Entre Sangue e Feitiços

19 Capítulo 19 - Not Afraid


Notas iniciais
Oiii *-----* sentiram minha falta?? Não?? Ok :(



POV — Bonnie Bennett

"Querido Diário, eu nunca escrevi um diário antes porque sempre achei brega e clichê a começar por essa coisa de 'querido diário', então vou te chamar de Fred.

Entendo que nem tudo que nos acontece temos coragem ou vontade de contar a alguém, existem algumas coisas que preferimos guardar pra nós mesmo, as vezes quando sentimos que aquilo está a ponto de nos sufocar, o diário entra em cena. Mas mesmo assim é difícil expressar em palavras certas coisas.

Sabe Fred, a coisa mais difícil que está acontecendo na minha vida agora não são esses rituais, lobisomens híbridos e tudo mais. É ele. É Damon! Se eu tentar ignorar que nada está acontecendo dentro de mim estarei agindo como juguei que ele era, estarei sendo infantil, imatura, de certa forma estarei fugindo de mim. Eu não quero ser a garota indecisa.

Isso tá pirando a minha cabeça, eu não sei como agir, tem vezes que quero ignorá-lo, ignorar isso que estou começando a sentir antes que se torne maior, mas acho que já está grande o suficiente pra eu não conseguir ao menos dar as costas pra ele. O que eu faço Fred? Deus! As vezes eu me pergunto se a história da minha vida foi escrita por Stephnie Meyer.

Porque eu sinto que meu suposto Edward está ao contrário?! Só me falta um lobo.

As vezes eu acho egoísmo ocupar minha mente com esse assunto quando Elena está prestes a ser morta. Algumas pessoas podem não entender, mas Elena é minha melhor amiga, mais que isso, uma irmã. Você deixaria sua irmã morrer quando pode fazer algo pra impedir?

Nós temos o Lex agora, mas não podemos nos acalmar achando que a guerra está ganha. só porque temos uma forma de matar aquele híbrido. Minha avó dizia que não importa o quanto achamos que podemos controlar uma situação, sempre haverá uma pequena parte que não teremos controle. E ela estava completamente certa. Eu nunca deveria ter ido beber no Grill depois de ver a Caroline no hospital aquele dia!

Bem Fred, lembra lá no começo quando eu disse que nunca havia escrito um diário? Essa provavelmente foi a única vez que escrevi! Nos vemos algum dia se eu mudar de ideia."

Havia acabado de escurecer, eu tomei um banho frio, me enrolei em uma toalha e sai do banheiro indo até o quarto em seguida. Aquele foi um longo dia eu tive uma pequena dor de cabeça no fim da tarde, mas tomei um comprimido e ela passou. Jasmine ligou dizendo que ela e Lex iriam jantar em um restaurante Tailandês naquela noite e convidou a mim e a Damon para ir com eles, eu aceitei na hora porque precisava mesmo falar o mais rápido possível com Lex e ganhar a confiança dele. Eu não sei bem como iria contar a ele toda a história que eu vi na minha regressão e fazê-lo aceitar participar do ritual que ativaria seu lado Lord.

Me vesti e soltei meu cabelo que estava preso em um coque alto pra não molhar durante o banho, penteei pro lado e fiz uma trança frouxa em todo ele e desci. Damon estava sentado no sofá da sala — agora pasmem — lendo um livro. Ele vestia uma camisa branca, sua jaqueta marrom de couro aberta, calças jeans e botas pretas. Ele não tinha me notado ao que parecia ou estava fingindo, eu olhei sua mão vendo que não tinha ali o anel que Katherine havia dado a ele. Eu ri do que pensei em fazer e abanei minha cabeça espantando o pensamento da minha mente, mas então percebi que sentia falta e pra não perder o hábito fiz Damon sentir dor de cabeça, só que não tão forte.

– Bonnie. – Damon grunhiu sem olhar pra trás mas já sabendo que era eu – Dá pra parar? E por favor, não volte com sua fase de bruxa-enxaqueca.

– Bruxa-enxaqueca? Ofendeu. – ri e parei com aquilo – Foi só pra não perder o hábito.

Damon fechou o livro deixando-o de lado no sofá, ele ergueu o rosto até mim e me fitou.

– Não te ensinaram que os únicos hábitos que devem ser preservados são os bons?

– Isso vindo de alguém que nunca pára de beber? – arqueei as sobrancelhas.



– Não é como se eu fosse morrer de cirrose. – deu de ombros.

– Ok. – desisti e fui em direção a porta – Vamos logo.

– Já volto, vou buscar meu anel de dipirona antes que você baixe a bruxa-enxaqueca outra vez. – disse subindo as escadas.

Abri a porta e sai, uma brisa gelada me atingiu fazendo meu corpo se arrepiar. Desde que cheguei em Toronto não houve um dia de sol sequer nem nenhuma noite quente. Algumas árvores próximas se moviam devagar de um lado a outro, as folhas molhadas do chão voavam e esbarravam-se fazendo um barulho baixo ao entrarem em atrito, o vento quase assobiava. Estava um clima de filme de terror e talvez por isso eu estivesse com a sensação de estar sendo observada. Eu sentia uma presença próxima a mim. Não foi algo que me deixou com medo. Na verdade desde aquela regressão que fiz e aquelas coisas que descobri e aprendi, me sentia bem mais corajosa e mais capaz, usando magia-negra eu podia fazer quase qualquer coisa e isso fazia-me achar que já podia me defender do que fosse. Era incrível a sensação de poder, a sensação quase me fazia esquecer que toda ação tem uma reação.

Á minha direita as folhas se moveram, o vento gelado estava cortante vindo da esquerda e eu sabia que entre as árvores tinha alguém que não queria ser visto. O silêncio absoluto fazia-se irritante, o assoviar do vento tinha parado, mas em questão de segundos eu ouvi um outro movimento dentre as árvores confirmando que havia alguém lá. Porém não foi de lá que veio algo que me assustou. Enquanto eu mantinha meus olhos nas árvores à direita, da esquerda pude ouvir um pequeno som em atrito com o vento, algo que o cortava para abrir caminho até mim.

Virei-me rápido, mas as imagens pareceram passar em câmera-lenta por meus olhos, em quase meio segundo havia uma bala à 50cm de distância de meu rosto e milésimos de segundos depois, ela estava parada apenas levitando a 15cm dos meus olhos. Arfei. Eu havia feito aquilo. Eu havia parado uma bala que era para me matar. Enquanto o projétil ainda levitava, senti uma gota de suor escorrer pelo lado direito de meu rosto e de repente ouvi novamente o mesmo som abrindo caminho entre o vento, mas dessa vez foram duas balas seguidas que tive de parar. Elas vieram no mesmo caminho que a primeira, como se fossem para me acertar na cabeça.

– Pronto, – disse Damon saindo da casa – agora podem... – ele parou de falar assim que me viu daquele jeito, com três balas flutuantes.

– Damon, entra. – falei sem olhá-lo.

– Mas oq... – ele parou de falar assim que ergui minha mão esquerda impedindo que uma bala de madeira o ferisse.

– Não faço ideia do que tá acontecendo, mas isso não vai ficar assim. – murmurei, com um olhar sobre todos aquelas balas eu as fiz virarem-se para a direção das quais tinham vindo e as fiz retornarem a quem atirou. Sei que com certeza quem o fez não era humano e o máximo que aqueles projéteis causariam no ser, seriam alguns arranhões, mas a pessoa tinha que saber com quem estava se metendo.

– Foi embora. – Damon disse, ele virou-se para minha esquerda e indicou com o olhar – Por ali.



POV — Autora

O vampiro e a bruxa estavam em frente a casa enquanto um observador saia de seu esconderijo no meio de árvores próximas para relatar a Niklaus o que acabara de acontecer. O vampiro informante que o híbrido havia impelido a vigiar aquela casa, saiu em sua velocidade vampira até onde Klaus aguardava, era uma mansão com a cor de um cavalo amarelo-baio, devia ter uns três andares e sabe-se lá quantos cômodos. A porta principal tinha mais de dois metros e era toda de mogno com alguns desenhos entalhados, logo na entrada havia um luxuoso hall muito bem iluminado por um lustre com mais cristais do que se poderia contar. O vampiro se dirigiu até a sala onde sabia que encontraria o híbrido, e de fato ele estava lá e saboreava o sangue de uma bela jovem que teve a infelicidade de cruzar seu caminho.

– Tentaram matar a bruxa. – informou o vampiro.

Klaus parou o que fazia, ele passou a língua nos lábios removendo o sangue que restara ali.

– Quem tentou? – perguntou.

– Não sei. A pessoa tentou fazer isso de longe, a bruxa parou as balas que atiraram.

– Parou? – Klaus franziu o cenho – Ela ouviu as balas?

– Em um minuto ela olhava em minha direção e no seguinte ela estava levitando balas no ar. – explicou.

– Ela está aprendendo coisas? Eu pensei que tivesse cuidado pra que isso não acontecesse. A vadia da Elly, tenho certeza que achou um jeito pra me ferrar de novo! – disse a si mesmo e trincou o maxilar – Chame Elijah. – ordenou ao vampiro e se retirou até o porão da casa.

Havia na parede algo parecido com uma estante, Klaus moveu uma pequena estátua ali e uma porta se abriu na parede, um túnel. Ele caminhou por aquele corredor estreito com uma fraca lanterna até parar em uma área circular mais larga, próximo a parede estavam os caixões com os corpos de seus irmãos. Caminhou até o terceiro e o abriu sem nenhum esforço, um humano talvez fosse esperar ver um cadáver, um corpo em decomposição, mas tudo o que havia ali era uma muito pálida jovem com algo como uma antiga adaga cravada em seu peito. Niklaus removeu o objeto e mirou a lanterna no rosto da garota.

– Vamos lá irmãzinha. – ele sussurrou – Hoje você vai sair com nosso irmão, vamos ver se assim ele faz direito o que tem pra fazer. E enquanto isso eu dou um jeito no nosso papai pra que também não atrapalhe meus planos.