Notas iniciais
Olá! Primeiramente agradeço pela atenção, e por estarem lendo! É muito importante para mim! Espero de verdade que gostem, então aí vai. Quem gostar e quiser acompanhar as novidades sobre a fic, aqui está o link do grupo no facebook, para quem quiser participar:

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Enfim, boa leitura! E não esqueçam de comentar!

Era mais um tarde quente de domingo, típica daquela estação. Não chegava a ser uma tarde tórrida, mas estava quente o bastante para retirar as pessoas de suas casas.

Kate, Ágata e Evellyn também estavam de saída, mas não a um passeio de verão. Embora todos achassem isso muito estranho, elas iam todos os anos (após o acidente de Scarlet e Andrew), ao cemitério fazer uma visita aos pais. Não era uma coisa cem por cento agradável, mas era necessário, principalmente para Evellyn, que era quem menos gostava dessa ideia. E hoje era mais um dia de visita.

Ágata já estava pronta, e aguardava a irmã junto de sua tia Kate, que estava impaciente ao lado do carro. Estava colhendo algumas flores, que ela mesma plantara, junto de algumas plantas medicinais. Levaria para por nos túmulos dos pais. Kate já não aguentava mais esperar, tentava apressar Evellyn a todo custo:

–Anda Evellyn, estamos derretendo aqui nesse sol! Gritou Kate, que não estava com uma expressão nada boa. Evellyn continuava a ignorar os escândalos da tia e nada respondia.

–Ai.. Ai... Desisto. Sua irmã nunca vai se acostumar a isso. Disse Kate para Ágata, que agora olhava para o nada. –Eu não sei como consegue ficar tão tranquila o tempo todo. Ágata estava com o pensamento distante, apenas sentia a brisa leve e quente do ar, e ao perfume natural das rosas.

–Umas das únicas coisas boas que eu aprendi com a Evellyn é que a paz vem de dentro para fora. Respondeu Ágata. Ela não havia aprendido isso necessariamente com a irmã, apenas a observou.

–Filosofia oriental, não é? Perguntou Kate, Ágata assentiu com a cabeça.

Nesse momento Evellyn apareceu na porta, e veio em direção da irmã e da tia num passo calmo. Ficou lado a lado da irmã. Não era preciso olhar bem para entender a diferença entre ambas. Ágata estava usando mais um de seus incontáveis vestidos delicados de verão. Possuía uma estampa floral, tão clara que era quase imperceptível. Uma sandália e algumas pulseiras. Evellyn trajava um de seus shorts jeans favoritos, surrado de tanto ser usado, um all star e uma blusa preta como símbolo yin yang, que deixava suas costas à mostra. A diferença agora estava mais acentuada, pois Evellyn tingira suas pontas de vermelho fogo num estilo californiano, e acabara de fazer uma tatuagem de um dragão imperial chinês nas costas, que fazia questão de mostrar. Ainda sim, possuíam o mesmo rosto angelical e igual beleza.

Evellyn arremessara as chaves para Kate com tal violência que, se Kate não tivesse um ótimo reflexo teria se machucado pra valer.

–Desculpe a demora, não encontrava o meu Ipod. Disse Evellyn, tão baixo que quase não era compreensível.

–Seu esforço para tentar inventar uma desculpa é realmente comovente. Disse Kate, irônica.

–Já disse! Eu não conseguia achar a porcaria do meu Ipod! Disse Evellyn, alterando-se. –Mas afinal de contas, precisamos mesmo ir? As pessoas estão começando a nos chamar de “A família Addams”.

–E não é você mesma que sempre diz que a opinião dos outros de nada vale? Disse Ágata. Ela adorava usar as “filosofias” de Evellyn contra ela própria.

–Evellyn, isso tudo faz parte de seu tratamento, ou não se lembra do que o psicólogo disse? Disse Kate.

–Isso foi há três anos atrás, eu só fiquei chocada, só isso! Agora estou bem, de verdade. Disse Evellyn, tentando acreditar no que dissera.

–Só chocada? Durante um mês? Evellyn querida, nós sabemos que ainda não está bem, se o médico disse que seria melhor para você, então que seja assim. Disse Kate, parecendo estar realmente preocupada com a sobrinha. Percebendo que não adiantaria insistir, ligou o seu Ipod no último volume e entrou a contragosto no carro.

–Por que ainda insiste nisso? Você sabe que Evellyn não tem mais jeito! Disse Ágata.

–O psicólogo disse que ela não iria aceitar, mas era para insistir, com o tempo ela iria se acostumar. E já vimos alguns resultados. Respondeu Kate. Ágata não disse mais nada, entraram no carro e seguiram até o seu destino.

Finalmente estavam a caminho do cemitério, na ida Ágata e Kate trocavam algumas palavras, enquanto Evellyn parecia ter desmaiado no banco de trás. Seu Ipod estava tão alto que Ágata escutava claramente a música, e não a agradava nem um pouco os solos de guitarra.

–Um dia os ouvidos de Evellyn ainda irão explodir. Murmurou Ágata.

–Os tímpanos de Evellyn são mais fortes do que você pensa Ágata. Respondeu Kate, que surpreendeu Ágata, que acreditava não ter sido ouvida. Mas Kate tinha essa habilidade, ela sempre sabia o que você estava pensando.

Depois de alguns minutos elas finalmente chegaram ao cemitério. Não havia mudado nada, a rua continuava a mesma. As mesmas casas, os mesmos rostos, e agora já estavam acostumados em vê-las todos os anos ali.

–Tudo bem, vamos acabar logo com isso. Disse Evellyn, saindo do carro e indo em direção ao túmulo junto de Kate e Ágata. A leve brisa quente agora era vento e incrivelmente havia tornado aquela tarde um pouco fria naquele momento. Estavam de frente para o túmulo dos pais, havia uma foto do casal. Ágata repousou o buquê de rosas que havia colhido sobre os túmulos, dividindo-o:

–Três anos se passaram, mas o meu amor por eles não diminuiu. Nem a saudade. Disse Ágata, com uma voz triste. Deixou que uma lágrima tímida escorresse escondida no rosto.

–Também sinto falta, ainda não consigo acreditar que eles se foram de um jeito tão trágico! Disse Kate, enlaçando Ágata para um abraço. Pensou em juntar Evellyn ao abraço mas não sabia se era o certo a fazer. –Mas a vida continua. Disse.

Evellyn olhava fixamente para os túmulos à sua frente. Estava tentando não chorar. “Todos estão errados, isso não faz bem a ninguém”, repetia para si mesma. Aquele psicólogo estava errado, como todos ao longo de sua tenra infância. Evellyn escondia de todos, até de si mesma o sentimento de culpa. Acreditava que tudo de ruim que acontecera aos seus pais teria sido por sua culpa. E uma simples visita anual ao cemitério não era o suficiente para remover o sentimento de culpa.

Kate, como sempre havia percebido a angústia da sobrinha:

–Eve, querida, não quer dizer nada? Perguntou docemente a tia, que tentava decifrar o olhar de Evellyn.

–Não é necessário Kate, vocês já dizem por mim. Respondeu, numa voz falhada. Evellyn sentiu que não aguentaria mais um minuto. Olhou para os túmulos mais uma vez, e, quase que num sussurro, conseguiu dizer:

–Eu não me esqueci de vocês.

Se foi uma demonstração de afeto ou não, Evellyn não ligou, deixou a irmã e a tia a sós e caminhou lentamente até o portão. Olhou ao redor do ambiente. O sol brilhava cegamente, e todas aquelas cruzes, túmulos e epitáfios não lhe faziam bem. Virou-se para a irmã e a tia e perguntou. Sua voz quase não saía:

–A “cerimônia” já acabou não é? Podemos ir logo?

–Já vamos Evellyn, espere no carro. Disse Kate. Evellyn sabia que era só uma desculpa para a tia e a irmã falarem a sós sobre ela. Sentiu que não suportaria mais e foi em direção ao carro o mais rápido que pôde. Não aguentou entrar no carro, sentou-se na traseira e desabou a chorar. As lembranças daquele triste dia e dos meses seguintes vieram à tona. Tudo o que Evellyn tentava esquecer agora não saía de sua cabeça. Enxugou as lágrimas e checou se a irmã e a tia não teriam percebido o seu desabafo. Quando de repente reparou e viu alguns jovens eufóricos e elétricos indo em direção á praia mais próxima. Reconheceu alguns amigos e colegas de escola, inclusive sua melhor amiga Madison. Considerados uma “péssima influência”. Mas ela não ligava. Uns levavam pranchas de surf, outros bebidas. Evellyn logo percebendo do que se tratava, abriu um meio sorriso malicioso. Murmurou para si mesma:

–Era disso que eu estava precisando...


Notas finais
Então.. O que acharam?