Entre Eles
9 VIII - Fugas
Notas iniciais
Entre Eles
Capitulo VIII — Fugas
A única coisa que Draco Malfoy realmente admirava em todo aquele império que seu sobrenome construiu era o prédio espetacular no centro de Londres. Tinha uma arquitetura elegante, com cortes geométricos por toda sua superfície, também cobertas por extensas janelas de vidro fumê. A logomarca ostensiva localizada ao seu topo era de tirar o folego, erguer o pescoço até o limite e focar um M frio cortado ao meio lhe deixava levemente tonto. A aparência da sede do império de empreendimentos no geral dava um ar de intocável para qualquer pessoa, assim como sua família era, ou melhor, como o Sr. Malfoy era.
Draco não pode deixar de rir com esse pensamento sobre o seu pai, mesmo que fosse uma risada oca e rápida. Olhou para o pulso, ainda tinha 10 minutos, incluindo com os cinco que já estavam programado para o seu atraso. Muitas coisas deixavam o Sr. Lucius Malfoy irritado, mas nada ultrapassava o ódio por atrasos e Draco tinha perfeito conhecimento disso, afinal, era a sua única diversão em jantares como aquele.
Sabia exatamente o que aconteceria no escritório do seu pai naquela noite. Entraria na sua sala, que ocupava quase todo o último andar e seria convidado a se sentar numa mesa cheia de pratos e especialidades inglesas que sempre odiou. Se tivesse sorte, sua mãe estaria presente para deixar o clima menos tenso, mas caso contrário, então um sócio estaria sentado à sua frente enquanto seu pai os apresentava com tons autoritários insuportáveis em sua voz. Depois passaria a humilhação de mostrar seus documentos acadêmicos daquele semestre, o que era de longe a pior parte.
– Se ele soubesse que está sendo enganado esse tempo todo... – Draco disse a si mesmo ao atravessar a avenida seguindo para o hall da empresa que um dia seria sua. Tinha um sorriso presunçoso no rosto ao pegar o elevador particular para a sala do Presidente.
Audry estava a sua espera com uma mão em cima da outra na altura da barriga lisa, sorrindo-lhe preocupada, ela era o retrato da elegância. Draco parou a sua frente e a estudou divertido, ela estava preocupada com o atraso, todos ficavam. A mais nova secretária particular do seu pai vestia um terno feminino muito bem acentuado, com um blazer preto risca de giz fechado sobre uma blusa de cetim branco e pérolas sobre o pescoço. A saia bem apertada até os joelhos do mesmo material do blazer lhe caia muito bem, assim como o par de saltos finos preto fosco, fechados a frente. Audry era uma menina aos olhos de Draco, provavelmente mais nova que ele, embora fosse muito competente e possuísse um currículo invejável de experiências extra curriculares e cartas de recomendações importantíssimas para alguém recém formado.
– Boa noite, doce Srt. Cooper. – Draco lhe sorriu provocante.
– Boa noite, Sr. Draco. – Ela lhe respondeu elegantemente, mas ainda mantendo um semblante apreensivo. – É preciso lhe informar que o senhor já tem 3 minutos em atraso, sugiro que entre logo, seu pai está a sua espera.
– Estou tentando flertar com você, doce Audry. Esqueça o meu pai por mais um minuto, eu posso lhe dar com ele depois...
Andy segurou a vontade de rir bravamente. Sabia muito bem que Draco estava ganhando tempo para irritar o seu chefe, ele sempre fazia isso e era tão divertido para ela quanto para ele, embora nunca deixasse parecer. Era verdade que o loiro era de tirar o folego à primeira vista, mas, definitivamente, ele não fazia o seu tipo, além de ter na sua moral que qualquer relacionamento no trabalho era estritamente profissional. Draco também tinha ciência disso, já que ele foi obrigado a realizar todas as entrevistas de emprego para vaga de secretária particular de Lucius Malfoy, a última havia se demitido sem causa aparente.
De todas as entrevistas que realizou, bater um papo com Audry foi o melhor do seu dia.
Julgava sua voz enjoada e irritante quando ela o ligava, mas não era verdade. Ele só tentava culpa-la por chama-lo para algo que ele tanto odiava.
– Sabe que eu não quero entrar lá dentro não é, Audry? – ele lhe confessou, enfim deixando os ombros caírem e uma expressão estressada assumir o seu rosto.
– Acredite, Senhor Draco. Duvido que alguém desse prédio goste de participar de qualquer reunião ou jantar em particular que o seu pai solicita. – Ela tentou tranquiliza-lo. – Mas mesmo assim são necessárias. Agora você precisa ir, ele já deve estar uma fera.
– Odeio tudo isso! – Draco bufou por fim, atravessando a pequena sala de espera de seu pai e atravessando as opressoras portas duplas de carvalho negro.
.:x:.
Hermione encarava o teto do seu quarto, as mãos largadas ao lado do seu corpo, quem a olhasse da porta a julgaria morta.
Tanta coisa lhe passava pela cabeça, tanta coisa que chegava a doer.
Luna a havia lhe convencido de desistir da ideia insana de fugir mais uma vez, o que a levaria até a universidade no dia seguinte e pedia o cancelamento de toda a documentação de transferência. Não estava certa quanto o que estava fazendo, mas também não estaria certa sobre nada se fugisse. Queria acreditar em Luna, queria acreditar que poderia enfrentar o que estava por vir de uma vez por todas, mas era difícil, a apreensão lhe consumia. Sem falar que boa parte da sua cabeça lhe mantinha presa no que aconteceu mais cedo.
O que diabos ela estava fazendo, afinal? Aquele beijo nunca deveria ter acontecido. Era proibido, impossível. Eles eram de realidades totalmente diferentes! E não era a ele quem ela odiava? Com aquele ar prepotente?
Ronald Weasley não poderia ser real, aquele beijo não devia ter acontecido, mesmo que boa parte sua queimasse por mais a todo momento. Hermione temia o que poderia acontecer se eles se cruzassem novamente, o que era inevitável, porque se ela não sairia da universidade, ela ainda tinha horários a cumprir então. Seria ela capaz de se controlar?
Oh merda, ele era tudo que ela não precisava agora! Sua cabeça, mesmo cheia de medos, não conseguia esquecer o desejo daqueles lábios e o calor que de repente insiste em tomar o seu corpo quando aquele cabelo ruivo entre seus dedos lhe vem a memória.
– Vamos! Levante-se! – Luna passou pela porta como um raio, tirando Hermione de seus devaneios enquanto despejava uma montanha de roupa em cima dela.
– Mas oqu...?
– São vestidos. Escolha um ou dois ou o que você quiser vestir. Esteja pronta em cinco minutos. Vamos sair essa noite e eu estou pouco me lixando se vamos chegar com a maior cara de ressaca na aula amanhã.
E com a mesma velocidade que Luna apareceu, ela sumiu.
Hermione levou um segundo para se recuperar. Pensou em protestar, mas vendo todas aquelas peças ali na sua frente, ou melhor, em cima dela, viu que era mais jogo espairecer de todo aquele inferno com uma boa noite pelas ruas de Londres com a melhor parceira que alguém tem a sorte de ter ao seu lado. Luna arrasava em qualquer lugar que entrava.
.:x:.
– Alô?
– Hey! Tentei ligar pra você o dia inteiro, parceiro. Onde você se meteu?
– Vim pro apartamento da Gina depois do trabalho...
– WAW! Há quanto tempo você não pisa por aí... Aliás, a quanto tempo você não passa aqui pelo meu, camarada! O que mudou?
– O que você quer, Potter?
– Então, que tal uma bebida? Estou precisando conversar... Você não faz ideia.
– Só eu e você? Sabe que não posso beber com a medicação.
– Se isso é uma pergunta sobre Gina? Traga a também, ou não, pra mim tanto faz, não me importo com nada disso agora e se quiser mandar sua maldita medicação pro inferno eu vou fingir que não vi, prometo.
– Pode me adiantar o assunto?
– É sobre Cho.
Uma pequena pausa se seguiu.
– Passamos aí pra te pegar. Esteja pronto em uma hora.
E a ligação foi finalizada.
– Harry? – Gina perguntou ao irmão o servindo de uma caneca de café e em seguida completando a dela.
– Sim, tem algo errado com Cho eu acho e não é nada pequeno, ele tá precisando beber pra falar sobre isso. – Ronald respondeu provando da sua caneca. – Você quer ir?
A ruiva não respondeu de imediato, encarar o liquido escuro a sua frente parecia bem mais interessante no momento. Um sentimento de confusão estava lá de novo, assim como todas as outras vezes em que ela se pegou em situações como essas em relação a Harry depois do divórcio dele. Estava difícil de conviver agora que ele estava livre mais uma vez, era tão mais fácil ser amiga dele quando ele estava comprometido e seu senso ético lhe mantinha afastada, mas agora lá estavam no mesmo ponto, ele precisando dela e de Ronald para lamentar seus problemas com Cho Chang. Era um déjà vu que ela não queria viver, mas seu coração se arrependeria se ela não tivesse feito tudo ao seu alcance para ajuda.
– Gina? – Ron a acordou. – Tudo bem se você não quiser ir.
– Me dê só uns minutos para me arrumar. Prometo não demorar. – Ela ensaiou um sorriso, levantando-se e correndo para seu quarto.
.:x:.
Nenhuma palavra tinha sido dita além de um boa noite muito mal intencionado de ambos. Estava ficando um clima tão tenso que era quase palpável, Draco desejava morrer mais do que nunca.
– Trouxe a documentação? – A grave e fria voz do seu pai quebrou o silêncio. O estômago de Draco se contorceu, o apetite havia se esvaído por completo.
– Está na mesa de Audry, como me pediu. – Ele afastou o prato.
– Algum problema com a comida? – Lucios ergueu uma sobrancelha, mas ele não olhava diretamente para o filho.
– Que tal só o senhor falar para que me quer aqui? – Draco o desafiou encarando-o nos olhos. – Assim eu saiu mais cedo daqui e nós dois paramos de fingir que estamos confortáveis com tudo.
– Não estou nenhum pouco desconfortável... – Lucius voltou a atenção para sua comida, como se não tivesse mais ninguém na sua companhia. – De qualquer modo, já tenho o que quero. Você pode ir.
– Graças a Deus! – o outro loiro saudou em voz alta, levantando-se.
– Apenas fique atento com o seu celular. Haverá uma reunião em algum momento da próxima semana, quero que você esteja presente.
– Mas...
– Sem atrasos. Agora saia.
Draco abriu a boca, tentou argumentar, mas nada saiu. Sua frustração era sufocante. Odiava quando não tinha mais nada a fazer se não obedecer o homem que odiava, saiu da sala fumaçando, sem nem mesmo falar com Audry antes de entrar no elevador. A frustração incomodou um pouco menos quando ele deferiu um soco contra uma das paredes da cabine, deixando o local um pouco côncavo.
Seu pai não o olhou nem por um segundo durante todo o tempo.
– Bastardo, filho de uma puta! – Draco grunhiu.
Continua...
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