Entre a Luz e a Escuridão

26 Capítulo 21 - Orgulho.


Notas iniciais
depois da crise de falta de inspiração eu finalmente estou voltando ao normal, esse cap deve estar melhor que o anterior.
mas só saberei mesmo atraves de voce, por isso aguardo seus reviews

Isawa contemplava a noite do alto de uma torre admirando a lua e seu brilho pálido em meio aquele véu de escuridão que recobria o céu, o inverno já chegara e como ela pode notar as noites eram bem mais longas e frias do que na terra.

Mas o frio não lhe incomodava nem um pouco, entre todas as estações o inverno era seu período favorito, quando ela podia brincar de fazer esculturas com a neve ou guerra de bolas de neve com os garotos na vizinhança, alias ela era muito boa nisso.

Lembrando sobre as guerras de bolas de neve ela lembrou o motivo de estar naquela torre, essa já era a 6º cidade libertada de falsos governadores e tiranos inescrupulosos, seja coincidência ou não são todos que usurparam terras de houran e se declararam donos delas e também de seus habitantes, Isawa não esperaria o inicio da guerra pra se livrar desses parasitas.

Com as historias sobre seus feitos se espalhando pelo país Isawa já tinha uma legião de seguidores, muitas pessoas inconformadas com o rumo do país se juntavam a ela pra libertar reinos tomados por tiranos, estes por sua vez sentindo o perigo fugiam ou tentavam lutar, mas era inútil lutar contra o povo quando eles se uniam.

Agora do alto da torre ela via a multidão comemorando a recém adquirida liberdade, nada deixava Isawa mais feliz do que ver a esperança ressurgindo nos olhos daqueles que libertou.

- Você realmente se parece com ela – disse uma voz rouca vindo das trevas.

Isawa que estava distraída virou-se para procurar a fonte da voz, naquela torre escura onde luz alguma emanava ela se viu sozinha, mas ao mesmo tempo sentia uma presença com ela.

- Quem está ai? – perguntou ela segurando o cabo da espada.

- Me perguntou o quanto dela você herdou – a voz continuou ecoando no lugar.

Isawa percebeu que a voz vinha de cima, procurando com sua visão aguçada ela reparou que não havia mais nada alem de morcegos, mas reparou que entre todos havia um com o dobro do tamanho.

O morcego deixou seu canto e em meio a revoada de outros morcegos ele foi até Isawa, no meio do caminho ele se transformou numa massa de escuridão e cresceu até atingir o tamanho humano, depois disso ele mudou de forma para um homem pálido usando uma armadura de samurai carregando uma katana na cintura.

- Quem é você? – perguntou Isawa em alerta.

- Meu nome é Zuares, eu sou um vampiro e já trabalhei pra sua mãe – respondeu ele de forma elegante.

- Você servia a minha mãe?

- Eu era o capitão da guarda do palácio imperial – disse ele circulando pela sala – durante a guerra eu fiz o possível pra proteger o palácio, mas devido a minha limitação como vampiro não pude lutar adequadamente contra os invasores.

Ele parecia bem revoltado com isso, andava de um lado pro outro e ocasionalmente encarava Isawa como se esperasse alguma coisa, depois de um tempo ele sentou-se numa cadeira empoeirada e relaxando a encarou mais uma vez.

- Então Zuares-san, o que o trouxe aqui?

- A um mês atrás seu amigo Turok me libertou da tumba onde fui selado – revelou ele – ele disse que a herdeira tinha voltado e precisava de ajuda pra retomar esse país, ele queria que eu a ajudasse.

A menção do nome de Turok despertou as saudades que ela sentia de todos que lhe acompanharam no inicio da sua jornada, já fazia vários meses que ela se separou deles e agora vagava sozinha pelo país tendo somente Yoriki como acompanhante e sensei de luta.

- E você poderia me ajudar? – perguntou ela – eu ficaria muito grata se você pudesse ajudar a mim como ajudou minha mãe.

- Eu estive lhe observando a algum tempo – comentou ele – vi como conseguiu organizar o povo daqui para lutar contra o mago que os dominava, mas você ainda tem muito o que aprender sobre comandar.

Ela sabia que estava longe de ser uma líder, ela sabia de suas limitações por não saber tudo o que precisaria saber pra viver nesse mundo e governar um país, mas vontade ela tinha de sobra, a muito tempo já se decidira que deixaria seu egoísmo de lado e ajudaria o povo desse reino seja como governante ou revolucionaria.

- Se você puder me ensinar como se lidera um exercito eu já ficarei satisfeita Zoares-san.

- Você é interessante, nem cogitou me pedir pra liderar em seu lugar?

- Eu aceitaria se pudesse – respondeu ela – mas isso é algo que preciso fazer por conta própria, por isso decidi treinar e lutar, por que não aceitaria ficar segura num castelo enquanto outros lutam por mim.

Zoares gargalhou com uma voz assustadora e gelada que fez o ambiente congelar, e dessa vez Isawa sentiu frio.

- Você é mesmo igual a sua mãe! – disse ele após rir – sua mãe não era nada conformista e sempre que podia fazia as coisas por conta própria dando trabalho a todo mundo.

- Já me falaram que minha mãe era teimosa – comentou Isawa.

- Se você quiser minha ajuda na batalha final eu estarei lá esperando você – disse Zoares antes de se transformar em morcego novamente e sumir no céu.

Enquanto Isawa observava o morcego vampiro que sumia no céu ela lembrava com alegria do seu amigo Turok, sempre cuidando dela e ajudando-a mesmo estando distante, um amigo pelo qual ela lutaria sem receio.

********************************************

Por mais que tivesse passado anos de sua vida viajando sozinho Turok nunca se sentiu tão solitário quanto agora, mesmo cavalgando um enorme pássaro guerreiro e tendo a liberdade dos céus ele ainda estava sozinho.

Antes ele servia a grande imperatriz Kyara e com isso se sentia realizado, acreditava fazer parte de algo maior, mas com a chegada da guerra e a queda do império ele se viu mais uma vez sem rumo algum, vagando de terra em terra procurando um sentido pra si mesmo, um sentido que fosse mais que ser um guerreiro a serviço de alguém.

Quem lhe deu um novo rumo foi Isawa, ela era a filha da rainha Kyara a muito desaparecida, uma herdeira que precisava dele, que precisava ser protegida, orientada e moldada, e se o destino havia lhe colocado no caminho dela esse era seu dever.

O que antes era apenas um dever agora era uma responsabilidade, uma responsabilidade aceita com orgulho por acreditar que aquela jovem mudaria o destino dele, do seu povo e de todos aqueles que tiveram sua liberdade e orgulho roubados violentamente.

Por mais que ele tentasse se convencer de que estava apenas cumprindo sua obrigação ele constatou que nutria carinho por ela, ele desejava vê-la feliz, satisfeita e acima de tudo vitoriosa, e por isso ele se colocou no caminho da solidão mais uma vez, buscando meios de garantir que sua protegida fosse vitoriosa.

Ele saiu de seus pensamentos quando se aproximou do seu destino, uma enorme e densa floresta com arvores extremamente altas e com varias colinas em pontos isolados, dentro de Houran esse era o território mais inóspito e que fazia fronteira com outros 3 países, por causa da mata fechada, o terreno irregular e a alta incidência de monstros de pequeno e médio porte os outros países nunca se deram ao trabalho de avançar por essas terras.

Mas no ultimo ano isso mudou, graças a instabilidade originada pelos rumores da guerra países vizinhos se sentiram seguros o bastante pra tentar tomar o maximo possível de território a sua disposição, isso incluía qualquer pedaço de terra livre ou até mesmo aqueles que já tinham dono.

E era atrás dos donos dessa terra que Turok visitava a floresta, uma vez que nada adiantaria prosseguir pelo céu Turok aterrissou e seguiu a pé pela mata densa, algumas vezes tendo que lidar com criaturas reptilianas com forma humanóide e uma selvageria sem igual, criaturas que pareciam camaleões e que lutavam como homens.

- De onde estão saindo tantos trogloditas? – perguntou-se Turok depois de seu sexto combate desde que chegara a floresta.

Ele já estava andando a dois dias no interior da floresta, mesmo ela tendo sido uma terra familiar e nostálgica era muito difícil se orientar num terreno que muda com o tempo, e para completar ainda tinham esses trogloditas que infestavam a floresta e lhe atrasavam mais ainda, assim ficava muito difícil encontrar o que ele procurava.

Mesmo distraído com suas preocupações não foi difícil pra Turok ouvir gritos de medo ao longe, correndo o mais rápido possível ele transpôs a distancia que o separava de um casal de jovens licantropos que estavam sendo atacados por um bando de trogloditas, os jovens já estavam presos em redes e as feras escamosas planejavam levá-los como escravos ou como a próxima refeição.

- Vocês têm 10 segundos pra libertar esses dois e sumirem daqui! – avisou Turok surgindo diante do grupo de caça.

Aparentemente os trogloditas não temiam o tamanho e a imponência de Turok, dos 6 que compunham o grupo 4 atacaram com suas clavas e machados de pedra enquanto os outros dois continuavam a carregar as presas na rede.

Turok adorava quando os inimigos avançavam contra ele de peito aberto, isso facilitava muito na hora de parti-los ao meio com um único movimento de sacar das costas o seu enorme machado rubro, esse machado mágico tinha um encantamento que tornava sua lâmina ainda mais afiada, com a força de Turok combinada com tal arma ele podia facilmente eliminar os dois primeiros que ficaram ao seu alcance, isso com um único golpe.

Sem perder o impulso do giro ele moveu o machado por sobre a cabeça e com um novo golpe vertical ele eliminou o terceiro troglodita, o golpe foi tão forte que o machado depois de cortar a carne e ossos do oponente fincou no chão partindo uma grossa raiz.

- Você vai pagar pelo que fez!! – ameaçou a criatura que sobrara.

O ultimo troglodita que atacava notou que Turok não conseguiria levantar o machado rapidamente e manejá-lo pra atacar, acreditando nisso ele atacou com tudo com sua machadinha, porem ele não esperava que Turok largasse o machado e num movimento súbito agarrasse seu pescoço com uma única mão apertando com força.

- Eu avisei pra sumirem da minha frente! – disse Turok quebrando o pescoço do réptil.

Os outros dois não quiseram testar sua sorte, largando as presas recém capturadas correram e sumiram na mata fechada, os jovens licantropos que pareciam ser do tipo lupino estavam assustados com a enorme figura do seu salvador.

- Vocês são da vila de Gaiados? – perguntou Turok para os jovens.

- so-so-somos – respondeu o garoto.

- Eu preciso muito conversar com o líder da vila, podem me levar até lá?

Uma das leis dessa vila era nunca deixar estranhos visitarem-na, a localização da vila deveria permanecer secreta para o resto do mundo, mas os jovens lupinos consideraram que Turok sendo um licantropo e também tendo salvo suas vidas não deveria ser um mal sujeito, por isso optaram por colaborar com ele.

- Venha com a gente, levaremos você até lá – avisou a garota loba.

*******************************************

A vila Gaiados era impressionante mesmo sendo tão simples, as casas se fundiam perfeitamente com as copas das arvores tornando impossível vê-las do céu e difícil de perceber de longe, as pontes de ligações entre uma casa e outra eram galhos adaptados por magia de forma que não fossem percebidos, um pequeno córrego abastecia a vila com água e varias arvores frutíferas davam o sustento básico pra aquele povo.

O povo que habitava a vila era mais exótico ainda, eram todos licantropos de todos os tipos e aparências variando entre aqueles que tinham apenas alguns traços de ligação com um animal e também aqueles que pareciam bestas bípedes como Turok, a maioria dos habitantes eram adultos ou velhos, os jovens eram poucos.

- Esse é nosso lar – disse o jovem – vamos chamar o ancião pra você.

Turok agradeceu a ajuda e sentou-se sobre um troco derrubado pra descansar, ele notou que desde que entrara na vila era o foco das atenções de todos como se uma visita fosse algo totalmente incomum, na verdade ele tinha certeza que o povo dessa vila não recebia visitas de forma alguma, seu enorme machado preso as costas também não ajudava pra transmitir segurança pro moradores.

- Esses jovens disseram que quer falar comigo – disse o ancião se aproximando – o que deseja de mim guerreiro?

O ancião da vila era um licantropo de tipo gorila, apesar do seu corpo volumoso ele era idoso o bastante pra não ser tão perigoso quanto aparentava, o ancião era do tipo completamente animalesco e não parecia satisfeito com a visita.

- Sábio ancião, vim aqui recorrer a sua ajuda num momento de necessidade – começou Turok respeitosamente.

- E em quê eu e meu povo poderíamos ajudar você estranho?

- Meu nome é Turok e eu represento a herdeira desse país, a princesa Isawa que retornou recentemente para nós.

A menção do nome da princesa fez o ancião arregalar os olhos incrédulo, sua expressão logo em seguida mudou para preocupação e receio.

- Vá embora daqui, não podemos ajudá-lo em nada.

- Mas você nem me ouviu, como pode dizer que não pode me ajudar?

- Você veio aqui pela guerra não é? Não temos interesse na sua guerra!

- Ela é NOSSA guerra! – disse Turok furioso – o destino do nosso povo está em jogo, ninguém pode se esconder da responsabilidade!

O ancião que já tinha dado as costas para Turok se virou pra ele, sua expressão parecia bem zangada, o povo escondido no alto das arvores prestava atenção em tudo o que acontecia.

- As chamas da guerra varrerão nosso povo se nos envolvermos em conflitos! – insistiu o velho símio – meu povo já sofreu muito com a primeira guerra, não vamos nos meter numa segunda!

- Você acha que ficando aqui escondidos numa selva estarão a salvo? – insistiu Turok – vocês já estão sofrendo os efeitos da guerra quer queira ou não, os trogloditas estão atacando seu povo!

- Isso por que eles foram tirados de suas terras – esclareceu o velho – invasores do país vizinho estão avançando pela selva com seus cavaleiros, magos e maquinas de guerra!

- Mais um motivo pra vocês lutarem! Se Isawa perder a guerra nada parará o avanço desse povo!

- Se lutarmos não sobrará ninguém pra voltar pra casa! – gritou o ancião.

Ele não insistiria mais nessa discussão com Turok, bufando furioso ele ordenou mais uma vez que Turok partisse e depois ele se retirou deixando o homem tigre em pé e encarando as costas do velho símio.

- Essa é a opinião de todos vocês? – perguntou Turok olhando pro alto em direção as casas nas arvores – todos vocês compartilham desse conformismo?

Ele não obteve resposta nenhuma, as pessoas pareciam deprimidas e perdidas.

- Quando a primeira guerra estourou o nosso povo foi oprimido pelos vencedores e hoje são escravos – disse um homem coruja sentado sobre um galho – dessa vez se perdemos seremos massacrados.

- E você prefere viver escondido numa floresta rezando pra que ninguém os encontre aqui? Preferem viver no mato reclusos do que ter o direito de ir aonde quiserem por temerem uma coleira?

As palavras de Turok bateram fundo no orgulho deles, mas a vida reclusa de tantos anos tirou-lhes qualquer coragem ou apego ao orgulho, sentindo que estava perdendo seu tempo ali Turok preferiu procurar ajuda em outro lugar.

- Alguém pode ao menos me dizer onde encontro os trogloditas? – perguntou Turok perdendo as esperanças.

- E por que quer encontrá-los? – perguntou um dos que estavam próximos.

- Talvez eles tenham mais vontade de lutar do que vocês – disse Turok – eles pelos menos não se conformam ou se rendem.

Os habitantes de Gaiados não acreditavam que ele obtivesse sucesso em convencer os trogloditas, mas se houvesse uma chance deles partirem pra lutar nessa guerra valia a pena guiar o homem tigre até eles.

Os habitantes de Gaiados indicaram o caminho pra encontrar os trogloditas, eles estavam habitando as cavernas no interior de um pequeno morro distante, e seguindo essa orientação ele se aproximou do esconderijo dos trogloditas, já era noite e era o momento que eles mais ficavam ativo.

Após encontrar o lar dos trogloditas ele reparou na movimentação daquelas feras que lembravam lagartos bípedes furiosos, sem receio algum ele se apresentou pro grupo a sua frente que ficaram alvoroçados com a visão de um licantropo tão grande e forte, com lanças em punho eles cercaram Turok.

- Quero falar com seu líder – pediu Turok prestando bastante atenção nos movimentos deles.

- Você é o feroz que matou minha patrulha? – perguntou um troglodita diferente dos outros.

Normalmente trogloditas são verdes e não muito maiores que um ser humano, mas esse que apareceu era cinza, muito alto e musculoso e vestia peles que com certeza pertenciam a licantropos abatidos, ele trazia um tacape preso a cintura e tinha muitas cicatrizes pelo corpo inteiro.

- Matei sua patrulha por tentarem me matar e a uns jovens do meu povo – respondeu Turok – mas vim tratar de um assunto que pode ser do seu interesse.

- Pode ser difícil me interessar – respondeu o líder – vai ter que ser bem esforçado.

- Vim lhe propor uma chance de mudar sua situação.

Quando Turok disse isso o líder do bando começou a gargalhar, os outros ao seu redor seguiram na risada também.

- E em que situação você acha que estamos que precisa ser mudada? – perguntou o líder.

- Na situação de encurralados e enxotados de suas terras pelo avanço das tropas do país vizinho – respondeu Turok.

O líder do bando respondeu com uma cara feia e um rosnado mostrando os dentes, Turok logo percebeu ter tocado numa ferida.

- Se ainda não mandou me matarem suponho que estou certo não é?

- Diga de uma vez o que quer conosco! Se não me agradar será nossa próxima refeição!

Turok achou irônico que os trogloditas fossem mais “receptivos” que seu próprio povo, aparentemente os trogloditas estavam mesmo inconformados com sua atual situação e se tivessem uma chance de dar a volta por cima aceitariam na hora.

- A herdeira desse reino voltou, acho que vocês nem sabem disso não é?

- Não mesmo, nós não nos importamos com nada fora do nosso território.

- Os deuses determinaram que a princesa Isawa tinha uma oportunidade de reconquistar seu reino daqui a alguns meses, se ela conseguir fazer todos aceitarem sua posição esse país terá sua líder legitima novamente.

- E em que isso nos ajuda seu felino sarnento?

- Se Houran tiver um novo líder os invasores recuarão – explicou Turok – e a princesa com certeza será grata a aqueles que lhe ajudarem.

Turok meio que se sentia culpado por usar argumentos simples pra mentes tão simples, mas a questão é que os trogloditas só lutariam pelo próprio interesse, e não por um futuro melhor ou ideologias.

- Você quer que eu e meu pessoal lute nessa guerra? O que espera que uma centena de trogloditas façam numa guerra se não estamos dando conta de um bando de invasores?

- Sozinhos não podem fazer nada, mas se vocês falarem com as outras tribos tenho certeza que poderemos mudar a nossa situação.

- E você espera que todos nós nos unimos sobre a bandeira dessa princesa? Por acaso ela vale alguma coisa?

Turok ficou calado por uns instantes como se pensasse na resposta mais adequada, ele se lamentava por nunca ter sido um bom diplomata e até preferiria que aquele bardo irritante estivesse por perto, ele escolheria bem as palavras pra convencer até mesmo um dragão.

- Se ela vale a pena ou não você decide, mas tenho certeza que é melhor lutar por uma causa e morrer por ela do que morrer em vão nessa floresta!

O líder do bando troglodita encarava Turok como se o avaliasse moralmente procurando algum indicio de confiança nele, por fim ele decidiu.

- Se você quer mesmo nossa ajuda traga sua líder aqui – sugeriu ele – eu convocarei todos os lideres tribais e se ela for boa o bastante talvez consiga nossa ajuda.

- Se deseja tanto falar com minha princesa eu cuidarei disso, ela virá com certeza.

Turok se curvou em respeito para o líder troglodita, ele em respeito pela coragem de Turok em confrontá-los diretamente lhe deu um osso decorado que servia como prova de respeito entre eles.

Turok deixou a tribo troglodita e seguiu pela mata com intenção de deixar aquele lugar, se por um lado ele estava feliz por ter conseguido aliados para sua princesa por outro ele estava decepcionado em ver que seus compatriotas se acovardaram e preferiam aceitar essa vida reclusa do que lutar pela própria liberdade, mas enquanto andava ele teve uma surpresa a sua frente, muitos dos jovens licantropos da vila esperavam por ele na trilha de volta, todos juntos como se o esperassem.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou ele preocupado – precisam de ajuda?

- Queremos nos juntar a você – respondeu aquele que parecia liderar os outros – cansamos de viver com medo de por os pés fora dessa floresta!

Turok encarou aquele grupo a sua frente, dava pra notar que a maioria deles não deveria ter mais que 20 anos, o que significava que nasceram pouco antes da guerra ou logo depois dela, ele imaginou que diferente dos mais velhos que a muito perderam as esperança estes ainda tinha sede de liberdade e ainda tinham coragem sobrando.

- Vocês deveriam voltar – pediu Turok – em breve minha princesa virá a essa floresta e ai você poderão expressar a vontade de vocês oficialmente, não quero que os mais outros acusem-na de iludi-los e arrastar vocês pra uma guerra contra a vontade dos mais velhos.

Antes que alguém dissesse alguma coisa todos notaram que o ancião da vila se aproximava, ele parecia ter escutado tudo, ele observava o grupo que fugira da vila pouco depois de discutirem sobre o que era liberdade, depois encarou Turok e agora tinha tomado uma decisão.

- Você respeitou nossa vontade – disse o ancião – e alem disso conseguiu convencer os trogloditas, se você consegue ser assim servindo a essa princesa significa que ela é merecedora dos seus serviços.

- Eu jamais encontraria orgulho maior do que servir a princesa Isawa – disse ele orgulhoso – mesmo que ela seja bem diferente do que estamos acostumados eu acredito que Isawa é a única pessoa digna de sentar naquele trono, a única que merece os meus serviços e minha dedicação.

- Talvez possamos acreditar nela também – comentou o ancião – se o que disse é verdade quando ela chegar eu a aceitarei para uma conversa.

- Prometo que não se decepcionará – disse ele se curvando – eu me encontrarei com ela em breve e pedirei para que venha conversar com todos.

- E sua princesa aceitaria a nós como aliados Turok? Ela aceitaria seres com nós tão diferentes dela?

- Minha princesa jamais nos rejeitará – disse ele confiante – por que foi por nossa causa que ela retornou, é justamente por nós que ela decidiu lutar!

Antes do inverno acabar Isawa foi ao encontro do povo da floresta, ela conseguiu reunir os trogloditas e os licantropo e os uniu num único povo, mesmo antes da grande guerra ela já conseguiu expulsar da floresta aqueles que invadiam o território daquele povo.

Confiantes em sua nova líder trogloditas e licantropos se tornaram aliados e Turok ficou encarregado de ensiná-los a lutar unidos, as noticias dos feitos de Isawa se espalharam alem daquele território e muito povos que se sentiam injustiçados se uniram sobre a bandeira do dragão negro.

Esse foi mais um passo para restaurar tudo o que aquele povo havia perdido, incluindo o antigo orgulho que estava adormecido, a única coisa que faltava era a derradeira vitoria pra que um novo futuro surgisse a frente.

Continua.

Notas finais
e então? o que acharam?
a cada momento a guerra se aproxima mais!