Entre a Razão e o Coração
2 Capítulo 1
Notas iniciais
A consciência do que havia acontecido atingiu-o como um golpe. Estava furioso consigo mesmo, não era a primeira vez que isso ocorria, porém não esperava que voltasse a acontecer tão cedo.
_ Droga! – disse bem alto, batendo os punhos na cama desfeita.
Tudo não passou de um sonho, pensava ele. Havia sido tão real. Ainda podia sentir o aroma de Sara em seu corpo, a pele macia e quente sob suas mãos. Respirou fundo, tentando controlar a fúria que o invadia. Não era a primeira vez que isso lhe acontecia, na verdade esses sonhos vinham se tornando freqüentes, e era difícil olhar Sara nos olhos e não lembrar- se deles.
_Sara...
Sabia que a perita nutria um sentimento por ele, ela mesma já havia lhe dito no dia em que fora detida por dirigir embriagada.
Deixou-se levar pelas lembranças daquele dia que se tornara a realização de um sonho e o início de uma luta que travava todos os dias consigo mesmo. Lembrava-se muito bem de ter entrado na delegacia e a ter encontrado sentada na cadeira sozinha, desamparada. Aproximou-se dela, sentou-se ao seu lado e segurou a mão macia de Sara, sentindo uma corrente elétrica a percorrer-lhe todo o corpo.
_ Anda. Eu te levo para casa. – disse Grissom envolvendo a cintura de Sara com uma das mãos, enquanto encaminhavam-se em direção ao carro. Queria imensamente saber o porquê de ela agir dessa forma. Após começar a sair do estacionamento, já dentro do veículo, Grissom quebra o silêncio sepulcral instalado entre eles.
_ Porque você fez isso? – perguntou sem olhar para ela, apenas para o percurso que faziam.
_ Hum? – Ela estava perdida em seus pensamentos. – O que você perguntou?
_ Eu perguntei, porque você fez isso Sara. Você tem agido de maneira estranha...
Sara o interrompeu, havia percebido onde ele queria chegar.
_ Não é da sua conta!
_ Você está enganada. É da minha conta sim, sou o seu supervisor, portanto responsável por você e seus atos dentro e fora do laboratório.
Sara que até aquele momento olhava a paisagem noturna de Las Vegas pela janela, lançou um olhar furioso para Grissom.
_ Este é o ponto Grissom. Você é o meu supervisor e não meu namorado ou marido, portanto não te devo explicações. – Sara deixa escapar um longo suspiro. – Será que você é tão cego, a ponto de não perceber o que está bem a frente do seu nariz?
_ O que você quer dizer com isso? – Grissom perguntou arqueando a sobrancelha.
_ Já chegamos! Obrigada pela carona, e desculpe o transtorno que te causei — Sara desceu do carro com tanta pressa, dirigindo-se à porta de sua casa, que não percebeu que Grissom vinha atrás dela.
_ Espera Sara! Você não respondeu minha pergunta. O que você quis dizer com aquilo?
A porta da casa estava aberta, Sara a segurava. Grissom estava parado em sua frente. Sara soltou uma gargalhada, não era de felicidade tinha certeza disso, beirava a histeria.
_ Você realmente é cego, ou então se faz. Eu te amo Grissom! Será que é tão difícil assim de perceber? – disse Sara fechando a porta na cara de Grissom.
Ele ficou parado atônito, vendo a porta se fechar. Não sabia o que fazer, não esperava ouvir aquela declaração, sentia como se tivesse levado um soco no estômago.
Grissom acordou de seu devaneio, precisava apressar- se caso não quisesse chegar atrasado ao laboratório. Esse não era o momento adequado para pensar certas coisas ou em certo alguém. Não era um caso simples, estar envolvido romanticamente com uma pessoa da sua equipe, não era permitido. Essa era a política interna do laboratório.
Por mais que amasse Sara, tinha que admitir isso, era uma verdade incontestável: ele a amava. Não estava preparado para envolver-se emocionalmente com alguém, para doar-se incondicionalmente, ou melhor, ainda não sabia se estava disposto a pagar o preço por esse relacionamento, principalmente se esse alguém o fazia sentir-se como um náufrago que não sabe que direção seguir, que decisão tomar.
Suspirando, levantou-se da cama, seguindo em direção ao banheiro. Um bom banho era tudo o que precisava nesse momento, a fim de apagar o incêndio que havia se instalado em seu corpo. Ligou o chuveiro, deixando que a água percorresse cada parte do corpo, que levasse consigo toda a avalanche de sentimentos e sensações que lhe afligia. Terminado o banho, enxugou-se e escolheu uma roupa apropriada para o trabalho. Mais um turno iria começar e como encararia aquela que era responsável pelo seu dilema? Tentando esquecer esses pensamentos, Grissom entrou no carro, ligou o player e começou a escutar música clássica, sua preferida.
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