Entre a Luz e a Escuridão
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Isawa retornava para o lugar onde deixara para trás seus companheiros, estava abatida por tudo que aconteceu hoje, re-encontrar Akiko e ter machucado ela já era bem ruim, e agora ela se sentia culpada pelo que aconteceu na vila por ela ser indiretamente responsável, sentia culpada por cada morte que ocorreu.
- “Não era minha intenção” – pensava ela para aplacar a própria dor – “foi um acidente, eu não queria transformar a mãe da Karin-chan num monstro”.
Ao se lembrar da menina ela procurou a jóia que carregava no bolso, a jóia que por acaso salvara sua vida quando Akiko tentou matá-la, lembrou-se do compromisso que assumiu com aquela alma e decidiu por suas dúvidas de lado.
- A Karin-chan precisa de mim, vou cuidar dela como prometi a Sansara-san.
Apertando o passo ela voltou para a mata onde todos a esperavam foi recebida com sorrisos.
- Que bom que voltou sã e salva senhorita – disse Daneth satisfeito – como foram as coisas lá?
Isawa não tinha interesse em contar sobre Menefer, então ao invés de responder foi até Karin que lhe olhava com um ar esperançoso.
- Isso é seu – disse Isawa entregando a jóia nas mãos da menina – sua mãe queria que ficasse com isso.
Karin ficou admirando a jóia e sentiu um conforto ao tocá-la, de alguma forma sabia que o espírito de sua mãe estava ali e repousava em paz.
- Obrigado senhorita – disse Karin com lágrimas nos olhos.
- Me chame de Isawa, Karin-chan – disse ela sorrindo – eu prometi a sua mãe que tomaria conta de você enquanto eu vivesse, a partir de hoje eu sou sua irmã mais velha e você minha adorável irmãzinha.
Karin ficou ruborizada com a idéia, seria uma coisa estranha uma desconhecida se esforçar tanto por uma feiticeira, mas ao mesmo tempo ela sentia confiança naquela jovem moça que lhe oferecia amor fraterno.
- Senhorita Isawa, por que se importa tanto comigo? Eu sou uma feiticeira, uma pessoa amaldiçoada.
Como Isawa não entendia muita coisa desse mundo Vulthar decidiu explicar o significado do que era um feiticeiro.
- Pessoas como ela nascem com poderes mágicos naturais, isso por que algum antepassado dela era um ser sobrenatural ou alguém com grandes poderes.
- E por que isso seria uma coisa ruim?
- Por que meu antepassado era um demônio – contou a menina envergonhada – meu povo fazia pactos com os seres das profundezas e se misturavam a eles, eu herdei isso deles.
- Mas você é uma boa menina não é? – perguntou Isawa olhando diretamente nos olhos dela.
A menina baixou o olhar, ela não sabia responder.
- Pois eu não me importo se seu bisavô era o satanás, eu gosto de você e é isso que importa.
Depois de dizer isso ela alisou o cabelo da jovem, estava mesmo desenvolvendo sentimentos de irmã pela menina.
- Nossa, eu to faminta e cansada – disse Isawa pegando a sacola com a comida roubada.
- Onde conseguiu isso? – perguntou Vulthar.
- A comida? Eu roubei daqueles safados – disse ela já mastigando um pão – depois do que eles fizeram isso era o mínimo que eles podiam nos dar.
Todos riram com a forma natural como ela contou isso, parecia mais uma delinqüente, depois que todos encheram a barriga com a comida roubada Isawa bocejou cansada.
- Eu vou dormir agora – informou ela já pegando o saco de dormir na mochila – se alguém aparecer querendo me matar diga pra esperar até de tarde certo?
Todos observaram Isawa se metendo dentro do saco de dormir e pegar no sono imediatamente, se ela já cochilava muito durante o dia agora seria normal pra ela dormir de dia para viajar a noite.
- Ela é sempre assim? – perguntou Karin sorrindo.
- Geralmente ela é pior – respondeu Vulthar – ela já deve ta se achando uma princesa para fazer o que quer.
- Eu não me importo de servir uma princesa tão bela quanto ela – comentou Daneth admirando a jovem adormecida.
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Menefer sentia todo o seu corpo doer, mas ao mesmo tempo ela sentia um calor reconfortante sobre si que ia amenizando a dor, ao abrir os olhos viu o teto de uma sala conhecida, ao olhar em volta viu quatro clérigas de Azgher usando sua magia de cura sobre ela, ao reparar melhor notou que seu corpo estava despido.
- O que ta acontecendo? – perguntou ela rubra de vergonha.
- Sentimos muito pelo constrangimento princesa Menefer – disse uma delas – mas suas roupas estavam impregnadas com fumaça do fogo profano e dificultaria seu tratamento.
Ao mencionarem sobre o fogo profano Menefer lembrou-se do que aconteceu, no momento que atacou Isawa uma chama negra cobriu seu corpo e ela perdeu a consciência pouco depois.
- Então foi isso... – disse ela após se acalmar e parar de se mexer para receber o tratamento.
- Todos ficaram surpresos quando a princesa apareceu do nada coberta do fogo negro bem no meio da pirâmide – comentou um das clérigas.
Menefer ficou surpresa, ela não se lembrava de nada que pudesse ter feito para se salvar, então como ela tinha voltado para a pirâmide?
- Vocês sabem quem salvou minha vida? – perguntou ela confusa.
- Foi a pequena Dalap! – disse uma delas animada – a pequenina usou seu poder e trouxe você em segurança.
- Eu não sabia que ela tinha poder pra isso – comentou Menefer surpresa e feliz ao mesmo tempo.
- E não tinha – respondeu outra triste – Dalap se esforçou demais e está inconsciente em seu quarto, não sabemos se ela vai acordar.
Ao ouvir isso Menefer tentou se levantar e sair dali, foi impedida pelas clérigas que a seguraram.
- A princesa ainda não pode sair! Ainda não removemos todas as queimaduras!
- Isso não importa, tenho que ver a Dalap!
Antes que ela pudesse fazer qualquer coisa muhat entrou na sala sem nem mesmo avisar, ao ser vista pelo pai ainda nua Menefer se encolheu na mesa, uma das clérigas pegou um manto para cobri-la.
- Que algazarra é essa aqui? – perguntou ele serio.
- Perdão meu pai – pediu ela humildemente – mas eu fiquei nervosa ao saber que Dalap se arriscou por mim.
- Esse era o dever dela, você é muito mais importante que aquela pequena fada ígnea.
Ouvir seu pai destratar Dalap depois dela ter se arriscado tanto era uma verdadeira ofensa, mas ela não ousaria questionar seu pai.
- Já faz mais de uma hora que vocês estão tratando dela – disse Muhat para as clérigas – por que 4 de vocês juntas ainda não terminaram?
- Temos que ir com calma meu rei, as queimaduras foram profunda e estavam cheias de energia profana.
- Além disso se formos apressadas as queimaduras não fecharão corretamente e deixarão cicatrizes no corpo perfeito dela – disse uma outra – acredito que a princesa não pode aparecer com o corpo marcado horrivelmente.
Muhat se acalmou com as explicações e agora encarava a filha, como usava uma mascara ficava difícil saber o que ele pensava.
- O que aconteceu exatamente pra você ter falhado?
- Fui pega de surpresa por uma habilidade desconhecida dela – respondeu Menefer envergonhada – nunca imaginei que ela pudesse fazer aquilo.
- Seja lá como for esteja preparada, lorde Azgher deseja falar com você assim que puder.
O aviso do seu pai caiu como uma bomba para Menefer, era impensável que o grande deus do sol e do deserto desejasse conversar com uma mera súdita.
- Então irei agora mesmo, não se pode deixar um deus esperando! – disse ela quase gaguejando.
- As ordens de Azgher eram pra que fosse depois de curada, não antes – e já deixando a sala para que as clérigas terminassem o serviço ele continuou – lembre-se de levar uma oferenda pro nosso deus.
Menefer ficou radiante com isso, um deus não se daria o trabalho de repreender uma serva pelo fracasso pessoalmente, então o assunto era outra coisa, seja o que fosse seria uma honra inestimável ficar na presença do deus supremo.
- Vamos meninas! – ordenou aquela que parecia a líder das quatro – temos que deixar a princesa apresentável para o nosso deus!
E assim Menefer deitou novamente sobre a mesa enquanto as clérigas tratavam dos seus ferimentos mais rápido, por algum motivo ela sentia que devia isso a Isawa mesmo sem saber como.
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Estava já pelo horário da tarde quando Isawa sonhava com um rapaz da escola, sonhava que ele lhe fazia caricias mais ousadas em plena sala de aula enquanto todas as garotas olhavam morrendo de inveja.
O problema é que na realidade era Vulthar sibilando próximo ao pescoço dela de modo que sua língua bifurcada roçasse no pescoço dela provocativamente, ele estava se divertindo com isso.
- Não faça isso kazuya-kun – dizia Isawa em seus sonhos – não podemos fazer isso aqui.
- Desculpe te dizer isso querida – disse Vulthar com sua voz assustadora – mas não sou quem você pensa.
Isawa acordou sobressaltada ao ouvir a voz de Vulthar, como ainda estava dentro do saco de dormir se atrapalhou toda e acabou batendo a cara no chão.
- Você já dormiu 6 horas sem parar mocinha, hora de por o pé na estrada.
- Vai se lascar sua cobra miserável! – gritou Isawa – ainda ta de dia!
- Da próxima vez deixou você dormir o dia todo, mas agora vamos andando que Tenebra logo vai querer bater um papo contigo.
Isawa olhou para Daneth e Karin que continham o riso diante da cena, ela estava doida pra arrancar aqueles sorrisos da cara deles.
- Vocês estão se divertindo as minhas custas não é?
- Lamento princesa, mas foi cômico mesmo assim – disse Daneth.
- Desculpe, eu tentei impedir – disse Karin que mesmo arrependida ria.
- E eu estava tendo um sonho tão bom... – resmungou Isawa enquanto levantava e dobrava o saco para guardá-lo.
- Nos percebemos, estava sonhando com o kazuya? Ele não é o capitão do time de futebol?
Isawa ficou toda vermelha com o olhar maligno que a serpente negra lhe desferiu, essa era a vingança de Vulthar por ter sido obrigado a viajar dentro da mochila.
- Aposto que tava sonhando que ia trepar com ele no meio da sala, queria pegar um peixe grande não é?
Isawa ficou furiosa com Vulthar e começou a pegar todas as pedras que tinha ali para jogar no réptil que se esquivava habilmente.
- Porra de cobra! – dizia ela enfurecida – pra onde vamos agora?
- Vamos seguir para o oeste senhorita – avisou Daneth – eu perguntei pra uns viajantes e parece que eles viram um templo de Tenebra por lá.
- Então vamos logo antes que eu me arrependa – e se voltando pra Karin foi mais delicada – está tudo bem pra você irmãzinha?
- Sim, eu não quero mais ficar nesse lugar mesmo.
Vulthar saiu das moitas que usou como proteção contra a fúria de Isawa.
- Então já está decidido, vamos indo.
E assim todos seguiram adiante para se encontrarem com a rainha das trevas, e Isawa estava mais curiosa do que nunca em saber como era essa deusa.
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Menefer estava mais nervosa do que nunca, por mais que desejasse se encontrar com sua divindade amada ela não se sentia segura o bastante para estar diante de Azgher, por isso levou o que achou de melhor para o salão do templo principal, vestiu sua melhor roupa de odalisca e se cobriu de jóias para estar minimamente apresentável para seu deus.
Já era de tarde, Azgher geralmente só falava com os mortais ao meio dia mas nada o impedia de aparecer enquanto houvesse luz, assim que Menefer entrou no salão e checou a mesa cheia de iguarias raríssimas ela se prostou diante do grande altar e a estatua gigante feita de ouro maciço que representava Azgher e começou a rezar.
Ela soube que suas preces foram ouvidas quando a grande estatua foi envolvida por chamas douradas, as chamas diminuíram de tamanho e de dentro delas saiu o grande deus sol.
Menefer ficou maravilhada com a visão, diante dela estava um guerreiro em trajes próprios para o deserto carregando uma bela espada presa na cintura, seu rosto envolto numa mascara, do espaço que seriam os olhos saia uma luz brilhante.
- Então você é a jovem filha do muhat? – disse a voz poderosa de Azgher – é muito mais bonita vista de perto.
A jovem ficou totalmente sem palavras diante do elogio dele, um deus era elogiado constantemente pelos mortais, não o contrario.
- Essas são suas oferendas? – perguntou Azgher olhando a mesa farta de comida e bebida.
- Um humilde presente para nosso soberano – disse finalmente Menefer.
Azgher desapareceu de cima do altar e re-apareceu ao lado da mesa, parecia avaliar o que lhe foi oferecido.
- Realmente são frutas difíceis de cultivar no deserto – comentou ele.
- Mas graças a vossa generosidade nos prosperamos – disse Menefer se virando pra ele ainda ajoelhada.
Azgher puxou a cadeira e sentou-se para aproveitar o que lhe foi oferecido, isso deixou Menefer extremamente perplexa pois ela jamais esperaria que ele realmente comesse, deuses não precisam se alimentar ou qualquer coisa assim, só o fazem por mero prazer.
- Uma refeição dessas seria um desperdício não comer, venha, me sirva uma taça de licor – disse ele já segurando a taça.
Menefer se apressou em se levantar e servir o licor para seu deus, pegou a jarra num canto da mesa e mesmo tremendo encheu a taça, seu maior medo era que uma única gota caísse sobre os trajes de Azgher e assim manchasse aquelas vestimentas sagradas.
Depois de ser servido Azgher levantou o pano que cobria a boca, Menefer instintivamente fechou os olhos pois era proibido que qualquer mortal vislumbrasse o rosto do deus do sol.
- Sente-se também jovem Menefer, temos assuntos para tratar – disse Azgher após beber.
Ela imediatamente cumpriu a ordem sentando-se diante de Azgher, ela se perguntava por que teve tal honra.
- Hoje bem cedo você confrontou novamente aquela que traz as trevas para meu reino não foi?
Era uma pergunta retórica, afinal nada acontece durante o dia sem que ele saiba, mas mesmo assim Menefer se sentiu na obrigação de responder.
- Correto meu lorde, mas eu fracassei – respondeu ela de cabeça baixa.
- Eu não considero aquilo um fracasso, mas tem coisas que você não sabe a respeito do ocorrido, gostaria de saber o que realmente aconteceu?
Quando Menefer balançou a cabeça positivamente Azgher narrou tudo o que viu do céu, com todos os detalhes Menefer ficou sabendo do que houve e se questionava sobre seus atos.
- Então foi isso minha jovem, aquela garota não foi realmente culpada pelo que aconteceu, foi um infortúnio.
- Lorde Azgher é muito generoso para perdoar aquela filha das trevas – comentou Menefer.
- Não é uma questão de perdoar, eu ainda a quero fora do meu caminho, mas não quero que você a persiga por ódio, isso corromperia seu belo sangue celestial.
Mais uma vez Menefer ficou constrangida por ser elogiada por um ser tão superior a ela, Azgher fazia elogios e ela não conseguia ficar natural diante dele.
- O deus da profecia me disse ontem que de alguma forma você acabará com a guerra, tenho muitas esperanças em você minha jovem.
- Farei tudo que for necessário para corresponder suas expectativas meu lorde – disse ela com um brilho cativante no olhar.
- Sei que fará, por isso estou deixando você encarregada de eliminar Isawa, alias quando eu comentei isso com sua mãe ela ficou entusiasmada.
- Mi-minha mãe? – perguntou ela incrédula.
- Não sabia? Celestiais quando morrem retornam ao seu mundo de origem, ela é uma das minhas servas e comentou o quanto estava orgulhosa de sua filha.
Sua mãe continuava viva, ou pelo menos continuava viva no reino de seu deus, isso encheu seu coração de alegria que transpareceu em sua forma fisica.
- Belas asas – disse Azgher notando as asas de Menefer que surgiam.
Menefer ficou envergonhada, ficou tão feliz com a noticia que perdeu controle sobre sua verdadeira forma.
- Fique assim mesmo, é mais bonita ainda, eu tenho que voltar aos meus assuntos, por isso boa sorte com a caçada.
Azgher se levantou acompanhando por Menefer, ela se ajoelhou diante dele.
- Sei que é muita ousadia de minha parte pedir algo, mas existe alguma chance de que eu possa rever minha mãe?
- Quando cumprir sua missão considere isso sua recompensa – disse ele antes de desaparecer no fogo celestial.
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Já era noite e agora Isawa e seus amigos voavam de carona em Vulthar na sua versão gigante, eles rumavam para o templo de Tenebra do qual Daneth ouviu falar, uma estrela no céu servia como guia para eles.
- Já posso ver o templo – avisou Vulthar.
Isawa forçou a vista e realmente confirmou a aproximação do templo.
Depois de aterrissarem ele estavam diante do templo, o templo em si parecia uma daquelas catedrais de Londres cheia de gárgulas, em volta do templo vários seres de pele roxa e com expressões demoníacas.
- O que são essas coisas? – perguntou Isawa.
- São carniçais – explicou Vulthar – um tipo de morto-vivo mais poderoso que aquele que você viu antes.
- Parece que estão protegendo o templo – comentou Karin se escondendo atrás de Isawa.
- Não creio que eles impedirão nossa entrada, mas tenho certeza que alguma coisa mais forte nos espera lá dentro.
Ainda receosa Isawa seguiu em frente acompanhada por todos, os carniçais acompanhavam os movimentos deles o tempo todo.
O interior do templo lembrava uma catedral comum, exceto pelas teias que dominavam o lugar tudo estava em ordem, o lugar não tinha janelas e vários vitrais adornavam o lugar, no fundo do templo um grande vitral com uma imagem de Tenebra estava sobre um altar e na frente do altar um esqueleto usando vestimentas nobres examinava com seu olhar gélido aqueles que entraram em sua residência.
- Por isso esse templo ainda está de pé – comentou Vulthar – tem um lich morando aqui, não é qualquer um que derrota um desses.
Mais uma surpresa para Isawa, Vulthar explicou que um lich é um dos mais poderosos morto-vivo que existe, é alguém que domina poderes negros e usou um ritual profano para se transformar em morto vivo, para quem realizava o ritual isso trazia muitos benefícios como o fato de não morrer (já estava morto mesmo), ganhar poderes nefastos e ter domínio sobre a vida e a morte, mesmo que alguém consiga derrota-lo ele sempre retornará.
- Tenebra disse que vocês viriam, desculpe não ter arrumado o lugar mas estou acostumado a não receber visitas.
- Não tem problema não senhor lich – disse Isawa com uma tremenda cara-de-pau – podemos voltar aqui outra hora.
- Nem pense nisso mocinha! – disse Vulthar – vá agora mesmo se encontrar com Tenebra!
Vulthar de um golpe de cauda no traseiro de Isawa para fazê-la parar de recuar, ela sem muita escolha foi em direção ao lich.
- Está preparada minha jovem? – perguntou o lich – então me acompanhe.
Isawa seguiu o ser profano até uma escadaria atrás do altar, as catacumbas subterrâneas eram onde o lich ficava durante o dia, felizmente para Isawa ela não precisava de tanta luz já que o lugar estava mergulhado na mais completa escuridão.
Quando Isawa entrou em uma sala o lich saiu deixando-a sozinha, a sala tinha velas roxas e no fundo tinha uma espécie de poltrona muito confortável, quando a porta se fechou um vento gélido percorreu a espinha de Isawa, quando ela prestou atenção já tinha uma mulher sentada na poltrona lhe encarando.
Isawa concluiu que aquela deveria ser Tenebra, a mulher com seu cabelo revoltoso que se mexia como se ela estivesse embaixo da água, um olhar estranho com pupilas semelhantes a lua no céu, Tenebra ficava olhando Isawa de cima a baixo deixando a jovem constrangida.
- “Por que ela fica me olhando desse jeito como se quisesse me devorar?” – pensava Isawa – “será que ela é sapatona?”.
Mal concluiu seu pensamento e Tenebra sorriu mostrando as presas alongadas, Isawa concluiu duas coisas: que ela provavelmente ouviu seus pensamentos e que Tenebra parecia uma vampira com aqueles dentões.
- Como você cresceu Isawa – comentou Tenebra rindo – quando eu deixei você aos cuidados daqueles velhos você era só um bebezinho de poucas semanas.
- Eu quero saber de uma vez por todas: por que eu? – perguntou Isawa recuperando a coragem.
- Sobre o que está perguntando? – Tenebra se fingia de desentendida.
- Por que eu fui escolhida pra isso? Por que me fizeram fugir desse mundo e ir morar na terra? Por que eu estou passando por tudo isso?
Tenebra gargalhou, em algum lugar do mundo pessoas convalescentes perdiam suas vidas durante a noite apenas por isso, as emoções dos deuses afetam o mundo dos mortais diretamente.
- Você não compreendeu ainda que o destino lhe pregou uma peça? Realmente poderia ter sido qualquer um, mas tinha que ser justamente você.
- Por que eu sou filha da rainha dessas terras?
- Não, o motivo é pelo que você é, mas mesmo uma deusa como eu não sei o motivo, descubra por conta própria.
- Pois saiba que não tenho interesse nenhum nesse seu joginho de poder com o tal de Azgher, eu não serei uma ferramenta sua!
Deuses não gostam de serem contrariados, ofendidos ou questionados, Isawa estaria agora sofrendo no inferno se Tenebra não estivesse de bom humor.
Tenebra também era diferente pelo fato de ser uma deusa-mãe diferente de todos os deuses que criaram alguma ser vivo, ela criou tudo aquilo que vive nas trevas, mas não exigia nada em troca alem de respeito e devoção.
- Faça como quiser minha jovem, nunca pedi que você lutasse por mim.
- Quer dizer que você não se importa?
Tenebra se levantou da poltrona e começou a circular em volta de Isawa com um sorriso enigmático no rosto, geralmente ela não tratava mortais de forma tão próxima, parecia mais que ela estava se divertindo com Isawa.
- Todas as minhas criações são livres para escolher o que farão em suas vidas ou não-vidas, assim como todos os outros você pode escolher se vai ser uma heroína, uma vilã, uma salvadora ou um flagelo, qualquer coisa que você escolher estará bom para mim.
- Você é uma deusa estranha, não se parece em nada com o que eu tinha imaginado.
- Você veio aqui imaginando que eu te forçaria a escolher um lado não é? – disse Tenebra se aproximando de Isawa – veio aqui pronta para me dizer não e contrariar seu destino, por que parece triste ao saber que pode escolher?
Na verdade Isawa queria respostas, queria saber quem andou tomando decisões sobre sua vida, queria tomar as rédeas da situação e não ser controlada por ninguém.
- A única coisa que será inevitável no seu destino é que você terá que lutar em breve, mas contra quem ou o porquê caberá apenas a você decidir.
- E como eu saberei qual escolha tomar?
- Tome o caminho que achar melhor – respondeu Tenebra – mas se quer uma sugestão volte para sua terra natal e veja aquilo que os seguidores de Azgher fizeram ao seu verdadeiro lar, creio que isso ajudará na sua decisão.
Isawa já considerava essa conversa encerrada, em sua cabeça ela só desejava voltar pra sua vida normal e nunca mais reclamar dos trabalhos escolares ou o tédio que lhe tomava as vezes, mas quando ela deu o primeiro passo para fora da sala Tenebra lhe abraçou por trás, Isawa sentiu como se todas as suas forças lhe abandonassem, seu corpo e mente ficavam cada vez mais entorpecidos e agora Tenebra sussurrava-lhe no seu ouvido.
- Você não pode sair sem deixar uma oferenda para mim – dizia ela com uma voz sedutora – seria muita falta de consideração sua.
Tenebra não esperou por uma resposta, cravou suas presas no pescoço de Isawa e lhe sugava o sangue generosamente, Isawa sentiu todo o seu corpo amolecer e sua vida ir embora junto com o sangue, quando ela sentia que não escaparia com vida desse encontro Tenebra a largou depois de alguns segundo e Isawa caiu no chão fraca.
- Esta tentando me matar sua sanguessuga? – perguntou Isawa tonta com a mão no pescoço estancando o sangramento.
- Não vai ser um litro de sangue a menos que vai derrubar uma garota forte como você – disse Tenebra lambendo os próprios lábios – eu já suguei pessoas até a ultima gota de suas almas, e falando nisso você é muito saborosa.
Isawa ficou com medo que Tenebra decidisse encher a barriga com o resto do sangue dela, juntou forças nas pernas e subiu as escadarias apressadamente, Tenebra ficou para trás olhando a divertida garota que não fazia idéia do que se meteu.
- Volte quando quiser – disse Tenebra acenando antes de desaparecer na escuridão.
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Menefer retornou para seu quarto mais radiante do que nunca, tinha se encontrado com sua divindade amada, feito um pequeno lanche ao seu lado e ainda foi elogiada por ele, e para completar seu deus confiava tanto nela que deixou em suas mãos o destino dessa guerra, só por isso seu pai já a respeitava mais.
Os aposentos de Menefer mais pareciam uma mansão particular, muito espaçoso, cheio de decorações esplendorosas e com todo o conforto e luxo que uma princesa pode ter, ainda saltitante Menefer foi até um braseiro em chamas onde Dalap dormia sobre o carvão em brasas e usava o fogo como cobertor, Menefer mergulhou seu rosto no fogo e deu um beijo na fada dorminhoca que não tinha mais que 15 centímetros, chamas comuns não podiam queimar uma meio-celestial como ela.
- Não me recordo de quando te vi tão feliz assim – disse uma voz zombeteira.
Menefer se virou surpresa, num canto onde tinha um monte de almofadas estava seu namorado Naziah folheando os livros que Menefer trouxe da terra, na verdade ele só olhava as figuras já que não sabia ler japonês.
- Meu amor! – gritou ela pulando no pescoço do rapaz – você não faz idéia do que aconteceu hoje!
- Eu não quero desfazer sua alegria, mas todo mundo na pirâmide já sabe que você teve um encontro com Azgher hoje.
Menefer fez uma cara emburrada, queria contar pessoalmente para seu namorado, amaldiçoara as clérigas fofoqueiras.
- Chato, você devia fingir não saber e deixar eu te contar – ela reclamou de braços cruzados e fazendo birra pra ele.
- Mas o que eu não sei é como foi essa reunião, Azgher é parecido com as figuras que temos dele?
A empolgação de Menefer retornou, ela parecia uma criança contando como foi seu dia num parque.
- Ele é muito mais majestoso! Aquela imponência, aqueles poder, só um deus para ser tão perfeito!
- Assim eu ficarei com ciúmes de Azgher, não posso competir com um deus.
- Não seja bobo Naziah, Azgher é o dono do meu coração de clériga, mas você é o único dono do meu coração de mulher.
Dizendo isso ela beijou apaixonadamente seu namorado, sentia muita falta dele quando estava na terra e por isso não conseguia deixar homem algum se aproximar dela.
- Eu já ia esquecendo! Tenho uma coisa para lhe mostrar!
Dizendo isso ela pegou suas coisas que estavam sobre as almofadas e foi para trás das cortinas, algum tempo depois ela voltou usando seu uniforme da escola.
O coração de Naziah disparou violentamente ao vê-la naqueles trajes, a saia curta e frisada junto com a camiseta branca a gravatinha e a jaqueta da escola deixavam Menefer irresistivelmente sexy.
Menefer veio caminhando em sua direção provocantemente com as mãos na cintura e fazendo gestos sensuais, Naziah já não pensava em mais nada alem dela.
- Fiquei bonita assim? – perguntou ela com uma voz melosa.
- Não tenho palavras pra descrever o que eu penso – disse ele com os olhos vidrados nela.
- Na terra existiam muitas palavras pra descrever isso – disse ela ficando sobre Naziah – eu as ouvia quase todo dia.
- Alguém mais a tocou enquanto estava lá? – ele perguntou quase sem fôlego.
- Eu tinha que manter as aparências lembra? Uma garota como eu era muito visada por lá.
Naziah não falou mais nada, agarrou Menefer pela cintura e a colocou deitada sobre as almofadas, logo em seguida ficou sobre ela e a beijou intensamente.
Menefer adorou provocar Naziah até ele perder o juízo, seu pai reclamava dessa relação por ele ser um simples soldado e ela uma princesa, por isso o rapaz sempre tomava cuidado com o que fazia e raramente era ousado na relação com a princesa, mas agora foi impossível se segurar.
Enquanto a beijava Naziah passava a mão por todo o corpo dela, Menefer por sua vez deixava ele agir livremente, um pouco depois ele já desabotoava a parte de cima da roupa dela revelando os belos seios descobertos, não era a primeira vez deles mas dessa vez a excitação estava no limite.
- Não sei se tiro sua roupa ou se a deixo ai mesmo, você ficou perfeita nelas.
- Não precisa tirar minhas roupas para me ter – respondeu ela nos ouvidos dele para logo em seguida dar uma lambida.
Ele então tomou os seios dela na boca e chupava com gosto, Menefer gemia prazerosamente enquanto se contorcia a cada toque dele, logo as mãos ousadas de Naziah lhe tocava em sua virilha por cima da calcinha vermelha.
Ela decidiu agir também e ajudava ele a tirar a própria roupa, abrindo a calça que ele usava e retirando sua camisa revelando o peitoral dele, agora Naziah já lhe penetrava com o dedo fazendo Menefer gemer mais alto e a respirar com dificuldades.
- N-não fa-faz assim ou eu vou gozar – avisou ela sofregamente.
- Não precisa se segurar por minha causa – disse ele num sussurro aos ouvidos dela – isso é sua festa de retorno atrasada.
Embora dizendo isso ele já não agüentava mais esperar, baixou as calças de uma vez e levantou a saia dela, não tiraria a peça da roupa mas queria ver o que ela guardava sobre elas, começou beijando a virilha dela e logo já estava lambendo aquela região por cima da calcinha.
- Pa-para! Eu quero você dentro de mim!
Ela não precisou pedir duas vezes, Naziah usou a boca para rasgar a calcinha dela e logo se posicionou sobre ela a penetrando de uma vez, os movimentos começaram devagar para ela se re-acostumar aos três anos separados dele, pouco depois a medida que ela se contorcia de prazer Naziah foi aumentando a intensidade dos movimentos e a força das estocadas, elesagora estavam no auge do prazer.
Ele também dava sinais de que estava pronto para gozar, ela inverteu a posição ficando sobre ele, ela rebolava sobre Naziah e que urrava de prazer, ela gemia cada vez mais alto e se curvava para trás saboreando o clímax que se aproximava, os dois gozaram juntos e deitaram cansados um ao lado do outro.
- Foi um belo presente de retorno – disse ela beijando o pescoço dele.
- Eu queria ter feito isso antes, quando te encontrei naquele salão lembra?
- Você teria feito mesmo se meu pai não tivesse me chamado não é?
Lembrar do faraó fez Naziah ficar com uma cara petrificada.
- Eu vou ser um homem morto se eu não voltar pro meu posto logo!! – disse ele se levantando – já anoiteceu lá fora.
- Já vai? E se eu te ordenar a ficar comigo? – disse ela com um olhar contrariado.
- Seria o meu maior prazer obedecer sua ordem – disse ele beijando-a – mas se o capitão descobrir e contar ao seu pai eu serei mumificado no dia seguinte.
Apressadamente Naziah vestiu suas roupas e depois a armadura que estava largada num canto, assim que ele saiu correndo do quarto Menefer suspirava apaixonadamente.
- A performance dele foi realmente boa pra você ficar suspirando desse jeito – disse Dalap sentada no braseiro que ficava a meros 5 metros de onde Menefer fez amor com Naziah.
Ouvir a voz zombeteira da sua fada acompanhante fez Menefer travar e ficar vermelha, ela tinha esquecido completamente que Dalap dormia ali.
- há quanto tempo você ta acordada? – perguntou Menefer incrédula.
- Desde que vocês começaram – respondeu a fada rindo e voando na direção dela – vocês gemiam tanto que até as múmias acordaria.
Agora Menefer estava realmente furiosa com sua amiga.
- E você ficou nos espionando desde então sua pervertida?!!! – gritava ela – não tem vergonha na cara não?
- Vergonha? Se eu tivesse estatura pra isso teria pedido pra participar da brincadeira.
Menefer de um salto agarrou Dalap em pleno ar e a colocou no chão, a segurava de uma forma muito parecida como um gato segura um rato.
- Perdão, perdão!! – implorava a pequena fada – eu só tava brincando!!!
Menefer aproximou o rosto para ver melhor a expressão de pânico de Dalap, mas ao invés de castigá-la lhe deu um beijo simples.
- Obrigado por salvar minha vida Dalap – agradeceu sinceramente – eu teria sido consumida por aquele fogo negro se você não tivesse me trazido aqui mesmo correndo risco de vida.
- Fiz o que minha mestra teria feito por mim – disse a fada sorrindo – estamos juntas desde que você era um bebê, sua mãe pessoalmente me invocou para ser sua primeira amiga.
Menefer se lembrou de quando era criança e brincava com Dalap sobre a supervisão de sua mãe, eram tempos de paz e alegria.
- Falando em sua infância eu agora percebo o quanto você cresceu mestra – disse Dalap apalpando os seios a mostra de Menefer.
- SUMA DAQUI SUA FADA HENTAI PERVERTIDA! – gritou Menefer jogando Dalap contra a parede.
Menefer se levantou bufando de raiva e foi juntar o resto de suas coisas, encontrou seu celular no meio da trouxa de roupas e sorriu, discou um numero que conhecia muito bem e ficou sorrindo mais ao perceber que era idiotice tentar fazer uma ligação nesse mundo, mas seu sorriso deu lugar ao espanto quando a ligação foi completada e uma voz conhecida atendeu do outro lado.
- É você Akiko-chan? – disse a voz de Isawa do outro lado da linha – onde você está? Ta tudo bem com você?
Continua.
Notas finais
por enquanto eu diminui o tamanho e a ação dos capitulos, mas em breve voltarei a fazer caps bombasticos como antes.
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