Já era quase uma e meia da manhã quando todos foram se deitar, até o pequeno Louis ficou acordado com eles. Ficaram todos conversando sobre o que iriam fazer em seguida, tanto em relação ao Acampamento quanto ao Ministério.

Depois de horas discutindo sobre o assunto decidiram que cada um iria seguir seu caminho como se nada disso tivesse acontecido, acreditavam que isso iria facilitar a situação em que estavam, ou pelo menos um pouco. Se fosse preciso, Jane e Thomas concordaram em comparecer a qualquer audiência que o Ministério da Magia pudesse marcar.

Ao amanhecer, mais ou menos umas seis horas da manhã todos já estavam acordados e prontos para partir, quer dizer, Charlie e Sarah estavam hospedados ali então acordaram só para se despedir dos três.


– Então é isso aí, — disse Charlie à Thomas — foi um prazer te conhecer, cara. Qualquer dia você ainda me ensina esses lances com a espada, combinado?

– É só marcar. Foi um prazer. — disse Thomas.

– E Jane, foi um prazer e ãh, antes de ir eu... eu queria te dizer uma coisa. É que, é, você é muito bonita e qualquer cara teria sorte de ter você, é. Isso aí. — disse Charlie, tímido e com o rosto vermelho, mas não tão vermelho quanto o de Jane.

– Ãh, obrigada. F-Foi um prazer. Agora temos que ir, tchau e... obrigada Charlie.

Thomas se despediu de Sarah com um abraço e logo em seguida já estavam dentro do elevador. Assim que saíram do hotel, pediram um táxi para os levarem ao Acampamento. Como não precisaram gastar quase nada na missão, tinham dinheiro o bastante para ir de carro até Long Island.

Quando entraram no táxi, Louis deu um grito e começou a se espernear tentando sair.

– O QUE HÁ DE ERRADO COM VOCÊ, GAROTO? — berrou Jane.

– Calma, deixa ele sair. — disse Thomas, saindo do carro para dar espaço à Louis, que de cara na calçada — Ei, carinha. O que houve?

– Ela... ela, não vamos. Essa moça, ela é, ela é...

– Ela é o quê?

– Ela é a mulher que ficava me esperando na porta do orfanato. Ela quer me matar, vamos sair daqui...

– Ei, calma. Se ela fosse um monstro nós saberíamos. Sem querer me gabar mas, temos muita experiência com isso. Fica tranquilo, você ta com a gente agora. Vamos, entra aí.

E os dois entraram no carro e seguiram viagem. Jane estava estressada por causa de toda aquela enrolação e por isso começou a descontar tudo em Thomas como sempre fazia. O culpando por tudo de errado que acontecera na missão e também em missões de anos atrás. Ela tinha o dom de fazer Thomas se sentir um fracassado, ela conseguia ser melhor nisso do que Josh.

Assim que o táxi parou no acostamento ao lado da colina, Jane deu o dinheiro e estava saindo do veículo quando a motorista disse:

– Crianças, antes poderiam me responder uma perguntinha?

– Ah, claro. — respondeu Jane.

– O que é que pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia dois e três à noite?

– Mas que tipo de pergunta é essa?

– Resposta errada, querida.

Thomas e Louis já estavam longe mas puderam ouvir o barulho de metal batendo em metal.

– Eu avisei. — disse Louis.

Thomas olhava aquela cena petrificado. Jane estava lutando com uma esfinge ali no meio da estrada, uma criatura com cabeça e tronco de mulher, corpo de leão e asas de ave.

– Espere aqui e não se mova, eu já volto. — disse ele, correndo para ajudar Jane.

Quando chegou na cena de batalha viu como Jane estava machucada. Estava com um corte na testa e no braço direito. Não estava nem conseguindo empunhar a faca. A esfinge levantou voo e foi na direção de Louis. Thomas conseguiu chegar a tempo de proteger o garoto, se jogando em cima dele no último segundo.

– Thomas, você está bem? — perguntou Louis, assustado.

– Estou, corra em direção àquele pinheiro e não pare até ver uma casa grande, eu estou bem atrás de você.

E assim foi o garoto, correndo como nunca.

A esfinge voava para contra-atacar mas Jane tacou uma pedra nela e a criatura desviou sua atenção de Louis.

– Venha aqui seu abutre nojento! Ou tem medo de enfrentar uma mera semideusa?!

– Jane, não! — gritou Thomas mas a esfinge era rápida demais e já estava a poucos metros de Jane. Ela estava fraca demais para sequer se defender e o monstro a agarrou pelos ombros a derrubando no asfalto de no mínimo uns três metros de altura – Não!

Jane não se movia.

– Seu pássaro maldito! Queime no Tártaro! — e dizendo isso Thomas partiu para o ataque. Ele golpeava a Quimera sem parar não dando tempo nem para ela revidar. Com um último golpe, uma fincada com a espada no olho da criatura, a batalha finalizara.

Thomas correu em direção a Jane que ainda estava estatelada no chão.

– Jane! Fala comigo! — Thomas berrava mas ela não respondia. Juntou todas suas forças e a levou nos braços até à Casa Grande onde Louis estava tentando falar com Quíron que não conseguia entender uma palavra do que ele dizia pois estava soluçando muito.

– Ah, aí estão eles. — exclamou o centauro assim que viu Thomas vindo com Jane nos braços. — Deixe-me ajudá-lo, Thomas. O que houve?

– Muitas coisas. Não dá pra explicar agora, só por favor, cuide dela, por favor — disse Thomas, entregando Jane á Quíron que a levava à enfermaria.

Thomas não sabia da onde saíra todo aquele desespero por causa de Jane, só sabia que não queria que nada de mal acontecesse a ela. Nada.