Notas iniciais
Boa Leitura !

Não posso mais ficar aqui. Todos me viram e seria muita imprudência continuar. Então, vou morar com minha mãe, Mary, e minha prima, Amber, em Los Angeles, pois não tenho mais ninguém aqui em São Francisco.

Olho para o que sobrou de minha casa, entro no táxi indo em direção ao aeroporto dando uma ultima olhada no lugar que um dia chamei de lar o que me fez lembrar minha primeira transformação.

......

Eu tenho 15 anos e estou no jardim cuidando das flores de minha tia, quando tenho uma sensação estranha e me viro. Assustada, vejo uma sombra começando a se levantar e em um passo de mágica, asas aparecem, meu cabelo ganha vida e sinto meus olhos queimarem.

Começo a gritar. Não sei o que fazer e de repente a sombra me ataca lançando-me para o outro lado do jardim. Sinto uma dor muito forte nas costas e algo quente escorrer em minha testa: é o meu sangue. Estou perdendo a consciência quando vejo minha tia com asas também.

No segundo seguinte só vejo trevas.

.....

Quando acordo de meus devaneios já estou na frente do aeroporto. Sem ânimo algum pego minhas malas e ando ate a plataforma da qual o avião já vai sair.

Já dentro do avião lagrimas teimam em sair deixando meus olhos mais vermelhos ainda. Acabo adormecendo, pois estou cansada, mas um sonho muito diferente do normal perturba meu sono.

(Sonho)

Eu estava encarando olhos negros e nublados como a névoa que nos envolvia me impedindo de saber onde eu estava. Uma pergunta começou a nascer na minha cabeça: O que eu estava fazendo ali?

E por um instante minhas pernas ganharam vida própria fazendo eu me aproximar cada vez mais da figura à minha frente; quanto maior nossa proximidade mais detalhes eu pude ver, como cabelos da mesma cor dos olhos levemente bagunçados, o que tenho que admitir tinha certo charme, lábios entreabertos, roupas escuras, pele clara e um corpo "satisfatório".

(Fim do sonho)

Acordo com a aeromoça dizendo que já estamos pousando. Depois de desembarcar vejo minha mãe e minha prima me esperando do lado de fora.

—Filha! Como você esta? Senti tanto a sua falta! — Diz vindo me dar um abraço.

— Prima, meu Deus como está bonita! Pegou muitos garotos em São Francisco hein? — Minha prima como sempre inconveniente.

— Eu também estava com saudades de você. — Respondo entrando no carro enquanto minha mãe guardava minhas coisas no porta-malas.

— Sinto muito. — Minha mãe diz — Sei que você gostava muito de viver lá, mas tenho certeza que vai gostar daqui. — Ela diz ligando o carro e indo em direção à minha nova casa.

Passamos primeiro para deixar minha prima que morava a quatro quarteirões da minha casa. Quando minha mãe estaciona o carro na frente do portão de casa posso perceber como ela é bonita e grande, por fora e branca e cinza.

Por dentro é a mais bonita ainda: colorida e os cômodos preenchidos com moveis escolhidos com bom gosto. Tenho que admitir que a casa e realmente esplendida. Após jantarmos, retiro-me e vou para meu quarto. Sou abençoada por uma vista incrível da varanda que dá direto para a cidade. Esqueci-me de mencionar que morávamos em uma colina que dá para ver toda a cidade. Como se as luzes da cidade formassem um cobertor cravejado de diamantes, logo o sono foi chegando e vou para cama. Não demora muito e caio na inconsciência.

.....

Acordo desanimada já faz 3 dias que estou aqui e todas as noites venho tendo o mesmo sonho, os mesmos cabelos, os mesmos lábios e principalmente os mesmo olhos.

Mas essa noite foi diferente.

(Sonho)

Eu estou lá novamente em algum lugar coberto por uma névoa espessa onde o vejo todas as noites. Eu não perco tempo, desta vez vou tomar uma atitude.

—Quem e você? — Tomo coragem para falar.

— Você deveria saber. Não é você que esta sonhando? — Ele diz ironicamente, e pela primeira vez posso ouvir sua voz. Sua voz e rouca.

— Por que estou aqui? Que lugar é esse? Por que venho sonhando com você e com este lugar todos os dias?

— Não posso dizer. — Agora sua voz já está mais baixa.

— Posso pelo menos saber qual é o seu nome?

—Creio que não. — Eu já podia vê-lo longe. Cada vez mais distante.

—Mas por quê? – quando faço esta pergunta ele some.

(Fim do sonho)

Eu acordo tomada pela confusão. Saio da cama e vou ao banheiro, tomo um banho, pois já são 07h30min da noite e minha prima me fez prometer que iríamos fazer uma comemoração atrasada pelo meu aniversario e se não sair agora vou chegar atrasada. Coloco uma roupa bonita, ordens de minha prima.

Enquanto desço as escadas vejo minha mãe na sala e aviso que já estou saída.

– Tudo bem, divirta- se – Escuto antes de fechar a porta.

Após me despedir vou até a garagem pegar minha Kawasaki. Yeah! Eu ganhei uma moto de aniversario da minha mãe, e amei o presente.

Assim corro na estrada ate o bar que Amber disse que iria se encontrar com os amigos. Como viu que eu precisava relaxar já que não me acostumei com nada e é meu aniversario, ela me chamou. Estaciono minha moto perto das outras. Estaciono minha moto perto das outras. Entro corro os olhos pelo lugar não registrando nada até que encontro minha prima e seus amigos que já tinha me apresentado na noite anterior em uma das mesas mais do fundo. Ando ate eles e me sento entre minha prima e Anthony que por sinal está abraçado a Alicia. Será que eles estão juntos? Fazendo-me esta pergunta vejo Reyna beijando o Taylor.

— Razel — Amber chama minha atenção. Viro-me para ela. — Quero que conheça meu namorado. Esse é Carter — diz mostrando um rapaz de olhos castanhos e cabelos meio loiros. — Carter, essa é Razel, minha prima de São Francisco.

Incrível. Vou ficar de vela.

—Oi. —Diz ele estendendo a mão.

—Oi – Digo devolvendo o comprimento. Nesse exato momento uma briga começa no bar. Aproveito a situação para me levantar e ir ao banheiro. Caminho lentamente até a extremidade do salão, quando percebo um rapaz a três mesas me encarando. Desvio o olhar e apenas termino meu percurso até o toalete.

Depois que jogo uma água no rosto, tomo o caminho de volta à mesa. No momento em que passo pela mesa do mesmo garoto que me encarava , vejo que uma cadeira sendo arremessada na minha direção. Fico congelada e fecho os olhos já esperando o impacto junto com a dor. Mas ao invés disso, sinto duas mãos fortes me segurarem e me empurrarem para o lado.

E quando abro novamente os olhos percebo que estou em baixo do garoto da mesa. Fito seus olhos e fico com uma estranha sensação que já o vi.

E como que levando um balde de água fria, meus olhos se arregalam. Lá está ele como uma miragem perfeita e incondicional, os olhos que vêm me atormentando: literalmente o garoto dos meus sonhos (sentiram a ironia?). Sento minhas bochechas queimarem.

— Ah... Muito... Ah... Muito obrigada-— gaguejo olhando para a cadeira totalmente quebrada pelo impacto com a parede.

—Sem problema— Diz ele se levantando e me ajudando a levantar e assim tenho a confirmação que por mais estranho que seja eu sonhei com ele.

Corro envergonhada por este pensamento e me sento. Quando me viro para ele novamente desvio o olhar ao ver que ele também olha para mim.

Vou até o balcão e peço um copo de água. Pela minha visão periférica o vejo me seguir e se sentar do meu lado.

— Oi — diz o garoto que me salvou.

— Oi — respondo com um sorriso.

— Sou o Connor — Ele estende a mão

—Razel — Digo apertando sua mão

— Belo nome — Diz.

— Ah... Obrigada. E obrigada de novo por me salvar da cadeira voadora, posso te pagar uma bebida em agradecimento? — Ele arqueia uma sobrancelha.

— Em primeiro lugar: tudo bem não foi nada e em segundo: Não era eu que deveria te oferecer uma bebida? —Pergunta divertida.

—Então esta me oferecendo? — Retruco reprimindo um sorriso.

— Se você aceitar – ele responde com um sorriso irônico

—Então sim. Obrigada, é muita gentileza da sua parte.

— Vou querer duas Red Label, por favor — Pede ao garçom.

Ele abre a boca para falar, quando tento perguntar o que iria dizer a voz de minha prima nos interrompe.

— Razel vamos para casa, já esta tarde — Ela diz.

— Claro. — Viro-me para Connor — Obrigada novamente pela cadeira e bebida — Digo dando um beijo em sua bochecha. Quando faço isso ele me olha estranhando minha ação, apenas dou de ombro e vou até minha moto.

Após chegar a casa e vou direto para cama. Pego logo no sono e novamente sonho com ele.

(Sonho)

— Connor. Esse é seu nome não e? — Pergunto enquanto ele se aproxima.

— Pode ser que sim, pode ser que não, você decide — Diz finalmente parando na minha frente

— Como assim? — Pergunto totalmente confusa.

— O sonho é seu — Responde me deixando mais confusa que antes.

— Mas como assim? Você fala isso sempre, mas eu te vi. Eu te vi hoje lá no bar! Você estava lá e me salvou de uma cadeira voadora — Falo enquanto ele ri.

— Você não faz a mínima ideia, não é?

— Se tivesse eu não estaria perguntando — Retruco irritada fazendo ele ri mais ainda.

— Boa noite Razel — Sussurra enquanto desaparece.

(Fim do sonho)

Acordo irritada pela falta de resposta e com esse pensamento começo a ficar com sonho ate dormir novamente dessa vez sem sonhos.

Acordo com o barulho do despertador, minha mãe me matriculou na escola Sunset High, onde minha prima estuda também. Pelo menos não vou ficar sozinha.

Tomo um banho, coloco uma roupa e desço correndo as escadas, pois já estou prevendo que vou chegar atrasada. Despeço-me de minha mãe e vou até a garagem pegar minha moto.

Como deduzi, chego atrasada para a aula de álgebra, ando para o fundo da sala e me encolho na cadeira com tantos olhares sobre mim.

. A aula termina então vou para a próxima, assim começa, mas eu mal presto atenção. Meus pensamentos estão direcionados a uma única coisa: os olhos de Connor e meu sonho na noite anterior. Não percebo quando o professor Scott esta me chamando pela 3 vez.

– Senhorita Blackwell, creio que não ouviu o que acabei de lhe dizer.

– Não professor, desculpe. — Respondo tendo vontade de cavar um buraco e entrar dentro.

Na hora do intervalo varro o lugar à procura de Amber, até que a acho acenando para mim em uma das mesas mais distantes do refeitório, aceno de volta e vou ate onde esta mais uma vez sendo segui pelos olhares do refeitório inteiro.

— Razel, estava te procurando. — Disse Amber que estava abraçada a Carter.

— Eai? — Cumprimenta Alice — Suportando o primeiro dia?

— É... Acho que sim.

—Aqui tem um lugar. Vem aqui sentar do meu lado. — Diz Reyna. Sento-me entre ela e Anthony.

Começamos a conversar até que vejo Connor, que também estava me olhando com a mesma surpresa. Desvio o olhar rapidamente me sentido corar. Paro de encará-lo e começo a prestar atenção na conversa.

O sinal bate e vou para minha próxima aula. Sou a segunda a entrar na sala. Só estou eu e uma menina japonesa de cabelo azul ate que ele entra e se senta a quatro carteiras da minha. Com o passar do tempo a sala vai enchendo e depois o professor chega. Durante toda a aula eu sinto seus olhos sobre mim.

As aulas se estenderam muito devagar, mas enfim acabaram. Sou a ultima a sair, pois tive que conversar com o professor pela falta de atenção.

Quando saio da escola está chovendo muito. Infelizmente minha moto está do outro lado do estacionamento. Vou andando até minha moto eu logo já estou toda molhada. Continuei andando e não vejo quando um carro vem em minha direção. Quando percebo, desvio e nesse momento eu escorrego vejo que vou bater minha cabeça no meio fio. Mas então, sinto mãos me puxarem.

Fico envergonhada por saber que novamente e Connor e que desta vez eu estou em cima dele, começo a observá-lo e fico intrigada pela imensidão escura que são seus olhos e como se escondessem segredos.

Porem me dou conta de que já estou tempo demais em cima dele me levanto correndo.

— Obrigada, e desculpa — digo envergonhada.

— Sem problema. Não foi a primeira vez que te salvo e pelo menos desta vez seu agradecimento pode ser melhor que uma bebida — diz com um sorriso sacana me deixando vermelha.

— Desculpa — Digo antes de correr até minha moto. Não espero sua reação e dou a partida. Dirijo o mais rápido para fora do estacionamento deixando para trás o garoto.

Chego em casa e me livro daquelas roupas molhadas e tomo um banho quente. Quando já estou na cama, o cansaço vence e durmo pensando como Connor fica atraente de cabelo molhado.

Notas finais
(http://www.youtube.com/watch?v=dG6-bU6esKo)