Entre a Luz e a Escuridão

25 Capítulo 20 - Retorno.


Notas iniciais
acho que estou passando por alguma crise de inspiração, esse cap saiu meio fraquinho.
mas o proximo vai ser melhor!! eu sinto isso!!!!
uhsuashuahushaushu

A sensação de nostalgia percorreu todo o seu corpo e penetrou sua alma quando adentrou na cidade protegida pelos altos muros brancos, a arquitetura que lembrava uma típica cidade francesa continuava igual, as pessoas que claramente podiam ser distinguidas entre nobres e plebeus continuavam iguais, tudo estava igual.

Talvez por isso Daneth se sentia frustrado por voltar pra sua cidade natal, a cidade que ele chamava de lar jamais mudava e permanecia sempre igual por mais que isso lhe aborrecesse, partir daqui foi doloroso no inicio mas com o tempo a vida de bardo viajante foi substituindo essa dor e agora seria impensável viver atrelado a uma cidade presa dentro de muros.

- E tudo isso por que eles são uns teimosos cabeça dura – disse Daneth para si mesmo.

Ele cavalgava seu corcel em direção ao grande palácio, já fazia 5 anos que ele deixara esse lugar mas aqueles que o viam cavalgar lentamente pela rua principal logo o cumprimentavam e sorriam, algumas donzelas suspiravam ao revê-lo, algumas nem tão mais donzelas já que ele adorava romances escondidos.

Somente quando chegou a porta do palácio que ele teve que voltar a realidade e abandonar temporariamente sua vida como conquistador de corações, ele estava lá por um único motivo e não poderia se deixar desviar desse objetivo, ele devia isso a ela e não recuaria ou desistiria.

- Olha só quem resolveu voltar! – disse o guarda do portão – finalmente cansou de bancar o aventureiro errante?

- Ao contrario meu caro Jhuir! – respondeu ele animadamente – nunca estive tão empenhado nisso, eu vou colocar meu nome nos livros de historia!

- Continua sonhador não é? – disse o guarda achando que ele estava só brincando – o mesmo cara que disse que ia entoar uma canção diretamente para os deuses!

- Ainda não compus uma canção digna dos ouvidos de um deus – respondeu ele – mas já tive o prazer de conhecer a bela e enigmática Tenebra pessoalmente.

Enquanto os guardas se acabavam de rir da “piada” Daneth desceu do cavalo e entrou o palácio, ele não tinha nenhuma dificuldade pra percorrer livremente aqueles corredores que tanto se recordava, muitos dos seus romances com as empregadas aconteciam neles atrás das cortinas ou em um dos muitos quartos vazios, lembrando-se do passado ele ficou com um sorriso safado estampado no rosto.

- Jovem mestre? É você mesmo? – perguntou um velho mordomo carregando uma bandeja.

- Boa tarde Amadeus – cumprimentou o jovem bardo – você continua firme e forte mesmo aos 200 anos não é?

Daneth não estava exagerando, sendo meio elfo o velho mordomo tinha uma vida muito longa, na verdade esse era o mesmo mordomo desde que Daneth nasceu, cresceu e foi embora.

- Os clérigos curaram aquela dor horrível na minha coluna! – disse o velho mostrando que estava em plena forma – agora posso continuar servindo sua família por mais um século!

- Não se esforce tanto, se não vai ser sua bacia que vai sair do lugar dessa vez.

Os dois gargalharam da piada, Amadeus sempre se divertia com as brincadeiras do moleque que botou pimenta no champanhe durante a comemoração do aniversario da cidade, na ocasião ele era muito amigo de um jovem clérigo do deu Hyninn e os dois juntos aprontavam de tudo para deixar o deus da trapaça orgulhoso.

- Eu estou procurando meus pais – comentou Daneth lembrando pra que veio – eles estão aqui não é?

- Infelizmente eles saíram pra um encontro com um lorde das redondezas – informou ele – mas com toda certeza estarão de volta antes do anoitecer, afinal hoje eles irão promover mais um baile aqui no palácio.

- Eles nunca se cansam disso? – perguntou Daneth contrariado – eles promovem um baile a cada trimestre com ou sem desculpas, ficam torrando fortunas pra agradar esse bando de nobres chatos e seus filhinhos ridículos!

Esse era mais um dos motivos que Daneth tinha para não permanecer em casa, mesmo sendo parte da nobreza ele odiava aquele luxo e ostentação, ele não trocaria a emoção de sua vida de aventuras pela monotonia e simplicidade da vida de luxo.

- Já que não tenho escolha terei que esperar por eles – avisou Daneth desgostoso.

- Eu vou preparar um quarto pra você.

- Não precisa Amadeus! Eu só vou ficar aqui até resolver meu assunto com meus pais!

- Precisa sim! – insistiu o velho mordomo – aqui você é o herdeiro do nosso reino, tem que ser tratado e agir de acordo como um!

Como Daneth sabia ser impossível discutir algo com ele quando colocava uma idéia na cabeça Daneth se viu forçado a aceitar um quarto naquele palácio, ele odiava a idéia pois parecia que ele voltaria a se instalar naquele lugar.

****************************************************

Os bailes palacianos eram definitivamente a coisa mais ridícula e sem propósito na opinião de Daneth, isso ficou mais evidente ainda olhando tudo de um canto no andar superior, ele assistia aqueles exibidos se divertindo e comendo refeições caríssimas, as esposas dos nobres esbanjando jóias finas e vestidos de luxo apenas para tentarem parecer superiores as suas rivais.

Observando tudo isso sentado em seu trono estava o regente dessas terras: Rikard Rigaut que também era o pai de Daneth, ao lado dele sua esposa Mariane Rigaut era uma linda elfa de cabelos rosa, curiosamente mesmo sendo filho de um humano com uma elfa Daneth não apresenta nenhum traço élfico e muitos suspeitam que ele não seja um filho legitimo, esse foi outro motivo que contribuiu para a partida dele já que era muito frustrante ter que viver sobre os olhares reprovadores dos outros nobres.

- Todos esses idiotas ai embaixo acham que estão acima de todos aqueles que trabalham duro e batalham todos os dias – comentou Daneth para Amadeus – eles nunca vão saber o que significa ser um nobre ou um governante.

- Você falando assim parece que conhece um nobre diferente – respondeu o velho senhor.

- Suponhamos que eu conheça – disse ele lembrando de Isawa – o que você acharia disso?

O mordomo não respondeu, apenas sorriu e tocou de leve no ombro dele como se o incentivasse a seguir em frente.

Cansado de esperar Daneth pediu a Amadeus que anunciasse aos seus pais que ele estava ali, pediu também para que marcasse uma conversa reservada, e com muita satisfação ele obedeceu.

E não demorou muito para que Daneth fosse conduzido até uma sala confortável onde seus pais o receberiam, ao avistar o filho fujão eles não deixaram de comemorar o retorno dele.

- Meu filho! Finalmente criou juízo e voltou depois de 5 anos!! – cumprimentou ele abraçando o filho fortemente – eu sabia que mais cedo ou mais tarde você acabaria percebendo que fugir foi uma péssima idéia.

- Eu... voltei por quero tratar de um assunto muito importante com vocês – disse ele se separando do pai delicadamente.

- Seja lá o que for vai esperar até depois de comemoramos seu retorno – disse Mariane se aproximando do filho.

- Infelizmente não pode esperar – ele estava sério sobre isso – o futuro desse reino depende disso.

Rikard e Mariane nunca viram seu filho Daneth tão sério, ele geralmente nunca se importou com nenhum problema e nem tinha motivos para isso.

- Se você faz tanta questão ouvirei o que tem a dizer – disse Rikard.

- Vocês estão cientes da guerra que se aproxima não é? A guerra entre a herdeira deste reino e aqueles que lhe tomaram tudo não é?

- Claro que sabemos, mas não há necessidade de se preocupar – avisou Rikard – temos tudo sobre controle.

- Tudo sobre controle? Como assim? – perguntou ele confuso.

- Hoje a embaixadora do deserto virá aqui propor uma aliança conosco, com a ajuda deles protegeremos nosso reino e ainda expandiremos nossa influencia – Rikard falava com um enorme orgulho de sua decisão.

- Vocês não podem fazer isso!!! Já não basta terem se apropriado de terras que não lhe pertencia e agora querem lutar contra a verdadeira dona delas??

Houran já foi um país bem maior, mas depois da queda do império uma boa parte do seu território foi tomado pelos países vizinhos, cerca de 20% das terras da fronteira foram usurpadas por aproveitadores, os pais de Daneth que na época eram apenas nobre ricos se aproveitaram disso pra elevar seu status para regentes de uma recém formada cidade.

- Você está tentando dizer que deveríamos nos aliar com essa herdeira que retornou? – perguntou Mariane – ela já está com essa guerra perdida, não há por que nos unimos com os perdedores.

A forma como debocharam de Isawa fez o sangue de Daneth ferver, e considerando que quase nunca ele se irritava com algo isso era realmente sério.

- Vocês têm noção de que se ela vencer essa guerra será impiedosa com quem lutou contra ela? Vocês não ouviram falar do que Isawa anda fazendo?

- Nós soubemos das revoltas populares que ela andou fazendo – comentou Rikard – mas apenas os inconformados e insatisfeitos se unirão a ela, e se eles já perderam uma vez perderão de novo.

Daneth não sabia por que ainda perdia seu tempo aqui, talvez ele tivesse esperanças de abrir os olhos dos pais, ou talvez ele estivesse mesmo só interessado em conseguir aliados para sua princesa, o que de fato ele não queria era ver esse reino ruir pela guerra.

- Pai, mãe, eu conheço a princesa Isawa pessoalmente e posso garantir que ela não está disposta a desistir ou mesmo perder, se vocês se voltarem contra ela estarão assinando sua sentença de morte.

- Que bobagem filho, como se você pudesse mesmo ter conhecido essa pirralha por ai – zombou Mariane.

Daneth não teve outra escolha além de contar tudo, contou desde o inicio a historia de como conheceu Isawa num bosque e foi passando por todas as aventuras que viveram juntos até o momento em que ele decidiu se separar dela para ajudá-la como fosse possível, seus pais ouviam tudo atentamente e seus rostos denunciavam incredulidade e espanto.

- Filho, o que você está me contando é um absurdo!! – disse o patriarca da família – como pode querer que ajudemos o inimigo?

- Isawa nunca foi nossa inimiga pai! Ela está lutando por uma causa justa em beneficio do povo dessas terras enquanto você quer se aliar com aqueles que pretendem explorar esse povo e tomar o que é deles!

- Não seja atrevido meu filho – pediu sua mãe – nós fizemos um favor para essa gente!

- Sem um governo firme para controlar a situação esse país viraria uma terra de caos sem leis, sem um governante legitimo é mais do que justo que qualquer um tenha o direito de assumir o comando!

- E o que me diz agora que a herdeira voltou? Se você está falando de direitos é o direito dela recuperar seu país!

- Ela não tem direito nenhum! – gritou Rikard exaltado – uma criança que veio de outro mundo não sabe o que é governar, esse país estará muito melhor nas mãos de lideres nobres como o faraó do deserto!

- Eu lamento muito que vocês não consigam ser racionais – disse Daneth decepcionado – eu perdi as esperanças em vocês, agora estão por conta própria.

- Aonde pensa que vai?

- Vou voltar para Isawa, se não sou capaz de abrir seus olhos eu a ajudarei da forma como for possível.

- Você não vai fazer essa asneira! Eu o proíbo! – gritou Rikard.

- Você não me impediu antes e não vai ser agora que vai me impedir! – avisou Daneth já saindo.

Quando ele abriu a porta dois guardas o barraram quando Rikard deu a ordem, apesar de não gostarem das ordens eles tinham que seguir a vontade do seu governante.

- Nem que eu tenha que jogá-lo na prisão mas não permitirei que se alie com a inimiga!

- Essa inimiga de que fala é a Isawa? – perguntou Menefer entrando com sua comitiva.

*******************************************************

Se a tensão já era alta naquela sala por causa da discussão entre os pais e seu filho agora ela era palpável quando a princesa Menefer e sua comitiva entraram, os guardas que impediram Daneth de sair na verdade estavam vindo para anunciar a chegada da diplomata do deserto que ficou surpresa com a discussão e o motivo dela.

- Acho que chegamos numa má hora – disse Menefer meio constrangida – não continuarei a estragar a reunião.

- Imagina só alteza! Não é incomodo algum! – disse Rikard tentando consertar a situação – foi apenas um pequeno contratempo enquanto aguardávamos sua chegada.

Menefer sabia bem como era esse tipo de situação já que ela estava “acostumada” a receber tratamento semelhante de seu pai, mas ver isso de fora era mais triste.

- Esse daí não é aquele bardo que lhe deu uma cantada mestra? – comentou Dalap rindo.

- Quem te deu uma cantada? – perguntou Naziah morrendo de ciúmes.

Menefer ruborizou mas rapidamente tentou recuperar a compostura esquivando desse assunto tentando voltar ao que realmente importava.

- Esse é o mesmo bardo que acompanhava Isawa quando a encontrei em Daí-lung – respondeu Menefer.

- Olá princesa! Continua bela como antes – cumprimentou Daneth.

A vontade de Naziah era de pular no pescoço dele e lhe arrancar a língua, mas seus deveres diplomáticos vinham em primeiro lugar.

- Onde está Isawa? Ela tem aprontado muito nesses últimos meses – questionou Menefer tentando não se abalar com as provocações dele.

- Quem sabe? Faz um bom tempo que não a vejo, sei tanto quanto você – ele sorria com a ironia disso ser verdade.

- Fale logo de uma vez filho – exigiu Mariane – seja ajuizado uma vez na vida e colabore com eles!!

- Não me entenda mal senhora, não pedi que o seu filho me desse informações traindo Isawa – explicou ela – mas eu queria saber isso de forma mais pessoal, eu não gosto da maneira como ela está agindo e queria deixar claro pra ela.

- Então darei seu recado quando a encontrá-la alteza – avisou ele se curvando em reverencia – se me dão licença não quero mais tomar o tempo de vocês.

Com toda a educação do mundo Daneth passou pela comitiva, mas quando já estava saindo da sala lembrou-se de dizer algo.

- Em consideração aos laços familiares pedirei a ela que tenha piedade ao lidar com vocês – disse ele para seus pais.

Daneth deixou a sala definitivamente, estava mais do que decepcionado com seus pais e consigo mesmo por ter falhado, tantos meses vagando pelo país e não conseguiu um único aliado para Isawa enquanto ela própria já trabalhara pelo futuro.

Mergulhado em seus próprios pensamentos ele nem notou alguém que o observava no corredor, passou pela mulher de cabelos curtos e loiros que o encarava com olhos esperançosos e só depois se tocou que já conhecia aquela pessoa.

- Otsunia? É você mesma? – perguntou ele assustado.

- A quanto tempo Daneth, vejo que você está bem – a voz dela era gentil.

- Eu... não esperava encontrar você por aqui, veio para o baile?

- Na verdade eu moro aqui agora – disse ela triste – depois daquilo meus pais não me quiseram de volta, disseram que uma filha rejeitada mancharia a reputação deles.

Ouvir essas palavras doeram mais que qualquer punhalada que ele pudesse receber, a muito tempo Otsunia era a noiva prometida para casar com Daneth mesmo que ele não quisesse saber de casamento, ele a amava mas jamais desejou se ligar a ela permanentemente e seu espírito livre clamou pela única “solução” disponível: a fuga.

Em sua inconseqüência e irresponsabilidade ele deixou Otsunia para trás a poucos dias do casamento, sua covardia destruiu a vida de uma mulher inocente e apaixonada que tinha tantos sonhos para o futuro, e mesmo agora ali parada diante dele parecia que isso não a incomodava, parecia que ela estava feliz em revê-lo.

- Seus pais cuidam de mim desde aquele dia – comentou ela fazendo Daneth despertar de seus pensamentos – tem me tratado como uma filha.

- Certamente eles esperam que seus pais fiquem lhes devendo um favor, eles jamais fazem algo sem um interesse oculto.

Ela fez uma expressão que denunciava decepção, Daneth percebera que disseram algo ridículo e agora tentava concertar a situação que ele mesmo criara.

- Quer dizer... não que ninguém aceitaria cuidar de você ou...

- Você pode me responder uma única pergunta Daneth? – perguntou ela com a mão sobre o coração aflito – uma única coisa que eu preciso saber ou jamais ficarei em paz.

- Pode perguntar o que quiser Otsunia, eu responderei com toda a sinceridade.

- O motivo de você ter fugido... eu fiz algo errado? Eu não era boa o bastante para você?

Essa provavelmente era a única pergunta que ele não esperava, talvez ele estivesse preparado pra responder caso ela tivesse perguntado simplesmente por que ele decidiu fugir, mas o que ela queria saber era se ela era a culpada por isso, se ela tinha cometido algum crime imperdoável que o levasse a odiar-la, ele desejou não ter prometido dizer a verdade mas agora ela tinha o direito de saber, devia isso a ela.

- Você não tem culpa de nada Otsunia, eu era um covarde que acreditava que a liberdade valia mais do que meu amor por você, eu é que não estava a altura de casar com você, eu que não merecia o que você sentia por mim.

Ela parecia surpresa e não era pra menos, Daneth acreditava ter dito a maior besteira que poderia ter dito, dizer a uma mulher que não a amava o bastante para casar e fugiu de medo deveria ser a coisa mais terrível que poderia ter dito, Daneth que sempre teve o dom das palavras pra levar uma mulher pra cama agora não conseguia pensar em uma única frase que pudesse ajudar Otsunia a se livrar desse sentimento.

- Você voltou pra ficar agora? – perguntou ela.

- Infelizmente não, eu estou numa missão agora – respondeu ele – estou ajudando uma amiga a realizar seu sonho.

- Então leve-me com você! – pediu ela – eu não sou mais aquela princesa inútil que nem sabia montar a cavalo! Eu posso te acompanhar agora!

Por essa Daneth não esperava, ela estava decidida a segui-lo pra onde ele fosse só para ficar ao seu lado, ela jamais deixara de amá-lo mesmo depois de abandonada sozinha, isso fazia com que ele se sentisse mais culpado ainda.

- Escute Otsunia, eu fico lisonjeado com o que sente por mim mas eu não valho a pena e nem metade desses sentimentos – disse ele – eu nunca fui uma pessoa sincera e mais de uma vez fui pra cama com outras mulheres enquanto namorávamos, eu não sou digno desse seu amor.

- Você amou alguma dessas mulheres? – perguntou ela – antes ou depois de fugir você amou alguma outra mulher?

- Eu jamais encontrei uma mulher como você – respondeu ele sinceramente – uma mulher graciosa e gentil, uma mulher sincera e respeitosa que não ligava pra aparências ou títulos, você é única!

- Então eu não me importo com isso! – disse ela surpreendendo o outro – se o seu coração só pertence a mim eu não ligo pra mais nada.

Ela em seguida o abraçou aconchegando a cabeça no peito dele, Daneth percebeu o quanto ela era leve e delicada de uma forma como jamais havia reparado.

Ele estava dividido entre recusar a presença dela e magoá-la mais ainda e levá-la consigo e colocá-la em perigo, mas ao perceber que aqui não era o lugar dela sozinha e abandonada sendo uma mera convidada oportuna e ainda correndo o risco de ser pega no meio da guerra que começaria ele tinha a certeza de qual decisão tomar.

- Eu jamais pediria que me perdoasse pelo que fiz a você – disse ele – mas se pudéssemos tentar recomeçar e esquecer o passado eu gostaria de tentar fazê-la feliz.

- Você está dizendo que vai me levar? – perguntou ela com os olhos brilhando de esperança – eu jamais o culpei por ter ido embora! Eu sempre esperei que retornasse!

- Mas é uma jornada perigosa – alertou ele – uma jornada longa e cansativa que sempre terá riscos.

- Então permita-me mostra-lhe algo! – disse ela puxando-o pela mão.

Otsunia arrastou Daneth para seu quarto e lá se trancou com ele colocou o rapaz sentado na cama e abriu o guarda roupa procurando uma caixa, depois de encontrar o que procura se despiu e trocou de roupa na frente dele, nunca antes Daneth ficou constrangido em ver uma mulher nua a sua frente mas agora ele não conseguia ser desrespeitoso com ela, enquanto viajava em pensamentos perdido naquela beleza ele nem percebeu que ela já tinha se vestido e estava bem diferente.

- O que acho querido? – perguntou ela mostrando-se pra ele.

Ela estava usando roupas pouco convencionais para uma princesa, uma camisa vermelha sob um colete de couro, uma calça apertada que realçava suas curvas e eram mais praticas que as longas saias com varias camadas, ao ver aquilo ele imaginou que Otsunia tinha sangue aventureiro adormecido no corpo.

- Acho que você vai fazer muito sucesso lá fora! – respondeu ele rindo.

Como a situação mudou em tão pouco tempo? Daneth se perguntava sobre isso enquanto lembrava que a 15 minutos atrás Otsunia estava chorando ao revê-lo, ele também que estava com o coração tão pesado por ter relembrado de como a abandonou agora sorria ao vê-la sorrir também, será que era isso o que chamam de amor eterno?

- Otsunia você tem certeza que deseja mesmo vir comigo? Você vai ser feliz sendo uma viajante errante como eu?

- O que significa a felicidade presa entre quatro paredes vivendo na melhor prisão de luxo do mundo? – questionou ela – o que significa a felicidade do conforto e da riqueza sozinha?

Não era preciso perguntar mais nada na opinião de Daneth, para ele daquele dia em diante ele seria uma nova pessoa, uma pessoa que pudesse estar a altura da mulher que amou, abandonou e que lhe recebeu de braços abertos mesmo quando ele próprio tinha consciência de que não merecia.

- A propósito, quem é essa amiga que você mencionou? – perguntou ela inocentemente.

Continua.

Notas finais
para aqueles que aguentaram ler até o final eu agradeço, tomara que essa crise passe logo por que não aguento ver um cap fraco e postar mesmo assim.