Entre Dois Mundos
28 CONVITES PERIGOSOS
Pontualmente às 17h, Alex chegou ao cinema do Shopping Plaza Norte.
O sábado deixava o lugar movimentado. Famílias. Casais. Adolescentes andando sem rumo entre vitrines iluminadas. Mas nada daquilo realmente importou quando ele a viu.
Isabelly.
Ela vinha em sua direção usando um vestido casual elegante, perfeitamente adequado ao frio leve de Seattle. Os cabelos escuros caíam suaves sobre os ombros. A franja delicada destacava ainda mais seus olhos verdes. E o sorriso… aquele sorriso sempre fazia Alex esquecer o restante do mundo.
Mesmo vestido de maneira mais simples — jeans escuro, jaqueta e o charme natural que Isabelly tanto admirava — ele manteve a postura tranquila enquanto a observava se aproximar.
Quando ficaram frente a frente, Alex inclinou-se levemente e falou baixo:
— Você está perigosamente sexy hoje. O rosto dela corou imediatamente.
— Alex…
Ele sorriu. Então veio o abraço. Longo. Aconchegante. Daqueles que pareciam aliviar dias inteiros de tensão. O beijo veio logo depois. Simples. Mas cheio de sentimento. Isabelly fechou os olhos por um instante antes de sussurrar:
— Eu precisava disso.
Alex apoiou a testa na dela.
— Eu também.
Pouco depois, os dois já estavam entrando na sessão de cinema. Escolheram propositalmente um filme leve de comédia. Precisavam rir. Precisavam esquecer o peso do mundo por algumas horas. E conseguiram.
Durante a sessão, Isabelly ria genuinamente em vários momentos enquanto Alex a observava discretamente mais do que ao próprio filme.
Porque para ele… nada naquela tela conseguia ser mais interessante que ela.
Naquele mesmo horário, no aeroporto de Seattle, Maceli se despedia dos pais. O embarque para Londres já havia sido anunciado. Nora segurava as mãos da filha com carinho.
— Você se tornou uma mulher incrível, Maceli.
A jovem sorriu imediatamente antes de abraçar a mãe com força.
Steve aproximou-se logo depois.
— E sabe que pode ir para Londres a qualquer momento, certo?
Maceli ajeitou a bolsa no ombro enquanto respondia:
— Ainda tenho algumas missões pendentes em Seattle.
Steve arqueou uma sobrancelha. Ele conhecia perfeitamente a filha. Sabia exatamente quem eram aquelas “missões”. Isabelly. Helena. Arnold.
Talvez até aquele caos ambulante chamado Adam.
— Só toma cuidado onde pisa — alertou ele.
Maceli cruzou os braços teatralmente.
— Eu sei me virar.
Steve riu.
— Sim… infelizmente você puxou a mim.
Os três acabaram rindo juntos novamente. Já caminhando em direção ao embarque, Maceli ainda gritou:
— Vou visitar vocês no feriado de ação de graças!
Steve fez um coraçãozinho com as mãos.
Maceli imediatamente respondeu igual.
Nora apenas balançou a cabeça sorrindo diante das duas crianças emocionalmente ricas que chamava de família.
Horas depois, a sessão de cinema chegava ao fim. Alex e Isabelly saíram comentando o filme entre risadas. Fazia tempo que Isabelly não se sentia tão leve. Andaram mais um pouco pelo shopping. Sem pressa. Como um casal comum. Algo raro para eles. Até que decidiram parar em uma sorveteria.
Sentados próximos à vitrine iluminada, Isabelly finalmente voltou ao assunto inevitável. O almoço de domingo.
— Quero que você vá.
Alex apoiou os braços sobre a mesa.
— Isabelly… eu realmente não sei se isso é uma boa ideia.
Ela sustentou o olhar dele.
— Vai ser.
Depois completou:
— Maceli já confirmou presença.
Alex suspirou.
— O que significa que o caos é praticamente inevitável.
Ela riu baixinho.
— Falta só Adam.
Alex imediatamente respondeu:
— Então o caos já está confirmado.
Os dois riram juntos. Depois o assunto mudou naturalmente. Isabelly perguntou por Milu. E o brilho nos olhos de Alex ao falar do pug arrancou mais um sorriso dela.
— Ele está impossível ultimamente. Astuto demais.
— Igual ao dono.
— Isso foi um elogio?
— Talvez.
Os dois voltaram a rir.
Então Isabelly comentou casualmente sobre o feriado de ação de graças.
— Vai fazer o quê?
Alex pensou alguns segundos.
— Acho que vou visitar minha mãe e minha irmã na Carolina do Sul.
Aquilo pareceu tocar Isabelly de alguma forma.
— Deve sentir falta delas.
— Sinto.
Ela então comentou sobre os próprios planos.
— Provavelmente alguma viagem tradicional dos meus pais. Itália… Espanha… essas coisas. Alex observou o jeito distante com que ela falou.
Como se aquela rotina luxuosa já não a encantasse mais. Na saída do shopping, uma elegante Land Rover aguardava próxima à entrada principal.
Alex reconheceu o carro imediatamente. O mesmo da avenida.
Lorenzo Velloci estava ali para buscar a filha. Eles já haviam combinado antes. Mas agora… não havia mais como disfarçar nada.
Para surpresa de Alex, Lorenzo saiu do veículo assim que os viu.
— Olha só… meu salvador da avenida.
Alex ficou sem jeito instantaneamente.
— Eu faria aquilo por qualquer pessoa.
Lorenzo sorriu discretamente. Então observou a expressão da filha. O brilho nos olhos dela. A forma como olhava para Alex. E naquele instante teve certeza absoluta. Era ele. Aquilo o deixou genuinamente feliz.
Lorenzo então estendeu a mão cordialmente.
— Independente do que Helena pense ou queira… eu aprovo a decisão da minha filha.
Isabelly arregalou os olhos.
— Pai…
Mas Lorenzo apenas sorriu.
Então aproveitou a ocasião:
— Inclusive, Alex… gostaria que aceitasse o convite para o almoço de amanhã.
Alex hesitou por alguns segundos. Mas ao olhar para Isabelly… acabou assentindo.
— Eu vou.
O sorriso dela surgiu imediatamente. Talvez mais feliz do que tentava demonstrar. A noite de sábado avançava lentamente em Seattle.
No apartamento simples da zona leste, Alex agora jogava mais uma partida online de COD com Adam. O caos virtual dominava os fones de ouvido. Explosões. Gritos. Adam humilhando adversários sem qualquer piedade.
Até que Alex comentou casualmente:
— Amanhã tem almoço na casa dos Velloci.
Silêncio.
Adam literalmente parou de jogar por um segundo.
— Você está brincando.
— Não.
Então a gargalhada do amigo ecoou imediatamente.
— Ah, eu não vou perder isso por nada.
Alex ria.
Adam completou:
— Os Velloci que se preparem.
Logo depois voltou ao jogo destruindo os adversários enquanto falava absurdos caóticos pelo microfone. Alex apenas ria da situação enquanto continuavam jogando por horas naquela longa noite de sábado.
Sem imaginar… que o domingo mudaria muito mais coisas do que esperavam.
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