amasse muito, eu tinha que fazer algo, pelo menos uma vez.
Já eram quase oito horas, eu havia acabado as minhas lições. Todos esperavam que eu me preparasse pra dormir. Mas eu conhecia aquele lugar, eu cresci ali. De sexta feira Nathan ia mais cedo pra casa, então Cole cobria o turno da noite monitorando as câmeras do meu quarto enquanto analisava os progressos diários das pesquisas. Tirando ele a base ficava basicamente vazia, somente alguns poucos guardas ficavam no local.
Q: Distrai ele Aiden... — pedi enquanto buscava o meu celular na mochila
Aiden atravessou a parede e foi até a sala de comando onde Cole mexia em alguns papeis. Aiden então derramou a xícara de café que estava sobre a mesa, fazendo parecer que foi um acidente, então Cole se levantou para limpar. Ótimo, essa era a minha deixa.
Q: Alô? Rachel?.... to ligando pra falar que eu vou hoje sim.... mas eu vou ter que fugir da base então vou precisar que me peguem perto da estrada..... certo.... não diga nada sobre a base pro Finn está bem?
E pela primeira vez Quinn Fabray se rebelaria por Rachel Berry.
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