Notas iniciais
A primeira parte da fanfic começa a se aproximar dos seus acontecimentos mais importantes! Daqui pra frente vai ter ainda mais coisa de Pandora e Esmeralda e a história das duas começa a ser traçada. Finalmente chegou o dia da fuga de pan e rada kkkk Pra esse capítulo temo duas musicas: Anywhere - Evanescence (Pandora e Radamanthys) Til it happens to you - Lady Gaga (Esmeralda)

Equador.

O casamento é algo muito marcante na vida de uma pessoa, e nos dias atuais é algo que se constrói a partir de uma relação de amor, cumplicidade e amizade entre pessoas que se escolheram de forma livre. Mas infelizmente, para algumas pessoas ainda não é dada a liberdade para escolher seu parceiro de vida.

Esmeralda era uma dessas pessoas. No fundo do seu coração já havia feito a escolha, mas a realidade se mostrou cruel, não lhe deixando alternativa além de seguir aquele caminho imposto pelo seu pai, um homem possessivo e sem escrúpulos.

Havia chegado o fatídico dia em que teria de se casar forçadamente. Ela acordou chorosa naquela manhã, embora estivesse aceito que seguiria firme.

O sol estava radiante, a brisa amenizava o calor daquela pequena cidade no interior do Equador. E os preparativos para o casamento já estavam quase prontos.

Embora Guilty fosse um homem perigoso, assim como Jango, seu futuro genro, as pessoas da cidade o respeitavam, não por que o admiravam, mas por que o temiam. Por isso algumas delas resolveram ajudar com a festa.

Algumas mulheres entraram na casa para auxiliar a pobre noiva em sua arrumação. Ela preferia ficar sozinha, mas estava tão abatida que aceitava que a banhassem e a penteassem como se fosse uma boneca. Até então, ainda não sabia qual roupa iria vestir para entrar na igreja, mas tampouco fazia questão de se aprontar como uma noiva. Porém, enquanto se olhava no espelho, seu pai entrou no quarto, invasivo, como sempre.

— Seu noivo já chegou. Mas não fique ansiosa, ele certamente não a deixará no altar, pagou caro por isso.

A jovem fingiu que não estava ouvindo, e deu as costas.

— Eu tenho uma surpresa pra você. – Disse Guilty trazendo consigo uma caixa, e em seguida colocando-a nas mãos da filha, que segurou curiosa.

Esmeralda não abriu o objeto de imediato, ela observou, inspecionou, sentiu o peso. E seu pai começou a se mostrar impaciente com a sua demora. Mas quando ela percebeu que a feição dele estava mudando, para evitar mais confusões, retirou a tampa da caixa e teve uma surpresa: Havia ali um vestido branco, de noiva.

— Pai, foi você quem o comprou para mim? – Ela perguntou entusiasmada. Havia seu pai em meio a tanta crueldade ao menos feito algo para agradá-la um pouco? Perguntava a si mesma.

— Não. Esse vestido foi o da sua mãezinha. Vista logo e venha! – Disparou o homem e depois saiu do quarto, sem falar mais nada.

Os olhos azuis da menina se encheram de lágrimas mais uma vez. Vestir aquela roupa era para ela como que lhe colocassem uma coroa de espinhos, assim como fizeram a Jesus Cristo.

Aquele vestido simbolizava o inicio do sofrimento, não somente dela, mas algo que começou no passado. A sua mãe ao se casar entrou num terrível pesadelo. Guilty a espancava por qualquer motivo, e fazia dela sua escrava. Para ele uma mulher não representava coisa alguma. E a jovem sempre se lembrava das brigas, das agressões e principalmente de uma coisa que nunca lhe sai da cabeça: A morte da sua mãe. Guilty tirou a vida da própria esposa, por ciúme, na frente de sua própria filha, que era apenas uma criança.

— Não terei o mesmo destino que a senhora, mamãe. – Pensou a garota, enquanto chorava, com muita tristeza, pretendendo modificar um pouco o rumo daquele filme já visto.

Ela se vestiu, retocou a maquiagem e saiu de casa, entrando num carro velho, que chamava muita atenção pelo alto barulho que o motor fazia.

Quando chegou ao destino final, ela respirou fundo e prendeu o ar antes de sair do carro. Seu pai veio lhe dar a mão para acompanha-la até o altar onde Jango já se encontrava. Ela ergueu a delicada mão e olhou para o homem, mas antes de dar qualquer passo, disparou:

— Sabe, papai, dizem que a vingança é um prato que se come frio.

O pai não deu importância alguma para aquelas palavras e apenas a levou até o noivo quase que a arrastando pelo meio da humilde igreja.

A cerimônia para ela parecia durar uma eternidade. Em toda a celebração pensava em Ikki, imaginava como seria se fosse ele, o grande amor da sua vida. As palavras do padre começavam a sumir gradativamente, enquanto sua mente vagava...

— Esmeralda Gonzalez , aceita Jango San Martín como seu legítimo esposo?

Foi a única coisa que ela ouviu. Queria dizer não e sair correndo, mas olhou para o pai e sabia que seria muito pior agir com rebeldia.

— Sim. – Disse a jovem fechando os olhos, deixando que uma lágrima escorresse pelo rosto.

Ao saírem da igreja, Jango parecia arrastar a esposa, por que ela empancava enquanto andava. Eles foram direto para casa, pois não houve festa.

A nova casa de Esmeralda era uma mansão enorme. Havia uma grande piscina, um jardim com muitas flores e vários carros na garagem. Jango ganhava muito dinheiro com o tráfico e gostava de esbanjar, ao contrário de Guilty, que preferia manter uma imagem de pobre, porém respeitado.

Sendo ainda arrastada, Esmeralda seguiu para o segundo andar da casa e se deparou com um enorme corredor onde ficavam todos os quartos. O marido a levou para o ultimo, a suíte principal. O quarto era enorme, no entanto com pouca iluminação e com um aspecto sombrio.

— Você é uma princesa! Mas tem que valer mesmo a pena, por que eu gastei muito pra te comprar... Já que estamos em Lua de Mel, venha agora cumprir sua obrigação de esposa! – O homem sorriu sadicamente para a garota assustada.

— Não quero nada com você! – Ela cuspiu no rosto do marido e saiu correndo em direção à porta, ainda vestida de noiva.

Antes que conseguisse fugir, o homem a segurou pela cintura e a puxou pelos cabelos, lhe causando uma dor horrível. Com muita violência, Jango rasgou o vestido de noiva com suas próprias mãos, deixando a jovem despida e atordoada. Mas ela não se rendeu, e se debatia de forma indomável.

Os gritos podiam ser ouvidos pela vizinhança, até que Jango pegou seu revólver e pôs fim a cena histérica.

Horas depois, Esmeralda via tudo girando em sua frente, estava muito tonta e sua cabeça doía. Acordou jogada na cama, trancada no quarto. A última coisa que lembrava é que tentava fugir das mãos do indesejável marido.

Quando ela o viu pegar o revólver, acreditou que seria seu ultimo minuto de vida, mas ele lhe poupou a vida dando-lhe uma coronhada na cabeça, para que ela desmaiasse. Agora estava presa naquela casa, como uma escrava, a que de certa forma era mesmo, pois havia sido comprada como uma mercadoria.

Desesperada, cambaleante e sem força ela caiu no chão, aos prantos. Seu inferno estava completo. Só em pensar que por poucos segundos poderia ter escapado com Ikki! Tudo que desejava era morrer, mas nem isso conseguia.

— Mulher! – A porta se abriu. – Trouxe uma coisa que vai solucionar um pouco o seu problema.

O marido trazia consigo uma espécie de coleira de ferro. Como ele sabia que teria muito trabalho para domar outra vez a jovem, dessa vez foi preparado com um pano molhado de éter. Ele a segurou forte e fez com que ela inalasse a substância, caindo desmaiada outra vez.

Enquanto a moça estava vulnerável, Jango colocou a coleira em seu delicado pescoço e prendeu a outra extremidade do objeto na estrutura de ferro da cama, até que ele arrumasse um modo de prendê-la em outro lugar.

— Só assim você vai ficar bem quietinha, sua besta-fera! Agora venha aqui que eu vou lhe usar novamente...

“You tell me it gets better, it gets better in time

You say I'll pull myself together

Pull it together, you'll be fine

Tell me, what the hell do you know? What do you know?

Tell me how the hell could you know? How could you know?

'Til It happens to you

You don't know how it feels, how it feels

'Til it happens to you, you won't know, it won't be real

No, it won't real, won't know how it feels

'Til your world burns and crashes

'Til you're at the end, the end of your rope

'Til you're standing in my shoes

I don't wanna hear a thing from you, from you, from you

'Cause you don't know”

('Til It happens to you — Lady Gaga)

—---------------------------------- Inglaterra -------------------------------------

— E então irmão, está nervoso? – Perguntou Shun.

— Claro que não, estou pronto!

Havia chegado o dia em que Ikki faria sua prova de admissão para o curso de medicina. Desde que fugiu e fez novos planos, esse certamente era o mais importante para o seu futuro naquele lugar novo para ele.

Ele estava radiante naquele momento, o belo rapaz de pele morena e cabelos negros trajava uma roupa apropriada para aquele dia frio: Um sobretudo negro com uma camisa cinza por dentro, e uma calça jeans escura. Estava cada dia mais maduro, deixando seu aspecto de garoto para trás.

Por pouco não chegou atrasado para a prova. Graças a Hyoga, que ofereceu uma carona, ele pode ser pontual, mas estava um pouco ofegante, pois precisou correr um pouco para chegar ao destino final.

O jovem fez a prova com muita segurança, tranquilidade e terminou antes dos demais que concorriam às vagas.

— Mas já? Você é bem rápido! – Disse Shun sorrindo, juntamente com Hyoga.

— Não estava tão difícil como imaginei... – Ele estava sereno.

— Pra onde querer ir agora? – Perguntou Hyoga.

— Podemos conhecer melhor a universidade! O que acha, irmão?

O mais velho não havia escutado a sugestão de Shun, pois naquele momento estava ansioso para falar com Esmeralda. Sim, ela o tinha dispensado pra sempre e além disso estava fora do horário que tinham combinado para se falarem, mas isso não o fez mudar de ideia. Ele tirou o celular do bolso e fez a ligação internacional, porém para sua surpresa algo deu muito errado.

— Esmeralda, que bom que atendeu!

— Quem está falando? – Perguntou uma voz masculina do outro lado da linha.

Ikki gelou, não era ela quem havia atendido, mas aquela voz... Aquela voz lhe soara familiar, só podia ser Guilty! De certo ele havia encontrado o celular secreto da filha.

— Responda, quem está falando! – Disse o homem impaciente.

— Você sabe muito bem quem é, seu verme!

— Deixe-me adivinhar... O infeliz do Ikki? Então era pra isso que ela escondia esse celular, pra falar com você!

— Onde ela está?

— Na casa dela! Você perdeu seu tempo ligando, Esmeralda está casada e jamais voltará a vê-lo, seu morto de fome. E se você ousar em colocar os pés aqui mais uma vez, pode se considerar um homem morto!

Antes que o rapaz dissesse mais alguma coisa, Guilty interrompeu a ligação. Ele pensou naquela ultima fala. Será mesmo que jamais a veria novamente? Na ultima vez que se falaram tudo deu errado, mas o que poderia fazer? E agora era tarde demais, a moça havida de fato se casado.

Então ele decidiu fazer outra ligação a fim de tentar descobrir mais detalhes sobre a situação de sua amada.

— Fala, primo!

— Megume, eu quero me diga agora como está a Esmeralda! – Disse ele em tom de desespero.

— É... Primo me desculpe, mas eu não sei nada sobre ela. Já faz um tempo que não vai mais à escola. Ela me falou que ia se casar à força, só sei disso.

— O pai dela encontrou o celular, ele falou comigo e disse que ela já se casou!

— E-eu sinto muito.

— Você precisa descobrir onde ela está morando e... – Dizia Ikki quando foi interrompido.

— Eu não sei se posso. Desculpa, mas o tal marido dela é um cara muito perigoso.

— Vai me abandonar nessa, desgraçado?! – Perguntou bastante alterado.

Megume pensou um pouco e respirou fundo. Ikki era sua família e naquele momento estava angustiado, precisando de respostas. Ele como primo deveria mesmo continuar ajudando e arriscando a sua vida?

— Está bem. – Respondeu Megume bufando. – Vou procurar informações e logo te digo. Fique tranquilo!

— Obrigado! Um dia lhe recompensarei pela ajuda. Ah, acabei de fazer uma prova para entrar na universidade. Até logo! – Disse o jovem encerrando a ligação bruscamente.

— Ikki, me explica melhor o que acabei de ouvir! – Exclamou Shun.

— Bem, eu também estou curioso, aliás, você é um cara cheio de segredos. – Disse Hyoga, revelando um leve sorriso.

— Vamos andando, eu explicarei tudo.

Os três passaram um bom tempo andando pela Universidade, que era enorme, e enquanto isso Ikki contava a sua história para Hyoga, que ficou muito impressionado e triste pelo desfecho de até então.

— Então, Ikki, o que pretende fazer a respeito disso?

— Um dia, quando eu tiver condições, vou tentar tirar ela daquele inferno e trazê-la pra cá. Mas até lá vou me dedicar aos estudos.

— Pretende continuar treinando com o mestre Dohko caso seja aprovado aqui?

— Sim, eu me sinto muito bem quando luto.

— Olha, falando nisso, o Seiya me disse que hoje a noite vai acontecer uma dessas lutas clandestinas. O valor do prêmio é bom. Pode participar também, o que acha?

— Não estou desesperado atrás de dinheiro assim. – Retrucou o jovem.

— É melhor que não vá, irmão. Não quero que se machuque! – Disse Shun, temeroso.

— Chega de sentimentalismo, Shun! E só por que está falando assim eu vou aceitar. Agora me empolguei! Vai ser bom surrar alguns caras.

— Ótimo, vou ligar pra ele e avisar que você também vai. Só não sei se ele vai gostar muito, afinal você pode tirar o prêmio dele! – Disse o loiro, sorrindo e pegando o celular.

—-------------------------------------- Mais tarde ------------------------------------------

— Antes de irmos eu tenho de explicar algumas coisas: Jamais arrume confusão por lá, fique sempre com semblante tranquilo, não use celular e não critique o prêmio ou coisa do tipo. Os caras são meio esquisitos, acho que você não vai querer que eles se irritem... – Explicou Seiya.

— Entendido, vou fazer tudo certo, mas não estou tão preocupado quanto você. Quero apenas me divertir um pouco. – Disse Ikki enquanto entrava num galpão abandonado com o amigo.

O local estava lotado, o público era majoritariamente masculino. Todos estavam muito sérios, e alguns se aqueciam para lutar. No meio do galpão havia um octógono gradeado, onde seriam realizadas as lutas.

Os dois ficaram como plateia por um bom tempo, cada um esperando sua vez de competir.

O primeiro a lutar foi Seiya, não teve muito trabalho, e mais uma vez saiu vencedor sem levar um arranhão se quer.

— Aproximem-se Ikki e Robson! – Um homem os convocou.

Ikki não estava nervoso. Seu adversário era de assustar, um homem muito alto e musculoso, com um rosto raivoso e cheio de cicatrizes, e o tempo inteiro esmurrava uma mão contra a outra para intimidar o oponente.

— Boa sorte, cara!

— Não precisarei de sorte, Seiya.

Ambos entraram no octógono enquanto se encaravam friamente. Robson foi o primeiro a atacar com um murro. Ikki se esquivou e surgiu rapidamente atrás do oponente, dando-lhe um belo chute nas costas, fazendo com que ele fosse parar com a cara na grade.

— Ora, seu...! – Gritou Robson, correndo na direção de Ikki.

O oponente deu vários socos seguidos em Ikki, que apenas desviava com calma de cada um deles.

Em um dos socos, Ikki o segurou por um dos braços e lhe deu uma rasteira, fazendo Robson ir ao chão.

Quando o adversário se levantou e preparou-se para mais uma investida, Ikki usando de força e precisão se adiantou, respirou fundo e com muita concentração deu-lhe um soco de potencial fatal.

Robson ficou de pé, mas paralisado. Seus olhos estavam abertos e extremamente arregalados. Naquele momento várias imagens vinham à sua mente.

— Esta é a visão do inferno? – Essas foram as únicas palavras que o homem conseguiu proferir, e depois caiu bruscamente no chão, estático.

A luta foi dada por encerrada, sendo Ikki o vencedor.

— Parabéns, meu amigo! – Disse Seiya sorrindo enquanto recebia o companheiro.

— Foi sensacional o que você fez, estou orgulhoso!

— Ele nem era tão poderoso assim. Não precisa se exaltar tanto, garoto.

Os dois seguiram para um bar improvisado no local para beber em comemoração às lutas bem sucedidas naquela noite.

— Bem, sempre que quiser pode vir aqui... Daqui a pouco nos entregam a premiação, depois dessa ultima luta que está acontecendo.

— Acho que virei outras vezes, foi divertido.

Enquanto eles conversavam, um homem de casaco vermelho se aproximou.

— Olá jovens!

— Oi, o que deseja? – Perguntou Seiya.

— Vim parabeniza-los e entregar a premiação de cada um. – Disse o desconhecido entregando o dinheiro. – Ah, e também tenho uma proposta a fazer...

— O que deseja? – Questionou Ikki, erguendo uma das sobrancelhas.

— Às vezes preciso de alguém pra fazer alguns “serviços” para mim, se é que entendem. – Ele sorriu sarcasticamente. – Percebi que vocês são muito bons de luta, podem ser úteis em minhas missões. Caso aceitem fazer algo pra mim, garanto que serão muito bem recompensados.

— Devo lhe dizer que não estamos precisando do seu dinheiro. É melhor que se retire agora, já fez o suficiente. – Disparou Ikki, e Seiya concordou com ele balançando a cabeça.

O homem se retirou, mas logo em seguida outra figura estranha se aproximou.

— Se veio nos chamar pra resolver seus problemas, cai fora! Eu e o Ikki não queremos seu dinheiro.

— Calma rapaz, não quero que façam nada pra mim, apenas vim deixar o meu cartão. Estive observando você algumas vezes, e hoje também pude ver o seu amigo. Notei que vocês têm muito talento, que tal deixarem de lutar nesse lugar horrível para se tornarem profissionais?

— Seja mais objetivo. – Seiya se aproximou do homem, curioso.

— Eu sou um olheiro. Posso transformar vocês em competidores profissionais de MMA. Aqui está meu contato. – Ele entregou um cartão para o jovem.

— No momento não estou interessado. – Retrucou Ikki.

— Não me importo com isso, apenas estou fazendo um convite, pode me procurar quando estiver a fim.

O homem deu as costas e foi em bora, desparecendo em meio às demais pessoas que estavam no ambiente.

— Olha, Ikki, eu achei isso bem interessante. Estou pensando em ligar pra ele depois, pode ser a chance da minha vida!

— Vejo que está empolgado, mas eu tenho mais o que fazer. Essa história de lutar é muito incerta, eu quero um futuro solido pra mim.

— Pense bem, não temos nada a perder, cara!

— Eu quero me dedicar aos estudos, caso eu consiga a vaga em Medicina, não terei tempo pra competições.

— Pra tudo há uma solução. Eu acho que vou entrar nessa, se você quiser um dia... Poderá me acompanhar!

— Pensarei na proposta. Mas não te garanto que vou contigo.

Eles seguiram bebendo e conversando durante a noite. Seiya estava muito esperançoso com a proposta que recebeu, pois era um jovem sem muita perspectiva de vida, a melhor coisa que sabia fazer realmente era lutar, logo aquilo para ele era uma chance de conseguir ser bem sucedido em algo. Já Ikki não gostava de coisas incertas, para ele o melhor que poderia fazer tanto por si mesmo quanto para seu irmão era estudar e depois conseguir um bom emprego, mas de toda forma também gostava de lutar e aquilo para ele surgia como um caminho alternativo que poderia seguir.

—---------------------------------------- Berlim ----------------------------------------------

Em um apartamento luxuoso, localizado em uma área nobre da cidade, a família Wyvern se preparava para a repentina mudança. Dentro de um dia tomariam como destino os Estados Unidos.

O jovem Radamanthys organizava suas coisas, calmamente, pois já tinha traçado um plano de fuga então não deveria mostrar-se nervoso. O que ele mais odiava era receber ordens desse tipo que interferisse nas suas metas, e apesar de ter um grande respeito pela família, naquele momento ficar com Pandora era algo muito mais importante.

No dia anterior ele havia ligado para a namorada, avisando que ela aprontasse as coisas e se preparasse para a fuga. Por isso, em um bairro próximo, a garota estava naquele exato momento esperando ansiosamente por sua chegada.

— Filho, espero que já tenha separados todas as suas coisas, sairemos de manhã cedo, não quero que se atrase. – Disse Lucy Wyvern.

— Ok, mãe, já está tudo certo.

— E mais uma coisa: Não durma muita tarde hoje. Não quero você reclamando de sono amanhã. – Advertiu a mulher, se recolhendo aos seus aposentos.

Até o momento tudo estava dando certo. Ele foi ao quarto dos pais para certificar-se de que eles haviam adormecido. Depois, com muita cautela, desceu com uma mala até a saída do prédio, tomou um táxi e de lá seguiu para a Mansão Heinstein, mas antes enviou uma mensagem para Pandora.

“Estou saindo de casa agora, espero que esteja pronta, vamos viajar um pouco.”

—------------------------------------ Na Mansão Heinstein -----------------------

A jovem, que passou o dia inteiro com o celular nas mãos, recebeu a mensagem e correu para levar sua bagagem até a porta.

Ela estava tão apressada e ansiosa que, sem querer, acabou esbarrando num jarro que ficava em um móvel na sala, fazendo com que o objeto caísse e quebrasse, gerando um barulho.

— Que estúpida! – Ofendeu a si mesma enquanto levava as mãos à cabeça.

Com aquele barulho, Hypnos acordou de seu sono e desceu até a sala para ver o que se passava. Chegando lá encontrou a garota já saindo pela porta principal.

— Pandora!? – Ele falou espantando. – Mas o que está acontecendo? Pode me explicar para onde está indo a essa hora da madrugada com a sua mala?

A morena paralisou. Mesmo ela já tendo contado do seu plano para o homem, será que ele a impediria? Ela teria de arriscar.

— Hypnos, você já sabe da história, eu preciso fugir agora mesmo com o Radamanthys! – Falava muito nervosa.

— Tudo bem, de fato eu já sabia, mas eu acho essa atitude uma loucura e seu tio ficará irado comigo se souber que eu te deixei partir.

— Por favor, Sr. Hypnos! Eu te peço que me entenda, você tem sido tão legal. Sabe você é um cara diferente... Me diz que eu posso contar contigo? – A jovem precipitou um choro.

Ao olhar a feição triste e suplicante da garota, o homem ponderou em sua decisão.

— Tudo bem, Pandora. Quero que saiba que Thanatos pode chegar a qualquer momento, eu vou fazer de tudo para que ele não coloque a polícia atrás de vocês... Mas eu quero fazer um trato contigo, pode ser?

— Claro, faço o que você quiser!

— Para eu te dar essa cobertura, quando vocês chegar ao destino final você vai me manter informado de tudo. Quero que ligue pra mim durante esses dias, peço isso apenas porque me importo com você, com a sua segurança. Promete que vai me manter informado? – Ele a olhou profundamente.

— Sim, eu prometo.

Dentro de alguns minutos, Radamanthys chegou à mansão e não demorou muito para que Pandora entrasse no veículo.

— Não se esqueça da promessa, querida Pan! Até logo e boa sorte para vocês! – Acenou Hypnos.

Eles foram até o apartamento de Minos e Aiacos, que já sabiam de tudo e estavam dispostos a ajudar.

— Os fugitivos chegaram! – Gritou Minos após bater a porta.

— Pan! Você está bem, amiga? – Perguntou Violet, abraçando a jovem.

— Tá bom, vamos nos apressar agora, ok? Passaremos umas quatro horas na estrada, por isso é bom que estejam preparados. – Advertiu Aiacos.

— Como assim, quatro horas? Pra onde vamos? – Indagou Pandora.

— Meu amor, nós vamos sair do país. Vamos para a República Tcheca.

— Mas e se nos pararem na fronteira, e-eu ainda sou menor de idade!

— Não se preocupe Pan, nós arrumamos uma saída pra isso. – Disse Minos sorrindo. – Relaxe, vai dar tudo muito certo!

Os cinco jovens entraram no carro às três horas da manhã com destino à Praga, República Tcheca. Todos estavam muito eufóricos diante da situação, e apesar de estarem com sono, não conseguiam pregar os olhos um minuto se quer.

— Galera, eu trouxe bebidas! – Disse Minos, em alto tom.

— Não podemos beber, seu idiota. Afinal de contas vamos revezar na estrada. – Retrucou Aiacos, ao volante.

Aiacos dirigia em alta velocidade, cortando caminho, às vezes indo pela contramão para chegar mais rápido à estrada principal. No final das contas todos eram fugitivos. Aquele ato de impulsividade e rebeldia pincelava o momento de muita euforia.

O rádio do carro estava no volume máximo, tocando um bom Heavy Metal, enquanto eles sorriam, conversavam e se divertiam com jogos de adivinhação e imitação, para passar o tempo.

Pandora abriu completamente a janela traseira do carro e pôs a cabeça para fora, deixando que o vento esvoaçasse seu longo cabelo negro. Ela fechou os olhos e respirou fundo, com um leve sorriso nos lábios, sentindo o vento tocar seu rosto, e experimentando uma sensação de liberdade. Naquele momento já estava bem longe de casa e cada vez mais próxima de finalmente tomar as rédeas da sua vida. Faltava pouco, em breve administraria sozinha sua herança, tomaria conta de Alone, se livraria de Thanatos e faria Radamanthys somente dela.

O jovem loiro parecia sério, concentrado, às vezes pensava nos pais, em como eles reagiriam ao acordarem pela manhã e não o encontrarem em casa. Ele tinha plena certeza de que queria se casar, pois Pandora era a sua felicidade, sua vida. Mas também lembrava que deveria honrar seus pais e obedecê-los, talvez fugir tenha sido um ato imprudente demais, talvez devesse ir para os Estados Unidos e depois voltasse para se casar... Mas ele logo tratava de espantar as dúvidas, principalmente quando se voltava para admirar a jovem tão bela que estava sentada ao seu lado, aquela que lhe dominava completamente.

Próximos à fronteira eles pararam para abastecer, comprar algo para comer numa loja de conveniência e descansar um pouco.

— Atenção, atenção! – Pediu Violet. – Bem, acho que antes de seguirmos você precisa fazer aquilo que combinamos, Radamanthys.

— Minha linda, não podemos demorar muito aqui. – Disse Aiacos.

— Será rápido... Já que vão se casar e eu serei a madrinha, claro, trouxe uma coisinha. – Disse a ruiva tirando uma pequena caixa da bolsa. – Pega ai, cara!

— Achei que tinha se esquecido de trazer, obrigada Violet.

O jovem se aproximou de Pandora, que estava bebendo um refrigerante, e se colocou de joelhos a sua frente, ali mesmo no posto de gasolina. Em suas mãos estava a caixinha de veludo negro. Quando ele a abriu, Pandora arregalou os olhos e pôs as mãos na boca, para abafar um grito: lá estava um par de alianças douradas com pequenos diamantes.

— Bem, Pandora, eu sei que aqui não é o lugar apropriado pra isso. Queria ter lhe levado a algum restaurante, ou algo do tipo, mas não tivemos tempo, foi tudo tão de repente... – Ele falava a olhando profundamente, enquanto ela se mantinha quase que congelada. – Porém o que menos importa agora é onde estamos. Eu quero oficializar a nossa situação nesse momento, por que você merece que seja assim. Então, Pan, você aceita se casar comigo?

— Radamanthys, eu não esperava por isso, achei que iriamos nos casar direto, sem noivado... E, nossa, claro que eu aceito! É o que eu mais quero agora!

Os dois trocaram alianças, se abraçaram e deram um longo beijo apaixonado, entre sorrisos e carinhos. Enquanto isso, Aiacos abraçava Violet e Minos apenas observava tranquilamente, fumando um cigarro.

Dali seguiram viagem, já muito cansados. Quase todos estavam adormecidos, exceto Minos que estava ao volante. Pandora estava encostada no seu amado, que a abraçava com um semblante muito alegre. Violet dormia com meia garrafa de cerveja nas mãos, e Aiacos roncava no banco de passageiro da frente.

“I have dreamt of a place for you and I

No one knows who we are there

All I want is to give my life only to you

I've dreamt so long, I cannot dream anymore

Let's run away, I'll take you there.

We're leaving here tonight

There's no need to tell anyone

They'd only hold us down

So by the morning's light

We'll be half way to anywhere

Where no one needs a reason.

Forget this life, come with me

Don't look back, you're safe now

Unlock your heart, drop your guard

No one's left to stop you.

We're leaving here tonight

There's no need to tell anyone

They'd only hold us down

So by the morning's light

We'll be half way to anywhere

Where love is more than just your name”

(Anywhere – Evanescence)

—------------------- Em Berlim ------------------------------------------

O Sr. e a Sr.ª Wyvern acordaram cedo para viajar, iniciaram o café da manhã e estranharam a ausência do filho.

— Você avisou pra ele que deveria acordar cedo, Lucy?

— Claro que sim, ele até ajustou o despertador na minha frente. Vou ter de acordá-lo pessoalmente, deve ter dormido tarde outra vez, por isso ainda não levantou...

Com o passo apressado e pensando em chegar logo ao aeroporto, Lucy entrou no quarto vazio. Ela tomou um susto ao perceber que além do filho não está em casa, sua mala também não estava mais lá.

— Richard, o nosso filho não está em casa! – Disse a mulher, assustada.

— Como assim não está em casa?

— Simplesmente não está, e a bagagem dele também não!

— Será que ele dormiu fora de casa?

— Não, eu vi quando ele dormiu, querido. Será que... Ele fugiu?!

— Não pense bobagem, mulher, vai ver ele está na recepção.

A mulher ligou para a recepção e recebeu uma resposta nada agradável.

“Senhora, a última vez que seu filho esteve aqui foi por volta das três da manhã.”

O que acabara de ouvir lhe fez pensar ainda mais numa possível fuga.

— Richard, eu tenho quase certeza que ele fugiu! Mas por quê?

— Pandora Heinstein!

— Pandora? Aquela namoradinha gótica que ele arrumou no colégio?

— Sim. Nosso filho está enfeitiçado por aquela garota, ele não queria se mudar conosco por conta dela!

— Por Deus! Temos de ir até a casa dela, querido. Vai que ele está por lá?

— Faremos isso, mas infelizmente teremos que adiar a nossa mudança! – Disse o homem, bastante irritado.

—-------------------------------- República Tcheca -----------------------------------

O carro passou pela fronteira tranquilamente, sem que fossem parados pela polícia rodoviária. Eles percorreram mais alguns quilômetros e chegaram, finalmente, em Praga.

Depois de dormir um pouco, Pandora acordou e de cara se admirou com a beleza da cidade. Ela apreciava muito Berlim, mas estava encantada com Praga, pela sua arquitetura, suas pontes, seu sinuoso rio. De fato estava em um dos lugares mais lindos do mundo! Apesar de ter muito dinheiro, jamais havia saído da Alemanha sendo essa a sua primeira vez em território estrangeiro.

— Onde vamos ficar? – Perguntou a bela Pandora.

— Queria muito ficar num bom hotel, mas acho que devemos nos hospedar em algum lugar mais humilde, pois acredito que meus pais tentarão nos rastrear e, claro, eles não vão conseguir nos imaginar em outro lugar que não seja muito caro.

— Boa estratégia, sabe, eu nem ligo mesmo pra isso de luxo. – Disse Minos. – Com tanto que dê pra dormir, está ótimo.

— Vou procurar aqui no meu tablete algum lugar pra nós! – Falou Violet, tomando a frente da situação.

Eles encontraram uma pousada simples, mas muito aconchegante. O prédio era antigo, no entanto extremamente conservado e de muita beleza.

— Olá, nós desejamos reservar um quarto! – Aiacos, falando em inglês, se dirigiu ao atendente. – Somos cinco, e a reserva será em meu nome. Há um quarto disponível?

— Bem, senhor, temos apenas quarto duplo com uma cama extra. Terão de alugar dois quartos, mas não se preocupe, há bastante disponibilidade. – Disse o homem com um sorriso agradável.

— Então vamos fazer assim: Eu, Violet e Minos ficaremos juntos, e os noivinhos ficarão em outro quarto, pode ser? – Ele olhou para Pandora e o namorado, que ficaram um pouco corados, mas concordaram.

Após se estabelecerem na pousada, o grupo saiu para conhecer a maravilhosa cidade de Praga.

—--------------------------------------- Berlim -----------------------------------------------

A campainha tocou cedo na Mansão Heinstein. Hypnos já estava acordado tomando o café da manhã com Alone, quando resolveu abrir ele mesmo a porta.

Para sua surpresa quem estava o esperando era seu grande amigo, Thanatos, que havia retornado de sua viagem misteriosa.

— Thanatos, que bom que está de volta!

— Temos muito a conversar mais tarde, porém agora estou morto de fome. – Disse o homem de cabelos negros entrando rapidamente em casa e chegando à mesa.

— Oi tio Thanatos. – Alone o cumprimentou timidamente, abaixando os olhos.

— Onde está a Pandora?

O silêncio tomou conta do ambiente, até que Hypnos tomou a palavra.

— Aconteceu um problema, meu amigo, depois conversamos sobre isso, com calma...

Todavia, a campainha começou a tocar novamente. Dessa vez uma das empregadas foram atender a visita.

Num rompante os pais de Radamanthys invadiram a casa, fazendo perguntas em alto tom.

— Mas o que significa isso? – Perguntou Thanatos franzindo o cenho. – Quem ousa entrar em minha casa dessa maneira? Acaso os convidei?

— Eu vim atrás do meu filho! – Disse Richard.

— Está louco, homem, não há ninguém aqui que seja seu filho.

— Essa não é a casa dos herdeiros dos Heinsteins? Não é aqui que mora a senhorita Pandora?

— Sim, e eu sou o tio dela. Mas eu ainda não entendi, o que quer aqui e quem é seu filho?

— Eu vim buscar meu filho Radamanthys de Wyvern, eu sei que ele está escondido aqui com a sua sobrinha!

— Santo Hades! Quer dizer que vocês são os pais daquele playboy metido? É uma péssima influência para a minha doce Pan...

— Não fale assim do meu filho! – Disse a mulher, erguendo um dedo. – Péssima influência é a sua sobrinha, ela foi quem o desvirtuou, aquela... Nazista!

— Epa, epa, não fale assim da minha sobrinha aqui na minha casa! E quer saber, ela não está aqui, nem me pergunte onde está por que eu não faço ideia, inclusive estou tentando descobrir algo sobre isso.

— Eu sabia, Lucy! Fugiram juntos!

— Sabem que ela ainda não tem dezoito anos não é? Pois então vou colocar a polícia atrás do seu filho! – Thanatos sacou o celular do bolso deixando os Wyverns muito assustados.

— Não, senhor, por favor! Prometo que vamos encontrá-los, não precisa denunciar nosso filho, ele é só um garoto ainda. Por favor! – Suplicou a mulher.

— Hum. Deixe-me pensar um pouco... Ok. Não farei nada, mas agora saiam daqui! – Thanatos, aborrecido, abriu a porta praticamente os expulsando.

—--------------------------- Na rua ----------------------------------

— Mas que homem arrogante, nos expulsou! O que vamos fazer agora, querido?

— Não podemos chamar a polícia, certamente nosso filho seria preso. Mas eu vou acionar minha segurança privada para rastrear toda a cidade...

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Notas finais
E ai? Gostaram? Muita tensa a situação da Esmeralda : E Pandora? Ta em plena lua de mel rsrs. Deixem a opinião de vocês nos comentários!! Fiquem a vontade pra pedir musica que vcs acharem que se encaixa na história ;) Quero explicar a escolha da musica da Gaga: É uma musica que fala sobre abuso, e foi o que aconteceu com Esmeralda. bjss :*