Entre Pixels e Perfumes
8 Labirinto de Vidro
Notas iniciais
A mansão dos Delavga era uma obra-prima da arquitetura moderna: linhas retas, muito vidro e jardins que pareciam saídos de uma revista. Jessy desceu do carro sentindo o sol de domingo na pele, mas seu foco estava no homem ao seu lado. Luccas estava impecável em uma camisa polo que lutava para conter seus ombros largos, atraindo olhares por onde passava.
— Jessy, se eu quebrar algum vaso de cristal de um milhão de dólares, a culpa é sua — Luccas sussurrou, ajeitando o relógio.
Antes que ela pudesse responder, Maira Delavga surgiu no topo da escadaria da entrada. Ela usava um vestido leve de verão e um sorriso que morreu por um segundo assim que seus olhos encontraram os de Luccas. A vice-presidente, sempre tão centrada, pareceu perder o fôlego.
— Jessy! Que bom que veio — Maira disse, descendo os degraus, mas seus olhos não saíam do irmão de Jessy. — E... quem é o seu convidado?
— Este é meu irmão, Luccas Walle — apresentou Jessy, notando a faísca imediata no ar.
— Muito prazer, Maira — Luccas estendeu a mão, e o toque pareceu eletrizar ambos. — Belos jardins. Espero que o almoço seja tão impressionante quanto a dona da casa.
Maira corou, algo raro para uma Delavga.
— Na verdade, a casa é do meu irmão, mas eu que cuido da alma dela. Venha, Luccas, vou te mostrar a adega antes que o almoço comece. Jessy, sinta-se em casa!
Jessy observou os dois se afastarem, conversando como se já se conhecessem há anos. Ela sorriu; pelo menos Luccas estava se divertindo. Agora, era a vez dela.
Ela caminhou em direção a um pilar de mármore mais afastado, perto de um corredor que levava à biblioteca. Com o coração disparado, ela removeu os braceletes de ouro que cobriam seu pulso esquerdo, revelando uma pequena e delicada tatuagem: uma constelação de órion. Era o seu símbolo secreto com Lupus, algo que ela mencionara anos atrás, mas que ele nunca vira.
Ela tirou a foto da tatuagem e, em seguida, aproximou a câmera do rosto, capturando apenas o brilho intenso de seus olhos castanhos sob a luz natural.
Morena: O sol está lindo hoje, não acha? Orion está brilhando mesmo durante o dia.
Ela enviou as duas fotos e recolocou os acessórios rapidamente.
Minutos depois, no grande terraço onde o almoço era servido, o clima era tenso. Marcos estava sentado na cabeceira, mas ele não era o anfitrião atento de sempre. Ele estava curvado sobre o celular, os dedos digitando furiosamente, o rosto pálido e o cenho franzido em uma confusão profunda.
— Marcos! — Maira chamou da outra ponta da mesa, onde estava sentada estrategicamente ao lado de Luccas. — O Sr. Fontana acabou de fazer uma pergunta sobre a expansão na Europa. Você pode largar esse aparelho por cinco minutos?
Marcos nem levantou o olhar.
— Sim, Maira. Um segundo. Estou resolvendo algo... urgente.
Maira bufou, visivelmente estressada com a falta de modos do irmão.
— Ele está assim desde ontem. Parece que viu um fantasma. Peço desculpas a todos.
Mas o estresse de Maira durou pouco. Luccas, percebendo a situação, inclinou-se para ela e sussurrou algo que a fez soltar uma risada sonora, voltando toda a sua atenção para o flerte descarado com o irmão de Jessy.
Do seu lugar na mesa, Jessy observava Marcos. Ele bebia o vinho como se fosse água, olhando ora para o celular, ora para os convidados, com os olhos injetados de nervosismo. Ele olhou para o pulso de todas as mulheres presentes, tentando encontrar a tatuagem, mas Jessy mantinha os braceletes firmes no lugar e os olhos fixos no prato, agindo como a funcionária mais discreta do mundo.
Marcos estava perdendo o controle no seu próprio domínio, e Jessy, em silêncio, sentia que a vingança nunca teve um gosto tão doce quanto aquele almoço de domingo.
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