Entre a Luz e a Escuridão

8 Capítulo 8 - Decisão.


Notas iniciais
agora vejam o resultado da ligação misteriosa, a historia está ficando cada vez mais envolvente *_*

Isawa saiu do templo de Tenebra ainda cambaleando, estava fraca pelo sangue que Tenebra lhe sugara sem permissão e atordoada pelo encontro com a deusa.

- Vejo que seu encontro com a deusa foi produtivo – zombou Vulthar.

- Foda se você e aquela deusa! – gritou Isawa que antes de se ajoelhar no chão foi amparada por Karin – por que não me disse que ela era uma vampira?

- Às vezes ela é uma vampira, outras vezes uma bruxa velha ou um corvo gigante – explicou Vulthar – agradeça que ela não veio na forma de demônio ou ela teria arrancado um pedaço seu.

Isawa passou a mão em volta da área mordida, a pele estava negra e áspera.

- Pelo amor de deus, diga que isso não é uma infecção ou algo pior!

- Isso é sua habilidade draconica de se regenerar sua estúpida! E se Tenebra quisesse ela teria sugado cada gota do seu sangue.

- Ela fez o favor de explicar isso também.

- Mas sobre seu encontro com a deusa, o que vocês conversaram? – perguntou Daneth se juntando na conversa.

- Ela não ajudou muito sabe? Apenas disse que meu destino é lutar nessa guerra e que o resto sou eu quem decide.

Karin que estava cuidando da mochila de Isawa trouxe o pertence de sua nova irmã, quando inesperadamente se ouviu o som do celular de Isawa.

A surpresa de Isawa quando seu celular tocou foi sem tamanho, primeiro por que Vulthar havia avisado que seria impossível usá-lo nesse mundo, segundo por que ao olhar quem estava chamando no visor era ninguém menos que Akiko, por isso ela não hesitou em atender.

- É você Akiko-chan? – perguntou ela apenas para confirmar.

- Isawa? É você mesmo? – a voz do outro lado da linha era realmente de Akiko.

Isawa ficou super aliviada ao ouvir a voz de sua amiga, teve muito medo de que ela pudesse estar morta, mas havia muita coisa ainda para conversar.

- Akiko-chan, por que você está tentando me matar? O que eu fiz para você me odiar tanto?

- Seu primeiro erro foi ter nascido – respondeu ela rispidamente – sua existência é uma ameaça para os seres de bem!

O tom de voz de Akiko era assustador, dava para notar os sentimentos negativos que ela nutria.

- Quando estávamos na terra nos éramos boas amigas, por que isso teve que mudar?

- Eu jamais fui sua amiga, eu meramente estava te vigiando para que eu pudesse agir na hora certa.

- Então tudo o que vivemos juntas foi mentira? Aquele ano inteiro em que passeamos juntas, brincamos juntas, rimos e choramos juntas foi tudo uma mentira?

Apenas o silêncio do outro lado da linha, não houve uma resposta.

- Quando eu te conheci senti que seriamos amigas pra sempre – continuou Isawa – eu nutria uma amizade verdadeira por você, e ainda hoje mesmo depois de você tentar me matar ainda te considero minha amiga.

- Esqueça isso, qualquer coisa que aconteceu no passado ficou exatamente no passado, hoje eu sou sua inimiga e a eliminarei pela vontade do grande Azgher.

- Então o único motivo para você me odiar é esse seu deus? Não percebe que você está sendo manipulada?

- Como ousa insinuar isso?! – respondeu Akiko irritada – você é que é o fantoche aqui, um fantoche da deusa das trevas!

- Eu não dou a mínima para aquela doida sugadora de sangue! Eu não admitirei que ninguém controle minha vida, especialmente alguém que não sabe nada sobre os seres humanos!

Isawa não aceitaria que ninguém controlasse sua vida, não aceitaria que teria que lutar por uma causa que não é sua, por isso ela já tinha um objetivo formado em mente.

- Akiko-chan, você realmente quer me matar? Estou falando de sua própria vontade e não por algo que alguém ordenou.

- Eu apenas sigo os desígnios da minha divindade, não tenho qualquer desejo pessoal nisso – respondeu ela num tom mais calmo.

- Então você não deseja me fazer mal? Então já sei o que fazer para mudar nossos destinos.

- Do que você está falando? O destino não pode ser mudado!

- Talvez não se você não tem vontade suficiente, eu pretendo continuar vivendo e por fim nessa guerra de uma vez por todas.

Akiko ficou em silêncio, por algum motivo ela acreditava que se fosse possível mudar o destino Isawa conseguiria, mas seu lado devotado se recusava a acreditar que alguém poderia contrariar a vontade dos deuses.

- Você pode tentar o que quiser, mas eu inevitavelmente a matarei e porei fim à guerra do meu jeito.

- Se o seu destino é me matar então eu vou com certeza mudar isso e vou sobreviver, você vai ver!

- Não pense que vou pegar leve com você! – disse ela num tom desafiante.

- Você ainda está com raiva por que sem querer te passei as resposta s erradas do ultimo teste?

O sangue de Akiko praticamente ferveu ao lembrar-se do resultado do teste ao pegar cola com Isawa.

- Sua peste incompetente! Como pode ter me passado todas as respostas erradas do teste? – o assunto da conversa mudou completamente.

- Foi mal Akiko-chan! – gritou Isawa nervosa – eu inverti as respostas na hora de passar pro papel, foi um engano inocente!

- Engano inocente uma merda! Por causa disso eu fiquei de recuperação e tinha que assistir aulas extras, e eu que fiquei tão feliz com sua ajuda paguei seu lanche... Sabe qual foi minha surpresa ao ver o resultado?

- Você falou agora como a antiga Akiko-chan – disse Isawa repentinamente seria – eu quero voltar a conversar assim com você mais vezes.

- Foi uma coisa do momento! – explicou Akiko ao perceber que se deixou levar pela conversa – eu ainda irei caçá-la e matá-la!

- Como quiser Akiko-chan, boa noite e durma bem.

Antes que Isawa desliga-se ela ainda ouviu um suspiro inconformado de Akiko e logo em seguida só ouviu o som da linha caindo, seu celular voltou a ficar inoperante.

- Com quem você estava falando senhorita? – perguntou Daneth.

- Com uma pessoa que não consegue ser sincera consigo mesma – respondeu ela rindo.

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Um cavaleiro numa armadura brilhante atravessava um corredor com paredes forradas de crânios, sem se abalar com o fato de que as caveiras riam ou gritavam ele desceu uma escada feitas de costelas gigante em formato espiral que levava para um calabouço.

À medida que ele avançava as criaturas nefastas que encontrava pelo caminho recuavam meramente pela sua presença, sua armadura reluzia independente de não haver uma única fonte de luz ali, seu cabelo azul escuro e suas pupilas prateadas se mantinham impecáveis mesmo em meio ao terror absoluto do lugar.

O cavaleiro chegou aonde queria, um enorme salão repleto de pessoas acorrentadas ou engaioladas que estavam em uma agonia absoluta de dor e desespero, aquela era a sala de tortura de Tenebra, sua esposa.

Por mais terrível que fosse o castigo imposto pela deusa das trevas ou os ferimentos causados pela tortura os condenado nunca morriam, estavam fardados a permanecerem sofrendo pela eternidade por terem desagradado Tenebra seja pelas mãos dela ou devorados diariamente por zumbis famintos.

- Já capturou mais um? – perguntou o homem de armadura ao avistar Tenebra se divertindo com mais um prisioneiro.

- Esse chegou hoje – respondeu ela sorrindo – presente da minha menina querida.

O homem estava acorrentado numa mesa de ferro, Tenebra passava a unha sobre sua barriga abrindo completamente o estomago do infeliz que gritava em desespero, era o mesmo homem que fora picado por Vulthar quando Isawa resgatou Karin e morreu pelo veneno, o homem que condenou Sansara a morte na fogueira.

- Eu imploro cavaleiro! – gritou o homem reunindo todas as suas forças para suportar a dor – me salve! Eu sou inocente!

O cavaleiro fez surgir um livro de capa azul, esse livro continha tudo sobre a vida do homem torturado.

- Você ordenou a captura, linchamento e execução de uma mulher inocente e sua filha acusando-as de praticar o mal em nome de Tenebra, mesmo que a menina tenha escapado você ainda incitou o povo contra ela.

Tenebra apenas gargalhava, estava adorando ouvir aquilo.

- Também é acusado de justificar seu crime alegando cumprir a vontade de Azgher quando na verdade desejava apenas prestigio frente aos seguidores dessa divindade.

- Que coisa feia meu senhor – sussurrou Tenebra no ouvido do homem pouco antes de lhe arrancar a orelha com os dentes.

Tenebra decidiu deixar a tortura desse homem para depois e foi correndo abraçar seu cavaleiro em armadura brilhante, teria beijando-o se sua boca não estivesse suja de sangue.

- Meu grande amor, se você tivesse avisado que viria eu teria te recebido adequadamente – disse Tenebra praticamente enroscada nele.

A forma apropriada que ela falava significava completamente nua num quarto que faria um rei parecer um mendigo.

- Agora pouco você cuidou para que fosse possível sua protegida entrar em contato com a serva de Azgher, por que fez isso?

- Achei que seria divertido – respondeu ela alisando o peito dele sobra a armadura.

- Você e sua perversidade mórbida – reclamou ele.

- Você nunca se cansa de ser correto Khalmyr? Nunca teve vontade de ser ousado?

Khalmyr era o deus supremo, líder de todos os outros deuses, ele era o deus da ordem e da justiça e tinha como função ser um juiz em todos os aspectos, ironicamente ele era casado com Tenebra e o amor entre os dois era mútuo.

- Apenas não apronte demais – pediu ele – ou serei forçado a puni-la, mova suas peças da maneira correta.

- Se eu vencer o mundo será governado pelas trevas, minhas crias prosperarão como nunca e os mortais terão que se adaptarem ao mundo sombrio ou morrer.

Khalmyr ficou encarando sua esposa, ele não sabia dizer se isso era um aviso ou uma provocação.

- Por outro lado se Azgher vencer o mundo terá luz do sol constantemente – continuou ela – o mundo se tornará árido assim como o reino dele e muitas espécies se extinguirão, os mortais viverão de uma forma dura e sofrida dependendo da boa vontade do deus do sol.

- Você está dizendo que seu mundo será mais fácil de suportar do que o mundo dele? Eu vejo muito bem como vivem os mortais aqui no seu reino, a cada momento lutando pela sobrevivência ou se juntando as fileiras de cadáveres ambulantes que governam livremente.

- Pelo menos vivos ou mortos eles continuarão existindo.

Ela começou a se insinuar para ele, mesmo um deus sério e frio como Khalmyr não poderia resistir a sedução de Tenebra.

- Esqueça esse assunto por enquanto, já faz muito tempo que não tenho você só pra mim – falou ela numa voz manhosa.

Tenebra fez surgir uma escadaria que dava diretamente para seu quarto, um belo convite para o Deus da Justiça que foi prontamente aceito.

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Menefer estava mais do que aborrecida com a conversa que teve há pouco tempo com Isawa, discou o número dela no celular por mera brincadeira e por algum motivo que ela não sabia explicar acabou dando certo e teve uma discussão com sua ex-amiga, o que mais lhe aborrecia é que pelo simples fato de Isawa ainda a tratar como amiga não conseguia odiá-la, um peso horrível se instalou em sua consciência, era como se tivesse que lutar contra seu coração para dar continuidade a sua missão sagrada.

- Para alguém que há pouco tempo deu uma boa transada com o namorado você está muito tensa mestra – brincou a fada Dalap.

- Sem piadas Dalap, não estou com humor para isso – respondeu Menefer irritada.

A fada flutuou para ao lado de sua mestra que estava deitada na cama, ficou apoiada no travesseiro e olhava atentamente para os olhos de sua mestra.

- Se lhe dói tanto fazer mal a sua amiga você deveria deixar isso nas mãos de outra pessoa – sugeriu a fada.

- Azgher confia em mim para isso, eu recebi essa missão diretamente dele e honrarei essa confiança!

- Vocês mortais são muito atrelados as suas responsabilidades.

- E as fadas não aceitam responsabilidade nenhuma, você não tem nenhuma fé ou crença?

- Temos nossas próprias crenças – respondeu ela – mas mesmo a vontade dos deuses não pode nos controlar, as fadas vivem livremente seguindo seus próprios desejos.

Quanto a isso Menefer invejava sua amiga, ela era livre pra decidir seu próprio destino.

- Então por que você continua comigo Dalap? Por que não retornou ao Reino dos Deuses?

- Por que eu te amo mestra! – disse ela sorrindo – eu sempre me divirto estando ao seu lado, não fico aqui porque sua mãe tenha ordenado, fico aqui por vontade própria.

- Obrigado Dalap – disse Menefer satisfeita por ter uma amiga de verdade.

- Além disso ver os mortais dando uma trepada é a melhor coisa do mundo! – disse a fada se referindo ao que aconteceu naquele quarto um pouco antes.

E com mais essa provocação Menefer pegou uma almofada e cobriu a fada apertando forte enquanto o pequeno ser dava gritos abafados.

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Isawa ainda acampava em frente ao velho templo de Tenebra, apesar do convite do lich para que ela ficasse lá dentro ela preferia ficar ao relento mesmo, estava pensando no que faria a partir de agora.

- Hei Vulthar, eu sou mesmo a princesa desse país não é?

- Por que pergunta algo que já sabe? – respondeu a serpente.

- Em que isso implica? Eu terei que governar esse país no futuro?

- Somente se você aceitar seu destino, se aceitar lutar para reconquistar o que lhe foi tirado.

- Isso significa que eu tenho que lutar por Tenebra?

- Não necessariamente, mas o que você tem em mente?

Isawa se levantou de onde estava sentada e foi pro lado de Karin.

- Como você gostaria que fosse esse país Karin-chan?

- Eu queria que ele fosse como minha mãe dizia que era – respondeu a menina – minha mãe dizia que quando a rainha Kyara governava todos viviam em paz.

- E você Daneth-san? Seria muito ruim se Tenebra vencesse?

- Pra mim seria péssimo – respondeu ele – se ela vencer a escuridão irá dominar e as pessoas sofrerão muito antes que a paz seja alcançada.

- Mas a minha mãe era uma serva de Tenebra, o que existe de tão diferente entre elas para que as pessoas pudessem viver felizes aqui?

- Para descobrir isso só perguntando diretamente a rainha Kyara – disse Vulthar.

- E como diabos eu faço isso? Vou fazer uma linha direta pro mundo dos mortos e ligar pra ela?

- A alma da sua mãe ainda está no castelo imperial, ela teve que pagar caro para que Tenebra pudesse lhe salvar.

- Minha mãe é um fantasma agora? – perguntou Isawa assustada.

- Quase isso – respondeu Vulthar.

Considerando que ela já conheceu zumbis, lichs e deusas das trevas encontrar um fantasma não deveria ser tão diferente, então Isawa tomou uma decisão.

- Então Vulthar, eu quero que me leve até o castelo da minha mãe – disse ela seria.

- Tem certeza Isawa? – aquele lugar é muito bem guardado pelos servos de Azgher, não vai ser fácil chegar lá sem ser vista.

- Eu preciso conhecer o passado para decidir meu futuro – respondeu ela – eu quero falar com minha mãe.

Vulthar então se transformou na sua forma alada imensa e todos subiram nele mais uma vez, a grande serpente mais uma vez alçou vôo e partiu na direção do horizonte.

- Supondo que você encontre o que procura lá, o que fará depois senhorita? – perguntou Daneth interessado.

- Eu ainda não sei direito, mas eu quero ver se esse mundo pode realmente ser pacifico.

Isawa ficou olhando pro nada, estava se lembrando da conversa com Akiko, ela tinha certeza absoluta que as duas poderiam voltar a serem amigas caso essa guerra acabasse, mas se cada uma estava de um lado oposto como acabar com a guerra sem que nenhuma das duas perdesse?

- Irmã Isawa, se você vai trazer a paz eu te ajudarei! – disse Karin empolgada.

- Obrigada irmãzinha e pode me chamar de Isawa nee-chan ou apenas nee-chan, é assim que fazermos no meu mundo.

- Certo nee-chan!

Isawa deu um bom abraço nela, a menina era adorável.

- Você é uma feiticeira não é? Você sabe fazer magia?

- Eu não sei quase nada, minha mãe ainda estava começando a me ensinar.

- Na capital deve ter muitas pessoas que possam ensiná-la – disse Vulthar ouvindo a conversa.

- E você Vulthar? Vai me ajudar ou só vai ficar me pentelhando como sempre faz?

- Minha missão é tomar conta de você, se você não me der muito trabalho posso te dar uma mãozinha – Vulthar fez ênfase à “mãozinha” balançando a asa.

Enquanto isso no deserto Menefer andava apressadamente pelos corredores da pirâmide, estava com pressa de partir.

- Mestra Menefer! Me espere! – gritava Dalap voando rápido atrás da mestra.

- Não precisa vir junto Dalap, eu irei cumprir meu dever ainda hoje!

- Mas ainda é madrugada!

- Isso não importa, vou usar minha montaria pra chegar o mais rápido possível.

Ela chegou ao que parecia ser um estábulo muito amplo e sem teto, alguns guardas esperavam por ela.

- Seja bem vinda princesa, veio ver o Oreades?

Oreades era um dragão de montaria, não era tão poderoso quantos dragões verdadeiros, mas era um animal poderoso.

- Eu vou partir o mais rápido possível, preparem-no agora mesmo!

Seguindo as ordens da princesa os guardas começaram os preparativos.

- Você vai mesmo mestra? Não importa pra você matar a tal de Isawa?

- O único jeito de acabar com essa guerra é destruindo a arma do inimigo, Isawa nasceu sobre um péssimo destino, eu acabarei com isso pessoalmente.

A fada ficou se lamentando que sua mestra estivesse tão determinada, Dalap se lembrava de como era antes que Azgher ordenasse o fim do culto de Tenebra no continente e enviou seu exército para a batalha.

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Depois de voarem a madrugada toda o dia finalmente chegou, com a limitação dos poderes de Vulthar o pequeno grupo percorreu o resto da distancia a pé, mas como ainda estavam muito longe da antiga capital do império ele teriam que passar o dia na nova capital, uma verdadeira cidade de grande porte cheia de gente e muito movimentada.

- Então essa é a nova capital? – perguntou Isawa admirada com a grande cidade.

- Depois da queda do império da rainha Kyara essa cidade se tornou a nova capital – explicou Daneth – a grande cidade de Kanov é o centro de poder desse continente.

Isawa admirava a arquitetura da cidade bem como as representações em forma de estatuas, pelas ruas andavam pessoas das mais variadas raças, anões, elfos, gobins e muitos outros, ela notou também que certas criaturas humanóides andavam acorrentadas e trabalhavam duramente.

- Quem são aqueles? E por que são os únicos acorrentados?

Isawa apontava na direção das criaturas, eles pareciam misturas de homens com animais, ou talvez fossem animais muito próximos de seres humanos.

- Aqueles são Licantropos – respondeu Karin – são pobres coitados discriminados nesse reino.

- Eu ainda não entendi – confessou Isawa.

- Licantropos são parecidos com aquelas historias de lobisomens que você ouvia – explicou Vulthar dentro da mochila dela – mas diferente das historias onde eles são homens amaldiçoados que viram lobos aqui eles são seres naturais que podem ter ligação com qualquer animal comum.

- Eles viviam em paz quando a rainha Kyara governava – continuou Daneth – mas depois da guerra muitos Licantropos ou foram mortos ou tiveram que viver como escravos é difícil encontrar algum que viva bem por aqui.

Isawa apiedou-se dos Licantropos ela agora entendia o que havia de errado nesse mundo.

- Eu já percebi que o motivo desse povo sofrer é que eles não aceitam diferenças, a rainha Kyara aceitava qualquer um e por isso esse país prosperou, mas o egoísmo de uns afetou a todos!

As conclusões de Isawa estavam certas, Azgher nunca foi um deus maligno, mas sua obsessão em lutar contra Tenebra envolvia a todos os seres, assim como Tenebra também não era nenhuma santa mas pelo menos ela acolhe a todos que decidem servi-la.

Isawa sentia muita vontade de mudar isso, mesmo fazendo poucos dias que ela se mudou para esse mundo ela já sentia que as injustiças cometidas contra os mais fracos era algo repugnante e insuportável.

Mas antes de qualquer coisa ela tinha que escapar da perseguição, e agora as coisas pioraram por que um grupo de soldados usando armaduras douradas estava patrulhando o lugar.

- Soldados de Azgher! – disse Daneth puxando Isawa e Karin pra outra rua.

Eles desviaram seu caminho pouco antes de serem avistados pelos soldados, caso fossem encontrados teriam sérios problemas.

- Essa foi por pouco – disse Karin nervosa.

- Precisamos de um lugar pra ficar durante o resto do dia, à noite poderemos chegar à antiga capital – disse Vulthar.

- Então se o problema é esse... – continuou Daneth fazendo uma harpa aparecer magicamente – procurem uma hospedaria e depois me encontrem no centro da cidade, eu vou providenciar um pouco de dinheiro para hoje.

- O que vai fazer Daneth-san? – perguntou Isawa curiosa.

- Somente aquilo que os bardos sabem fazer de melhor minha querida princesa.

Logo após ele saiu cantarolando algo enquanto Vulthar o observava com uma expressão que sugeria algo como irritação.

- Por isso que eu odeio bardos, lá vai ele para mais uma conquista.

- O que quer dizer senhor Vulthar? – perguntou Karin sem entender.

- Você é muito nova para entender essas coisas – disse Vulthar desviando a atenção.

Isawa pegou a cabeça de Vulthar e enfiou de volta na mochila irritada, antes de sair daquela rua olhou bem para todos os lados e somente depois de se certificar que nenhum guerreiro de Azgher estava por perto ela saiu junto com Karin, foram em direção ao centro da cidade como Daneth pediu.

E lá as duas ficaram por cerca de três horas, já estava perto de meio dia quando avistaram Daneth voltando, ele parecia bastante satisfeito.

- Por que esse sorriso bobo? – perguntou Isawa imaginando coisas.

- Apenas encontrei uma linda nobre que gostou muito da minha atuação e pediu uma apresentação particular.

- Só podia ser coisa de mamíferos! – reclamou Vulthar irritado.

- Isso é pra você Karin – disse ele estendendo uma sacola cheia de doces.

Com a oferta de doces a menina desistiu de perguntar o que ele andou fazendo e em seguida Daneth voltou a perguntar.

- Gostariam de dormir confortavelmente hoje? – perguntou ele mostrando um saco com várias jóias e moedas de ouro.

Isawa ficou surpresa com aquele montante de dinheiro que ele conseguiu, ficou se imaginando se era seguro ficar no mesmo quarto que ele ou poderia ser a próxima “vitima” dos encantos do bardo.

Mas a perspectiva de dormir numa boa hospedaria ao invés de dormir no relento era boa demais, sem pestanejar todos concordaram e foram para uma hospedaria que o grupo tinha visto mais cedo.

Na hospedaria que também tinha um restaurante eles fizeram uma refeição primeiro, Isawa não gostou muito do seu prato que tinha algo verde indiscernível, ela nem sabia dizer se era um legume, verdura ou algum tipo de carne estranha, optou por não se arriscar e comeu o resto do prato, enquanto ela comia reparou que num canto do restaurante tinha outro Licantropo, mas esse era bem diferente dos demais que ela viu hoje, ele usava uma armadura vermelha muito bem trabalhada e adaptada ao seu corpo, ele parecia uma mistura de homem e tigre, só que seus pelos eram totalmente negros, seu grande tamanho junto com o enorme machado de batalha que ele tinha preso nas costa era uma visão intimidadora.

- Aquele ali é diferente dos outros – disse Isawa.

- Ele deve trabalhar por conta própria – respondeu Daneth – a julgar pela armadura e pelo machado ele deve ser um grande guerreiro.

Nisso um dos funcionários do restaurante foi até o Licantropo, deu pra ouvir que ele perguntou se o ser tinha permissão pra andar com aquele machado, depois que o Licantropo mostrou uma insígnia o homem saiu contrariado, era óbvio que ele só procurava uma desculpa para expulsá-lo do estabelecimento.

O Licantropo se levantou depois de comer e passou ao lado de Isawa, e ao passar perto dela ele começou a cheirar o ar, como se tivesse farejado algo.

- Você tem cheiro de lagarto moça – disse ele com uma voz grossa e poderosa.

- Sei, muito obrigado por me avisar – disse ela de forma irônica – também gostei do seu cheirinho de gato.

- Não era minha intenção ofendê-la, apenas senti um cheiro peculiar, o meu nome e Turok – apresentou-se ele.

- O meu é Isawa – respondeu ela.

Ele fez uma pequena reverência e logo em seguida subiu as escadas que levavam para os quartos.

- Que homem simpático – disse ela sarcástica.

- Pelo menos é educado, ele parece ser diferente dos outros – comentou Daneth.

Isawa ficou se perguntando se o cheiro que ele sentiu era o cheiro de Vulthar que sempre andava grudado nela ou se era o próprio cheiro dela já que ela era metade dragão.

Karin depois de almoçar bocejou cansada, estavam acordados desde ontem, após pagarem a conta eles também subiram, Isawa e Karin ficaram sozinhas num quarto e Daneth no outro.

- Aquele gato preto ta no quarto ao lado – disse Isawa sentindo o cheiro dele.

- Consegue mesmo sentir o cheiro dele nee-chan?

- É estranho não é? Eu consigo sentir o cheiro dele mesmo do outro lado da porta.

- Isso por que seu olfato se aprimorou – disse Vulthar saindo debaixo da cama – em breve você vai despertar todos os seus poderes.

- Isso não é legal nee-chan?! – disse Karin empolgada.

- Sei lá! Eu preferia ser normal mesmo.

- Minha mãe me disse uma vez que aqueles que nascem com grande poderes têm um destino a cumprir, e você ainda é filha da antiga rainha!

Isawa não compartilhava da mesma empolgação, ela não sabia dizer como isso afetaria seu futuro, se perguntava qual era seu verdadeiro lugar, se ela devia mesmo voltar ou se acostumar com esse mundo novo, enquanto ela divagava sobre isso sentiu mais um cheiro, um cheiro que a irritava muito e fazia todos os pêlos do seu corpo ficar ouriçados.

Do lado de fora do quarto um grupo de seis guerreiros de Azgher se preparavam pra invadir o quarto.

Continua.

Notas finais
eu adoro tenebra, o que voces acham dela? alias o que voces acham que vai rolar no proximo cap?