Entre Pixels e Perfumes

7 Convites e Confusões


Notas iniciais
O Capítulo 7 traz a virada do jogo. Jessy agora é quem dita o ritmo da confusão mental de Marcos, enquanto prepara o terreno para um domingo que promete ser inesquecível

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​O caminho de volta para a casa de Jessy foi bem diferente da ida. O silêncio ainda existia, mas não era mais gélido; era um silêncio carregado, elétrico. Marcos batia os dedos nervosamente no joelho, os olhos perdidos na paisagem urbana que passava pela janela. Ele parecia um homem assombrado por um fantasma que acabara de ver no restaurante.

​Quando o carro finalmente parou em frente ao prédio dela, Marcos pigarreou, tentando recuperar a postura de CEO que havia perdido entre uma mensagem e outra.

​— Srta. Walle — ele começou, a voz ainda um pouco instável. — Amanhã, domingo, realizarei um almoço em minha residência para o conselho e os funcionários-chave da empresa. Uma comemoração informal pelo sucesso da apresentação de hoje.

​Jessy o olhou, mantendo a expressão neutra.

— Entendo, Sr. Delavga. Estarei lá.

​— O convite se estende a um acompanhante — ele acrescentou, fixando o olhar no dela por um segundo a mais do que o necessário. — Maira me enviou o seu e-mail pessoal. Mandarei a localização e o horário por lá. Boa noite.

​— Boa noite, senhor. Obrigada.

​Jessy desceu do carro com elegância. Ela caminhou calmamente até o hall do prédio e esperou o sedã preto dobrar a esquina. Assim que as luzes traseiras do carro desapareceram, ela pegou o celular com um sorriso travesso.

​Morena: Desculpe o sumiço, Lupus. Eu estava em uma reunião interminável com meu patrão e alguns investidores alemães... Não podia nem respirar perto do celular. Você não imagina o quanto ele é exigente.

​Ela enviou e subiu o elevador, imaginando a cara de Marcos ao ler aquilo dentro do carro. Se ele já estava confuso antes, agora ele entraria em curto-circuito. Ele acabara de deixá-la em casa e, no minuto seguinte, recebia uma mensagem da "Morena" descrevendo exatamente a noite que ele acabara de ter.

​Ao abrir a porta de casa, deu de cara com Luccas, que estava jogado no sofá devorando uma pizza.

​— E aí, Cinderela? Voltou inteira ou o ogro te deu um relatório de 50 páginas para o café da manhã? — Luccas brincou, limpando o canto da boca.

​— Luccas, levanta esse corpo daí. Amanhã temos um compromisso — Jessy disse, jogando a bolsa na mesa e rindo. — Vamos a um almoço na mansão dos Delavga. E você é meu acompanhante.

​Luccas engasgou com o refrigerante.

— Eu? Na casa do seu chefe carrasco? Jessy, eu não sei usar três garfos diferentes, eu só sei levantar peso!

​— Você vai se comportar, Luccas Walle! — ela o repreendeu, embora estivesse se divertindo. — É para o seu próprio bem... e para a minha diversão. Você não tem ideia do que eu fiz hoje.

​Ela sentou ao lado dele e contou sobre a foto do bar e a mensagem estratégica que enviou logo após sair do carro. Luccas gargalhou tanto que quase caiu do sofá.

​— Você é um gênio do mal, Jessy! — ele disse, batendo palmas. — O cara deve estar agora trancado no quarto tentando entender como a "Morena" sabe da reunião dele. Ele vai surtar amanhã te vendo lá!

​— Esse é o plano — Jessy brilhou os olhos. — Ele acha que tem o controle de tudo. Mas amanhã, na casa dele, ele vai descobrir que o gelo dele não é páreo para o fogo que eu comecei a acender.

​Luccas sorriu, orgulhoso da irmã.

— Tudo bem, maninha. Eu vou. Vou colocar minha melhor camisa, aquela que quase explode nos braços, só para deixar o seu chefe "gelado" um pouco mais intimidado. Vamos ver se ele é tão durão assim pessoalmente.

​Enquanto o irmão continuava rindo, Jessy olhou para o celular. Não houve resposta de Lupus. Marcos provavelmente estava em choque, tentando ligar os pontos de um quebra-cabeça que Jessy não pretendia deixar ele montar tão cedo.