Entre Sangue e Feitiços
17 Capítulo 17 - Same Mistake
Notas iniciais
Em geral, a tulipa vermelha significa o amante perfeito ou ideal, são apelos de amor, e são conhecidas por serem um ótimo presente após uma briga de casal, uma vez que transmitem um amor verdadeiro e que a pessoa está arrependida e cheia de amor.
POV — Autora
Grande parte das nossas frustrações acontecem quando a gente espera que o outro tenha as mesmas atitudes que nós teríamos em determinada situação. Mas o outro é somente o outro. Ninguém é igual a ninguém. E nunca será. Por isso criar expectativas é tão frustrante.
– Bonnie... – Murmurou Damon totalmente arrependido do que fizera, sua voz soou como um pedido de desculpa, ele agora se amaldiçoava, o mínimo de confiança que ele havia conseguido de Bonnie havia se esvaído por um maldito instinto que ele não quis controlar.
Os olhos da garota estavam fixos no corpo frio e sem vida no chão, Damon ouvia as batidas nervosas e tristes do coração dela, ela tinha os olhos marejados e as mãos trêmulas. A cena que via a perturbava, ela não aguentava e foi rápida em virar-se para sair dali.
– Bonnie, espera. – Damon a seguiu e parou em sua frente, impedindo-a se sair.
– Não toca em mim. – Ela se afastou quando o vampiro tentou tocar seu braço, ela olhou o rosto ainda ensanguentado dele e murmurou – Você é um assassino.
Ele engoliu em seco, ela estava certa, ele era um assassino, gostava de ser e não sabia como se defender disso. Assistiu ela se afastar e sair dali, ele não foi atrás dela. Ela não iria querer falar com ele, mas teriam que falar mais cedo ou mais tarde. Damon passou a mão nos cabelos respirando fundo, ele tinha raiva de si mesmo.
– Eu sempre estrago tudo.
Ele fechou as mãos em punho e socou o para-brisas de um carro, o vidro se quebrou, o carro deu um solavanco e o alarme soou. Damon não se importou. Ele olhou o corpo no chão e sentiu raiva do homem morto. Socou o carro outra vez, carregou o cadáver e saiu dali antes que alguém mais aparecesse.
[...]
Bonnie andava em passos apressados pelo shopping esbarrando em várias pessoas, ela estava abalada e decepcionada. Por isso não se deve criar expectativas.
– Como eu pude achar que ele iria melhorar? – Perguntava a si mesma.
Ela parou e abraçou o próprio corpo.
– Que burra Bonnie
– Falando sozinha prima? – A voz de Jasmine apareceu atrás dela, ela se recompôs antes de virar-se dando um sorrisinho fraco.
– Damon teve que ir, estou sem carona pra casa. Vou me apressar pra pegar um táxi.
– Ah, que nada, a gente te leva, né Lex? – Jasmine sorriu olhando o garoto que estava de mãos dadas com ela.
– Claro. – Ele concordou.
Bonnie olhou o garoto com atenção, ela não sentia o cheiro dele como um vampiro sentia, mas sentia a forte energia que ele emanava. O que ela viu durante seu transe era importante demais para ser ignorado, poderia ser uma chance de matar Klaus, a chance que eles estavam esperando. Aquele garoto era essa chance.
Eles andaram até o carro de Lex e entraram, Lex começou a dirigir seguindo as coordenadas que Bonnie dizia. Ela ficava o olhando pelo retrovisor sem que ele percebesse, notou um colar diferente em seu peito, um amuleto que só poderia ser coisa de bruxa. Será que ele sabia o que era? Se sabia ou não, ela tinha que o trazer para seu lado, caso contrário, ele seria assinatura de morte dela.
– Colar legal. – Bonnie comentou – Onde comprou?
– Sério? – Ele franziu a testa passando os dedos pelo pingente de bronze – Todo mundo me diz que é feio e estranho.
– E, é. – Jasmine afirmou.
– Eu gostei. – Disse Bonnie.
– Obrigado. – Ele sorriu pra ela pelo retrovisor – Eu ganhei de uma fã.
– Uma fã? – Bonnie perguntou confusa. Porque uma garota comum teria um amuleto de bruxaria?
– Uma vez quando eu viajei pra Irlanda, uma fã me deu. Ela era bem estranha, tinha uns trinta anos. Ela disse que isso iria me proteger de criatura das trevas. Eu achei muita loucura, mas aceitei pra não ser grosso. De certa forma eu acho que me protege.
– Nem é supersticioso. – Comentou Jasmine, irônica.
– Não tem nada haver com superstição. Eu sempre tinha pesadelos com coisas sobrenaturais, depois desse colar eu nunca mais tive. Por isso uso sempre.
– Coisas sobrenaturais? – Bonnie perguntou. – De quê tipo?
– Vampiros, bruxas... – Ele balançou a cabeça como se estivesse dizendo besteiras. – Quer dizer, eu acho que eram vampiros e bruxas. Sei que é loucura ter medo dessas coisas que não existem, mas os pesadelos eram tão reais e eu sempre morria no final.
– Own, ele é um menininho traumatizado. – Jasmine brincou. Lex fechou a cara pra ela e murmurou algo parecido com "Só Amy me entende", mas Jasmine ouviu.
– Ah, você preferia estar com a Amy, então? – Ela aumentou o tom de voz enciumada.
– Não é nada disso, Jasmine. – se defendeu – Amy é minha melhor amiga e...
– Não queria estar com ela? Então porque disse o nome dela?
– Isso não quer dizer que eu queria estar com ela.
Jasmine abriu a boca pra dizer algo, mas Bonnie interrompeu antes que aquela discussão se prolongasse.
– Gente, é aqui que eu desço.
Os dois olharam pra ela e Lex parou o carro.
– Obrigada, e espero que possamos nos ver em breve. – Bonnie disse antes de descer do carro.
Eles se despediram e ela andou até a porta ouvindo o carro se afastar. Ela já estava calma, mas suspirou pesadamente lembrando de Damon e girou a maçaneta, subiu a escada lentamente e entrou em seu quarto. Havia uma única tulipa vermelha em cima de seu travesseiro. Ela andou até lá e tocou delicadamente as pétalas.
– Porque se dá ao trabalho? – Perguntou a si mesma.
– Porque você disse que estava disposta a tentar. – A voz de Damon se fez presente.
Bonnie deixou a flor no mesmo lugar e virou pra olhá-lo.
– Isso foi antes de você matar aquele homem.
– Eu sei o que vai dizer. – Ele se aproximou. – Que eu sou inconsequente, assassino, infantil. Sempre cometendo erros, sempre fazendo erros pra encobrir outros. Que eu nunca vou mudar e mesmo que a gente tente nunca vai dar certo. Você é uma bruxa, eu sou um vampiro. Você é serva da natureza e eu sou uma abominação. Eu vou viver pra sempre e você não. O único jeito de impedir seria você se tornando igual a mim, mas isso estaria fora de questão, na sua opinião. Eu sei o que vai dizer. Eu só não quero esse clima ruim entre a gente.
– Esqueceu de dizer que eu te odeio. – Ela disse ignorando a última frase dele. – Acha que eu vou querer ter qualquer tipo de relação com um assassino?
Damon fitou os olhos frios de Bonnie, ele travou o maxilar e respirou fundo.
– Me odeia? Tá. – Ele ergueu sua mão esquerda na frente de Bonnie e tirou dali o último anel que Katherine havia lhe dado sob o olhar confuso da bruxa. – Você vive dizendo que iria me matar caso eu matasse mais alguém. É a sua deixa. – Ele jogou o anel no chão.
Bonnie sentiu seu peito apertar, ela não tinha coragem pra fazer aquilo, ela não conseguiria nem queria machucá-lo apesar de tudo. Ela apertou as mãos em sinal de negação, foi ele quem se rendeu, mas era ela quem estava desarmada.
– Vamos lá, Bonnie. Você não me odeia? – Damon disse tristemente. Bonnie tentou achar um pingo de sarcasmo em sua voz, mas não havia.
– Não. – Ela admitiu.
– Não o quê?
– Eu não te odeio.
– Porquê? – Ele deu um passo em sua direção, mas ela virou de costas.
– Eu não sei, agora some daqui.
Damon abaixou a cabeça, ele iria sair mas queria respostas e estava mais na do que na hora de tê-las.
– Não. – Falou se recusando a sair. – Eu não vou pedir desculpas pelo que eu fiz porque isso não vai mudar nada. E você sempre quer tonar as coisas mais difíceis fazendo tornados em tampinha de refrigerante.
– Você matou um homem. – Ela disse virando-se pra ele.
– Um não, eu matei vários. Homens e mulheres e você soube disso desde sempre porque sabe o que eu sou e eu não posso mudar o que eu sou. Você sabia disso quando se dispôs a tentar algo comigo, sabia o que poderia acontecer, mas mesmo assim se dispôs. Agora me diz, porque? O que sente por mim que não te deixou me matar há segundos atrás e te fez se dispor a tentar uma relação comigo?
– Eu não sei.
– Mas eu sei. – Damon se aproximou e tocou o rosto dela – Você gosta de mim do mesmo jeito que eu gosto de você.
– Não...
– Sim, é! – Damon a interrompeu – Por isso não teve coragem pra me machucar. Você só não admite porque eu sou um vampiro e você é uma bruxa e acredita que não vai dar certo.
– E vai? – Ela perguntou afastando a mão dele que acariciava seu rosto.
– Olha Bonnie, as nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar. Eu sei que existem obstáculos, mas eles só vão ser grandes se o seu medo de tentar também for. Podemos ignorar eles e arriscar de novo?
Bonnie o olhava nos olhos, seu pedido parecia sincero. Ela respirou fundo e o abraçou em resposta. Damon passou uma mão nos cabelos dela enquanto Bonnie repousava seu rosto no peito do vampiro. Ela só queria alguém para poder olhar. Um alguém, que de alguma forma, mostrasse que o mundo não era esse mar de coisas ruins. Naquele momento ela não necessitava de transas rápidas, e sim, de abraços longos.
– Não faça eu me arrepender. – Ela sussurrou.
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