Entre a Luz e a Escuridão

23 Especial II - o Despertar da Guerreira


Notas iniciais
eu não sei se devia ter feito esse especial antes do cap anterior, mas na minha concepção acho que fica mais interessante assim, e voces o que acham!

No templo do dragão azul no alto da montanha mais alta da cordilheira era onde Isawa treinava pra despertar seus poderes e aprimorar suas habilidades como guerreira, e para isso ela treinava incessantemente sobre os cuidados de uma das esposas de Shinmon, levando bem a sério esse treinamento ela já podia se considerar uma boa guerreira, mas o treinamento ficava cada vez mais puxado a medida que ela progredia.

- Acho que Yoriki-san está tentando me matar tanto quanto o marido de vocês! – reclamou Isawa enquanto mergulhava o corpo na água quente.

- Ela é muito mais gentil que o lorde Shinmon – comentou Nadia – você ainda não precisou ser “consertada” pela irmã Leila.

Com o comentário da jovem moça de cabelos negros as outras começaram a rir, todas elas estavam na fonte termal construída exclusivamente para seu prazer, uma fonte construída para parecer com os banhos gregos da terra.

- Falando naquele pervertido sem vergonha ele não está por perto não é? – perguntou Isawa preocupada se ele estaria observando-as tomarem banho.

- Aqui é o único lugar que lorde Shinmon não vem – respondeu Kohana – esse é nosso santuário particular.

- A menos que o convidemos pra uma diversão em conjunto – acrescentou Kaliope rindo maldosamente.

- M-me poupem de ouvir detalhes por favor! – pediu Isawa rubra de vergonha.

Ao observarem o nível de constrangimento que ela ficou as outras não deixaram de rir, sempre que elas comentavam algo mais “picante” a jovem logo tratava de sumir ou mudar de assunto.

- Você tem que se acostumar jovem menina da terra – começou Kaliope – com um corpo perfeito como esse é de se espantar que você não tenha tido nenhuma experiência ainda.

- Me desculpe se eu fui criada pra não me entregar pra qualquer safado tarado – disse ela cobrindo o corpo diante do olhar malicioso da mulher demônio.

- Bem, ela ainda tem razão quanto a isso – comentou uma moça loira de olhos verdes – a Sumili era muito mais tímida quando chegou aqui.

- na-não di-ga isso irmã Mayra! – disse a menina toda envergonhada – eu só tinha 16 anos quando lorde Shinmon me aceitou como oferenda!

- O que quer dizer com oferenda? – perguntou Isawa confusa.

- A três anos essa menina aqui foi oferecida ao lorde Shinmon como um tributo para que ele não destruísse seu vilarejo – respondeu Nadia – lorde Shinmon obviamente aceitou e a trouxe para cá, até houve um grupo de heróis que tentaram resgata-la quando souberam da historia.

- E hoje os crânios deles enfeitam o salão de troféus do nosso senhor – disse Leila rindo.

- Mas que coisa é essa?! E você aceitou isso?! – Isawa parecia revoltada.

- Mas o povo do vilarejo ficou bem com isso – disse ela de cabeça baixa – além disso lorde Shinmon é tão bom comigo e ainda esperou eu ficar adulta pra me possuir, eu sou feliz aqui.

Isawa se reclinou pra trás como se tivesse desistido de argumentar com essas mulheres, se pelo menos elas estão felizes ela não pode ficar reclamando dessa relação maluca de poligamia entre eles, mas de repente ela ficou curiosa ao ouvir as risadas das mulheres, elas pareciam achar algo bem engraçado.

- Parece que seu amigo vermelho está muito interessado em você – disse Kohana pegando um espelho e mostrando pra Isawa.

No espelho dava pra ver a imagem refletida de Fou escondido na copa de uma arvore olhando fixamente para Isawa, dava pra saber que ele a observava por que as colunas que sustentavam o teto escondiam as outras.

- Aquele maldito! – rosnou em fúria Isawa – vou arrancar cada escama dele com uma pinça.

- Relaxe, deixe o jovem aproveitar um pouco – pediu Kaliope – quem sabe lorde Shinmon o pegue e ai você vai ver um espetáculo sem igual.

As moças riram mais alto, no alto da arvore Fou se perguntava o que elas achavam engraçado, e Isawa se afundou mais na água tentando esconder o corpo para que ele não a visse.

- Quando eu sair daqui ele vai ver só! – jurou Isawa.

- Você fala isso mas não parece tão zangada quando uma moça como você deveria ficar, será que você sente alguma coisa pelo jovem bonitão? – Kaliope adorava provoca-la.

Ao ouvir isso Isawa parecia uma barata tonta sem saber o que falar ela gaguejava tentando formar alguma frase coerente.

- Ora, não precisa disfarçar – disse Nadia – mesmo que ele seja um pouco diferente é um rapaz bonito, não são as asas, chifres, cauda e pele vermelha que muda isso.

- Eu não o chamaria de feio – disse Isawa – mas eu não consigo me imaginar ao lado dele.

- Ótimo, sinal que você já pensou nessa possibilidade – comentou Mayra.

- Eu não disse isso! – tentou disfarçar.

- Pois ele parece bem interessado em você – disse Leila – dê uma chance pro garoto.

- Eu tenho uma idéia pra você mexer com esse garoto agora! – disse Kaliope.

A demônio começou a cochichar no ouvido da garota que ficou rubra ao ouvir o plano da outra, mas a medida que elas discutiam um sorriso se formou em seus lábios, então seguindo a idéia da outra Isawa se transformou completamente, uma habilidade que só recentemente ela dominou, usando suas próprias asas como capa ela saiu da fonte pelo outro lado e foi andando até onde Fou estava escondido por uma direção que ele não podia vê-la, o rapaz não entendeu o que estava acontecendo e ficou imaginando até que ela parou bem de frente pra arvore.

- Pode sair daí espertinho, sabemos que está nos observando! – exigiu Isawa com uma voz autoritária.

Pego de surpresa Fou despencou da arvore caindo de cabeça no chão, Isawa recuou um pouco para que ele não pudesse ver seu corpo por baixo das asas e mesmo envergonhada por sua própria atitude ela continuou autoritária diante do rapaz que estava estático.

- O que acha que devemos fazer com você? – perguntou Isawa maldosamente – se Shinmon souber que você estava espiando suas mulheres eu não faço idéia do que ele lhe fará.

- Eu não estava espiando elas! Eu estava espiando só você e...

Percebendo que tinha falando mais do que devia ele tapou a boca com a mão e começou a suar frio, o olhar de Isawa parecia mais impiedoso ainda.

- Entendo... – disse ela – então acho que posso te esfolar aqui mesmo – ela levantou a mão exibindo as garras afiadas.

- Ou pode exigir que ele se torne nosso escravo pessoal – disse Kaliope enrolada numa toalha – é preferível do que contarmos ao lorde Shinmon que você visitou nosso santuário particular.

- Você está me chantageando! – disse ele desesperado – isso é coisa que se faça???

- Sou um demônio, é de minha natureza – disse ela sorrindo – vai aceitar ou prefere que eu deixe a moça aqui cumprir sua ameaça?

E o resultado disso é que todas elas ganharam um novo servo para atender seus caprichos, Fou teve que servi-las exatamente como ordenado e Shinmon ficou sem entender o que tinha acontecido.

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- Mantenha a postura! Recupere o equilíbrio e revide! – ordenava Yoriki atacando com tudo.

Isawa não conseguia acreditar que aquela mulher fosse humana, atacava com uma força bruta inacreditável e não se abalava mesmo quando recebia um ataque forte, ela parecia ser um dragão tanto quanto Shinmon, e ainda lutava com duas espadas grandes como aquelas como se fossem de plástico.

- Você é profissional Yoriki-san! – reclamou Isawa se levantando da ultima pancada – não cobre de mim o mesmo resultado tão rápido!

- Se você quiser progredir rápido tem que encarar cada treino como se fosse uma luta real! – depois de falar isso ela atacou mais uma vez.

- Eu... aaii! Eu to vendo que vai virar uma luta de verdade mesmo! – disse Isawa se defendendo por pouco.

- Vocês estão se divertindo meninas? – perguntou Shinmon aparecendo.

- Sua mulher está – disse Isawa se esquivando de mais um golpe – eu só estou me ferrando aqui!

- Bom trabalho Yoriki, continue assim! – disse o dragão rindo.

Isawa chutou uma pedra que estava próxima direto na testa de Shinmon, ele nada sentiu além de raiva e um desejo homicida.

- Você é mesmo mal educada como seu pai! – reclamou ele limpando a testa.

No pequeno momento de distração de Isawa ela levou um golpe do cabo da espada de Yoriki direto no pescoço.

- Concentre-se aqui ou da próxima vez eu uso a lâmina – avisou ela séria.

Enquanto a situação não piorava uma mulher de cabelos prateados e uma menina alegre com cabelos azuis se aproximaram, no momento que a menina viu Shinmon correu para ele pulando em suas costas.

- Papai!! Acabei de voltar de naigori! Lá é muito legal!! – disse a menina eufórica.

- Certo, agora saia das minas costas! – ordenou ele irritado.

- Trate melhor a sua filha seu canalha! – reclamou Isawa.

- Oi irmã Isawa, já aprendeu a controlar sua transformação?

- Já sim Kaoru, obrigada pelas dicas! – respondeu Isawa satisfeita.

Cabia a kaoru ensinar Isawa a se transformar, mesmo só tendo 14 anos ela fazia isso naturalmente, levou duas semanas para Isawa conseguir imita-la, mas o que Isawa não gostava nisso era o método de liberação de seus poderes, segundo o que lhe ensinaram por ser metade dragão negro seus poderes se originavam da energia negativa que ela liberava, e essa energia ficava mais forte de acordo com os sentimentos em que ela se concentrava, de forma resumida o segredo para que ela se transforma-se completamente era abrir seu coração para o que havia de pior lá dentro.

- Agora falta lhe ensinar a soltar raios pela boca! – disse a jovem empolgada.

- Você se enganou querida – disse a mulher que a acompanhava – a Isawa é dragão negro, ela cospe acido.

- E que graça tem isso Ogata? É mais legal explodir as coisas!

- Eu não quero explodir e nem derreter nada! – reclamou Isawa achando essa conversa bizarra.

Enquanto elas conversavam Shinmon se retirou com Yoriki, era a hora de descanso de Isawa para repor as energias, e nesse momento Karin junto com Kaliope se juntavam ao grupo.

- Isawa nee-chan!! Veja só o feitiço que ela me ensinou!! – gritou a pequena empolgada.

Murmurando algumas palavras e fazendo um gesto com as mãos Karin fez surgir de dentro de sua própria sombra um tentáculo que parecia feito de piche e se mexia imitando os movimentos da menina.

- Muito bem irmãzinha! – elogiou Isawa – agora quero ver um polvo inteiro sair daí.

- Eu acho que isso não é possível irmã – disse Karin triste achando que o pedido era de verdade.

- Calma Karin-chan, eu só tava brincando! – Isawa acariciou o rosto dela para animá-la.

- Sua pequena irmã tem um talento natural pra magia negra – elogiou Kaliope.

- De onde eu venho isso não é motivo pra se orgulhar – disse Isawa sorrindo com a situação.

- Aqui também não – comentou a mulher demônio – mas em Houran qualquer um que demonstrasse talento com esse tipo de magia era convidado a se juntar na guarda mágica do reino, eles usavam a magia negra para o bem do povo.

Karin continuou exibindo muitos feitiços que ela já dominava, Kaliope contou que os antepassados da menina eram demônios que vieram a esse mundo invocados por alguma mago poderoso, ao longo dos anos esses demônios tiveram descendentes com os mortais com o passar dos séculos Karin nasceu com ligação sangüínea com esses demônios.

- Eu posso lhe perguntar uma coisa Kaliope-san?

- Claro, o que quiser querida.

- Você veio mesmo do inferno? Eu não consigo te ver como um demônio.

- Sim, eu sou um demônio – explicou ela – e vim do inferno, eu sou assim por que já fui humana.

- Como assim? – perguntou ela estranhando isso.

- Existem dois tipos de demônios: aqueles que nasceram no inferno são os verdadeiros demônios que você deve ter ouvido falar em lendas, o segundo tipo é a alma de um mortal que foi parar no inferno e com o passar do tempo se tornou um demônio, esse é o meu caso, fui para o inferno por ser uma assassina e lá me transformei num demônio.

- Acho que você não queria falar sobre isso – disse ela envergonhada.

- Tudo bem querida, por já ter sido humana eu entendo perfeitamente como vocês pensam e se sentem, mas eu já fui maligna, acontece que eu vivo feliz aqui com as outras e com o lorde Shinmon.

- Como você conheceu esse dragão doido?

- Eu morava no inferno quando fui invocada pra esse mundo por um mago poderoso – explicou ela – com o contrato que firmamos eu o serviria até que ele morresse, ai a alma dele seria minha.

- Acho que qualquer coisa é melhor que o inferno – disse Isawa.

- Engana-se querida, no inferno eu era escrava de demônios verdadeiros mas esse era meu destino pelos crimes que cometi, eu vivia em meio ao mal do inferno que é mais puro e verdadeiro que o mal da terra que se oculta no coração das pessoas, o mago que me invocou me usava para matar e destruir quem se opusesse a ele, eu matava qualquer pessoa que ele ordenava.

Isawa ficou olhando pra Kaliope com um misto de pena e compaixão.

- Isso era divertido pra mim no inicio – dizia ela entendendo o que a outra sentia – mas com o tempo esse mago se mostrou tão cruel e perverso quanto a maioria dos demônios, eu queria que ele morresse logo pra que eu devorasse sua alma e me liberta-se de uma vez.

- Foi ai que Shinmon apareceu – disse Ogata sorrindo.

- Ele desafiou o mago e o matou, depois que eu peguei a alma daquele desgraçado eu decidi me tornar serva do lorde Shinmon em agradecimento por finalmente me libertar desse inferno na terra.

- Duvido que o cretino tenha feito isso por você – disse Isawa prevendo.

- Não mesmo, ele gostou da idéia de ter uma serva demônio e me aceitou, não demorou até eu me tornar a terceira esposa.

- Eu fui a segunda – disse Ogata orgulhosa – ele me encontrou um tempo depois que casou com a Yoriki e disse que eu era uma jóia rara, ficou me seduzindo e cortejando até que não resisti aos encantos dele.

- Você aceitou essa vida de segunda esposa por tão pouco? – Isawa parecia deprimida.

- Não me importo de dividir o amor dele desde que eu tenha alguém que me ame – disse ela envaidecida – mesmo em meio ao meu povo eu era solitária, ter alguém que visse algum valor em mim foi meu sonho por muitos anos, além disso todas somos amigas e irmãs aqui.

- E pra mim elas são todas minhas mães! – disse kaoru rindo.

Era um interessante e divertido clima de descontração, as garotas estavam tão animadas que nem perceberam que já passara uma hora e agora Yoriki retornava para atormentar Isawa com seu treino espartano.

- Descansou bastante Isawa? – perguntou Yoriki voltando – hora de retomarmos o treinamento.

- Essa não! Eu nem fiz um lanche! – gritou Isawa horrorizada.

- Eu trarei algo pra você nee-chan – disse Karin se compadecendo do sofrimento da outra.

- Bem garotas, vamos nos apressar e preparar o almoço – disse Kaliope para as outras duas – lorde Shinmon odeia esperar.

Quando elas já estavam indo Isawa correu até Kaliope, ainda havia algo que ela queria perguntar.

- Kaliope-san, se eu morrer nessa guerra eu vou pro inferno? – ela parecia bem preocupada com a resposta.

- Seu destino é outro – respondeu ela – você está intimamente ligada a Tenebra, quando você morrer é bem provável que sua alma vá para o reino dela, ao lado de sua mãe.

A resposta que Kaliope deu parecia ter animado muito Isawa, o maior medo da jovem era ser uma pecadora que tirou a vida de muitos.

- Além disso Isawa, enquanto você lutar pelo bem dos outros e mantiver seu coração voltado para essa meta não importa qual “crime” você cometa se o povo desse mundo orar pelo seu sucesso e existir aqueles que lhe desejem bem jamais vai ver o fogo do inferno após a morte.

- Por outro lado você vai ver o inferno aqui mesmo se não se empenhar nesse treinamento – disse Yoriki com uma aura assassina.

- Ainda da tempo de pedir ao shinmon que me treine? – perguntou Isawa encolhida num canto com medo.

Foram mais 4 horas de treinamento pesado com um mero intervalo de 15 minutos para lanchar, Isawa nunca mais reclamaria das aulas de educação física se um dia voltasse pra terra.

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Tristeza, dor, medo, ódio, vingança... todos esses sentimentos negativos eram a fonte do seu poder, mesmo que lhe garantissem que com o tempo ela se acostumaria Isawa pensava nessas coisas enquanto tentava dormir ao lado de sua irmãzinha adotiva, a menina lhe abraçara e pegou no sono assim mesmo enquanto mantinha no rosto um sorriso reconfortante, dos seus companheiros de viagem ela foi a única a ficar ao seu lado enquanto que os outros partiram em suas próprias jornadas para ajuda-la, Vulthar passava o tempo todo na floresta como se estivesse satisfeito por não precisar mais protege-la, e Fou ia e vinha quando queria, as vezes ficava a observar de longe, outras vezes era indiferente a ela, algumas vezes ele parecia feliz em encontra-la e outras nem ligava quando ela aparecia machucada na frente dele.

- “Afinal de contas o que você quer de mim?” – perguntou-se ela em pensamentos.

Na verdade ela nem sabia por que estava se concentrando nele, conhecera o rapaz a tão pouco tempo e já se sentia atraída por ele, uma das esposas de Shinmon disse que talvez isso fosse uma atração natural já que eles eram da mesma espécie, se isso for verdade faz sentido o motivo dela achar os garotos da escola patéticos e triviais, pensando sobre seu tempo de escola ela lembrou dos poucos momentos que passou ao lado de algum garoto, um beijo aqui e ali, uma mão mais ousada ocasionalmente e uma única vez em que um rapaz a levou pra uma sala vazia e a agarrou, embora não tenham ido até o fim ela deixou que ele a tocasse, lembrando da sensação ela ficou imaginando como seria se Fou a tocasse daquele jeito.

- “Para de pensar besteira” – repreendeu-se ela mentalmente – “eu não vim a esse mundo pra namorar!”.

“Por que não?” era a única pergunta que ficou martelando em sua cabeça, tal questão só desapareceu quando ela viu um vulto passar pela janela e ir para o mato atrás da casa que ela ocupava, curiosa a respeito disso com muito cuidado ela se soltou de Karin, beijando a testa da menina ela pulou a janela e foi em direção ao mato, ficou surpresa por encontrar justamente aquele que lhe atormentava em pensamentos agora a pouco.

- Veio me espiar de novo? – perguntou ela maldosamente.

Não obteve resposta para a pergunta além de um cara emburrada.

Ela sentou-se ao lado de Fou que estava sentado e encostado numa arvore, a noite estava bem frescas e valia a pena apreciar as estrelas.

- Nesse mundo dá pra ver as estrelas perfeitamente – começou ela olhando o céu – ainda mais aqui no topo dessa montanha longe de tudo.

- No céu do seu mundo não tem estrelas? – perguntou ele interessado.

- Tem como em qualquer lugar, mas as luzes das cidades encobrem o brilho das estrelas.

- Suas cidades são brilhantes? Que magia eles usam?

- Uma magia chamada “ciência” – disse ela rindo – no meu mundo ninguém usa magia, ou pelo menos ninguém foi visto usando magia e mesmo que fosse visto era provável que ninguém acreditasse.

- Que chato – disse ele diante da resposta.

O silencio voltou a se instalar entre eles, dava pra ouvir o vento forte que cercava a montanha, os animais na floresta e se prestassem mais atenção os corações um do outro batendo.

- Desculpe por ter ido espiar – disse ele sem olhá-la diretamente – não resisti a tentação de ver um monte de mulher pelada juntas.

Isawa não sabia se ficava aborrecida por ser apenas uma tentação que moveu Fou, se ficava envaidecida por ser algo que valesse a pena se arriscar pra ver ou se ficava feliz por ele ter pedido desculpas.

- Por acaso não pretende repetir não é? – perguntou ela.

- Faria de novo se tivesse a chance – ela a encarou e não resistiu a puxá-la pra um beijo.

Totalmente pega de surpresa Isawa nem conseguiu esboçar qualquer reação quando ele a deitou no chão ficando por cima dela, beijando-a intensamente usando a língua pra explorar a boca dela, somente 10 segundos depois que a mente dela voltou a funcionar, empurrando o suficiente para separarem os lábios ela parecia atônita e sem falas.

- O que você pensa que está fazendo? – perguntou ela ofegante pela adrenalina que percorreu seu corpo.

Ele não respondeu com palavras e tomou os lábios dela mais uma vez, dessa vez Isawa parecia não ter forças pra resistir e começou a amolecer nos braços dele, o beijo foi ficando mais intenso e correspondido por ela, a mão direita a segurava pela cintura enquanto a mão esquerda a segurava pela nuca para que ela não se separasse dele facilmente, o beijo só foi interrompido novamente quando os dois precisaram respirar.

- Pare por favor – pediu ela quando Fou encostou a cabeça no ombro dela.

- Você quer mesmo que eu pare?

- Não sei se quero – respondeu ela – mas você deve parar, ou eu...

- Pode acabar querendo mais não é? – disse ele sorrindo.

Ele voltou a beijá-la sem que ela o impedisse, depois de saborear os lábios dela completamente o beijo foi descendo pelo pescoço deixando um rastro fino de saliva enquanto ela gemia e se remexia embaixo dele, Isawa sentia um calor percorrendo todo o corpo e realmente estava desejando mais, queria que ele fosse mais ousado ainda e saboreasse o resto do seu corpo, mas sua consciência implorava pra que ela tomasse uma atitude a respeito disso.

- Eu não posso fazer isso agora! – disse ela segurando a cabeça dele pelos chifres.

- Se não for agora vai ser quando voltar? – disse ele se levantando de cima dela.

- Então você já sabe? – ela parecia triste agora.

O motivo de Isawa estar tão pensativa nessa noite é que Yoriki disse que ela não desenvolveria toda a sua força se só ficasse treinando nessa montanha, como solução pra esse problema ela decidiu levar Isawa numa jornada pelo continente para enfrentar todo tipo de guerreiros e monstros para aprimorar suas habilidades naturalmente, Isawa concordou mas ficou sentida por ter que partir.

- Foram aquelas malucas que me contaram enquanto me escravizavam – disse ela encostando-se novamente na arvore – a tal da Nadia disse que se eu gostasse mesmo de você eu deveria vim vê-la antes de partir.

O coração de Isawa disparou quando ele disse isso, se ele estava ali significava que gostava dela? Ou ele só queria dar uma transada com ela antes que ela se fosse? Tinha medo de perguntar mas seu coração não agüentaria partir nessa duvida.

- Foi por isso que veio? – perguntou ela timidamente.

- Sei lá! Eu nunca senti isso na minha vida! – respondeu ele direto – sempre que eu queria uma garota eu a pegava a força, e sempre fora só pra transar.

Afinal de contas nem ele sabia a resposta, procurou Isawa parar confirmar o que pensava sobre ela e se deparou numa situação que não sabia o que fazer, acabou agindo por impulso.

- Talvez você descubra quando eu voltar – disse ela gentilmente – agora eu tenho mais um motivo pra voltar logo.

Agora fora ela que iniciara o beijo, sentando-se no colo dele ela continuou beijando-o enquanto envolvia seu pescoço com os braços, o beijo dessa vez era mais suave como um beijo de um casal apaixonado, ela afundava suas mãos no cabelo esbranquiçado dele enquanto ele usava a cauda para alisar as costas dela, tal gesto fazia cócegas em Isawa e ela ria um pouco mesmo sem parar de beijar.

- Já estou imaginando onde essa cauda vai parar – disse Vulthar saindo de um arbusto – vai ser a primeira vez que eu vejo uma cauda sendo enfiada no rabo de alguém.

Num impulso de puro ódio Fou pegou uma pedra e arremessou contra Vulthar que desviou sem problema algum, Isawa estava num misto de espanto por ser pega nessa situação e ódio por ter sido interrompida.

- Como você sempre sabe a pior hora para aparecer sua cobra maldita!? – resmungou ela furiosa.

- Desculpe empatar sua putaria, da próxima vez vou ficar só assistindo – respondeu a serpente maldosamente.

- Vou arrancar seu couro pra fazer uma bainha nova pra minha espada! – ameaçou Fou.

Na verdade Isawa até ficou satisfeita com a interrupção, estava gostando demais daquilo e talvez acabasse indo até o final, e no momento ela não queria se entregar dessa maneira.

- Já vou indo – disse Fou se levantando – fiquei com uma baita fome agora.

Quando ele já ia levantar vôo Isawa o segurou pela asa, ela parecia confusa e isso ficou evidente para o rapaz dragão.

- Quando eu voltar nós podemos conversar melhor não é? – perguntou ela esperançosa.

- Pode ser, vê se não demora muito – disse ele voando longe.

Depois que ele se foi Isawa encostou-se na arvore como se estivesse pensando e Vulthar se aproximou dela.

- Você ta lembrada que ele era um criminoso que estrupava garotinhas não é?

- Eu sei, mas por algum motivo eu não consigo odiar-lo – respondeu ela.

- Talvez por que vocês sejam iguais: dois pobres coitados perdidos nesse mundo, excluídos dos outros por serem aberrações.

Isawa queria ter dado uma resposta adequada para Vulthar, mas por algum motivo ela sentia que a resposta daquela criatura era a mais próxima da verdade.

- Não se preocupe tanto com seu futuro nessa guerra, ele ainda está longe – disse Vulthar – o presente é mais importante agora, aproveite enquanto pode.

- Como é que você diz essas coisas tão legais sendo tão escroto? – perguntou ela.

- Eu posso fazer isso por que um dos meus deveres é te aporrinhar constantemente.

Isawa não estava com o humor certo para rebater as piadas de Vulthar, estava mais interessada em reter na memória as sensações que sentiu enquanto Fou lhe beijava, as sensações que percorreram todo o seu corpo e que agora ela desejava mais, pensando nisso ela lembrou que algumas colegas da escola falavam que uma vez que se experimenta você vicia.

- “Ta ai um vicio que eu acho legal” – pensou ela lambendo os próprios lábios.

Continua.

Notas finais
calma meu povo, as coisas esquentarão em breve, não se preocupem pois isso é só o começo!!!