Entre a Luz e a Escuridão

24 Especial II - parte 2


Notas iniciais
a conclusão do segundo especial, agora saberemos como isawa se sai no seu primeiro passo a sua revolução.

Isawa já não tinha mais noção de quantos quilômetros já andou durante esse mês em que esteve viajando com Yoriki, alias não só andando como voando com suas próprias asas, quanto a isso ela não reclamava pois nenhuma sensação terrena podia se igualar ao prazer de voar, infelizmente Yoriki sempre fazia questão de traze-la pro chão (as vezes com pedradas) para que continuasse seu treinamento.

Quanto ao seu progresso ela já podia se chamar de guerreira, por uma semana ela se juntou a um grupo de viajantes que precisava de escolta pra passar pela fronteira, lutou contra bandidos que tentaram assaltar a caravana e finalmente demonstrou suas habilidades em batalha, Isawa percebeu com uma certa decepção como era fácil tirar a vida daqueles que tentam mata-la, nesse mundo a justiça se é feita com a próprias mãos e sua consciência é o juiz e carrasco.

Agora sua única preocupação era com o alimento, precisava comprar mantimentos e por isso desviaram seu caminho para uma cidade próxima, uma cidade com uma boa aparência e um tamanho considerável, e levando em conta seu cansaço Isawa poderia ficar lá a vida toda.

- Ficaremos só um dia – avisou Yoriki acompanhando Isawa – depois disso decidiremos pra onde ir.

- Se você me deixar dormir um pouco e comer bastante aceito ir pra qualquer lugar – reclamou Isawa com os pés doloridos.

Isawa já não sabia se incorporava de vez os hábitos noturnos ou se viveria normalmente como qualquer outra pessoa, o fato era que ela já não tinha mais horário certo pra ser ativa ou dormir, caminhava e treinava enquanto podia e dormia quando já não agüentava mais independentemente do horário, por isso quando reclinou-se na cadeira de um bar ela sentiu como se seu corpo pesasse uma tonelada.

- O que vai querer comer? – perguntou Yoriki oferecendo um cardápio não muito variado.

- Vou querer uma porção de costela de porco, um prato de arroz e uma caneca dessa cerveja aqui – disse ela empolgada.

- Sorte sua que nossos treinos consomem muitas calorias – sorriu a outra – do contrario você estaria obesa agora.

Yoriki se contentou com uma vitamina de frutas vermelhas e um pão, Isawa ficou se perguntando como uma mulher forte como Yoriki se mantinha com tão pouco, enquanto ela comia sua refeição notou que o preço de cada prato era pelo menos o dobro do que normalmente estava acostumada a pagar.

- Não é que eu não possa pagar – começou ela pro dono do estabelecimento – mas por que esse preço exorbitante?

- Vocês não são daqui não é? – perguntou o homem bigodudo.

- Não parece obvio que somos viajantes? – disse Yoriki cínica.

- Qualquer serviço ou mercadoria nessa cidade custa mais caro – explicou o homem – também pudera considerando o imposto abusivo ao qual somos submetidos.

Isawa notou a expressão de ódio e desgosto que o homem estampou no rosto quando mencionou os impostos, e a situação ficou pior quando ela viu o medo nas faces de todos da rua quando uma comitiva de 4 soldados e um sujeito bem vestido porem arrogante parou diante de uma porta.

- Vocês atrasaram em dois meses os impostos! – disse altivo o homem que liderava a comitiva – seus bens nos pertencem agora.

Ele se referia a casa e tudo mais que pertencia a uma família de um casal e duas crianças, Isawa ficou apenas observando enquanto a família era despejada de casa as crianças em prantos viam tudo ser levado.

- O que significa isso? – perguntou Isawa furiosa para o dono do bar.

- Quando a rainha Kyara governava o imposto era taxado ao limite de 5% — explicou ele tão revoltado quanto Isawa – mas depois que Norbel assumiu o comando ele aumentou a taxa para 50%!

Mesmo sem entender como funcionava a burocracia desse mundo era fácil para Isawa perceber que um valor 10 vezes maior era mais do que abusivo, mesmo sem conhecer essa tal de Norbel ela já passou a odiá-lo.

- O imposto era cobrado por mera formalidade e necessidade – explicou Yoriki – desses 5% cobrados apenas 1% ficava em poder do cofre real, o resto era investido em todas as necessidades do reino e seus cidadãos.

- Ninguém jamais reclamou desse imposto e todos pagavam alegremente – continuou o homem revoltado – mas depois que a rainha Kyara foi morta e esse Norbel assumiu o comando da cidade ele coleta esse imposto todo para si e quase nada investe na cidade, as pessoas só aceitam por que ele formou sua própria milícia e pune severamente quem se opõem contra ele.

Olhando ao redor dava pra notar que todos compartilhavam da mesma opinião, mas impotentes contra a milícia da cidade eles nada podiam fazer além de acatar a vontade desse nobre usurpador.

- Ninguém pode fazer nada quanto a isso? – perguntou ela furiosa – alguém a quem recorrer?

- Só se tivéssemos um novo imperador comandando o país – explicou uma moça que estava próxima – oramos todos os dias pra que um rei nobre e decente retome o controle de do nosso país, quem dera que pelo menos os boatos sobre a herdeira ter voltado fosse verdade.

Ninguém reparou que as garras de Isawa deixaram marcas no balcão, ela rosnava bem baixinho e ninguém podia notar a aura maligna que ela estava começando a emitir, exceto Yoriki que já acostumada a interpretar esse tipo de reações a puxou pelo braço e a levou pro beco próximo.

- O que pensa em fazer sua desmiolada? Pretende tomar esse problema em suas mãos?

- Eu voltei a esse mundo pra endireitar o que estava errado – respondeu ela de cabeça baixa porém zangada – tenho que começar cedo ou tarde.

- Nem pensar! Bem ou mal esse cara é o governante daqui, sem um poder maior sobre ele é o direito dele comandar como quiser!

- E por acaso é pra eu ir embora sem fazer nada!? – gritou a outra revoltada – esse povo está sofrendo por que esse reino ficou sem minha mãe! Se eu quero governar um dia eu tenho que ajuda-los como puder! Com minhas próprias mãos!

- Se fizer isso estará se opondo ao pacto que diz que você não tem nenhum direito ou titulo até o fim do prazo! Será caçada depois disso!

- Ou talvez não – disse uma mulher que aparentemente não estava ali antes.

Yoriki nunca foi pega desprevenida, por isso seu espanto ao notar a presença da mulher foi perceptível, aquela mulher de cabelos negros cacheados vestindo uma armadura azul e carregando uma espada na cintura estava ali tranqüila encostada a uma parede ouvindo tudo e sorrindo, Isawa também não a tinha percebido antes e surpresa só pode encará-la.

- Quem é você? – perguntou Yoriki já colocando a mão sobre o cabo da própria espada.

- Alguém que se quisesse lhe fazer mal já teria feito a 2 minutos atrás – respondeu ela.

Era verdade, se ela estava ali antes só foi percebida quando se pronunciou, diante disso Yoriki decidiu não tomar nenhuma atitude agressiva e esperar ela falar, Isawa apenas tentou manter a calma e esperar o resultado desse impasse.

- Se vocês estão mesmas interessadas em mudar a situação dessa cidade talvez eu possa ajuda-las – disse a mulher sorrindo confiante.

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No seu castelo de ossos Tenebra parecia mais que entediada, deitada displicentemente sobre um sofá largo e confortável ela assistia dois esqueletos dançando algo que lembrava o clássico lago dos cisnes, sua atenção só foi desviada quando a porta de marfim foi escancarada com um belo chute e o deus da guerra passou por ela irritado, com um único tapa ele jogou os dois esqueletos contra a parede e eles viraram farelo, a deusa negra apenas o encarava enquanto o homem a sua frente bufava de raiva, ela daria mais atenção a isso se não fosse o fato de que Keen sempre está furioso.

- Agora entendo o significado da expressão “quando a guerra bate a sua porta” – comentou ela – espero que tenha vindo aqui me entreter.

- Uma problemática apareceu – comentou o deus da guerra para sua aliada sombria.

- Estou meio por fora – respondeu Tenebra com desdém – ainda está de dia lá.

- Você sabe muito bem de quem estou falando! – disse ele com seu típico pavio curto – quando ela se envolve o resultado é sempre uma bagunça!

- O que elas estão aprontando? Por acaso planejam uma desafiar algum dragão rei ou algo do tipo?

- Pelo jeito sua menina e aquela mulher que a acompanhava pretendem se envolver em assuntos perigosos envolvendo política e revoluções – respondeu ele sentando numa poltrona – três mulheres ousadas juntas só da confusão.

- Vou ignorar seu comentário machista – disse Tenebra com olhar serrado – o importante é que Isawa não passe dos limites.

A definição de limites entre aqueles dois era bem distorcida, se dependesse de Keen Isawa já estaria liderando seu exercito marchando para o caos e a destruição, Tenebra por outro lado não tinha pressa alguma e a batalha era só um detalhe entre tantos.

Por outro lado o deus da guerra começou a ver vantagens na atitude de Isawa.

- Acho que no final das contas vai ser bom pra ela – disse Keen analisando a situação – vai ser a primeira vez que ela vai iniciar um conflito contra uma milícia, quero ver de perto como ela se sai.

- Se falar com ela diga que eu mandei um beijo – disse Tenebra sorrindo com seus caninos a mostra.

O deus da guerra desapareceu tão rapidamente quanto chegou, Tenebra queria que sua hora chegasse logo para ver pessoalmente como sua criança se sairia, se é que ela ia mesmo se envolver numa batalha, em todo caso da mesma forma que o deus da guerra imaginou Tenebra também concordou que seria bom pra Isawa agir por conta própria, e se aquela mulher estava por perto era certo que algo muito interessante iria acontecer.

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- Então esse cara não tem nenhum direito sobre essa cidade? – perguntou Isawa após ouvir a historia contada por aquela mulher.

- Nunca teve, ele se apoderou de muitas terras e se acha o dono da cidade, mas no final ele é só um nobre que veio do país vizinho e se acha esperto o suficiente pra governar.

- E por que está nos contando isso senhorita Freya? – perguntou Yoriki desconfiada.

- Vocês duas parecem pessoas corretas e se importam com o povo daqui, eu sozinha não posso fazer muito mas se nos unirmos podemos mudar a situação.

Essa mulher chamada Freya contou tudo o que Isawa e Yoriki queriam saber sobre o suposto governante dessa cidade e seus métodos de governo, no final descobriram que ele era mais um entre muitos usurpadores que invadiram Houran depois que Kyara se foi, isso por si só já era mais que suficiente pra Isawa tomar isso como uma responsabilidade pessoal.

- Ele é um canalha do pior tipo! Usando dinheiro e poder pra manipular a vida dos outros!

- Mas ainda assim não podemos agir, se você sabe quem ela é sabe também que não podemos agir livremente – Yoriki se referia a Isawa e sua limitação pelo pacto.

- Seria verdade se esse Norbel fosse um governante legitimo – explicou Freya – mas ele é só um cara que sentou no trono e acha que tem direitos, além disso como uma cidadã daqui eu estou pedindo sua ajuda, isso se concordarem é claro.

- Yoriki-san, isso bastaria pra que eu não quebrasse o pacto? – perguntou ela esperançosa.

- Teoricamente sim – respondeu yoriki preocupada – mas mesmo assim não parece uma boa idéia.

- Conte comigo Freya-san – disse Isawa satisfeita – eu a ajudarei no que for preciso.

- Então me encontre no centro da praça daqui a 3 horas quando anoitecer – avisou Freya pondo a mão no ombro de Isawa – vamos depor esse nobre corrupto e salvar esse povo.

Cantarolando uma musica infantil ela se retirou do beco deixando Yoriki e Isawa pra trás, as duas ficaram se olhando como se medissem uma a outra.

- Eu não vou pedir que me ajude numa decisão que é só minha – adiantou-se Isawa – eu também arcarei com as conseqüências e assumirei a culpa se eu falhar.

- Então vamos evitar que falhe – disse Yoriki como se não se importasse – se vai fazer isso ao menos faça direito e aprenda como é uma guerra de verdade.

Yoriki não perdeu mais tempo e foi para uma pensão descansar, se daqui a 3 horas elas entrariam numa batalha de grande porte era preciso estar com todas as forças e a mente descansada, Isawa a acompanhou grata por poder confiar nela.

No horário combinado Isawa e Yoriki foram até a praça da cidade e lá encontraram Freya, antes de virem Yoriki tentou se informar sobre aquela mulher, mas tudo o que descobriu era que ela fazia todo tipo de trabalho e vivia como aventureira solitária, uma pessoa muito conhecida na cidade e que mais de uma vez ajudou a proteger a vida dos moradores.

- “Ela não parece querer nos enganar, mas ao mesmo tempo sinto que ela esconde algo” – pensou Yoriki que não costumar confiar em alguém tão facilmente.

- Que bom que vieram – cumprimentou Freya alegremente.

- Eu jamais desistiria – disse Isawa confiante.

- Você é o tipo que eu mais gosto – comentou Freya.

- Suponho que você já tenha um plano em mente – disse Yoriki ainda incomodada com a situação.

Freya se levantou do banco que ocupava e as guiou através de uns arbustos, de lá dava pra ver uma enorme mansão que obviamente pertencia ao cara mais rico e esnobe da cidade: Norbel.

- O plano é bem simples, mas não deixa de ser perigoso e desafiador – explicou ela com uma expressão que parecia demonstrar felicidade pela situação.

As outras duas pararam pra ouvir atentamente, por algum motivo o desafio envolvido na missão parecia mais atraente quando repararam no brilho dos olhos de Freya, esta após notar o interesse das outras duas explicou o plano.

- Yoriki atacará pela frente chamando a atenção de todos os guardas da milícia – começou ela – quando a batalha se iniciar eu a ajudarei aparecendo repentinamente, isso deverá deixar os guardas bem malucos.

- Isso foi o melhor que você conseguiu planejar? – perguntou Yoriki achando que ela era doida – nunca ouviu falar em movimentos furtivos?

- Já mas infelizmente não adianta muito quando toda a mansão está protegida por uma magia que denuncia a entrada e saída de qualquer criatura, o único jeito é sendo direta e objetiva!

- E por que não me incluiu nesse plano? – perguntou Isawa frustrada.

- Você está incluída sim, eu já ia explicar – disse Freya sorrindo.

Isawa recuperou o animo, se ela foi deixada para o final significava que seu papel era maior nesse plano, de qualquer jeito Isawa não aceitaria ser deixada de fora numa missão tão importante.

- Com a distração que causaremos ficará fácil pra qualquer pessoa entrar na mansão sem ser percebida – explicou Freya – caberá a você encontrar o Norbel e vence-lo.

Definitivamente esse era o plano mais ousado que Yoriki já ouviu em sua vida, nem mesmo quando ela ainda perseguia Shinmon já tomou ações como essa, todo esse plano se baseava numa oportunidade única e imprevisível, por algum motivo esse estilo de agir era um tanto familiar para Yoriki, ela tinha a impressão que essa Freya era mais do que aparentava.

- Você garante que esse plano vai dar certo não é? – perguntou Isawa preocupada – se esse plano falhar o povo daqui é que pode se dar mal no final.

- Não posso dar garantia nenhuma, só posso dizer que prefiro tentar e falhar do que nunca ter tentado – Freya que normalmente é descontraída parecia séria agora.

Com todos os detalhes acertados Isawa se separou das outras duas, havia decidido entrar na mansão da maneira mais fácil e rápida, ela só se preocupava por que teria que agir rápido pra não prejudicar suas duas companheiras que contavam com ela pra encerrar rápido o combate, demorar demais significava por todos em perigo.

Não demorou muito pro plano ser colocando em pratica, a primeira a agir seria Yoriki, ela invadiria a mansão pelo portão principal chamando toda a atenção para si, caberia a Freya lhe dar cobertura.

- Quem é aquela mulher que vem vindo ali? – perguntou o guarda da guarita para seu companheiro.

- Não faço idéia, mas o senhor Norbel não deixou nenhuma visita marcada.

Quando yoriki se aproximou eles puderam notar que era uma mulher exótica com duas grandes espadas curvadas nas costas e trajes de guerreira, mesmo se colocando em prontidão eles acharam que ela era louca por querer arranjar confusão na porta do nobre mais importante dessa cidade.

- O que você quer aqui? – perguntou o primeiro guarda carregando uma lança.

- Eu estou procurando o dono da mansão – informou ela com um sorriso.

- E que assunto você tema tratar com ele?

- Nada demais, só vim degolá-lo.

Com um movimento rápido demais para ser notado yoriki sacou uma das espadas das costas e cortou o homem a sua frente, ele demorou a notar que já estava morto e só caiu depois. O outro guarda ficou sem palavras diante do rápido assassinato do seu colega, jamais esperaria que ela fosse habilidosa o bastante pra matar um veterano em dois segundos, Yoriki parecia contente por arranjar uma batalha depois de alguns anos “aposentada”, em seu interior estava satisfeita por acompanhar Isawa nessa missão e reviver seu sangue de guerreira já adormecido a algum tempo.

O outro guarda sem raciocinar direito avançou contra ela com sua lança num ataque de investida, quase dançando Yoriki esquivou do ataque girando o corpo e acertando seu agressor ao mesmo tempo, somente depois de passar por ela que ele também caiu tardiamente, Yoriki jogou fora a sutileza e chutou o portão principal derrubando-o, logo uma dezena de guardas armados apareceram pra deter-la.

- “Só isso? Acho que nem vou precisar da Freya pra vencê-los” – pensou Yoriki sacando a outra espada.

Os soldados a cercaram rapidamente prontos pra atacá-la de todos os lados, Yoriki que já lutara contra Shinmon não teve problema alguma pra se defender dos ataques em seqüência, pra ela lutar contra todos era como dançar, quando já havia dado cabo de 5 deles 4 indivíduos misteriosos apareceram.

- Afastem-se – ordenou um deles pros guardas restantes – cuidaremos dela daqui por diante.

Os 4 homens usavam armaduras leves por baixo dos casacos, cada um portava um longo cajado com pontas afiadas que lembravam lanças, Yoriki logo reconheceu o uniforme deles.

- Esse Norbel tem grana suficiente pra contratar os magos da guerra? Agora compreendo por que ele nunca enfrentou uma revolta popular!

Os magos de guerra são soldados que também sabem lançar magia, eles combinam a força dos guerreiros com as habilidades arcanas dos magos, em um campo de batalha são a elite de um exercito, Yoriki sabia que isso é um desafio maior que um punhado de soldados, agora ela estava encrencada.

- Eu pretendia esperar um pouco mais – disse Freya andando calmamente até Yoriki – mas já que essa surpresa apareceu acho que não tenho escolha.

- Se você apareceu abertamente quando podia ter-los atacado por trás suponho que tenha uma carta na manga.

- Talvez eu tenha – respondeu ela rindo.

Um dos magos concentrou seu poder na ponta do cajado e disparou uma bola de fogo, antes que Yoriki pudesse se esquivar a bola de fogo explodiu próxima demais, seria fatal se Freya não tivesse agido, quando Yoriki prestou atenção as duas estavam cobertas por uma luz brilhante e pulsante, aparentemente aquilo bloqueou o poder da explosão.

- Essa é a magia aura sagrada – informou ela – vai nos proteger das magias de ataque deles, mas esses caras são quase tão bons numa luta direta quanto são bons com magias.

- Isso é magia divina, você é clériga? – questionou Yoriki surpresa – a qual deus você serve?

- Mais ou menos, mas que tal conversamos depois de derrotarmos esses caras?

Depois de entrarem em acordo elas avançaram contra os magos da guerra, estes usaram suas magias pra aumentar seu poder de combate e com isso se igualaram as duas guerreiras.

- Cada uma fica com dois certo? – perguntou Freya empolgada.

- Deixe os da direita pra mim!

Lutando com uma experiência de batalha de muitos anos Yoriki mostrou por que até os dragões a respeitavam antigamente, os magos da guerra mesmo com seu poder de ataque e defesa não eram páreos pra elas e aos pouco sucumbiam diante da habilidade de Yoriki e a velocidade e magias de Freya.

Enquanto isso lá dos céus Isawa observava a luta sem que ninguém notasse sua presença, ela estava completamente transformada e planejava invadir a mansão por cima, depois de confirmar que as duas estavam com a situação sobre controle ela voltou a se concentrar no plano inicial.

- Agora vejamos, se eu fosse um nobre covarde e cheio da grana onde eu me esconderia se eu fosse atacado? – ela se perguntava enquanto pairava sobre a mansão.

Depois de algum tempo ela já tinha a resposta, então com um rasante ela invadiu a mansão pela janela mais alta, de lá ainda transformada ela correu pelo interior da residência quase como uma fera usando as mãos como patas dianteiras e saltando pelas paredes, encontrou dois guardas que barraram seu caminho mas isso nunca a deteria.

- Mas de que inferno saiu essa criatura? – perguntou um dos dois.

- Saiam do meu caminho! – ordenou ela – ou passo por cima de vocês!

Eles obviamente não obedeceram, a recompensa pra quem matasse os invasores era tentadora demais pra ser recusada em nome da prudência, apontando suas lanças para Isawa quando esta correu em sua direção eles esperavam barra-la, mas ficaram surpresos e abismados quando viram que suas armas eram inúteis contra a força dela e a proteção de sua armadura, com um golpe circular ela fez um corte profundo no peito deles enquanto o acido liberado pela espada se encarregava de aprofundar o ferimentos, era uma forma dolorosa de morrer, lamentando as mortes mas sem hesitar ela continuou em frente, quando viu um vulto aparecendo do nada ela imaginou ser outro soldado, já estava com as garras prontas pra matar quem quer que fosse quando reparou ser algo semelhante a um mordomo.

- Pelo amor dos deuses eu tenho mulher e filhos!! – gritou o servo quando esbarrou nela, o homem já implorava pela vida achando que estava diante de um demônio.

- Eu não estou aqui pra te ferir senhor, eu estou procurando aquele porco do Norbel! – avisou ela pro homem que já chorava.

Aliviado e grato pela sorte o homem indicou o caminho para Isawa, esta satisfeita seguiu em frente e chegou ao local que imaginou onde o seu alvo estaria, como ela já imaginava Norbel se escondeu no lugar que em sua cabeça era o mais seguro, nesse caso seria onde ele guarda todo o seu dinheiro conquistado na base do sofrimentos dos cidadãos.

- Todo cretino milionário se agarra ao seu dinheiro até antes da morte – disse Isawa diante da porta blindada do cofre.

No momento que ela tocou a porta do cofre recebeu uma descarga elétrica violenta, a porta estava protegida por magia, mesmo depois de ser arremessada pra trás pela descarga Isawa não desistiu de levar o maldito a justiça, ignorando a dor ela agarrou a porta e empregou toda a sua força para arrebentar a tranca, nem se preocupava consigo.

Quando ela conseguiu romper a tranca usando a força a eletricidade parou de circular, enfraquecida e tonta ela puxou a porta e lá dentro encontrou seu alvo: um típico gordo patético com um bigode ridículo e uma clara aparência de gente esnobe que se acha um deus na terra, ele estava junto com uma criatura incomum: um minotauro.

- Acabe com ela! Parta-a em mil pedaços! – ordenou Norbel para seu guarda-costas.

O minotauro ergueu o enorme machado pronto pra cortar Isawa ao meio como foi ordenado, ela se esquivou por pouco por ainda está atordoada pelo choque.

- É você o cretino que acha que é dono dessa cidade? – questionou Isawa enquanto desviava de mais um ataque.

- EU SOU dono dessa cidade, sou dono das terras, dos imóveis e das vidas desses infelizes!

- Você é só um nobre corrupto que veio do reino vizinho por que lá não estava tendo lucro suficiente – continuou Isawa enquanto lutava com a besta furiosa – você se aproveitou do caos criado pela morte da rainha Kyara e se apropriou dessas terras usando o desespero daqueles que perderam tudo, você é um usurpador!

Isawa bloqueou mais um golpe do machado, mas dessa vez a fera guerreira a imprensou contra a parede e ela estava impossibilitada de disputar força contra aquela criatura que era mais forte que Turok.

- E daí que eu seja um usurpador? – começou ele se auto glorificando – eu tenho poder e dinheiro pra fazer o que quiser com essa gente, eles são seres ridículos que nada valem, se a rainha Kyara não sabia como por essa gente na linha o problema era dela, eu sim mereço ser o rei desse país.

O sangue subindo a cabeça renovou as forças de Isawa que pouco a pouco empurrava o minotauro pra trás, a besta guerreira não conseguia acreditar que estava sendo empurrado por alguém que tinha a metade do seu tamanho e acreditou menos ainda quando Isawa com uma mão segurou o machado e o afastou pro lado.

Já Norbel ficou aterrorizado quando Isawa num golpe rápido enfiou sua espada na testa do minotauro furando seu crânio bem entre os olhos, o acido derreteu-lhe toda a massa encefálica e o grande monstro tombou ao chão.

- O –o-oque diabos é você? – perguntou ele recuando pra um canto se encolhendo atrás de uma estatua de bronze.

Isawa nada respondeu, ela caminhou lentamente até onde o homem tentava pateticamente se abrigar de sua algoz, ela parecia saborear o pânico não qual o homem mergulhava.

- Se-se-se quiser pode levar tudo o que tem aqui! – barganhou ele – você e suas duas amigas podem ficar milionárias num piscar de olhos! Eu dou tudo a vocês!

- Como pode oferecer algo que não lhe pertence? – perguntou ela derrubando a estatua que estava em seu caminho – essa riqueza pertence ao povo dessa cidade que você vem explorando a 14 anos.

- Eu devolvo tudo pra eles! – disse o homem desesperado – eu posso devolver tudo!

- Pra no dia seguinte você pegar tudo de volta com seus “impostos perfeitamente justificáveis”? acho que não.

O homem que já caira no desespero e pânico chorava como uma criança diante do bicho papão, Isawa ficou assistindo aquela cena patética com nojo e desejava matar aquele homem da forma mais dolorosa possível, quando pegou a si mesma pensando nisso ela se perguntou se isso era uma reação normal ou se era influencia do seu lado sombrio.

- “Acho que não, esse cara não merece viver” – pensou ela analisando o individuo a sua frente – “é tão errado assim querer acabar com uma desgraça como essa?”.

- Eu faço o que você quiser mas não me mate! – implorou ele submisso – podemos entrar em acordo podemos negociar qualquer coisa mas não me mate!

Isso foi a gota dagua que faltava pra Isawa perder qualquer compaixão que ainda tivesse, sua clemência se desfez e ela decepou um braço dele com um único movimento, e assistiu com gosto ver ele se contorcendo de dor pelo acido corroendo a carne.

- Você é a coisa mais patética que já vi na vida sabia? – perguntou ela segurando Norbel pelo pescoço – você se acha superior aos demais quando não passa de um verme, não sabe como é sofrer por não ter o suficiente pra comprar comida! Não sabe o desespero de uma mãe ao ver sua filha chorando por que não tem mais onde morar! Você não sabe a dor de um pai que prefere afogar o próprio filho do que deixa-lo passar fome na rua!

Lembrando de todas as historias que ouviu enquanto esperava a hora de atacar a mansão ela começou a chorar, suas mãos tremiam e ela imaginava o sofrimento desse povo e o que eles tiveram que passar por que o reino ficou sem sua líder justa e estavam entregues a própria sorte.

- e-eu também dei muito duro pra chegar até aqui! – disse ele como se tentasse se justificar.

- VOCE NÃO SABE O QUE É DAR DURO PRA SOBREVIVER SEU MALDITO!!! – ela enfiou as garras no estomago de Norbel, queria matá-lo lentamente e de uma forma que pudesse vislumbrar a dor que ele sentia.

Enquanto aquele homem se debatia e berrava com as garras de Isawa enfiadas em seu estomago ela se perguntava se era um pecado imperdoável sentir prazer com o sofrimento dos outros, no caso daquele homem ele infligia sofrimentos aos outros por prazer e lucro pessoal, ela infligia dor a ele para que ele sentisse na pele a dor das outras pessoas, em sua mente Isawa encarava isso como justiça, quando Norbel já agonizava ela lhe quebrou o pescoço pra que finalmente ele partisse pro inferno ao qual lhe esperava.

- Divertindo-se querida? – perguntou Freya enquanto dava uma boa olhada no tesouro acumulado.

Isawa tomou um belo susto, a pouco tempo ela não estava ali, e de repente aparecia sorrateiramente, enquanto retornava pra sua forma humana ela procurava dar uma explicação.

- Não se preocupe, eu não estou lhe julgando – adiantou-se Freya diante do olhar da outra – se as pessoas da cidade pusessem as mãos nele o resultado seria o mesmo.

- Acontece que eu não tenho o direito de julgar e executar os outros – respondeu ela.

- Pensei que você tinha esse direito já que carrega também os deveres, sendo herdeira do trono é sua responsabilidade ser uma líder boa e justa com que merece e impiedosa e severa com quem precisa.

Isawa nada disse sobre isso, não sabia ainda o que significava ser uma governante, mas ela instintivamente tinha as melhores qualidades para ser uma governante: responsabilidade e consciência.

- O que você está fazendo? – perguntou Isawa que observava Freya encher uma jarra com jóias e ouro assim como uma grande bolsa.

- Coletando minha recompensa é claro – ela respondeu na maior naturalidade.

- Pensei que você nos ajudou por que queria ajudar o povo – questionou ela.

- Mais ou menos, eu disse que as ajudaria por que estavam dispostas a lutar pelo povo, mas eu nunca disse que meus motivos eram altruístas.

Isawa parecia revoltada com a resposta dada pela outra, não imaginava que Freya pudesse ser uma mercenária, se sentia usada.

- Você ainda me deve explicações – disse Yoriki aparecendo logo em seguida – você é capaz de usar magia divina, então você é uma clériga ou uma criatura divina, qual a sua verdadeira identidade?

- Se eu dissesse ser os dois você não acreditaria não é? – ela parecia se divertir com a situação.

- Já entendi, você é mais uma dessas deusas malucas desse mundo não é? – disse Isawa já imaginando a situação – vocês têm o péssimo habito de aparecer quando querem.

- Não diga besteiras Isawa, deuses não lutam contra mortais e ela acabou com um monte de guardas lá fora – explicou a outra – além disso nenhum deus se envolveria num assunto insignificante como esse.

- Na verdade eu só vim pelo vaso – respondeu Freya – mas eu achei interessante conhecer pessoalmente a protegida de Tenebra.

A resposta indireta que freya deu deixou claro até mesmo pra Yoriki que ela era mesmo uma deusa, mas o que nenhuma das duas conseguia compreender era como e por que ela se envolveu numa batalha contra mortais, era ilógico e surreal.

- Talvez se eu me apresentar direito possam compreender melhor – disse freya – eu sou Valkaria, deusa da humanidade, da ambição e da conquista.

A surpresa foi igual para as duas, Isawa já desconfiava que Freya fosse uma deusa, mas não imaginava que estava lidando com uma deusa que representava a humanidade, não fazia sentido, enquanto isso Yoriki lembrou-se da maneira como a tratava desde que a conheceu.

- me-me desculpe grande Valkaria! Eu a tratei de forma rude! – disse Yoriki ajoelhada.

- Esqueça as formalidades, eu me divertir muito ao lado de vocês – disse ela sem ligar pra sua própria posição.

- Por que se envolveu nisso Valkaria? – perguntou Isawa confusa.

- Por que você ia fazer algo que eu aprovo, você queria lutar contra a tirania e tomar seu destino com as próprias mãos – respondeu ela – hoje você mudou a historia, e no futuro fará o mesmo, esse tipo de comportamento é o que eu espero dos mortais.

- Mas por que se envolver pessoalmente? – questionou Yoriki – um deus pode se envolver pessoalmente em batalhas de mortais?

- Normalmente não, mas nesse momento eu estou usando uma forma mortal, meus poderes estão reduzidos ao limite humano – explicou ela – e como eu escondi minha identidade não tem problema, na verdade “Freya” é só uma das minhas muitas identidades que uso todos os dias.

- Você é uma deusa maluca, lutando contra suas próprias criações... – Isawa ainda achava ela doida.

- Eu criei a raça humana para ter potencial infinito para o bem e para o mal, dei a eles a liberdade pra escolherem seus próprios caminhos independente de ser certo ou errado, e dei a eles a ambição pra realizarem todos os seus desejos, inclusive agir contra minha própria vontade ou contra mim, eu por outro lado sou exatamente como eles.

- E por causa disso monstros como esse ficam livres pra abusar dos outros! – disse Isawa apontando pro cadáver de Norbel.

- Exatamente como eu quero que seja, é preciso um grande mal pra valorizar o que é importante – respondeu ela séria – sem um humano como esse, as pessoas não aprenderiam o valor do que possuem, não aprenderiam o significado da liberdade, sem a batalha de hoje você não entenderia o verdadeiro significado do motivo pelo qual vai lutar daqui a alguns meses, hoje você viu contra o que tem que lutar, e viu o que pode conseguir ou o que pode perder.

Isawa parou pra pensar sobre isso, Yoriki também entendia melhor o significado do que era lutar por um objetivo, as pessoas dessa cidade tinham o desejo mas lhe faltava a força, eles sofriam mas nada podiam fazer.

- Acho que depois de hoje você deve se apegar mais a sua liberdade, e dar mais valor ao reino que você vai herdar não é? – questionou Valkaria.

- Sendo uma deusa você não sabe a resposta?

- Eu poderia saber se eu quisesse, eu poderia usar meu poder divino pra ver o que se passa no seu coração, mas eu prefiro perguntar e tentar conseguir uma resposta do que obter-la facilmente.

- Você é mesmo uma deusa que gosta de desafios e prefere fazer tudo do jeito mais difícil – comentou Yoriki.

- Eu ainda não sei uma resposta, mas pretendo seguir em frente e descobrir a verdade.

- Boa resposta – disse valkaria pegando a jarra cheia de jóias e mais uma sacola cheia de ouro – então talvez cruzemos nosso caminho outro dia.

- Onde pensa que vai com essas coisas? – perguntou Isawa apontando a espada pra ela – eu vou devolver tudo pro povo.

- Você não acha que está abusando da boa vontade de uma deusa? – perguntou ela.

- Você mesma disse que não era uma deusa por enquanto – respondeu Isawa confiante.

Valkaria não conseguiu resistir a ironia e gargalhou intensamente, definitivamente Isawa era o tipo de pessoa que ela mais gostava.

- Tudo bem, mas o jarro eu não abro mão, procuro por ele a 100 anos.

- Isso é algum tipo de relíquia sagrada ou algo do tipo? – perguntou Yoriki.

- É só um vaso barato de um artista desconhecido – respondeu ela rindo – mas eu tenho os outros 4 que compõem a coleção e eu não ia ficar satisfeita se não completasse o conjunto!

- Você começou uma revolução numa cidade por causa de um vaso barato? – Isawa não conseguia acreditar que ela falava sério.

- Claro que sim! Quando uma pessoa estabelece uma meta ela deve se empenhar nela independentemente do valor ou dos riscos!

Valkaria fez uma reverencia para as duas e desapareceu em um feixe de luz, a deusa partiu deixando as duas para trás, Valkaria estava mais do que satisfeita por ter conhecido Isawa pessoalmente e de uma forma direta e aberta, Isawa também ficou feliz por conhecer Valkaria e entender o valor das menores coisas.

- Bem, agora você tem um belo problema nas mãos: o que fazer com todo esse ouro e como resolver o problema da administração da cidade.

Isawa se desesperou com isso, ela nem por um momento cogitou esses detalhes e agiu sem pensar no futuro, era obvio que um belo problema iria lhe atormentar.

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Dois dias se passaram naquela cidade, a população logo ficou sabendo o que aconteceu a foram as ruas festejar a liberdade, os soldados que serviam Norbel sem motivo algum para ficarem lá se retiraram rapidamente e o povo logo tratou de agradecer suas salvadoras mesmo que Isawa alegasse que não fez mais que sua obrigação, e quando sua identidade como herdeira do trono acabou vazando para o publico a festa se tornou maior ainda, a comemoração atravessou a noite em uma homenagem a Tenebra por ter enviado sua salvadora.

- Isso aqui ta parecendo o carnaval – comentou Isawa olhando pela janela.

- Parecendo o quê? – perguntou Yoriki.

- Uma festa lá da terra, provavelmente a festa mais animada que existe – respondeu ela enquanto lembrava de ver o carnaval pela televisão – acho que ganhar a liberdade de volta merece ser comemorado do jeito certo.

As duas estavam na mansão que pertencia a Norbel, Isawa pensava numa maneira de colocar a cidade em ordem e garantir que todo o dinheiro seria devolvido de forma justa, os empregados da mansão já a tratavam como a nova mestra mesmo quando ela insistia em dizer que não podia ficar e governar a cidade.

- Será que vai ser assim se eu assumir o lugar da minha mãe? – perguntou ela achando aquilo tudo muito difícil pra uma pessoa só.

- Será muito pior, você terá um país inteiro em suas mãos.

Isawa suspirou derrotada, era muito fácil ser uma guerreira e lutar pra libertar um povo, mas tomar as rédeas da vida desse povo era um desafio sem limites.

- Princesa Isawa, tem um senhor querendo vê-la – informou uma das empregadas da mansão – pela armadura que veste deve ser um homem muito importante.

Isawa sorriu encabulada, depois que todos descobriram que ela era filha de Kyara não conseguia mais fazer com que lhe tratassem de forma normal, agora era definitivamente parte da nobreza, pelo menos nessa cidade.

Avisando que o receberia Isawa se preparou pra qualquer coisa, provavelmente era alguma autoridade que não gostou nem um pouco da bagunça que ela causou, quando o homem entrou na sala Isawa logo reconheceu o símbolo que ele trazia no peito: uma espada cruzada por uma balança era o símbolo do deus da ordem.

- Boa tarde Isawa, desde que ouvir falar de você sempre tive curiosidade em conhecê-la – cumprimentou ele – meu nome é Thallen Devendeer, mas pode me chamar apenas de Thallen.

As duas notaram que o homem tinha um porte altivo impressionante sem parecer arrogante, cabelos grisalhos e uma barba bem feita, sua indumentária lembrava o nobre rei Artur das lendas de Camelot.

- Espera um pouco! – disse Yoriki abismada – Thallen Devendeer é o nome do sumo-sacerdote do deus da justiça!

- Exatamente, Khalmyr me enviou para resolver os problemas dessa cidade – respondeu ele – a deusa Valkaria pediu isso a ele pessoalmente.

- A deusa Valkaria? Ela fez esse favor por nós? – questionou Isawa surpresa.

- Até que a situação de Houran se normalize eu administrarei essa cidade pessoalmente – avisou o sacerdote – serei um governante temporário.

- Eu lhe agradeço muito! – disse Isawa apertando a mão dele – eu já não sabia mais o que fazer!

- Deveria ter pensado nisso antes de agir dessa forma, mesmo que seja por um motivo nobre deve-se ter cuidado quando se mexe no equilíbrio e na ordem.

- Eu compreendo agora a responsabilidade que tenho em mãos senhor, eu juro que vou fazer tudo que puder pra garantir que meu povo viva feliz e de forma justa.

- Então eu lhe peço que se retire dessa cidade ainda hoje pra que eu não tenha que prendê-la por organizar uma revolta popular – pediu Thallen – eu odiaria decepcionar toda essa multidão lá fora.

Quando Isawa olhou pela janela todo o povo da cidade estava lá para homenageá-la, nunca em sua vida ela se sentiu tão querida e necessária como agora, esse povo precisava dela e ela precisava deles, por isso em seu intimo ela jurou que não decepcionaria nenhuma dessas pessoas e que cuidaria pra que todos os injustos fossem punidos, em seu país o forte não exploraria o fraco e todos seriam iguais independentes da raça, da origem ou do que eles acreditavam.

Fim do especial II

Notas finais
espero que tenha ficado do agrado de voces^^
a partir de agora saberemos o que os outros estão fazendo, o que cada um dos amigos dela estão fazendo pela sua querida princesa