Os cinco ficaram andando por mais ou menos dez minutos sem destino algum, talvez Jane nem tivesse um. Semideuses estão acostumados a dormirem em qualquer lugar que esteja livre de monstros mas como estavam com mais pessoas no grupo ela achou melhor procurar um lugar razoável para passarem a noite.

– Para onde estamos indo? — perguntou Sarah.

– Estamos procurando um lugar seguro, o sol já está se pondo — respondeu Jane.

– Estamos hospedados num hotel não muito longe daqui, eu acho. Se quiserem podemos ficar lá — sugeriu Charlie.

Sarah olhou para o irmão imaginando o que ele tinha na cabeça para oferecer o quarto deles para aqueles estranhos. Mas agora a pergunta estava feita e Sarah não se atrevia a discutir com aqueles dois.

– Por enquanto parece ser a única opção. Eu e Thomas costumamos dormir em qualquer lugar que nos de na telha mas vocês não e também não podemos perdê-los de vista.

– E por que não? — perguntou Charlie.

Jane não respondeu. Seguiram para o hotel e quando chegaram, Jane preparou um banho para o pequeno garoto e entregou algumas roupas de Thomas para ele.

– Vá tomar um banho e descanse, mais tarde eu falo com você.

O garoto dirigiu-se ao banheiro sem dizer uma palavra. Quando ouviram o barulho da tranca, Jane começou a falar:

– Sentem-se, preciso fazer algumas perguntas a vocês.

Sarah não gostou nada do tom de voz daquela garota. Quem ela achava que era para falar assim com eles? De qualquer maneira, achou melhor se sentar.

– Então, — continuou — digam-me exatamente o que viram.

– Uma quimera, já disse — respondeu Sarah.

– E você? — perguntou Jane, dirigindo-se à Charlie.

– Não sei qual o nome daquela coisa mas era enorme.

– Entendo. O que acha, Thomas?

– Acho que antes de mais nada deveríamos nos apresentar. Eu sou Thomas e essa é Jane.

– Eu sou Charlie e essa é minha irmã, Sarah.

– Vocês são irmãos?! Não são nada parecidos — observou Jane. A garota era baixa com cabelos loiros e curtos, e olhos verdes. O outro era alto e com uma pele bronzeada, era maior que Thomas, com cabelos castanhos e totalmente bagunçados, tinha olhos quase que dourados.

– Bem, não somos irmãos de sangue. Meu pai se casou com a mãe dela há uns oito anos, mais ou menos. — respondeu Charlie. — E vocês? São namorados?

Os dois se olharam e fizeram uma cara de nojo, estava mais do que na cara que aqueles ali não eram um casal.

– Não mesmo. — disse Jane — Mas essa não é a questão. Vocês não deveriam ter visto a quimera.

– Por que não? — perguntou Sarah — E por que ninguém mais percebeu aquele monstro correndo pela rua?

– Mortais não podem ver essas criaturas, e até onde sei vocês são mortais.

Os dois se entreolharam de uma maneira que levantou uma certa suspeita em Jane.

– Quem são vocês? — ela perguntou.

– Primeiro nos diga por que aquela coisa estava perseguindo aquele garoto e por que os dois andam por aí carregando essas armas — disse Sarah, com um tom de voz um pouco mais elevado.

– Conte, está na cara que eles não são como os outros — disse Thomas que estava encostado na porta do quarto como se aquela conversa estivesse sendo entediante.

– Certo — e Jane começou a explicar toda a história por trás deles, desde o Olimpo até o Acampamento Meio-Sangue, explicou sobre os deuses e os monstros e sobre a missão que Quíron lhes tinha designado. Quando terminou, os dois estavam com o queixo caído. — Vocês estão bem?

– Uau! Cara, quer dizer que você já lutou com outros monstros? — disse Charlie, olhando para Thomas com um ar de admiração. — Posso ver sua espada?

– Bem, pode... Eu acho. — respondeu Thomas, lisonjeado.

– Você está louco?! Guarda essa espada agora! — exclamou Jane, acabando com toda a moral de Thomas.

Sarah só voltou a si quando viu Charlie segurando uma espada.

– Larga isso, Charlie! Do jeito que é vai acabar quebrando alguma coisa ou matando um de nós.

Charlie baixou a cabeça assim como Thomas e os dois sentaram-se no canto da cama.

– Tudo bem, agora é a vez de vocês contarem exatamente quem são — disse Jane.

Os dois relutaram um instante mas depois de algum tempo Sarah decidiu que devia falar, mesmo que estivesse desrespeitando uma das maiores leis do mundo mágico. Mas será que não haveria uma exceção para meio-sangues?

Enfim, disse:

– Bruxos. Somos bruxos.