Entre Livros E Maldições
7 Poker Night II
Notas iniciais
Aliás, não conheço muito sobre pôquer, então perdoe os erros =x
August se encolheu quando sentiu a mão de Charlotte passando por sua coxa novamente. Mexeu-se desconfortavelmente na cadeira e tentou se concentrar nas cartas.
– Estou fora. – declarou jogando as cartas na mesa e tomando um longo gole de whisky.
Regina, que estava sentada na cadeira a sua frente, tinha um sorriso cruel e divertido no rosto, enquanto observava August se encolher e mexer desesperadamente na cadeira. Dickon soltava gargalhadas, divertido com toda a situação, Neil tinha um sorriso quase tão cruel quanto Regina. Alamir era o único que estava realmente focado no jogo e não notou o que estava acontecendo ao redor
Charlotte agia como se nada estivesse acontecendo.
– Eu dobro a minha aposta. – colocou mais fichas no centro da mesa e deixou uma perna, acidentalmente, claro, esfregar na de August.
August limpou a garganta e olhou para Regina, implorando por ajuda. A bruxa lhe deu um sorriso cruel, bebeu outro gole da sidra de maçã e cobriu a aposta de Charlotte. Neil e Marco desistiram, Alamir e Dickon apostaram.
Regina levou a rodada.
– Puta merda! – exclamou Dickon bebendo mais whisky. – Por que eu não estou surpreso?!
– Eu estou convencido de que ela lê mentes. – disse Alamir olhando futilmente para as fichas perdidas. – Não pode ser normal.
Charlotte gargalhou.
– Isso é por que vocês nunca jogaram strip poker com ela.
Regina riu e Dickon soltou uma exclamação.
– Strip poker?! Onde?! Quando?!
– No nosso encontro anual “Mulheres e suspense”. – respondeu Charlotte. Sua mão apertou a coxa de August, que se remexeu desconfortável na cadeira. – Ficamos nuas como quando viemos ao mundo, exceto Regina. Ela só tirou os sapatos e o blazer. – olhou para a morena que se servia de mais sidra. – Muito sem graça da sua parte, aliás.
– Você não pode me culpar por aquilo! – respondeu a morena com uma risada – O que queria que eu fizesse? Perdesse de propósito?
– Claro que sim! – exclamou Charlotte apertando a coxa de August novamente.
O escritor estava ficando vermelho. Quando August decidira ficar, ele jamais imaginaria que aquele seria o resultado. Por mais que admirasse cada escritor daquela mesa, até ele tinha que admitir que as mãos de Charlotte eram... não muito bem vindas em suas pernas e partes privadas.
– Okay! – exclamou Marco esfregando as mãos. – Então, Rainha, é com você que iremos começar.
– Oh yeah! – exclamou Dickon terminando o whisky e se servindo de mais. – Estou esperando por essa oportunidade desde que eu li “E éramos um”!
Neil e Alamir discutiram algo entre si e soltaram risadas.
– Okay, o que acontece agora? – indagou August olhando ao redor.
– Vamos discutir. – disse Charlotte. – a primeira discussão da noite será ao redor de Regina ou mais especificamente, o conto “E éramos um”.
– Esse eu não consegui ler ainda. – comentou.
Charlotte apertou-lhe a perna mais uma vez.
– Que pecado! – exclamou jogando uma das mãos para cima.
– Eu prefiro não discutir esse conto. – começou Regina olhando para todos na mesa. – Como eu já falei com o Neil, eu sinceramente detesto...
– Sim sim, — disse Marco balançando as mãos. – Sabemos que você o detesta!
– Mas, queremos discuti-lo mesmo assim. – continuou Neil terminando o whisky. – Eu aceito sidra.
Regina suspirou e encheu o copo de Neil.
– É a melhor que eu já tomei. – disse o escritor cheirando o copo. – Ainda tem até um cheiro de maçã. – tomou um gole. – O melhor!
– Quem vai começar? – disse Charlotte. – Eu sou voluntária.
– Então, comece, mulher! – exclamou Dickon. – Eu serei o próximo!
– Eu! – exclamou Alamir. – Terceiro!
– Quarto. – disse Marco levantando a mão.
– Bem, já discutimos sobre o conto, mas eu fico com a quinta posição. – disse Neil tomando mais um gole.
– Acho que o Auggie não pode participar então! – disse Charlotte se virando para August. – Mas não se preocupe, querido, qualquer coisa pode me perguntar.
– Auggie? – indagou Dickon. – Oh, rapaz, você está tão perdido! – exclamou e começou a rir.
August talvez devesse se sentir insultado quando toda a mesa começou a rir. Charlotte começou a brigar com os outros escritores, mas não conseguiu se segurar e também começou a rir.
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Emma não conseguia se concentrar.
Snow falava algo sobre a cidade e sobre os perigos que os cercavam. Charming e Graham a ajudavam comentando coisa ou outra. A sala de reuniões da cidade estava lotada, o assunto era muito importante e acima de tudo, era a segurança da cidade e consequentemente de Henry que estava em jogo.
Mas, Emma não conseguia se concentrar.
Tudo que conseguia pensar era no jogo de pôquer. Assim que August saíra da delegacia, Grumpy dissera que na mansão da bruxa estava acontecendo algo suspeito. Quando ela, Graham e Grumpy foram até a grande mansão do antigo prefeito, se surpreenderam ao ver um van estacionada.
Regina já tinha tudo planejado. Os tais amigos do pôquer já estavam indo para a cidade quando ela conversara com Emma na delegacia mais cedo. A bruxa tinha tudo planejado!
– Então, por que ela foi atrás do August? – indagou Graham confuso.
Emma não fazia a menor ideia, mas ela planejava descobrir.
Todos levantaram as mãos, exceto Emma. A loira olhou ao redor, perdida e depois olhou para o palco, onde Snow e Graham a olhavam com um olhar que dizia “o que você está fazendo?” Apertou os lábios e levantou uma mão.
– Ótimo. – disse Snow dando um olhar irritado para Emma, que abaixou a cabeça. Graham abriu um sorrisinho. – Mandei um bilhete para Regina mais cedo, pedindo que ela participasse de uma reunião amanhã. – respirou fundo. – Ela aceitou.
– E como sabemos que ela vai falar a verdade? – indagou Grumpy.
– O que podemos fazer? – indagou Charming. – Não sabemos o que aconteceu. Não lembramos quem nos amaldiçoou. Não sabemos como voltar para casa. O que sugerem que façamos?
As pessoas começaram a murmurar. Grumpy resmungou, mas não respondeu.
– Eu, mais do que todos vocês, estou com medo. – admitiu Snow. – Mas, é algo que tem que ser feito. Ela está disposta a nos ajudar, então estamos dispostos a ouvi-la.
– Hora da votação. – disse Charming. – Quem é a favor?
Dessa vez, Emma levantou o braço no momento certo, mas a votação não foi unanime. Grumpy não votou como alguns outros. Mas o “a favor” ganhou e Emma suspirou aliviada.
– Então, a bruxa vai continuar por aqui? – veio a pergunta de Michael, o mecânico.
Snow suspirou.
– Irá.
Emma se levantou e olhou ao redor.
– Eu sei que vocês não gostam dela. – disse, de repente irritada – Mas o que querem fazer? Não temos pó de fada, nem memórias e vocês ainda querem que recusemos ajuda da única pessoa que sabe?! – indagou. Algumas pessoas se encolheram na cadeira. – Eu não conheço Regina, mas posso afirmar que até agora, ela não quebrou nenhuma promessa. Os ogros pararam de atacar, não há mais goblins, desde que ela chegou podemos, enfim, descansar e pensar numa forma de resolver tudo. Mas, vocês querem que ela se vá para continuarmos perdidos? Não estou pedindo para confiar nela ou elegê-la prefeita, mas, por favor, sejamos realistas aqui.
Grumpy olhou para Emma, depois para Snow e se levantou.
– Tudo bem, eu mudo meu voto. – Emma e Snow sorriram. Charming assentiu, satisfeito – Mas se ela fizer qualquer coisa suspeita...
– Eu serei a primeira a ir atrás dela. – prometeu Emma.
Uma a uma as pessoas foram mudando os votos, no final, Snow teve certeza de que não teria problema por parte da população por enquanto.
– Eles não confiam nela. – disse Charming pensativo – mas estão dispostos a ouvi-la, isso é bom...
– Ou não. – interrompeu Graham. – pode ser uma armadilha. Deveríamos fazer a reunião ao ar livre.
– Eu já pensei nisso. – disse Snow. – Será em frente a Granny’s. Não seremos pegos de surpresa.
Charming queria confirmar com Emma se estava tudo pronto para a reunião do dia seguinte, mas surpreso, não viu a loira na sala de reuniões.
– Onde está Emma? – indagou.
Snow e Graham olharam ao redor e depois o olharam igualmente preocupados.
Algumas pessoas ainda conversavam em grupinhos na sala, mas nenhuma daquelas pessoas era a loira impulsiva e tola que eles amavam.
– Onde ela pode ter ido?! – indagou Snow com raiva e preocupação.
– A história é ridícula! – exclamou Regina jogando as cartas em cima da mesa. – Eu já disse que me arrependo por ter escrito aquele pedaço de lixo!
– Ora! – exclamou Dickon com o rosto vermelho. – Sabe o que diferencia o verdadeiro artista de outras pessoas? Eles conseguem pegar as coisas mais ridículas, os clichês mais usados, a técnica mais comum e nos maravilhar com isso!
– E é exatamente isso que você faz! – disse Alamir desistindo da rodada. – Quando eu peguei para ler, juro que não consegui parar. Era tão diferente do que você costuma escrever!
– Sem sangue e mortes! – exclamou Charlotte apostando. – Eu sinceramente esperava que alguém morresse, mas meu coração ficou em pedaços do mesmo jeito. No final, eu juro que gritei “Vá atrás dela, seu energúmeno!”
August riu, mas se arrependeu quando a mão ficou mais ousada.
– Bem, eu fiquei impressionado! – disse Marco apostando – Estranhei em certos momentos: “Regina Mills escrevendo romance?! Um romance saudável?! Sem traumas? Sem sangue? Não, é a Regina errada!” – soltou uma gargalhada.
– Não me orgulho dele. – disse Regina bebendo sidra.
– Qual é o enredo do conto, afinal? – indagou August dobrando a aposta.
– Oh! – exclamou Charlotte – basicamente é uma história sobre um anjo, ou algo do tipo, se apaixonando pela pessoa que ele deveria cuidar.
– Não seria exatamente se apaixonando- interrompeu Regina. Ela parecia mais desconfortável que August e ele sofria com a mão de Charlotte em suas coxas. — Um enredo fraco e patético. – disse incomodada.
– Mas desenvolvido brilhantemente! – disse Dickon. – Eu não gosto de romances, mas eu li o conto com prazer.
Neil apostou.
– Quando eu li – começou o escritor – juro que pensei mais num demônio no que um anjo.
August levantou a sobrancelha. Regina bebeu mais um gole.
– Um demônio?! – exclamou Charlotte rindo. – Demônios não amam, querido.
– Ora, você não sabe! – retrucou Neil.
Marco olhou para Regina, que estava mais silenciosa do que de costume e perguntou:
– O que acha, querida?
Regina forçou um sorriso.
– É como ela disse, Marco, demônios não amam.
August pôde jurar que ouviu a voz de Regina tremer.
–-
Emma estava em frente a mansão da bruxa e tremeu quando ouviu os risos vindo da casa.
– Ora, ora! Eu disse que deveríamos ter jogado strip poker! – exclamou uma mulher gargalhando. – Não é mesmo, meu Auggie lindo?
Auggie? Emma sentiu vontade de gargalhar como os outros.
– Eu só acho que nem todos os demônios são vazios. – era August.
Por que eles estavam conversando sobre demônios? Cansada de bisbilhotar, Emma apertou a companhia. Era hora de fazer perguntas e exigir respostas.
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