Entre Gregos e Romanos
9 Cap. 8
A caçadora começou me atacando na barriga, e embora meus reflexos não estivessem 100% recuperados, consegui defender aquela área bem a tempo. Ataquei sua perna, sem estragos, pois ela era extremamente rápida. Ficamos nesse jogo de ataca-defende por uns minutos, até que algo mudou dentro da minha adversária. Quando investi minha espada em sua cintura, acertei-a, porque ao invés da garota se defender, ela atacou minha cintura também. Gabrielle nos mandou parar e gritou o nome de Lorena, porque já havia sangue manchando minha camiseta laranja e o vestido branco de Franciele. Lore correu até onde estávamos, com olhos arregalados e arfando.
–PELOS DEUSES, O QUE VOCÊS ESTÃO PENSANDO? Vão agora mesmo para a casa grande. – virou para os outros duelistas: — alguém pode levá-las até a enfermaria, por favor? Os outros continuem.
Lorde e um outro garoto vieram em nossa direção, mas Franciele começou a gritar que nunca deixaria que um ser do sexo masculino a tocasse, então o que eu desconhecia deu meia volta depois de trocar olhares com o outro e uma menina que estava como observadora de algum duelo, alguma coisa Sanchez...
–Já fui até a Casa Grande hoje, não vai me matar ir lá outra vez – Lorde deu de ombros, mas seus olhos ficavam indo na direção da saída, o que acabou entregando sua verdadeira motivação para a oferta de ajuda, ele queria ver a Lua.
–Oi, sou a Carolina, mas pode me chamar de Cah! Vamos lá? – perguntou pra caçadora, que só assentiu.
Fomos até a enfermaria, localizada no gigante porão da Casa Grande, onde Lua estava sentada numa poltrona, com uma garota pequena fazendo uma compressa em sua testa. Assim que entramos, Lua olhou em nossa, corou e voltou sua atenção à garotinha. Lorde correu em sua direção, esquecendo o que o tinha levado ali, mesmo que de mentirinha. Sentei ao lado da caçadora, com Cah na nossa frente, mexendo o pé nervosamente.
–Potato, será que você pode largar os pombinhos aí e vir aqui? Tem duas garotas sangrando aqui, desse lado, caramba! – tá, talvez ela não tenha dito caramba.
A menina, Potato, veio em nossa direção assim que Cah acabou de reclamar, com um ar de cansaço estampado em seu rosto. Ela não devia ter mais do que 13 anos, mas já tinha essa baita responsabilidade. Assim que olhou nossas roupas encharcadas de sangue, cochichou algo no ouvido de Cah, que subiu correndo.
–Sou a Fernanda, mas me chamem de Potato, tô fazendo bico de ajudante de Apolo – bufada da Franciele -, a Cahzita foi buscar alguém pra me ajudar aqui, não posso ajudar só uma enquanto a outra fica aí sangrando.
–Você parece meio nova... – não consegui evitar.
–É, eu tenho 12 anos, algum problema? – ela fechou a cara pra mim.
–Não, é só que... bom, não parece certo com você essa responsabilidade toda e todo esse estômago forte que tem que ter... Desculpa – abaixei o olhar.
–Ah, tudo bem, meu estômago é naturalmente forte, meu pai é o deus do submundo, o bullying é grande, mesmo por aqui – revirou os olhos –. E eu gosto de ajudar aqui na enfermaria, meio que diminui essa coisa toda de acharem que os filhos de Hades são psicopatas. – deu uma risada de criança e eu concordei com a cabeça.
Cah apareceu na porta com uma garota baixa, de cabelos longos e castanhos. Seu olhar parou em minha cintura e ela prendeu a respiração. Foi até um pequeno armário, pegou uns potinhos e veio até nós, com um sorriso discreto no rosto.
–Thaina, mas se vocês têm amor aos deuses, me chamem de Thai. Sou filha de Apolo, 16 anos. A Cah disse que vocês estavam no duelo... Cara, fazem anos que isso não acontece. – fez cara de preocupada.
Troquei olhares tensos com a caçadora, que ainda não tinha soltado uma palavra. Thai começou a cuidar de Franciele e Potato, de mim. Deram-nos um pouco de um suco muito bom, tinha um gosto que parecia demais com o pavê que minha mãe costumava fazer.
–Ei, cuidado para não tomar demais do néctar, é perigoso. – Potato me alertou, assenti e tomei só mais um gole, depois deixei o copo de lado.
As “enfermeiras” fizeram curativos em nós duas e pediu para que ficássemos ali mais um pouco, pra não fazermos sangrar enquanto subíamos as escadas, então foi o que fizemos. Thai deu uma olhada na Lua (que ainda estava acompanhada pelo Lorde) e a liberou, ambos subiram de mãos dadas. Poucos minutos depois, ouvimos passos na escada. As caçadoras entraram no grande porão, misturando-se com o resto do lugar, que também era branco. A líder delas olhou de cara fechada tanto para mim quanto para a garota ferida ao meu lado.
–O que você estava pensando, Fran? Mas que droga! – seu rosto ficou inteiramente vermelho.
–Desculpe-me, tenente. – abaixou a cabeça. – A luta estava chata, nunca ia sair daquilo. Eu tinha que tentar – continuou de cabeça abaixada, prevendo uma bronca, eu acho.
–Mesmo assim, você tem merda na cabeça? Não parece que você tem 40 anos de experiência, parece que tem só os 14 que aparenta. Idiota. Agora tá aí, machucada. Mereço mesmo, mereço. – seu rosto não diminuía o tom de vermelho, na verdade, só piorava. Olhou pra mim e disse: — em outra situação eu te parabenizaria, só que não acho que seja adequado. Você só a atingiu porque ela foi idiota e você foi atingida também. – seu olhar era duro. – Mas parece ser habilidosa em batalhas. Vou falar com Mary sobre isso.
Empalideci. Que raios estava acontecendo? Eu não havia feito nada de errado para ser reportada à Mary. Algo errado nessa história.
–Moça, você não deveria estressá-las, elas precisam de repou... – Thai disse, mas foi brutalmente interrompida por um soco da tenente das caçadoras.
–Eu sou Evelyn, a po*** de tenente da Fran, não me diga o que fazer, garota. – dito isso, ela subiu, seguida das caçadoras.
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