Entre Sangue e Feitiços
18 Capítulo 18 - Lord of the Bloods
Notas iniciais
POV — Autora
Bonnie assistia a um especial do Bruno Mars na TV enquanto Damon falava ao telefone com Alaric.
– Eu perguntei e eles confirmaram. – Rick respondeu a pergunta que Damon havia feito sobre o motivo de o irmão e a cunhada estarem diferentes.
– Então, Elena quer mesmo virar uma vampira. – Disse Damon.
– Eu não diria que é o que ela quer. Ela está indecisa, pensa sobre as consequências. Klaus persegue Katherine até hoje por ter se transformado, e ele pode tentar obrigar Bonnie a achar outra maneira de fazer o que ele quer e Bonnie prometeu a avó que não deixaria ele conseguir sua parte lobo. Tem muita coisa pra pensar.
– Sei. Isso é algo que não dá pra discutir por telefone. Vocês voltam amanhã, certo?
– Isso.
– Então, até.
Desligou o celular e respirou fundo. Se Elena se transformasse antes que Klaus a pegasse, certamente todos sofreriam. Ele se dirigiu até onde Bonnie estava sentada assistindo TV, ele especulou se deveria contar ou não sobre a quase decisão de Elena. Bonnie o olhou de soslaio.
– Aquele garoto, Lex. Ele pode ser o que nós estávamos esperando pra usar contra Klaus. – Ela começou.
– Ele tem um cheiro forte, eu senti quando ele chegou perto. – Damon comentou, decidindo que o assusto de Elena ficaria para a próxima. – Falando nisso, o que foi aquela "convulsão" que você teve.
– Eu entrei em transe quando toquei ele, fiz uma regressão e vi algumas coisas, mas não o suficiente.
– E o que você viu?
– Um bebê e uma estrela de seis pontas desenhada com o sangue desse bebê. De alguma forma eu sei que isso tem a ver com Lex. Sinto que ele tem uma conexão com isso. Preciso fazer uma regressão completa.
– E como se faz isso?
– Preciso de velas. – Disse levantando e indo até a cozinha, Damon a seguiu – E sal.
Eles vasculharam os armários e gavetas até encontrarem e voltarem para a sala. Bonnie afastou o tapete e desenhou com o sal, um circulo no chão. Ela pedia que Damon espalhasse as velas simetricamente e as acendeu com seus poderes.
– Pelo que sei, Lex é judeu e a estrela de seis pontas é um simbolo do judaísmo. – Disse Bonnie – Mas também há o hexagrama que é um simbolo de feitiçaria e ocultismo.
Ela sentou no meio do pentagrama e começou a ditar as palavras do feitiço enquanto Damon observava. As chamas das velas ficaram mais acesas, o sal que ela havia posto no chão começou a se mover como se quisesse sair do lugar, as os olhos dela reviraram e ficaram completamente brancos como uma massa esfumaçada.
[...] Bonnie via duas mulheres em um quarto velho de madeira, uma estava dando a luz enquanto outra fazia o parto. A casa era humilde, iluminação era a luz de velas, os lençóis estavam manchados de sangue. Ao que indicava, Bonnie estava em uma época muito antiga. A mãe gritava de dor e suava, enquanto a parteira lhe auxiliava. Um choro fino invadiu o local, a criança havia nascido, era um belo e saudável menino. A mulher que manuseava o parto o pegou no colo, uma terceira mulher entrou no quarto ela tomou a criança nos braços e disse "Seja bem vindo, Lord dos Sangues." [...]
[...] Dessa vez Bonnie estava na floresta, ela via fumaça, ouvia o som de pássaros, sentia uma leve brisa e ouvia o som de água. Seguiu sua audição e chegou até um pequeno lago, esse lago tinha um formato irregular e indistintamente formava um hexagrama. Havia um menino de costas para Bonnie, pelo tamanho ele deveria ter treze ou quatorze anos, o bebê já crescido, ele forjava uma espada a beira do lago. Bonnie se aproximou, o que indicava o garoto não a via nem pressentia. A espada que ele forjava era de prata, sua lâmina reluzia, o punho e a guarda eram de bronze. Ela estava laranja fumegante em função do fogo. O garoto virou-se para o lago para resfriar a lâmina. A parte quente fumegou em contato com a água. Ele a retirou da água e sem num descuido desequilibrou-a em sua mão, a lâmina fez um corte em seu braço, o sangue jorrou na água daquele lago. [...]
[...] Bonnie estava na floresta outra vez, mas agora era noite, ela ouvia vozes e as seguiu. Ela viu um hexagrama desenhado na terra no centro dele haviam seis mulheres juntas, três delas eram as mesmas que Bonnie havia visto naquele quarto. Eram bruxas expulsas de seus clãs por praticarem magia negra, não seguindo o principio das outras bruxas de bem. Elas se afastaram e Bonnie pode ver no centro da figura um garoto ajoelhado e de cabeça baixa, ela viu uma cicatriz em seu braço constatando que era o mesmo garoto do lago. A espada estava ao seu lado. Cada bruxa ocupou uma ponta do hexagrama e começaram a ditar palavras para executarem um de seus rituais. O garoto levantou a cabeça e Bonnie viu que era Lex. Ele pegou a espada nas duas mãos e estendeu a uma das bruxas que se aproximava, a mulher tomou a espada em mãos e se posicionou atrás dele com a espada em seu pescoço. As bruxas restantes deram as mãos, um ventania surgiu e as enormes árvores próximas pareceram perder a vida, suas folhas verdes ficaram amareladas e secas, até o capim próximo secou. A bruxa que tinha a espada cortou o pescoço do garoto, Bonnie identificou ela como a mãe dele, a que ela viu dando a luz. O corpo de Lex caiu na terra sem vida e seu sangue jorrou preenchendo a figura do hexagrama. [...]
Quando voltou a realidade, seus olhos voltaram ao normal e ela caiu no chão da sala, o circulo que ela havia desenhado no chão havia formado um hexagrama. Damon correu até ela e a segurou, sangue escorria de seu nariz e ela até cuspiu um pouco.
– Bonnie. – Damon a chamou – Você parece fraca.
– Se afasta. – Disse ela, empurrando-o de leve – Ainda não terminei.
– Ficou louca?! Você está sangrando.
– Damon! – Ela usou sua força para o afastar e antes que se aproximasse outra vez lançou um feitiço para imobilizá-lo.
– Eu preciso saber onde está a espada. – Falou antes de começar um novo feitiço.
[...] Dessa vez ela se via em um metrô, os dias eram atuais, várias pessoas passavam por ali e ela sabia que nenhuma delas eram O guardião ou A guardiã. Até que uma figura chamou sua atenção, ela se destacava por sua pele pálida e seu olhar inexpressivo,, Bonnie percebeu ela como vampira, uma vampira diferente. Seus olhos azuis fitaram Bonnie e Bonnie perguntou-se se ela poderia vê-la. Antes de a garota sumir, Bonnie viu o que procurava, a espada do Lord. [...]
Ela regressou dessa vez sem cair no chão. Retirou o feitiço que paralisava Damon e ele a ajudou a limpar seu sangramento e a sujeira na sala.
– Pode me dizer agora o que viu? – Damon perguntou.
– Existe uma profecia, ela diz que um menino nasceria e seria chamado Lord dos Sangues, seria chamado assim porque seu sangue era capaz de qualquer coisa, poderia ser usado pra qualquer coisa. Poderia matar, curar qualquer um, quebrar ou desfazer qualquer feitiço.
– No caso poderíamos usar o sangue dele contra Klaus. – Damon especulou – Klaus poderia usar ele no lugar de Elena...
– Sim. – Ela concordou – A profecia diz que ele teria que ser morto para que pudesse reencarnar em diferentes épocas. Eu o vi sendo morto. Ele é o Lex.
– Por isso o cheiro dele é tão forte. – Damon disse, não parecendo surpreso.
– Para matar Klaus precisamos da espada que o Lord mesmo forjou. Deve-se banhá-la no sangue de Lex ou então no lago onde o sangue dele caiu enquanto ele forjava a espada. A lâmina será capaz de matar qualquer um que tenha seu coração perfurado por ela.
– E onde está essa espada?
– Você alguma vez conheceu algum vampiro diferente de você, como se fosse de uma outra espécie de vampiros?
– Hm... Não. – Ele franziu a testa – Porquê?
– Porque eles existem. E são até mais fortes do que a sua espécie.
– Eu não estou entendendo.
– Os vampiros são seres que existem em outra dimensão paralela a nossa. Quando a família de Klaus foi criada, foi como se a bruxa que os criou modificasse a genética deles. Eles eram humanos antes de se tornarem vampiros. Já essa outra espécie que eu disse, veio diretamente dessa outra dimensão, eles eram três vampiros que nasceram vampiros e por algum motivo foram banidos para cá. Os humanos transformados por eles são mais fortes que os da sua espécie. Eles sim são vampiros originais pois vieram diretamente de um mundo de vampiros.
– E você viu tudo isso?
– Vi. – ela assentiu – Uma garota transformada diretamente pelo mais forte desses três vampiros é a guardiã da Espada do Lord.
– E como a encontramos?
– Eu a vi em um metrô.
– Ah, que legal! Quantos metrôs existem no mundo?
Bonnie revirou os olhos.
– Foi o que eu vi. E acho que ela me viu também.
– Já que o Lex é esse Lord, ele não pode nos ajudar e dizer onde tá a espada dele? Ele já que ele é todo místico, deve ter uma ligação com ela.
– Ele ainda não sabe o que é. Devo explicar a ele e fazer um feitiço pra que seu lado Lord dos Sangues seja ativado.
– Ah, sim. – Damon assentiu – E você está bem? Parece fraca.
Bonnie se dirigiu até a porta e saiu indo até a parte da frente da casa onde haviam algumas plantas.
– Eu aprendi uma coisa. – Falou sabendo que Damon havia seguido-a.
Ela pôs a mão sobre uma pequena roseira, e fechou os olhos. Uma pequena ventania do tamanho de um barril se formou ao redor da roseira, suas flores murcharam seus galhos e folhas secaram. Bonnie encarou Damon.
– O que fez? – Damon perguntou confuso.
– Estou bem. – Ela sorriu – Eu absorvi a energia vital dessa planta.
– Mas isso você já sabia fazer não é?
– Eu sabia canalizar, isso é diferente de absorver. – Começou a explicar – Se eu canalizasse essa planta ela não precisaria morrer. Mas eu absorvi a vida dela. Veja.
Ela se aproximou de duas árvores que davam frutos diferentes. Ela fechou os olhos e outras duas pequenas ventanias começaram ao redor das duas árvores e cada uma começou a dar frutos da espécie da outra.
– Como fez isso? – Damon perguntou impressionado.
– Eu troquei a energia vital delas. Agora cada uma é metade da outra.
– Isso funciona com humanos?
– Sim. E vampiros também, e tudo que tiver algum tipo de vida.
– Me parece magia negra. – Ele comentou.
– E, é. – Ela respondeu – Por isso é perigoso.
Bonnie viu sua vista escurecer, ela agarrou o braço de Damon pelo transe súbito. Ela viu outra vez o rosto da vampira que havia visto outrora. E sua vista voltou.
– O que houve? – Damon perguntou preocupado.
– Eu sabia que ela tinha me visto. – Bonnie sorriu. – A guardiã está vindo.
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