Entre Dois Mundos

22 PEÇAS EM MOVIMENTO


Dezembro começou em ritmo acelerado para todos eles.

Na Publisher Stars, cada segundo disponível. Alex e Isabelly continuavam tentando manter a discrição. Poucas aproximações. Poucos olhares longos em público. Mensagens trocadas escondidas durante reuniões. Pequenos toques ocasionais quando ninguém parecia prestar atenção. Mas havia um problema chamado Tina, do financeiro.

E Tina estava cada vez mais observadora. Ela percebia detalhes. O timing dos dois. Os sorrisos discretos. A maneira como Alex parecia automaticamente atento quando Isabelly entrava em algum ambiente. Aquilo começava a alimentar sua curiosidade perigosamente.

Adam, por outro lado, estava mergulhado no caos organizacional do evento de fim de ano da Publisher Stars. Telefonemas. Fornecedores. Mudanças de última hora. Ele andava pelos corredores como alguém sobrevivendo apenas à base de café e sarcasmo.

— Se mais uma pessoa mudar decoração em cima da hora, eu vou incendiar aquele salão — reclamava dramaticamente.

Alex ria enquanto organizava os materiais visuais da campanha principal do evento. Ele havia sido encarregado diretamente da liderança criativa daquela temporada. E, pela primeira vez em muito tempo… sentia orgulho genuíno do próprio trabalho.

Durante uma das reuniões, o Sr. Justus fez questão de deixar isso claro diante da equipe inteira.

— Contratar Alex de Oliveira foi uma das melhores decisões que tomei esse ano.

O comentário chamou atenção de todos na sala.

Justus continuou:

— Organizado. Competitivo. E sabe trabalhar sob pressão sem transformar tudo num circo.

Adam imediatamente ergueu a mão.

— Então claramente ele é o oposto de mim.

A sala riu discretamente. Mas Alex percebeu algo mais importante.

Isabelly o observava com admiração silenciosa. E aquilo significava mais do que o elogio do diretor. Enquanto isso, no apartamento luxuoso de Maceli Gerrard Jones, uma notícia inesperada mudava completamente o humor dela.

O telefone tocou naquela noite. E quando ouviu a voz do pai do outro lado… abriu um sorriso imediato. Steve Gerrard Jones. Dono da Publisher Stars. Homem influente.

Ausente na maior parte do tempo.

— Pai?

— Surpresa ruim ou boa? — ele perguntou divertido.

Maceli riu automaticamente.

— Boa. Muito boa.

Steve então contou que ele e Nora Jones estariam presentes pessoalmente no evento da empresa.

Maceli praticamente se jogou no sofá sorrindo.

— Finalmente vocês vão aparecer nessa cidade de novo.

Ela sentia falta dos pais mais do que costumava admitir.

Especialmente da mãe, Nora, sempre elegante e acolhedora apesar da vida social intensa da família Jones. A essa altura, Isabelly já havia retornado para a residência dos Velloci. Os três dias fora mudaram alguma coisa dentro dela. Agora evitava Helena sempre que possível. Tratava a mãe apenas com formalidade.

Frases curtas. Assuntos objetivos. E Helena percebia. Claro que percebia.

Mas fingia que tudo era temporário.

Até que, alguns dias antes do evento da Publisher Stars, o telefone da mansão tocou. Helena atendeu pessoalmente. E imediatamente sorriu ao ouvir a voz do outro lado.

Arnold Robert Stroheim.

— Helena, eu e meu pai gostaríamos de visitá-los em breve.

Ela praticamente endireitou a postura no mesmo instante.

Franz Stroheim.

Um dos nomes mais fortes do cenário político de Seattle.

E futuro candidato oficialmente cotado para a disputa pela liderança da cidade.

Uma visita daquela importância… era exatamente o tipo de movimento que Helena adorava.

— Será um prazer recebê-los.

Após desligar, Helena ficou alguns segundos em silêncio.

Pensando. Organizando possibilidades. Porque, para ela, o jogo ainda estava longe de terminar. Finalmente chegou a sexta-feira do grande evento da Publisher Stars. E a empresa estava um verdadeiro caos funcional.

Funcionários correndo pelos corredores.

Decoração chegando atrasada.

Telefonemas constantes.

Adam surtando silenciosamente a cada cinco minutos.

— QUEM FOI O GÊNIO QUE TROCOU AS MESAS DE LUGAR?!

Ninguém respondeu.

Provavelmente por medo.

No meio daquela confusão, algo inesperado aconteceu.

Um entregador apareceu na recepção carregando um enorme buquê de flores acompanhado de uma sofisticada caixa de chocolates importados.

Funcionárias imediatamente começaram a cochichar.

— Meu Deus…

— Isso deve ter custado uma fortuna.

— Pra quem é isso?

Então o entregador falou em voz alta:

— Isabelly Velloci?

O corredor inteiro praticamente parou.

Isabelly apareceu sem entender completamente.

E no instante em que viu a entrega… o coração afundou.

Alex também viu. Do outro lado do corredor. Sem dizer nada.

Adam observava tudo tentando entender a situação.

Mas Alex e Isabelly já sabiam exatamente quem havia enviado aquilo.

Minutos depois, já em sua sala, Isabelly abriu discretamente o cartão preso ao buquê. O primeiro trecho elogiava a mulher incrivelmente bonita que ela havia se tornado. O segundo… pedia desculpas pelo pedido impulsivo na festa de Margot.

Arnold.

Claro.

Isabelly fechou os olhos lentamente. E pela primeira vez desde que voltara para casa… sentiu medo de verdade.

Porque algo dentro dela dizia que Helena talvez estivesse envolvida naquela aproximação outra vez. No horário de almoço, Alex estava ausente da empresa. O Sr. Justus o havia enviado pessoalmente para resolver um atraso em alguns materiais importantes do evento.

Já no caminho de volta, o trânsito de Seattle seguia lento quando Alex percebeu algo incomum no acostamento. Uma elegante Land Rover parada.

Capô aberto. E ao lado dela, um homem extremamente bem vestido claramente frustrado. Outros motoristas simplesmente passavam ignorando.

Mas Alex diminuiu a velocidade.

Seu tio havia lhe ensinado bastante sobre mecânica anos atrás.

Então estacionou.

Aproximou-se casualmente.

— Precisa de ajuda?

O homem virou-se surpreso.

Mas assentiu.

— Acho que sim. E sinceramente… você talvez tenha salvado meu dia.

Alex sorriu de leve.

Depois de alguns minutos analisando o problema, percebeu rapidamente uma falha simples na parte mecânica.

Trabalhou com calma. Mãos sujas de graxa.

Sem cerimônia. Até que finalmente o motor voltou a funcionar.

O homem soltou um suspiro aliviado.

— Rapaz… você salvou minha vida.

Alex riu baixo.

— Acho que não foi pra tanto.

— Foi sim. Estou indo para um compromisso onde não posso me atrasar.

O homem então estendeu a mão cordialmente.

— Qual seu nome?

— Alex.

A resposta veio simples. Simpática. Natural.

O homem assentiu.

— Prazer, Alex.

Só quando entrou novamente no carro, foi que algo pareceu encaixar lentamente em sua mente.

Alex.

O Alex mencionado certa vez por Maceli. O Alex responsável pela mudança repentina de humor da filha.

Lorenzo apoiou as mãos no volante por alguns segundos.

Depois começou a rir sozinho discretamente.

— Ah… então é você.

Observou pelo retrovisor o jovem retornando calmamente para seu caminho. E naquele instante, Lorenzo Velloci teve quase certeza:

Helena realmente estava com um enorme problema.

Porque, se tudo aquilo se confirmasse… Alex de Oliveira já tinha conquistado algo extremamente valioso.

O apoio silencioso de Lorenzo.