Entre Espadas E Varinhas
7 Capítulo 6
Todos ficaram um tempo sem falar nada. Jane ouvira mas não conseguia acreditar. Bruxos? Totalmente impossível. Jane lera tudo sobre bruxas e podia afirmar que elas não existiam mais, foram todas mortas há séculos.
O garoto que estava sendo perseguido sai do banheiro com a toalha pendurada nos ombros e as roupas bastante largas, fazendo-o tropeçar a cada passo que dava. Ele caminhou em silêncio até a cama que estava desocupada e sentou-se encarando os outros, esperando que alguém falasse alguma coisa.
Jane resolveu então quebrar o silêncio.
– Querido, — disse dirigindo-se ao garoto, no tom mais bondoso que conseguiu encontrar. — você não quer descer lá no Saguão e comprar alguma bala ou chocolate naquela máquina de doces?
O garoto afirmou com a cabeça, pegando o dinheiro que Jane oferecia e saiu logo em seguida.
Assim que a porta se fechou, ela continuou:
– E então, bruxos? Podem explicar melhor?
– Mas vocês são tipo aquelas bruxas que voavam em vassouras e faziam poções com olhos de aranha e essas coisas? — perguntou Thomas.
– Não, quer dizer, sim, bem, mais ou menos. Tipo, nós voamos em vassouras e fazemos poções mas não como as bruxas dos filmes ou desenhos animados. Mas não posso dizer muita coisa porque já estamos ferrados, muito ferrados, completamente ferrados e-
Sarah foi interrompida por Charlie, que erguera a mão pedindo silêncio.
– Já entendemos, Sarah. Estamos sim ferrados mas não adianta nos lamentarmos. Agora já era. — ele estava muito diferente de alguns minutos atrás. Estava muito mais sério e determinado.- Sabemos que eles não são como os outros trouxas.
– Perdão mas, você acabou de nos chamar de trouxas? — perguntou Sarah, com um ar de indignação.
– Ei, cara! Isso não se faz. — exclamou Thomas.
– Quando digo trouxas me refiro á quem não é bruxo. Mas enfim, agora que contamos o que somos é só questão de tempo até que o Ministério entre em contato com a gente.
– Ministério? Que Ministério? — perguntou Jane.
– Nosso Ministério, Ministério da Magia.
– Nossa.
– Pois é.
Sarah ausentou-se da conversa. Ela via a boca deles se movendo mas não conseguia ouvir o que falavam, estava absorta nos próprios pensamentos. A demora do Ministério em falar alguma coisa a estava deixando louca. Será que iriam mandar aurores? Ou seriam expulsos de Hogwarts? Ou mandados para Azkaban? Todas essas perguntas se passavam na mente de Sarah ao mesmo tempo, a deixando mais nervosa ainda.
Ela deu uma olhada no quarto e percebeu que Thomas não estava ali, onde ele poderia estar ela não fazia ideia mas isso também não importava. Estava preocupada demais com o que iria acontecer a ela. Ah, e a Charlie também, é claro.
***
Thomas já estava cansado de pensar. Quando focava muito num assunto começava a ficar com dor de cabeça. Mais um motivo para não estudar.
Ele decidiu ir até o Saguão de Entrada, onde encontrou o cara da quimera sentado num banco perto de um carrinho de bagagem comendo Skittles. Thomas simplesmente amava aquela bala, poderia passar uma tarde toda sem fazer nada, só saboreando o incrível sabor daquela divindade.
– E aí, cara? — disse Thomas, sentando-se ao lado do garoto, que continuou calado.
– Desculpe mas ainda não sei seu nome. Eu sou Thomas, Thomas Cooper, ás suas ordens. Se precisar conversar com alguém ou simplesmente dividir um pacote de Skittles, pode contar comigo.
O garoto riu, o que fez Thomas se sentir melhor, e ainda ofereceu o pacote à Thomas que despejou algumas balas direto na boca, o que o fez se sentir melhor ainda.
– Meu nome é Louis.
– Muito prazer, Louis. Então, tem umas coisas que eu tenho que falar com você antes que a Jane faça isso. E com aquele jeito assustador dela, vai fazer as coisas parecerem ainda mais difíceis.
– Eu tenho medo dela. — diz Louis, tapando a boca logo em seguida como se tivesse se arrependido do que havia falado, fazendo com que Thomas risse até a barriga doer. Estava começando a gostar daquele garoto.
– Eu te entendo, cara. Ela me dava medo também mas depois de tantos anos convivendo com aquela coisa já me acostumei. Nossa, imagina se ela ouvisse essa conversa — Thomas começou a fazer várias imitações de Jane, que eram extremamente parecidas com as caretas que ela fazia quando ficava brava, fazendo os dois caírem na gargalhada.
– Você é engraçado, Thomas. — diz Louis, ainda rindo.
– Você também, cara. Mas agora a coisa é séria. Pode ser que fique meio confuso no começo mas mais tarde você vai entender melhor. — e então ele começou a explicar tudo que um semideus iniciante tem que saber. Deuses, monstros, Olimpo, titãs, acampamento, mortais, névoa, coisas básicas.
Por incrível que pareça, Louis reagiu extremamente bem. Ele era um bom ouvinte, não demonstrava emoções, não interrompeu Thomas uma única vez para fazer alguma pergunta ou qualquer outra coisa.
– Mas Thomas, é normal alguém como nós ser perseguido por monstros como aquele?
– Bem, aquilo era uma quimera. É estranho que tenha ido atrás de você, mas se bem que ainda não sabemos quem é seu pai, ou sua mãe.
– Quem são seu pai e sua mãe?
– Minha mãe é mortal mas meu pai é Hades.
– Então tomara que eu seja filho dele, aí poderemos ser irmãos.
Aquilo pegou Thomas de surpresa. Mas ficou mais surpreso ainda por perceber que ele queria o mesmo, queria aquele baixinho como seu irmão.
– É, pirralho. Seria divertido. — disse ele, bagunçando os cabelos de Louis.
– E Thomas, como vou conseguir me proteger? Fiquei todo esse tempo só fugindo, sem poder reagir. A primeira vez que uma dessas coisas me atacou estava na minha casa e nunca mais voltei porque sempre que voltava ela estava lá me esperando. E em todo lugar que ia tinha vários deles, enormes e feios.
– Calma, carinha. Alguns treinos e você já vai estar matando uns vinte monstros seguidos. Mas me diga uma coisa, onde era sua casa?
– Ah, eu morava num orfanato. Fica bem longe daqui, eu acho. Na verdade nem sei onde estamos.
Thomas ficou sem saber o que dizer. Aquele garoto tinha passado por tanta coisa e só tinha onze anos. Thomas queria mais do que tudo que ele fosse mesmo filho de Hades, assim poderia tomar conta daquele garoto.
– Algo me diz que você ainda vai ser um grande herói. — diz Thomas, olhando pra ele com um brilho nos olhos, imaginando como Louis seria quando mais velho. — Mas agora vamos. Corrida até a máquina de doces. Já!
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