Notas iniciais
Olá de novo, meus lindoss. São desgraçadamente 4am e não consigo dormir, então porque não postar cap mais cedo? Aí vai... Espero que gostem ( @_@ ☕)

A última mulher do grupo corre pelas vielas, gritando debilmente por ajuda.

Sua perna mutilada manquejava pelo calçamento, enquanto ela corria enlouquecidamente, fugindo do homem com o punhal.

Depois de algum tempo ela para e encosta-se junto a uma árvore, lançando um olhar para o beco escuro de onde havia saído.

Nem sinal de seu perseguidor.

A mulher da um suspiro aliviado que se torna um gemido, quando sente a lâmina atingindo sua jugular.

Sally desliga a TV e bate palmas com um sorriso satisfeito.

— Caaara, que filme incrível! — Exclama, catando na tigela os últimos grãos estourados de pipoca.

Assim que terminamos a derradeira aula do dia, ela praticamente me arrastou até sua casa, para assistirmos juntas a um filme sangrento de terror que havia comprado.

— Se você acha incrível um filme em que metade dele as pessoas estão transando, então sim, é muito incrível. E educativo. — Implico revirando os olhos.

Ela da uma risadinha e quando abre a boca para responder, seu celular toca.

— E então? — Sally diz para a pessoa no telefone — Sim... Onde você está?

Suspiro e me estico na cama, dando uma olhadela para a janela.

Lá fora uma chuva torrencial caía, as gotas d'água espancando o vidro com tanta força que davam a sensação de que trincaria a qualquer momento.

— E por que você não vem? — Ela continua depois de alguns instantes em silencio — Não, você não vai vomitar no meu tapete outra vez, o filme já acabou.

Vomitar no tapete outra vez... Só pode ser Matt.

Penso na lista de mensagens não respondidas — e completamente ignoradas — por ele.

Desde a noite passada, ele tem me evitado e mal nos falamos na escola.

Ele disse estar gostando de alguém, então provavelmente, deve estar muito ocupado enfiando a língua na boca de alguém para responder a mensagem da amiga idiota.

O que aconteceu com o lance de amizade, Matthew Collins?

Sentindo aquele estranho aperto ganhando espaço outra vez, levanto num salto e rumo para o banheiro de Sally, tentando me controlar para não descontar minha irritação na porta.

"Acho que estou gostando de alguém."

Tiro o celular do bolso para avisar ao papai que ia passar a noite na casa de Sally, quando eu percebo uma bolinha de papel cair do meu bolso e rolar até a parede abaixo da pia.

Vou até ela e me sento no chão para desenrolar o papel, onde vejo o número do Coleman.

Eu havia esquecido completamente o incidente com o idiota do corredor, mais cedo.

Cerro os olhos, segurando o impulso de jogar aquele maldito papel no vaso e dar a descarga. Eu teria problemas se o imbecil saísse espalhando mentiras.

Por culpa dele, além de ouvir um sermão sobre dormir durante a aula, tive que escutar um outro sobre levar garotos para dar uns amassos no banheiro feminino. As duas garotas que nos viram, não esperaram um segundo para espalhar verdades aumentadas pela escola e obviamente, isso chegou aos ouvidos da diretora Bennett, que a essa altura já tinha contado tudo ao papai.

Temo que se os dois não fossem amigos, não teria perdido a oportunidade de me dissecar viva.

Respiro fundo e disco o número lentamente, reunindo toda a paciência — que eu não tenho — para evitar usar todo o meu estoque de palavrões.

— Alô? — Ele atente no terceiro toque, a respiração ligeiramente alterada.

Só de ouvir sua voz, eu sinto meu rosto se contraindo numa careta.

— Sou eu...

— Espera um instante. — Me interrompe e desliga na minha cara.

Idiota folgado.

Segundos depois, o celular vibra em minhas mãos e eu atendo.

— Fala logo o que você quer. — Murmuro impaciente.

Eu quase posso enxergar seu sorriso debochado.

— Quero pedir pra você não ficar secando meu traseiro daquele jeito. —Zomba — Sou um pouco tímido, sabe?

Reviro os olhos engolindo a vontade de manda-lo tomar no lugar onde o sol não bate.

— Estou enviando os detalhes do meu trabalho de biologia por mensagem. Preciso dele pronto pra amanhã.

— O quê?! — Levanto de súbito, esquecendo completamente que estou debaixo da pia e bato forte a cabeça contra a mesma — Como você quer que eu entregue isso para amanhã?

Do outro lado de linha, ouço Coleman rir.

— Dê o seu melhor, Stewart.

É, eu devo ter matado alguém na encarnação passada.

Saio do banheiro igual um furacão, quase esbarrando em Sally, enquanto procurava meus tênis e vestia meu moletom, proferindo baixinho uma lista dos meus palavrões favoritos.

— Eu ia perguntar se você estava viva, mas mais do que isso, impossível.

Ela da um suspiro reprovador.

— Tenho que ir pra casa. — Murmuro, sentando na cama para calçar o sapato.

— Tem certeza? — Ela diz, lançando um olhar para a janela, que seguia sendo agredida vigorosamente pela chuva — Não é uma boa ideia sair debaixo dessa água toda. Matt pode te dar uma carona...

Eu balanço a cabeça negativamente e me aproximo para um rápido abraço.

— Matthew tem mais o que fazer, Sally. — Acrescento, antes de rumar para a porta jogando minha mochila surrada sobre o ombro.

Lá fora, eu puxo a touca do moletom sobre a cabeça e corro o mais rápido que posso até o ponto de ônibus, onde uma pessoa já aguardava de pé.

— Droga... — Murmuro baixinho, observando minha mochila, roupas e tênis ensopados.

Tudo bem, talvez não tenha sido mesmo uma boa ideia vir até aqui desse jeito.

Puxo o zíper até meu pescoço e cruzo os braços para conter o frio, antes de deslizar para o banco e me encostar respirando fundo, tentando normalizar minha respiração acelerada. As ondas de vapor saiam dos meus lábios e espiralavam pelo ar, até desaparecer.

Minutos se passam e nem sinal do ônibus.

Então me levanto, virando distraidamente para encarar o homem ao meu lado, que se mantinha imóvel, seu olhar fixo em algum ponto à frente e um leve sorriso nos lábios.

Ao contrário de minhas roupas, o seu terno escuro parecia intocado pela chuva que havia começado há alguns minutos sem — pausa —, e ele parecia muito jovem com seu cabelo dourado caindo em cascatas pelo pescoço, quase encobrindo a tatuagem em sua nuca. Uma pequena frase, no que parecia ser outra língua.

Minha curiosidade me faz aproximar um pouco para ler o que havia ali.

Como se sentisse meu olhar sobre si, seu rosto se direciona para mim e por alguns instantes sinto o sangue congelar.

Seus olhos são completamente negros.

Ele abre um sorriso sinistro e eu sinto tudo subitamente ficar silencioso.

— Que adorável... — O homem diz, estendendo a mão para mim — Qual o seu nome?

Dou três passos e eu tenho de me lembrar de respirar, antes de correr para a chuva outra vez.

Sigo para um canto e despejo toda a pipoca doce e o refrigerante que tomei mais cedo na casa de Sally e mantenho-me debruçada por algum tempo, abraçando meu corpo com força. O frio já não é um incomodo, comparado as tonturas e o medo.

Algo naqueles olhos...

Me estomago se contrai e eu me abaixo novamente.

— Tudo bem aí?

Eu me viro ligeiramente para ver o rosto de Coleman.

— Some daqui. — É o que consigo dizer.

Um suspiro e o som de passos se aproximando. Ele se põe ao meu lado e cola sua mão à minha testa.

— Droga, Stewart. Você ta queimando de febre. — Ele diz, sua voz agora denunciando algum tipo de preocupação.

É... Talvez eu estivesse com febre mesmo. E delirando por sinal, porque eu o sinto colocar sua jaqueta sobre meus ombros e o calor bem-vindo de meu corpo, quando ele me levanta em seus braços.

— Me põe no chão agora! — Ordeno, empurrando fracamente seu peito sólido.

— E você acha que eu vou simplesmente te obedecer?

Ele me solta no bando do passageiro do seu carro e prende meu cinto, antes de se sentar ao volante.

Furiosa viro o rosto para janela, onde a luzes trepidavam ao longe numa estranha dança em meio ao fundo escuro da noite e sinto os cantos dos meus lábios subirem levemente. Nunca antes havia visto cores tão belas.

Bocejo, sentindo minhas pálpebras pesadas.

— Não durma. — Ele diz, seu tom de voz autoritário.

— Você acha que simplesmente vou te obedecer? — Implico repetindo suas palavras e eu me viro mostrando o dedo do meio.

Coleman se vira para mim e da uma gargalhada, seu peito firme se contraia abaixo da camisa social meio aberta.

Foco Jessie, foco.

Engulo em seco e me viro para o outro lado, muito ciente de que estou corando e agradeço mentalmente por já estar escuro.

— Você esta me seguindo, ou o que? — Murmuro.

—O mundo não gira ao seu redor, Stewart. — Ele responde — Moro há alguns quarteirões daqui.

Viro-me para ele no exato momento que um relâmpago ilumina o interior do carro e eu percebo a mancha escura abaixo de seu olho esquerdo e a boca ferida no canto.

— O que aconteceu com você? — Questiono, sabendo que a pergunta correta seria: "Brigou com quem dessa vez?"

— Não acho que seja da sua conta, docinho.

Idiota.

— Tem razão. — Digo fazendo uma careta e adiciono — E não me chame disso outra vez, se gosta dos seus dentes.

— Doce como jiló... — Zomba e então, algum tempo depois continua, mais sério — Só quero dizer... quanto menos souber de mim, melhor.

— O que você é? Algum foragido do FBI?

Ouço seu riso fraco e sem humor.

— Não é tão simples como parece.

Engulo em seco e percebo que estamos próximos a minha casa.

— Pode parar aqui. — Murmuro.

Ele estaciona o carro e nos encaramos no escuro por alguns segundos, o silencio se tornado constrangedor.

— Bem, obrigada pela carona.

— Não por isso. — Diz em voz baixa, se esticando rapidamente para abrir a porta ao meu lado.

Aquela proximidade enviava estranhas ondas de arrepios por todo o meu corpo, e não sei dizer se é por conta da febre.

Febre. Com certeza febre.

— Stewart?

— O que?

— Não se ponha em perigo novamente. — Sussurra.

Relampeja e dessa vez eu tenho um vislumbre de seus olhos me encarando de perto.

Eu assinto e salto do carro, rumando para casa, o rosto em chamas.

Por causa da febre, digo a mim mesma. Por causa da febre.

Notas finais
Ai, gente, o que vcs acharam desse cap? Tô super nervosa. Tipo ta dando aquela vontade de me arrepender e reescrever o cap, mais aí vou atrasar o prazo do cap, enfim... Deixem seus comentários se sentirem vontade, prometo que sou amorzinho ♥ Beijinhos Jammie ☕