Entre Paredes
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Estava na janela. Seus cabelos loiros se balançavam lentamente. Em vinte minutos teria que sair de casa para ir a escola. Sentia-se tentado a ver Madara, saber se realmente estudariam juntos. Talvez fosse uma coisa boa, talvez. Fechou os olhos. Queria que esses minutos passassem logo. Dava pra ver até mesmo no reflexo do vidro próximo que estava ansioso feito uma criança esperando pelos presentes de aniversário.
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Era sexta-feira. No pátio da escola, todos aguardando a hora da próxima prova. Fim de trimestre, notas, notas e mais notas... Em meio a toda essa tensão, vinham cortando o aglomerado de pessoas desesperadas aqueles que chamavam toda a atenção do mundo... Uchiha Madara, Namikaze Minato e Jiraya. Nos últimos meses andavam próximos demais, dando festas demais, sendo assunto demais... Claro e evidente que nenhum de seus admiradores sabia das coisas que aconteciam entre paredes, como Jiraya pegar todas as garotas e dopá-las para fazer o que bem quisesse sem precisar de sua incrível lábia ou Madara e Minato terem um caso. Não, dessas coisas, ninguém sabia. Aos olhos de todos, eram apenas os três garotos mais populares da escola. E, na verdade, esse era o maior problema de Minato...
Olhou de esguelha para o moreno. Sorridente como sempre, exalando cinismo. Pouco parecia se importar com a situação que passavam... As coisas estavam se tornando, para o loiro, insustentáveis. Era fato que não seria de todo interessante todos ficarem sabendo que tinha um caso com outro garoto, mas daí a Madara evitar quaisquer tipos de contato suspeito durante as extensas horas que ficavam alí, próximos um ao outro, já era demais. Queria conversar com ele, mesmo que no fundo soubesse que de nada adiantaria. Há dias estava evitando que esse momento chegasse, mas sentira tamanha necessidade que não pudera mais se convencer a calar...
— Madara...
Ele o olhou.
— Vou para casa.
— Por quê?
— Preciso resolver umas coisas. Quero que vá até lá mais tarde.
— Por que tanta formalidade? Aposto que sei o que quer fazer...
Diante de um sorriso cínico, apenas deu de ombros com outro em sua face, um tipo de “pense o que quiser”, antes de se despedir e tomar o próprio rumo. Podia esperar até amanhã para saber suas notas.
Rumo a casa, pensava em como chegar ao assunto e no que responder de acordo com as perguntas que ele talvez fizesse... Droga... Por que essas coisas tinham que ser tão difíceis?
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Dentro de seu quarto, Minato se preparava espiritualmente para o que viria mais tarde. Tinha certeza de que Madara tentaria levar na brincadeira como tudo que sempre fazia, mas não, não deixaria que ele escapasse. Não estava conseguindo entender por que diabos ele não demonstrava por sua pessoa o mesmo interesse na escola como fazia quando estavam entre quatro paredes. Era estranho, e sim, isso o estava deixando enojado. Se sentia algo como... indigno dos carinhos dele perante os olhos dos outros... Queria perguntar se ele tinha vergonha de sua companhia ou do que faziam. Queria entender por que não era uma companhia boa o suficiente para estar publicamente ao lado dele.
Perdido em seus próprios pensamentos, pouco viu o dia passar, e quando deu por sí, a noite já cantava baixinho aos seus ouvidos, tornando tudo o que outrora fora dourado num negro decadente.
A campainha tocou. Sem surpresas, Minato sabia bem de quem se tratava. Foi até a porta com um ar inexpressivo, a face branca, tão pouco significativa como um a folha de papel ofício sem nada, sem letras ou desenhos.
O sorriso do moreno nem mesmo fez com que retribuísse. Tudo o que fez, foi pedir que entrasse e trancar a porta antes de ir até o sofá, lado oposto ao que ele se encontrava assentado. Sentia, aquilo não seria de todo fácil. Era a primeira fase de sua vida adulta que temia passar, ou melhor, não ser capaz de passar.
Ele ainda sorria. Foi inevitável se irritar.
— Eu quero conversar, Madara...
— Como? Do jeito que sempre dizemos conversar?
— Não.
O sorriso escarninho, promiscuo, se apagou no mesmo instante.
— Por que não podemos ficar juntos do jeito que ficamos aqui quando estamos na rua, no colégio... Quando tem outras pessoas?
— Minato... — a voz baixa, doce, toda a franqueza e calma que ambos sabiam que não pertencia ao Uchiha — É que.. meus pais não podem saber, entende? Eles são do tipo que querem que eu me case, perpetue a família, faça muitos, muitos netinhos para eles treinarem assim como treinaram a mim e aos meus irmãos.
— Então não pode porque não quer, por que tem medo, não é mesmo?
— Não se trata disso Minato, por favor, entenda! Quando tem toda uma cidade com os olhos sobre sua família, não se pode se dar a certos luxos!
— Luxos? Madara, se meu amor é luxo para você, por que diabos não me assume?
— Eu não posso.
Minato suspirou tentando se acalmar. Inútil. Por uma única vez em sua vida, deixou-se levar por suas emoções sem nem ao menos se preocupar. Levantou-se enquanto o outro o olhava para só então se expressar:
— Acabou então.
— Como é que é?
Madara se levantou, praticamente exaltado. Não admitia que coisas assim acontecessem, e não admitiria de forma alguma que o loiro resolvesse por um basta em tantas coisas boas e significativas por causa de algo tão banal.
— Isso mesmo. Se não pode ser como eu quero, sinto muito, mas não vou me deixar levar por isso Madara. Não vale à pena eu me guardar para você só entre quatro paredes.
— Não Minato, por favor, não faça isso, me ajude!
— Madara, basta!
Gritou. Era um desaforo ele vir até sua casa e se fazer da vítima da situação enquanto o rejeitava e não aceitava lhe assumir perante a todos. Não queria saber de mais nada. Não desse modo, não de Madara.
— Quero você longe daqui, de mim. Espero que me esqueça, me deixe em paz. Se não é capaz de realmente me querer, de sair comigo como seu namorado, então não é capaz de se tornar bom o bastante para mim. Se quer apenas sexo, pague uma prostituta.
Com o indicador apontado para a porta, o viu enxugar algumas lágrimas provavelmente falsas como unhas de porcelana.
— Eu vou te provar que está errado, Minato, acredite em mim!
Com o tom de voz elevado, exaltado, deixou o apartamento do loiro batendo a porta ao sair. Sentia que por hora, tudo era apenas nada.
Minato caiu. Seu mundo parecia estar ruindo. Sentia que havia feito a coisa certa, mas ao mesmo tempo, sentia que seu destino havia se destruído.
— Deus, o que fiz...
Questionou-se. Em seu peito, a dor se fazia tão presente quanto a mágoa que criara por Madara. Não tinha mais nada alí. Era como se seu mundo houvesse se tornado um plano completamente vazio. Negro, cinza e vazio.
Assentado ao pé do sofá, abraçou uma almofada, abraçou suas pernas. Em choque, permaneceu imerso em seus pensamentos, em suas lamúrias até adormecer. Não havia nada que pudesse fazer. Por hora, as coisas dependiam apenas do Uchiha, e sem saber o motivo, Minato sentia que as coisas não seriam mais as mesmas...
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Amanheceu sobre a grande cidade. Nos olhos que passaram toda a noite abertos, os sinais de desilusão eram evidentes. O filho perfeito queria finalmente por fim à sua vida. Passara toda a noite assentado à janela da boate, olhando a cidade e bebendo enquanto se debulhava em lágrimas. Pensava no outro, no que fizera e no que teria que enfrentar ao assumir Minato. Porque sim, pretendia fazê-lo. Só precisava de um modo para isso. E não, não teria medo das consequências, pois após colocar na balança tudo o que sentia e todo o apoio de sua família, seu peito o fizera pensar do modo certo. Que todo o mundo se ferrasse, só não queria perder Minato. Não sabia o que fazer, não tinha a mínima idéia. Por sorte tinha mais algum tempo para pensar, até a hora da escola. Falaria com ele, pouco se importaria com as coisas, com as consequências, com o que todos os que até então não sabiam diriam. Seria, dessa vez, de agora em diante, só ele e Minato.
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— Como é?
— Isso mesmo. Vou precisar de você no café hoje durante todo o dia.
— Mas e a minha escola?
— Até você encontrar alguém para tomar o lugar que você ocupava, sinto muito, mas não vai dar pra te liberar.
— O que aconteceu com o gerente?
— Estou olhando para ele. Agora vamos, garoto. Vai ter que aprender algumas coisas ainda hoje.
Abobalhado com o que acabara de ouvir, Minato não acreditava no ocorrido. Não dava mesmo pra aceitar que havia sido promovido! E... tudo bem, a escola nem era tão importante assim. Como gerente, poderia logo encontrar um garçom ou garçonete, faria menos coisas, assim, tendo mais tempo para estudar e o salário já seria de grande ajuda! Só de pensar em tanto dinheiro livre... E se fosse pegar o horário do gerente anterior, só trabalharia por quatro horas! Poderia encontrar mais um emprego e logo estaria remediado, podendo ajudar ainda mais os pais e ter outro padrão de vida na cidade. Só havia uma coisa que não o estava deixando de todo feliz... E bem sabia o que era.
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