Notas iniciais
Gente, aí esta o novo cap, espero que gostem ♥

Abro os olhos e tenho que piscar algumas vezes para perceber que não estou em meu quarto.

Sinto um frio cortante e meu corpo tão dormente, que quase não percebo as correntes em torno de meus pés.

Um instante... Correntes?

Eu tento mover meu corpo, mas após algumas tentativas sem sucesso, eu percebo que ele já não me obedece e só então, eu dou uma boa olhada ao meu redor.

E gostaria de não ter feito isso. O mau cheiro invade minhas narinas antes mesmo que eu detectasse o corpo ao meu lado.

Um fecho de luz escapa de algum ponto acima e ilumina pouco, mas o suficiente para que eu pudesse notar o aspecto de seu avançado estado de decomposição.

A julgar pela forma delicada e pequena de seu corpo, os compridos cabelos encaracolados e o vestido, era uma garota.

Droga, será algum de meus pesadelos?

Um inseto rasteja pelo meu rosto e eu reprimo um grito quando ele sobe no corpo da garota e entra numa cavidade em seu rosto.

AcordeAcordeAcordeAcordeAcorde...

Ouço um barulho e gotas de sabor metálico pingam sobre meus lábios. Sangue.

E é então que percebo a forma acima de mim.

Uma garota pairando sobre mim, o rosto bem próximo ao meu. Ela tenta dizer algo, e no processo mais de seu sangue escapa de seu nariz para minha boca.

— Me ajude... — ela sussurra.

Eu grito.

Ergo meu rosto da mesa num sobressalto para dar de cara com um professor furioso e um coral de risadas dos meus colegas.

Maravilha.

Eu havia dormido durante a aula de cálculo e provavelmente berrado igual uma histérica, antes de acordar.

O professor Anthony Lewis tira os óculos de grau e passa a mão pelo rosto. É o seu modo de dizer que se eu no saísse dali imediatamente, seria ele o próximo a gritar. E muito, a julgar pelo seu maxilar travado.

Bom, melhor não brincar com a sorte. Especialmente a minha, que é quase inexistente.

Levanto de minha cadeira e recolho rapidamente meus pertences, antes de jogar a mochila sobre meus ombros e rumar à sala da diretora, poupando assim sua voz e meus ouvidos.

Estou quase dobrando o último corredor que dava para a sala da diretoria, quando eu sinto o familiar vapor saindo de meus lábios e sigo para o banheiro feminino, onde eu posso ter alguma privacidade.

Parece que alguém está afim de uma conversa.

Jogo minha mochila no chão e tranco a porta, parando por alguns segundos apenas para checar se realmente estava bem fechada.

— Tá legal, aqui estou eu... — murmuro.

O ar vai ficando mais e mais pesado e então eu a vejo.

A garota do meu quarto me fita de volta com um olhar tão cheio de pesar, que é impossível não sentir compaixão dessa criatura.

— Sinto muito por não ter te escutado naquele dia...— começo, antes de emudecer. A morte de Melanie era uma ferida aberta.

Após algum tempo, continuo:

— Qual o seu nome?

Ela passa alguns instantes fitando o chão, onde gotas de seu sangue pingavam abundantemente, manchando o piso branco do banheiro.

— Não lembra? — pergunto, ao que ela balança a cabeça negativamente — Ok... Então vou te chamar... Rose. Tudo bem pra você?

Eu sei, não é o nome mais criativo do mundo, mas em seu vestido — embora arruinado — dava para ver pequenas rosas e flores. Um nome parecido seria mais fácil para lembrar.

Ela sorri, indicando que gostou do nome.

— Certo. Rose, o que você quer de mim? — interrogo, cruzando os braços contra o peito.

Lentamente ela se aproxima de mim, marcando de pegadas vermelhas o chão. Eu digo a mim mesma que aquele sangue todo não era real.

— Por favor... — sussurra, estendendo sua pálida mão.

Então ela toca meu ombro e eu me preparo para o que está por vir.

Um Flash rápido passa por meus olhos.

Lembranças e emoções de uma outra pessoa invadem minha mente de uma forma tão intensa, que sinto minhas pernas vacilarem.

Até que eu me vejo debaixo de uma cama. Não eu, mas uma versão mais nova de Rose.

Estava muito escuro, mas ela podia muito bem ver pés se arrastando pelo quarto ao redor de sua cama.

Rose tapa a boca para conter o ruído de sua respiração acelerada e puxa desajeitadamente os cachos acobreados sobre o rosto, fechando os olhos com força. Papai brigaria muito e provavelmente a deixaria de castigo se acordasse a toda a casa aos berros.

A menina entoa sua canção de ninar favorita na mente e sente o corpo pequeno amolecendo pouco a pouco.

Era debaixo de sua cama que Rose adormecia todas as noites. Exatamente como eu, nos primeiros primeiros dias, quando abri os olhos naquele hospital.

Rose não era uma garotinha comum.

Então as imagens esvaecem e tudo fica escuro.

— Ótimo. Você está acordando. — alguém diz.

Sinto algo macio pressionado contra meu nariz, provavelmente para secar a faixa de sangue que escorre sempre que algum fantasma se aproxima demais.

Rose.

Abro os olhos e tento me levantar num impulso, o que provoca um ataque de tonturas e imediatamente sinto dedos se fechando sobre meus braços, me fazendo sentar no chão do banheiro antes que eu caísse de cara no mesmo.

Subo o olhar para encarar bonitos olhos angulares muito escuros, que me fitavam de volta com uma expressão séria. Estudavam cada parte do meu rosto, como se estivesse buscando alguma resposta.

O idiota do corredor.

Engulo em seco antes de abaixar o rosto, agora ciente de que estamos muito próximos um do outro.

— Acho que já posso me levantar.

— Tem certeza? — pergunta, parecendo realmente preocupado, aqueles olhos ainda me fitando com um estranho brilho.

Eu assinto e lentamente ele me solta.

Levanto e cambaleio até a pia mais próxima para jogar água no rosto, segurando o bolo no estomago para não vomitar ali mesmo.

As vezes, quando os fantasmas se aproximam demais, eu vomito o que eu tiver no estômago.

Ano passado, eu vomitei na frente de todo mundo durante uma apresentação em sala. Fui alvo de chacota até as pessoas cansarem de tentar de me tirar do sério.

Automaticamente, corro os olhos pelo reflexo do garoto no espelho.

Não, eu não havia vomitado no garoto. Menos mal. Mas havia em sua camisa branca, pequenas manchas do meu sangue.

— Desculpe pela camisa. — murmuro.

— Não gostava dela mesmo... — ele diz, dando de ombros.

Alguma coisa em seu olhar, a forma como me encarava, me deixava incomodada. Não sei dizer o motivo.

— Como conseguiu entrar? — pergunto quando o silencio se torna constrangedor — A porta estava trancada.

— Ouvi alguém gritando e fiquei preocupado. Tive que forçar a porta. — ele se vira e começa a desabotoar sua camisa suja.

— Hm... Obrigada por ter se preocupado.

O garoto da de ombros novamente e a joga a blusa ensanguentada no lixeiro. Trazia uma camiseta por baixo, preta e tentadoramente colada ao seu corpo bem definido.

Não gosto dele, mas não posso negar que ele tem uma bunda incrível.

Ele se vira para mim no momento em que estou "admirando a vista" e joga a cabeça para trás numa risada, que aumenta mais um pouco quando eu me sinto corar.

— Acho que o banheiro está ocupado, Vick. — alguém logo atrás diz, e nos voltamos para mirar o par de garotas na entrada do banheiro.

Uma delas, a mais alta, sussurra algo para a amiga com um sorriso maldoso.

— Não é isso que estão... — tento falar.

O outro ergue as sobrancelhas duas vezes parecendo extremamente divertido com a situação.

— Diga algo, seu idiota. — resmungo.

— Ah, claro...Sinto muito, meninas — ele começa finalmente e eu suspiro um pouco aliviada, antes dele adicionar com um sorriso — ... Mas é exatamente o que vocês estão pensando.

— O quê?! — pergunto incrédula que ele realmente havia dito aquilo.

— Se não se importam, nós gostaríamos de ter um pouco mais de privacidade. — completa.

As meninas dão risadinhas e saem dali.

— Qual é o seu problema?? — me viro para ele, furiosa demais para lembrar de falar baixo.

Ele dá de ombros e põe as mãos nos bolsos, fazendo uma cara triste.

— Você me chamou de idiota, amor. — diz, colocando a mão direita dramaticamente sobre o peito — Estou meio sensível hoje.

Revirando os olhos me abaixo para pegar minha mochila jogada no chão e sair dali antes que desse um toque de roxo naquele rosto irritante.

— Sabe... — ele começa, colocando a mão no queixo, com um ar pensativo — Me pergunto o que as pessoas vão pensar do meu nobre ato de salvar lindas donzelas que se trancam no banheiro da escola para fazer algo ilícito.

Eu me viro para ele.

— O que?

— Isso mesmo que ouviu. É bom ser mais gentil com as pessoas, quando se tem o hábito de se embebedar no banheiro da escola.

Ele se vira e puxa um papel toalha, uma caneta do bolso e rabisca algo.

— Esse é meu número. Me liga mais tarde para eu te dizer o que fazer pela minha discrição. — ele me entrega o papel e se vira, rumando à porta.

— Não sabia que você fazia o tipo chantagista. — murmuro.

Ele para e me olha por cima do ombro, com um sorriso.

— Eu nunca disse que era um dos mocinhos.

O babaca dá uma piscadela antes de sair e eu encaro furiosa o papel, já meio amassado em minhas mãos.

Sua letra tinha traços firmes e um pouco enrolados, mas eu conseguia entender seu nome e número escritos.

Eu suspiro e guardo-o no bolso, antes de rumar à diretoria imaginando mil formas divertidas de matar Lucca Coleman estrangulado.

Notas finais
Olá meus amorzinhos.... ♥ O que acharam do cap? Sintam-se livres para comentar sobre o cap, ou falar comigo, juro que sou amorzinho. Beijinhos da tia Jammie