Thomas acordou com o som do despertador e de Paradise City aquela manhã. Não que estivesse surpreso porque aquela era sua rotina. Acordar, ver sua mãe dormindo no meio da sala, colocá-la na cama e depois juntar todas as garrafas de cerveja espalhadas pelo chão. A mãe de Thomas era alcoólatra, o que quer dizer que todo dia chegava tarde e bêbada e ainda com um bando de animais que ela chamava de "amigos do chá". Thomas já perdeu a conta de quantas vezes já apanhou desses caras enquanto sua mãe assistia a tudo com uma garrafa de vodka na mão.

Depois de preparar o café para sua mãe e expulsar os amigos do chá, Thomas pegou o primeiro de seus três ônibus que eram precisos para ir à escola. O motivo de estudar tão longe? Bem, você pode escolher. Thomas sofria de dislexia e déficit de atenção, e ainda com uma mãe alcoólatra não faltavam motivos para ser zoado pela escola inteira. Na maioria das vezes, Thomas evitava brigar porque sabia que por ser semideus tinha uma grande vantagem, mas na maioria das vezes não dava muito certo. Já tinha sido expulso de quatro escolas, ou seja, se fosse expulso dessa poderia dar adeus aos estudos. Mas Thomas conseguiu manter um bom comportamento, comparando a outros semideus, e durou até as férias de verão. Só mais um dia e estaria livre de todos aqueles valentões e líderes de torcida babacas. E o que é melhor ainda, com um histórico de apenas sete monstros. Daqui a algumas horas estaria bem longe no Acampamento Meio-Sangue, um lugar onde semideuses podem viver e treinar em paz sem ameaça alguma de monstros ou valentões. A não ser o chalé de Ares que pode ser comparado a tal de vez em quando.

– E aí Thomas? Como vai sua mãe? Se drogando muito?

– Por que você não começa a vender algumas? Daria muito dinheiro, e julgando pelas suas roupas parece estar precisando.

– JÁ DISSE PRA CALAR ESSA SUA BOCA! — Thomas se levanta da cadeira e está com o punho levantado quando percebe que todos estão olhando para ele, inclusive o Sr. Philips.

– Desculpe, senhor.

O resto da aula prosseguiu do mesmo jeito, e da seguinte, e da seguinte depois da seguinte também. No fim do dia todos já estavam ansiosos para ir embora, e alguns até desesperados. Thomas se encaixava na categoria dos desesperados. O sinal tocou e carteiras e alunos voaram, os jogadores e as líderes de torcida saíram pelos corredores cantando o hino da escola. — Cara, aquilo parecia High School Musical.

Thomas continuou na sala esperando que aquela anomalia acabasse. Demorou uns dez minutos até que ouvisse o último som do que ele achava serem bongôs se distanciando até sumir totalmente. Ele achava muito estranho que nada de diferente e bizarro tivesse acontecido porque afinal, ele era um semideus. Sempre algo de ruim acontece no dia de um semideus, desde uma quimera aparecer e lançar fogo na sua cara ou pior, Jane poderia estar te esperando do lado de fora da escola. Thomas escolheria a primeira, mas como tudo na vida dele, tinha que acontecer o pior.